Integridade Inegociável: Exemplos de integridade [parte II]

Áurea Emanoela

Integridade inegociável

No post que deu início a essa série fizemos menção a três jovens que, à semelhança de Daniel, tiveram uma vida sem comprometimentos. Mizael, Ananias e Azarias foram exemplos proeminentes de genuína integridade. Tendo seguido o caminho estabelecido por Deus, não comprometeram suas convicções.

A história de fé e coragem daqueles três jovens traz à luz uma profunda e sincera confiança na providência divina que ecoa ainda hoje, compelindo-nos a uma integridade inabalável, mesmo sob o risco da morte.

Integridade desafiada

O problema começou para Sadraque, Mesaque e Abede-Nego quando o rei Nabucodonosor teve um sonho (Daniel 2.31-35). Ele viu imagens de uma enorme e imponente estátua com cabeça de ouro maciço e corpo e pés compostos de prata, bronze, ferro e barro. O ouro representava a própria cabeça de Nabucodonosor (Daniel 2.38), e aquilo lhe foi tão atraente, que decidiu erigir uma estátua de verdade em honra de si mesmo (Daniel 3.1).

A gigantesca estátua era um projeto de grandiosidade pomposa e totalmente egocêntrica de Nabucodonosor. Ele estava fazendo tão somente o que os descrentes costumam fazem: cultuar a si mesmo e, com efeito, colocar-se acima de Deus. O rei ordenou que todos os seus súditos se dobrassem diante da estátua e a adorassem – e todos prestaram pronta obediência, exceto Daniel e seus três amigos. Eles mantiveram sua integridade e permaneceram firmes, comprometidos com o verdadeiro Deus e a sua lei.

Entretanto, a desobediência ao decreto real tinha um preço que eles estavam dispostos a pagar: “Qualquer que se não prostrar e não a adorar será, no mesmo instante, lançado na fornalha de fogo ardente” (Daniel 3.6).

A integridade traz perseguição

Por permanecerem firmes pelo que estava certo e não se comprometerem, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego atraíram, contra suas próprias vidas, a oposição maligna e implacável da parte dos babilônios. Muitos dos membros do segundo escalão da corte babilônica já se ressentiam de que Daniel e seus amigos recebessem preferência quanto às melhores posições governamentais (cf. Daniel 2.48-49). Agora, não hesitariam em arremeter contra os três:

“Há uns homens judeus, que tu constituíste sobre os negócios da província da Babilônia: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego; estes homens, ó rei, não fizeram caso de ti, a teus deuses não servem, nem adoram a imagem de ouro que levantaste” (Daniel 3.12).

O rei se irou ao ouvir o relato e ordenou que os três jovens fossem trazidos à sua presença (Daniel 3.13). Como se já não tivessem de suportar tanta pressão ao se recusarem a seguir a turba dos que adoravam a estátua, os três eram, agora, sujeitos à tentativa raivosa dos oficiais ciumentos de forçá-los a obedecerem ao édito de Nabucodonosor (Daniel 3.14-15).

Fé e tranquilidade em meio a tormenta

Na maior parte do tempo, os amigos de Daniel permaneceram calmos diante da postura maliciosa e da intimidação do rei. Seu silêncio foi uma admissão humilde de que eram culpados, de fato, de não se ajoelharem ante a estátua idólatra. E a única resposta que julgaram necessária foi uma das maiores declarações de fé em toda a Escritura:

“Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste” (Daniel 3.17-18).

O princípio de um padrão alto e singular mostrado na vida de Daniel ficou evidente, também, na vida de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Seu padrão de lealdade e seu amor pelo Senhor eram tão altos que eles foram capazes de permanecer firmes, em pé, no meio de uma imensa multidão ajoelhada, diante da imagem de ouro. Sua integridade de fé foi forte o bastante para resistir à pressão social que geralmente persuade os crentes a aquiescerem aos desejos de um grupo.

Aqueles três jovens sabiam que o que estava prestes a acontecer com os seus corpos não era importante, contanto que suas almas permanecessem fieis ao Senhor.

A integridade gera justiça

A decisão de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foi, então, posta diante do teste final na fornalha ardente, graças à reação furiosa e obstinada ao posicionamento dos três em defesa da verdade: “Então, Nabucodonosor se encheu de fúria e, transtornado o aspecto do seu rosto contra Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, ordenou que se acendesse a fornalha sete vezes mais do que se costumava” (Daniel 3.19).

Agora, a sua única esperança de serem poupados da morte era que Deus interviesse e lhes garantisse livramento dentro da fornalha. Talvez se lembrassem das palavras de Deus ditas por intermédio do profeta Isaías:

“Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti” (Daniel 43.2).

Daniel 3.20-23 nos revela o que aconteceu àqueles três jovens:

“Ordenou aos homens mais poderosos que estavam no seu exército que atassem a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego e os lançassem na fornalha de fogo ardente. Então, estes homens foram atados com os seus mantos, suas túnicas e chapéus e suas outras roupas e foram lançados na fornalha sobremaneira acesa. Porque a palavra do rei era urgente e a fornalha estava sobremaneira acesa, as chamas do fogo mataram os homens que lançaram de cima para dentro a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Estes três homens, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, caíram atados dentro da fornalha sobremaneira acesa”.

A integridade traz recompensa

O Senhor, soberana e graciosamente, recompensou a fé inabalável e o compromisso de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego ao vir miraculosamente em seu auxílio. Após terem sido eles, sem qualquer misericórdia, laçados na fornalha, o rei ficou estarrecido ante o que aconteceu:

“Então, o rei Nabucodonosor se espantou, e se levantou depressa, e disse aos seus conselheiros: Não lançamos nós três homens atados dentro do fogo? Responderam ao rei: É verdade, ó rei. Tornou ele e disse: Eu, porém, vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do fogo, sem nenhum dano; e o aspecto do quarto é semelhante a um filho dos deuses” (Daniel 3.24-25).

O quarto homem, a quem Nabucodonosor se referira com tão grande espanto, foi enviado por Deus para preservar aqueles três jovens no meio das intensas chamas.

Uma valiosa lição

Por razões que somente o Senhor conhece, Daniel não esteve envolvido no “teste da fornalha”, todavia, a conduta dos seus três amigos no meio da mais desafiadora das circunstâncias é, outra vez, o extraordinário testemunho do valor da integridade pessoal baseada nos princípios de Deus.

Essa força de caráter pode nos conduzir ao longo de todos os altos e baixos da vida, especialmente quando sabemos que Deus se agradará da nossa resposta: “Porque todos os seus juízos me estão presentes, e não afastei de mim os seus preceitos. Também fui íntegro para com ele e me guardei da iniquidade. Daí retribuir-me o SENHOR, segundo a minha justiça, conforme a pureza das minhas mãos, na sua presença” (Salmo 18.22-24).

Os amigos de Daniel foram, na verdade, os precursores de todos os crentes que se esforçam, no poder do Espírito, para viver uma integridade autêntica. A chave para essa vida não é algo misterioso ou inatingível; ela existe em todos os discípulos que vivem sendo consistentemente radicais, obedientes e sacrificiais, edificando suas vidas nos moldes da palavra de Deus:

“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12.1-2).

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
Baseado em: MACARTHUR JR., John. O poder da integridade. Cambuci/SP: Cultura Cristã, 2001.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Integridade Inegociável: Exemplos de integridade (Parte 1)

Áurea Emanoela

Integridade inegociável

Anualmente, revistas de circulação nacional elaboram edições especiais destinadas à premiação dos brasileiros que mais se “destacaram” durante o ano. Entre os homenageados estão autoridades políticas, jornalistas e artistas. Além desses homenageados, determinada editora ainda elege o “Brasileiro do Ano” – figura eminente na sociedade brasileira que tenha se destacado em diversos aspectos.

Geralmente, a maioria desses nomes cai no esquecimento nacional com a mesma rapidez com que surgiu. Entretanto, se voltarmos o nosso olhar para a história, nos depararemos com outro grupo que com muito mais razão poderia ser considerado o “melhor e mais brilhante”.

Aspectos históricos

Em 606 a.C, quando o Rei Nabucodonosor – um dos maiores líderes mundiais de todos os tempos – invadiu Judá e tomou Jerusalém, levou dezenas de jovens judeus bem instruídos como reféns para assistirem no palácio do rei e serem ensinados em toda cultura dos caldeus (cf. Daniel 1.3-4).

Um dos moços foi especialmente destinado à grandeza, e hoje seu nome é sinônimo de integridade e de espírito de não-comprometimento. Seu nome era Daniel.

A integridade incita detratores

Deus jamais compromete suas verdades e princípios absolutos em razão de benefícios escusos. Ele sempre age segundo a sua Palavra. Daniel não apenas conhecia essa verdade como também vivia de acordo com ela.

Por toda a vida, Daniel continuou a impressionar os babilônios com seu caráter marcante. Os serviços que prestava ao governador eram insuperáveis, sua integridade era consistente e suas atitudes e condutas no desincumbimento dos deveres diários, inigualáveis:

“Então, o mesmo Daniel se distinguiu destes presidentes e sátrapas, porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava em estabelecê-lo sobre todo o reino” (Daniel 6.3).

Não demorou para que o zelo de Daniel por uma vida sem comprometimentos despertasse o ciúme e a amargura dos oficiais babilônicos. Certamente, Daniel não tinha defeitos de caráter que outros pudessem legitimamente criticar, portanto, seus opositores perversamente começaram a confabular contra ele:

“Disseram, pois, estes homens: Nunca acharemos ocasião alguma para acusar a este Daniel, se não a procurarmos contra ele na lei do seu Deus” (Daniel 6.5).

Os inimigos de Daniel, finalmente, planejaram fazer aprovar uma lei que versava sobre a lealdade ao rei. Astutamente persuadiram o rei Dario a emitir uma irrevogável ordem que o tornaria rei supremo e que proibiria todos de fazerem qualquer petição a outro, deus ou homem, senão unicamente a ele (cf. Daniel 6.6-9).

A penalidade por violar essa nova lei seria a morte. Isso, porém, não impediria Daniel de manter sua obediência sem comprometimento ao Senhor.

A integridade inadmite atalhos

Os padrões superiores de justiça de Daniel e sua integridade simplesmente não permitiam que ele se curvasse ao novo édito do rei, mesmo se tal documento fosse preciso e, na tradição dos medos e persas, impossível de ser mudado.

“Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa e, em cima, no seu quarto, onde havia janelas abertas do lado de Jerusalém, três vezes por dia, se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como costumava fazer” (Daniel 6.10).

Porque Daniel não se desviou dos padrões estabelecidos da oração pessoal e da devoção ao verdadeiro Deus, seus inimigos logo o apanharam transgredindo a lei real e não tardaram em entregá-lo ao rei Dario. Quanto a essa situação, Daniel não precisou apresentar nenhuma defesa elaborada. Sua forte fé e confiança no Senhor o acompanhariam, a despeito do que o rei pudesse lhe fazer.

Integridade na cova dos leões

Certamente o rei Dario guardava muito respeito por Daniel, a ponto de emitir uma ativa e oral preocupação pelo seu bem-estar, a fim de não ter que puni-lo. Dario procurou encontrar uma brecha na lei, todavia sem êxito. Nada podendo fazer de diferente, o rei, relutantemente, aceitou o desejo dos opositores de Daniel, obedeceu à lei que ele mesmo havia assinado e ordenou que o fiel servo de Deus fosse levado à cova dos leões.

Ao cumprir seu dever legal, o rei Dario fez uma marcante declaração: O teu Deus, a quem tu continuamente serves, que ele te livre” (Daniel 6.16). Que comentário poderoso sobre a validade da fé de Daniel e da forte impressão que sua vida de integridade havia causado. Isso sugere que Dario estava disposto a dar crédito ao verdadeiro Deus porque havia testemunhado a vida sem comprometimento e o excelente serviço governamental que Daniel desempenhava.

Sem dizer nenhuma palavra, Daniel apenas permitiu que o curso dos eventos manifestasse a fidelidade do Deus a quem ele servia e em cuja soberania seu coração encontrava descanso.

“Foi trazida uma pedra e posta sobre a boca da cova; selou-a o rei com o seu próprio anel e com o dos seus grandes, para que nada se mudasse a respeito de Daniel. Então, o rei se dirigiu para o seu palácio, passou a noite em jejum e não deixou trazer à sua presença instrumentos de música; e fugiu dele o sono. Pela manhã, ao romper do dia, levantou-se o rei e foi com pressa à cova dos leões. Chegando-se ele à cova, chamou por Daniel com voz triste; disse o rei a Daniel: Daniel, servo do Deus vivo! Dar-se-ia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, tenha podido livrar-te dos leões? Então, Daniel falou ao rei: Ó rei, vive eternamente! O meu Deus enviou o seu anjo e fechou a boca aos leões, para que não me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência diante dele; também contra ti, ó rei, não cometi delito algum” (Daniel 6.17-23).

Uma valiosa lição

Considerando as circunstâncias, Daniel poderia ter seguido o caminho mais fácil, ter sido menos ousado, e ter aberto mãos dos seus padrões de integridade. Mas não o fez. Poderia ter adotado o “jogo da segurança” e descontinuado suas orações diárias pelos próximos trinta dias, mas ele permaneceu fiel aos seus princípios. Desistir deles por causa das intimidações dos seus detratores e comprometer o que era certo não era do feitio do caráter desse servo de Deus.

Testes de fé e integridade não têm, geralmente, esse imediato “final feliz” de que desfrutou Daniel. Jó foi o mais honesto e justo homem do seu tempo, mas, ainda assim, Deus permitiu que Satanás o agredisse (cf. Jó 1.1;8). Isaías creu em Deus, mas foi partido ao meio. Estêvão era um excelente diácono e pregador do evangelho, “homem cheio de fé e do Espírito Santo” (Atos 6.5), todavia, foi apedrejado até a morte (Atos 7.59-60).

Embora Deus não tenha concedido livramento imediato a esses homens, como fez com Daniel, cada um deles cumpriu seu chamado. Todos eles viveram fiel e firmemente, desejando tão somente a vontade de Deus, quer na vida, quer na morte.

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
Baseado em: MACARTHUR JR., John. O poder da integridade. Cambuci/SP: Cultura Cristã, 2001.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Integridade inegociável

Áurea Emanoela

Integridade inegociável

Introdução

Em uma época carente de princípios e valores cristãos, impregnada pelo pragmatismo e pobre de bons exemplos, movida pela cobiça e alimentada pelo pecado, convido você a meditar no testemunho de três jovens cujas vidas estavam totalmente impregnada de Deus. Homens que viveram em tempos difíceis, em terra estranha, no meio de uma gente incrédula e perversa, mas que ainda assim não comprometeram seu testemunho cristão, mesmo diante das ameaças e perigos de morte.

É provável que você – assim como eu – já tenha tido oportunidades de proclamar Cristo a pessoas incrédulas e, por intimidação ou falta de segurança, tenha se calado. Talvez você esteja comprometendo a Palavra de Deus com respeito a algum tema ético no trabalho ou entre os amigos, acreditando que isso seja necessário para manter sua credibilidade como empregado e nas rodas sociais. Contudo, nosso testemunho cristão deve estar baseado em uma plena dedicação à Palavra de Deus como a mais alta autoridade – não importando as consequências que decorram disso.

Todavia, nossa grande dificuldade de viver em submissão a Deus decorre da facilidade com que aceitamos o sistema de valores do mundo, tornando-nos de tal forma indulgentes a ponto de personalizar-nos e fazer daqueles valores os nossos próprios ideais. Nossos padrões tomam o lugar dos padrões de Deus.

“O mundo é sedutor. Procura atrair nossa atenção e devoção. Permanece bem próximo e ao nosso alcance, bem visível e atraente, que ofusca nossa visão do céu. Aquilo que vemos luta para alcançar nossa atenção. Atrai nossos olhos, se não estivemos olhando para uma pátria superior, cujo arquiteto e construtor é Deus. O mundo nos agrada – na maior parte do tempo, digamos – e, assim, frequentemente, vivemos para agradá-lo. E é aqui que ocorrem os conflitos, pois agradar o mundo raramente se harmoniza com agradar a Deus.” (R.C. Sproul).

Integridade é sinônimo de honestidade, sinceridade e incorruptibilidade, virtudes que estavam presentes nas palavras e no testemunho de quatro jovens levados cativos à Babilônia. Daniel, Mizael, Ananias e Azarias são exemplos cristãos que devemos trazer para os nossos dias: servos fiéis que não cederam às lisonjas do mundo nem comprometeram sua fidelidade a Deus; estavam prontos a enfrentar fornalhas e leões, mas de maneira alguma negociariam a verdade.

Nos próximos posts destacarei aspectos da vida de Daniel e dos seus três amigos que fazem deles exemplos de integridade para os cristãos de todas as épocas. Até lá, com a graça de Deus!

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
Baseado em: MACARTHUR JR., John. O poder da integridade. Cambuci/SP: Cultura Cristã, 2001.
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Romanos 8 e a nossa santificação

Vinícius S. Pimentel

Romanos 8 e a nossa santificação

Como todos nós sabemos (ou deveríamos saber), a santificação é um elemento absolutamente essencial na vida cristã. Essa é uma afirmação que aparece, de modo latente ou patente, por toda a Escritura, e em poucos lugares ela é apresentada tão claramente quanto em Hebreus 12.14: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”. Isso significa que um crente é, por definição, um homem santificado.

Ao mesmo tempo, porém, todo cristão verdadeiro sabe, por sua própria experiência, quão desafiador, lento e até doloroso é – muitas vezes! – o processo de santificação. É uma realidade universal, no que concerne aos crentes genuínos, que nós estamos sempre prontos a reconhecer a importância da santidade, mas nem sempre encontramos em nossa alma a mesma disposição para praticar a santidade. Por causa da nova vida que temos, em Cristo Jesus, nós de fato desejamos andar como homens santos; todavia, por causa da carne que ainda milita em nosso ser, nós encontramos imensos obstáculos à medida que procuramos caminhar por modo digno do Senhor, para o Seu inteiro agrado.

O crente é, por assim dizer, um “homem dividido”: no recôndito mais profundo do seu ser, naquilo que é mais essencialmente verdadeiro a seu respeito, o cristão ama e busca a santidade; contudo, em muitos aspectos de sua vida (eu arriscaria dizer em todos eles), ele ainda é obrigado a reconhecer a presença de “resquícios de pecado” que mancham o seu testemunho e o fazem corar de vergonha. A realidade desse “homem dividido” – que tem prazer na lei de Deus, mas fatalmente descobre que o mal ainda reside em seu ser – é aquilo que faz Paulo exclamar com profunda dor: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7.24).

Com efeito, o texto de Romanos 7.14-25 é uma das passagens mais agonizantes de toda a Escritura. Ali, o apóstolo Paulo, o maior exemplo de fé e vida que encontramos no Novo Testamento, expõe a si mesmo como um homem dividido, um homem que muitas vezes é obrigado a reconhecer em si mesmo a sua própria desconformidade em relação à Lei de Cristo. E, mesmo quando o apóstolo é capaz de erguer os seus olhos e gritar “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor”, as suas últimas palavras no capítulo ainda são de contagiante lamento: “De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado” (v. 25).

Entretanto, no capítulo 8, Paulo passa a discorrer a respeito do motivo de sua gratidão a Jesus Cristo, no que diz respeito à santificação. Aquela afirmação tímida do capítulo 7, “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor” é aqui reiterada e expandida, de modo que o tom de lamento dá lugar a uma explosão de alegria, confiança, segurança e firmeza, em razão daquilo que Deus fez por nós, Seus filhos, em Cristo Jesus.

Ao que nos parece, o ponto de Paulo pode ser resumido como segue: uma vez que a obra de Jesus Cristo em favor do Seu povo é plena e perfeita, ela nos assegura não apenas a nossa justificação, mas também a nossa santificação e tudo o mais que nos seja necessário nesta vida, de maneira que, quando finalmente estivermos diante do trono do julgamento, nada nos faltará, em virtude de tudo o que Cristo conquistou para nós, e seremos plenamente livrados da ira de Deus. Ou, como o apóstolo nos diz em outro lugar: “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus,o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1Coríntios 1.30)

O que nós encontramos em Romanos 8, portanto, é um pleno tesouro de conforto, encorajamento e segurança para a nossa vida de santificação. Vale a pena, então, meditar com mais cuidado nas verdades ali ensinadas:

1. O Evangelho inclui as boas notícias de que Cristo adquiriu a nossa santificação pessoal. Se a falta de santificação pode impedir um homem de ver a Deus, então a obra de salvação consumada pelo Senhor Jesus deveria incluir a nossa santidade – do contrário, jamais seríamos salvos. Mas, de fato, “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1), e isso “porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, [nos] livrou da lei do pecado e da morte” (v. 2). Paulo explica que essa santificação operada em nós pelo Espírito Santo é resultante da obra de Cristo, a quem Deus enviou “em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado” (v. 3), “a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (v.4).

2. A habitação do Espírito Santo nos assegura a santificação no presente, bem como a ressurreição no futuro. A santificação é um assunto sério, e lutar pela santificação é nosso dever. Aqueles que “estão na carne não podem agradar a Deus” (v. 5-8). Porém, todos os verdadeiros crentes estão em Cristo, e todos os que estão em Cristo são a morada do Espírito Santo (v. 9). Sendo assim, o nosso corpo ainda pode exibir resquícios de pecado e consequências da corrupção humana, “mas o espírito é vida, por causa da justiça” (v. 10). E esse mesmo Espírito, que é a fonte e o penhor de nossa nova vida, certamente permanecerá agindo eficazmente em nós até o fim, quando Ele então “vivificará também o [nosso] corpo mortal” (v. 11).

3. A habitação do Espírito Santo nos constrange à santificação – não pelo temor de que sejamos condenados por Deus, mas pela certeza de que Ele nos salvou e nos aceitou em Sua família, como filhos amados. A presença do Espírito em nós faz com que nos sintamos “devedores” de Deus (v. 12), de maneira que somos constrangidos, impulsionados, amorosamente pressionados a nos engajarmos numa verdadeira guerra contra o pecado: “se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis” (v. 13). Mas a grande motivação para estarmos nessa guerra não é tanto o medo de sermos lançados no inferno, e sim a certeza de que “todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (v. 14). Essa doce certeza nos dá a alegre ousadia de chamarmos Deus de “Paizinho” (“Aba, Pai”, v. 15), pois “o próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (v. 16). Ora, “se somos filhos, somos também herdeiros” (v. 17): por mais árdua e sangrenta que seja a nossa luta contra o pecado, temos a plena segurança de que possuímos na eternidade uma vida superior e um reino inabalável, e nisso está a nossa alegria e glória.

4. A constante luta contra o pecado nos faz ansiar ainda mais pela eternidade. Os sofrimentos resultantes da guerra pela santificação frequentemente nos fazem pensar na vaidade desta vida. Ora, se esta existência fosse tudo que tivéssemos, os crentes seriam mesmo os mais miseráveis de todos os homens, como o apóstolo diz em outro lugar (1Coríntios 15.19). Porém, nós temos a certeza de uma vida futura e, quando meditamos nessa vida e contemplamos o Dia que já vem raiando, podemos afirmar com ousadia que “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (v. 18). Sim, naquele Dia, até a criação como um todo será redimida do cativeiro de corrupção e inutilidade no qual hoje se encontra (v. 19-22). Mais do que isso, os filhos de Deus experimentarão a redenção de seus corpos: todo resquício de pecado ainda presente será completamente removido e extirpado, de maneira que eles ingressarão numa vida de completa santidade, para sempre (v. 23). Essa é mesmo uma esperança magnífica! E é por isso que nós a aguardamos com tanta paciência, em meio às lutas do presente (v. 24-25).

5. Mesmo nos momentos de maior fraqueza, nós contamos com a ajuda sobrenatural e poderosa do Espírito Santo. “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza” (v. 26). Essa ajuda divina é intensa e poderosa, de maneira que, quando não conseguimos sequer orar por nós mesmos, o Deus Espírito intensifica as Suas intercessões por nós perante o Pai, e faz isso “sobremaneira, com gemidos inexprimíveis” (v. 26). Ora, se o Pai e o Espírito são um só Deus, podemos ter certeza absoluta de que tal oração será infalivelmente ouvida e prontamente atendida! “E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos” (v. 27).

6. Mesmo nos momentos de maior fraqueza, nós contamos com a providência de Deus em nosso favor – e isso nos assegura que a Sua obra em nós não pode ficar inacabada. É significativo que a afirmação mais sublime acerca da providência de Deus esteja encravada neste contexto, no qual Paulo apresenta a segurança do crente em meio aos sofrimentos da luta contra o pecado. “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (v. 28). Um crente, por causa de suas fraquezas e tropeços, é frequentemente assaltado por dúvidas e frustrações, mas aqui está um remédio poderoso: nada, absolutamente nada, escapa do controle do Deus que escolheu um povo para Si e que ordena todos os acontecimentos do universo para a Sua glória e para o benefício eterno daqueles por quem Ele se afeiçoou. Esse povo a quem Deus amou foi predestinado para ser semelhante ao Senhor Jesus, e nada pode impedi-los de alcançar o seu destino (v. 29). Em Cristo, Eles foram amados, eleitos, justificados e glorificados – e absolutamente nada pode quebrar essa “cadeia de ouro”, pois é o próprio Deus que a mantém (v. 30).

7. Em Cristo, Deus se tornou favorável a nós – e absolutamente nada pode mudar isso. O apóstolo faz uma série de perguntas destinadas a confirmar no coração dos crentes o fato de que eles são amados por Deus e, sendo assim objeto do cuidado paternal de Deus, eles podem ter a confiança de que a sua aceitação diante do Pai é garantida para sempre, apesar de suas fraquezas no presente.

“Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (v. 31) – os nossos maiores inimigos e obstáculos são como poeira diante do Deus Todo-Poderoso, e aquilo que parece uma muralha intransponível para nós não é para Ele mais alto do que um meio-fio!

“Aquele que não poupou o seu próprio filho, antes, por todos nós o entregou, porventura não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?” (v. 32). Se Deus foi capaz de nos amar ao ponto de sacrificar o Seu unigênito, e isso quando nós ainda éramos pecadores incorrigíveis e inveterados, o que pode fazê-Lo voltar-se contra nós, agora que já fomos justificados, aceitos em Sua família e selados com o Seu santo Espírito?

“Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?” (v. 33). Quem levantará o dedo em riste contra aqueles a quem Deus amou e liberalmente aceitou em Sua casa? Se “é Deus quem os justifica”, se é o Justo Deus quem os considera justos, quem pode questioná-lo? “Quem os condenará?” (v. 34). Sim, que acusação a nosso respeito pode permanecer de pé, se já fomos sentenciados como dignos de morte eterna e tal sentença já foi executada sobre Jesus Cristo, na cruz, em nosso lugar? “É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós”.

“Quem nos separará do amor de Cristo?” (v. 35). Não é que não haja muitos tentando tal coisa: tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo e espada, todas essas coisas se levantam contra um crente para pressioná-lo a abandonar a sua fé e desistir de andar pelo caminho estreito. Talvez até mesmo a morte se apresente diante de nós, fazendo apelos e ameaças para que neguemos o Senhor Jesus (v. 36). Porém, como esses terríveis inimigos podem conseguir alguma vantagem sobre nós, se mesmo no meio delas nós “somos mais do que vencedores, por meio daquele que nos amou” (v. 37)? Se tal vitória, o Senhor nos assegura, já pertence aos crentes e não pode lhes ser tirada, então podemos ficar bem certos de que “nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (v. 38-39).

Que essas verdades sejam um verdadeiro consolo e encorajamento em nosso coração, à medida que caminhamos nesta jornada de santificação. Que elas sejam também uma motivação e um constrangimento para que busquemos a santidade, na certeza de que tudo aquilo de que precisamos para esta vida e para a vindoura já é nosso, em Cristo Jesus.

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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Meditações em Filipenses (III): Suplicando pelos santos

Vinícius S. Pimentel

Meditações em Filipenses

E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus. (Filipenses 1.9-11)

Introdução

Pudemos ver, na última meditação, que o apóstolo Paulo costumava iniciar suas cartas às igrejas com uma saudação, seguida de uma oração pelos crentes a quem ele se dirigia. Cada oração geralmente continha tanto ações de graças como súplicas. Já vimos as razões pelas quais Paulo dá graças a Deus pela vida dos irmãos filipenses. Agora, vejamos quais as petições que o apóstolo faz a Deus em favor daqueles cristãos.

Ao meditarmos nesta oração de súplica, devemos almejar duas coisas. Por um lado, devemos desejar que também nós experimentemos as bênçãos espirituais que ele roga Deus conceda aos filipenses. Por outro, devemos nos sentir constrangidos a orar pelos nossos irmãos do presente, para que também eles desfrutem daqueles vistosos frutos da graça de Deus em suas vidas.

Que o vosso amor aumente

Se observarmos a passagem com cuidado, logo perceberemos que o apóstolo faz um único pedido a Deus – embora seja um pedido com diversas implicações – e este pedido é: que o amor daqueles crentes aumente mais e mais, em pleno conhecimento e toda a percepção (v. 9). Há muito a aprendermos aqui.

Em primeiro lugar, somos lembrados de que toda a vida cristã consiste sobretudo em amar a Deus. Não é este o maior de todos os mandamentos? Não é exatamente isso o que Deus mais requer de nós? Com efeito, somos convocados a amar ao Senhor de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, com todo o nosso entendimento e com toda a nossa força (Mc 12.30).

Ora, isso nos leva a considerar o fato de que a vida cristã envolve um comprometimento de todo o nosso ser com Deus, com a Sua vontade, com os Seus comandos. Não há um recanto de nossas vidas que não deva estar em completa e amorosa submissão ao Senhor, de maneira que nós podemos ser verdadeiramente chamados o Seu povo e a Sua possessão peculiar entre todos os povos. Como cristãos, somos o povo amado do Senhor e o povo que O ama sobre todas as coisas.

Em segundo lugar, somos lembrados de que o nosso amor por Deus nunca deve estagnar. Já vimos como a igreja dos filipenses estava comprometida com Deus e com o evangelho, de modo que Paulo tinha inúmeras razões para render graças pela vida daqueles irmãos. De fato, os crentes de Filipos possuíam uma fé exemplar e uma conduta digna de ser imitada. Isso está fora de questão.

O apóstolo estava certo de que eles amavam verdadeiramente a Deus, mas ele não considerava que aquela medida de amor fosse bastante, de maneira que os filipenses pudessem considerar-se desobrigados de continuar a crescer em sua devoção ao Senhor. Por isso, Paulo roga para que o amor deles “aumente mais e mais” (v. 9). Aliás, adiante ele irá demonstrar uma insatisfação semelhante em relação à sua própria vida: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus” (Fp 3.12).

Como filhos de Deus, nós temos conhecido o amor que o Pai tem por nós. Nós sabemos que o Seu amor por nós foi tão grande ao ponto de ter Ele entregado o Seu único Filho para nos salvar, e isso quando nós ainda éramos pecadores, injustos, malignos e rebeldes (Jo 3.16; Rm 5.8-11). Ora, quando contemplamos a natureza imensurável do amor de Deus por nós, logo percebemos quão pertinente é a oração de Paulo. Perto do amor que o Senhor nos dispensou, o nosso amor por Ele é como uma gota de água na vastidão do oceano! Por isso, não importa o quanto já O amamos, precisamos amá-Lo “mais e mais”.

Em terceiro lugar, somos lembrados de que o nosso amor por Deus não está dissociado do nosso conhecimento de Deus. Ouçamos novamente a petição do apóstolo: “que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção” (v. 9). Ao contrário do que muitos pensam e loucamente afirmam, parece-nos muito claro nas Sagradas Escrituras que o nosso amor por Deus depende, em larga medida, do nosso conhecimento Dele.

Ter a mente cheia de verdades bíblicas sobre quem é Deus e quais são as Suas obras é um passo indispensável para qualquer um que deseja crescer no amor ao Senhor. Em sentido contrário, menosprezar ou desprezar o conhecimento bíblico sobre os atributos e os feitos de Deus é o mesmo que desprezar o próprio Deus!

Portanto, precisamos desesperadamente de um conhecimento cada vez mais profundo de Deus, para que possamos amá-Lo e amá-Lo numa intensidade cada vez maior. E esse tipo de conhecimento só pode ser adquirido de uma maneira: pela meditação perseverante e piedosa na Palavra de Deus.

Evidências de amor

Agora, apesar de a única petição de Paulo pelso filipenses ser para que eles possam amar a Deus mais e mais, é certo que o apóstolo espera que tal crescimento em amor tenha impactos profundos e visíveis sobre a vida daqueles irmãos. Ele nos mostra, assim, que existem evidências as quais sempre acompanham o verdadeiro crescimento de nosso amor por Deus.

Em primeiro lugar, vemos que, à medida que o nosso amor por Deus aumenta, aumenta também a nossa capacidade de aprovar as coisas que são excelentes (v. 10). O significado dessa expressão fica muito claro quando consideramos o resto da Carta aos Filipenses. “Aprovar as coisas excelentes” significa, na ótica de Paulo, ser capacitado a considerar Cristo como o tesouro supremo que Ele é, a percebê-lo e experimentá-lo como mais valioso do que todas as coisas que este mundo valoriza, e ama, e busca. O homem que aprova as coisas excelentes é aquele que, sem hipocrisia, pode dizer que considera todas as coisas como lixo e esterco, quando comparadas com a sublimidade do conhecimento de Cristo (Fp 3.7-11).

Mais do que isso, ser capaz de aprovar as coisas excelentes significa estar apto a perder todas as demais coisas por causa de Cristo sem que isso seja considerado em qualquer sentido um prejuízo ou um dano, sem que tal perda seja motivo de qualquer lamento. Afinal, o mesmo Paulo que fez esta oração foi aquele que alegremente aceitou perder todos os prazeres e regalias deste mundo “para conquistar a Cristo e ser achado Nele”. Uma vez que Paulo sabia valorizar o que é excelente, ele estava plenamente apto a dizer: “Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fp 1.21). Isso é aprovar o que é excelente.

Em segundo lugar, vemos que, à medida que o nosso amor por Deus aumenta, aumenta também o nosso desejo de estarmos sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo (v. 10). Amamos a Deus e, por isso, procuramos viver de tal maneira como aqueles que, cedo ou tarde, haverão de se encontrar com o Senhor e desejam estar sempre prontos para serem chamados por Ele. O apóstolo João nos fala sobre isso em termos muito semelhantes: “E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (Jo 3.3). Isso não significa que dependemos de nossas obras para recebermos ou mantermos a nossa salvação; ao contrário, significa que temos tal consciência de como fomos amados por Deus, que nos sentimos constrangidos a viver neste mundo de maneira pura e íntegra, a fim de que, quando estivermos na plenitude de Sua santa presença, tenhamos uma oferta agradável a Lhe entregar.

Em terceiro lugar, vemos que, à medida que o nosso amor por Deus aumenta, aumenta também em nós o fruto de justiça (v. 11). Isso está diretamente relacionado ao ponto anterior. Na verdade, a maneira como nós nos tornamos sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo é dando mais e mais fruto de justiça. O crescimento do nosso amor por Deus é evidenciado pelo nosso crescimento na santificação e nas boas obras, as quais evidenciam que de fato fomos justificados por Deus pela fé em Cristo e regenerados para uma nova vida mediante a habitação do Espírito Santo.

De fato, não há amor por Deus ou cristianismo verdadeiro sem frutos de justiça, e não há crescimento em amor sem que isso resulte em crentes “cheios do fruto de justiça”. O próprio Senhor Jesus nos advertiu: “pelos frutos os conhecereis” (Mt 7.16-20), e aqui Paulo está tão somente repetindo o ensino do Senhor, ao orar para que os filipenses fossem sempre como galhos envergados de frutos vistosos e fartos.

Porém, para não nos deixar dúvidas de que “ao SENHOR pertence a salvação” (Jn 2.9), o apóstolo acrescenta que esses frutos de justiça — que devem estar presentes em todos os cristãos e numa medida cada vez maior – não procedem de nós mesmos, mas são “mediante Jesus Cristo” (v. 11). Ora, temos que dar muito fruto para o Senhor Jesus? É certo que sim! Contudo, esse fruto procede de nós mesmos? Mil vezes, não! Somos apenas os galhos que ostentam e exibem esses frutos, mas são a raiz da videira e sua seiva as responsáveis por prover absolutamente tudo o que é necessário para que eles apareçam e amadureçam.

Se todo o nosso fruto na vida cristã não procede de nós mesmos, mas vem mediante Jesus Cristo, não é de espantar que Paulo conclua afirmando que a nossa frutificação redundará na “glória e louvor de Deus” (v. 11). Nós não receberemos glória pelos nossos frutos; somente Deus a terá. Se nossos frutos realmente procedem Dele, é o Seu nome, e não o nosso, que será exaltado. É a Sua fama, e não a nossa, que correrá por toda a terra. Quando nossas boas obras procedem realmente de Jesus Cristo, os homens as veem em nós – afinal, somos os galhos que as ostentam! -, mas é ao Pai que eles glorificam.

Que o Senhor atenda à oração de Paulo também em nosso favor. Que Ele nos dê uma medida cada vez maior de amor, daquele amor alicerçado no verdadeiro conhecimento de Deus, para que possamos valorizar Aquele que é excelente e estar prontos para a Sua vinda, cheios do fruto de justiça que nasce de Cristo e redunda na glória do Pai celestial.

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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Meditações em Filipenses (II): Graças a Deus!

Vinícius S. Pimentel

Meditações em Filipenses

Dou graças ao meu Deus por tudo que recordo de vós, fazendo sempre, com alegria, súplicas por todos vós, em todas as minhas orações, pela vossa cooperação no evangelho, desde o primeiro dia até agora. Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus. Aliás, é justo que eu assim pense de todos vós, porque vos trago no coração, seja nas minhas algemas, seja na defesa e confirmação do evangelho, pois todos sois participantes da graça comigo. Pois minha testemunha é Deus, da saudade que tenho de todos vós, na terna misericórdia de Cristo Jesus. (Filipenses 1.3-8)

Após fazer a sua saudação inicial aos cristãos filipenses, o apóstolo Paulo faz uma oração a Deus pelos irmãos daquela igreja. Este também era um costume do apóstolo em suas cartas: com poucas exceções, as epístolas paulinas em geral contêm uma seção na qual Paulo dá graças a Deus pela vida dos crentes que compõem aquela determinada igreja, assim como apresenta suas petições ao Pai em favor daqueles discípulos do Senhor.

Nesta meditação, queremos nos concentrar no primeiro aspecto da oração de Paulo, isto é, as ações de graças que ele rende a Deus pela vida dos cristãos filipenses.

Ações de graças a Deus, por vós

Meditemos, em primeiro lugar, na alegria que o apóstolo sente por causa dos verdadeiros cristãos. Esta oração está cheia de expressões que expressam o regozijo de Paulo pela vida dos irmãos. Ele diz que sempre se recorda dos filipenses e ora por eles “com alegria” (v. 4). O apóstolo também diz que carrega aqueles irmãos “no coração” (v. 7) e que tem “saudade” de todos eles (v. 8).

Embora já tenhamos visto, na meditação anterior, que a igreja em Filipos tinha um significado especial na vida de Paulo, precisamos reconhecer que essas expressões de alegria e amor pelos irmãos não foram dirigidas exclusivamente àqueles crentes. O apóstolo expressa o seu regozijo também em outras epístolas escritas a outras igrejas (por exemplo, em Colossenses 1.3-8), de maneira que nós podemos afirmar, com certeza, que a alegria aqui externada manifesta a felicidade que Paulo sente por ver, em cada cristão verdadeiro, o crescimento da igreja, o progresso do evangelho e o cumprimento das promessas de Deus na história.

O Senhor Jesus nos ensinou que o amor de uns para com os outros é a grande marca da verdadeira igreja (cf. João 13.34-35). Além disso, também está escrito que devemos nutrir tal amor pelos nossos irmãos que, se for preciso, devemos dar a nossa própria vida em favor deles, assim como Cristo já deu a Sua vida em nosso favor (cf. 1João 3.16).

Agora, uma das maneiras mais autênticas pelas quais o verdadeiro amor se manifesta é através da alegria. Não é uma verdade facilmente reconhecida que nós sentimos alegria em estar com as pessoas que amamos? Com efeito, uma das provas mais evidentes do amor que dizemos sentir pelos nossos irmãos é o prazer que temos em nosso íntimo cada vez em que nos lembramos deles ou em que temos a oportunidade de estar juntos com eles.

A pergunta que precisamos fazer é esta: Será que nós sentimos essa mesma alegria que Paulo tinha, essa exultação sincera e profunda, quando contemplamos o crescimento dos nossos irmãos em Cristo? Será que nós também amamos a igreja e o seu crescimento da maneira que o apóstolo amava? Será que nós carregamos os nossos irmãos no coração e nos lembramos deles com carinhosa saudade?

Que esse tipo de alegria genuína brote e floresça em nossos corações, em favor de cada um dos nossos irmãos em Cristo!

Meditemos, em segundo lugar, na confiança que o apóstolo tem quanto ao futuro dos verdadeiros cristãos. No meio de sua oração, Paulo irrompe em um glorioso e confiante louvor a Deus, dizendo: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (v. 6). Estas palavras, sem dúvida, devem ter sido uma fonte de profundo consolo para os filipenses que a ouviram da primeira vez. Mais do que isso, elas são uma fonte de profundo consolo para todos os verdadeiros crentes que as lêem, ainda hoje.

A vida cristã não é fácil. Seguir Jesus significa também tornar-se participante dos Seus sofrimentos e fazer-se inimigo dos Seus inimigos. Por isso, como cristão, estamos frequentemente envolvidos em lutas e tribulações que, às vezes, parecem que jamais iráo acabar. Somos perseguidos por causa do Evangelho; lutamos continuamente contra as nossas próprias tendências pecaminosas; somos diariamente assediados pelas ofertas que o mundo nos traz; e, algumas vezes, sentimos como se todas as forças malignas do diabo e seus demônios estivessem diretamente voltadas contra nós. Além de tudo isso, lidamos com as dificuldades ordinárias decorrentes do fato de vivermos num mundo caído: problemas na família, dificuldades financeiras, enfermidades ou, até mesmo, a morte de alguém que amamos.

Sim, a vida cristã não é nada fácil. Porém, aqui, o apóstolo Paulo faz uma declaração que certamente nos consola e nos motiva a seguirmos adiante, caminhando com Cristo, a despeito de todos os inimigos contra os quais lutamos e de todas as dificuldades que enfrentamos ao longo da nossa jornada de fé. “Estou plenamente certo”, ele diz, “de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus”.

Que palavras maravilhosas! Não importa o quão difícil seja a vida cristã; não importa que, aparentemente, a igreja esteja sendo derrotada e os inimigos de Deus estejam se saindo vitoriosos; não importa nem mesmo que nós cristãos sejamos fracos em nós mesmos e completamente incapazes de levarmos a cabo a missão que recebemos do Senhor. Absolutamente nada disso tem qualquer significado, pois a causa de Deus prevalecerá, e isso pelo poder do próprio Deus! Todos os propósitos, desígnios e promessas do Senhor se cumprirão cabalmente, porque Ele é poderoso para isso e ninguém jamais foi capaz de resistir à Sua soberana vontade!

Este ponto precisa ser enfatizado de maneira adequada. Paulo afirma estar “plenamente certo” que a obra de Deus não ficará incompleta na vida de qualquer verdadeiro cristão, de maneira que, no Dia de Jesus Cristo, o edifício de Deus – que é a Igreja – estará completamente terminado, acabado. E o apóstolo faz questão de explicar que isso não acontecerá pela capacidade dos homens ou pela virtude dos crentes, mas pelas mãos onipotentes do próprio Deus.

Se você é um cristão genuíno, você precisa reter as palavras de Paulo e gravá-las em seu coração. Não importa o quão fraco você se sinta hoje, ou quantas dificuldades você esteja enfrentando; tão somente creia no poder de Deus que um dia começou esta boa obra em você. Se Ele teve poder para transformar um morto espiritual em uma nova criação, Ele também tem poder para fazer com que você persevere na fé e na santidade até o último dia de sua vida, de maneira que você jamais se perderá de Suas graciosas mãos. Descanse nesta verdade, e continue a caminhar com confiança.

Meditemos, em terceiro lugar, no motivo tanto da alegria como da confiança do apóstolo no tocante aos verdadeiros cristãos. Nós precisamos observar, por fim, que havia algo na vida dos filipenses que justificava tanto a alegria como a confiança de Paulo a respeito da salvação deles. Era o testemunho deles, a maneira como viviam, que evidenciava o fato de que eles eram genuinos participantes da graça de Deus. Por isso, após falar da sua confiança, o apóstolo diz: “Aliás, é justo que eu assim pense de todos vós” (v. 7).

Quais eram efetivamente as marcas na vida e no testemunho dos filipenses que evidenciavam a veracidade da sua fé? Que característica podemos ver na vida daqueles irmãos, que justificam a confiança de Paulo a respeito deles?

Podemos ver, antes de tudo, a constância e a perseverança deles. O apóstolo diz que eles vinham sendo cooperadores dele no evangelho “desde o primeiro dia até agora” (v. 5). Eles não eram crentes inconstantes e instáveis, mas eram firmes em seguir o Senhor em todo o tempo.

Podemos ver, ainda, a participação deles nos sofrimentos de Paulo por causa do evangelho. O apóstolo louva a Deus porque eles o estavam ajudando em suas algemas (v. 7), isto é, eles não estavam envergonhados de Paulo, antes, pelo contrário, estavam unidos a ele naquele momento de sofrimento na prisão.

Podemos ver, por fim, o envolvimento deles na pregação do evangelho. O apóstolo afirma, com alegria, que os filipenses eram seus cooperadores “na defesa e confirmação do evangelho” (v. 7), ou seja, aqueles crentes estavam engajados na missão de evangelizar o mundo e fazer discípulos para o Senhor.

Essas três marcas, assim, eram vistas pelo apóstolo Paulo como sinais evidentes de que os crentes da igreja em Filipos eram genuínos filhos de Deus, homens verdadeiramente nascidos de novo e alcançados pela salvação eterna. Por esse motivo, Paulo se alegrava com a vida deles e tinha confiança de que eles jamais se perderiam do Caminho.

Essas marcas estão presentes também nas nossas vidas? Se sim, que possamos continuar crescendo na graça, sem jamais perder a nossa confiança no poder de Deus para guardar a nossa salvação. Porém, se não temos manifestado essas evidências da verdadeira fé, que possamos nos arrepender do nosso pecado e nos lavar no sangue de Jesus.

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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Meditações em Filipenses (I): Do servo para os santos

Vinícius S. Pimentel

Meditações em Filipenses

Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus, inclusive bispos e diáconos que vivem em Filipos, graça e paz a vós outros, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. (Filipenses 1.1-2)

Contexto e propósito

Apesar de sua pequena extensão, a Epístola de Paulo aos Filipenses é um livro cheio de ensinamentos e de lições práticas poderosas para todos os crentes. Se queremos ouvir mais claramente a voz de Deus nesta carta, precisamos observar antes de tudo o contexto em que ela foi escrita, assim como o propósito pelo qual Paulo a enviou à igreja.

Primeiro, vamos ao contexto. Quando escreveu esta carta, o apóstolo Paulo estava preso – provavelmente em Roma, naquele encarceramento que é relatado no último capítulo do livro de Atos (28.16-31) –, como nós podemos deduzir pelas diversas vezes que ele se refere a “algemas” e “cadeias” (cf. Filipenses 1.7, 13, 14). É preciso entender que, embora Paulo estivesse confiante em Deus de que seria liberto, havia um risco concreto de que o apóstolo fosse condenado à morte pelo imperador romano, o qual haveria de julgá-lo.

Agora, vamos ao propósito. Paulo era o fundador da igreja na cidade de Filipos, na Macedônia. Na verdade, a congregação dos filipenses tinha um significado especial na vida de Paulo, uma vez que havia sido a primeira igreja plantada por ele na Europa, em sua segunda viagem missionária (cf. Atos 16.11-40).

Ao invés de abandonarem o apóstolo naquele momento de angústia e aflição, os filipenses decidiram enviar a Paulo, através de Epafrodito, o suprimento para as suas necessidades (cf. Filipenses 4.10, 18). Então, após receber a provisão dos irmãos, Paulo decide escrevê-los não apenas para dar graças pela sua atitude, mas também para encorajar os filipenses a permanecerem firmes na fé e a continuarem crescendo na graça e no conhecimento de Jesus Cristo, apesar de todas as perseguições e tribulações que tivessem de enfrentar.

Conhecer a situação de Paulo no momento em que a carta foi escrita, bem como o seu propósito, nos ajuda a ver com ainda mais clareza a firmeza da fé do apóstolo e a alegria, segurança, paz e contentamento que dominavam o seu coração, apesar de todas as dificuldades. De fato, o sentimento que Paulo evidencia em todo o livro de Filipenses é a “alegria no Senhor” (ou, poderíamos dizer, a satisfação em Deus).

Por esse motivo, a meditação na carta aos Filipenses tem sido uma fonte abundante de consolo para a igreja militante ao longo dos séculos. Os cristãos que enfrentam tribulações e perseguição por causa do evangelho podem encontrar, nesta epístola, o caminho para que a sua confiança em Deus permaneça inabalável, apesar de todas as dificuldades da jornada da fé. Ao mesmo tempo, os cristãos que estão vivendo de maneira inconstante podem encontrar um poderoso exemplo e inspiração para que sejam mais firmes em sua caminhada, a fim de que sejam encontrados íntegros e irrepreensíveis no Dia do Senhor.

A saudação

Paulo começa a epístola, de maneira habitual, fazendo uma saudação aos seus leitores. Embora, em geral, passemos rapidamente por esta saudação em nossa leitura bíblica, com certeza há muito para aprender ao meditarmos nas palavras do apóstolo. Afinal, “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil” (2Timóteo 3.16).

Meditemos, em primeiro lugar, no fato de o apóstolo identificar-se a si mesmo (e a Timóteo) como “servo de Cristo Jesus” (v. 1). Para o homem natural, é notável que alguém como o apóstolo Paulo aceitasse alegremente chamar a si mesmo de “escravo”. Paulo havia sido uma figura de destaque em seu próprio tempo: um judeu zeloso da linha mais nobre da religião judaica (os fariseus), ensinado aos pés de um grande mestre judaico de sua época (Gamaliel) e portador de um dos títulos mais cobiçados do mundo no qual ele vivia (a cidadania romana). Segundo a sabedoria deste século, nenhuma expressão era mais inapropriada para referir-se a Paulo do que a alcunha de “escravo”!

Contudo, é exatamente assim que o apóstolo vê a si mesmo: um escravo de Jesus Cristo. E é com grande alegria que Paulo se identifica dessa maneira, pois não existe honra maior para um homem do que ser contado entre os servos do grande Rei, o Soberano dos reis da terra (cf. Apocalipse 1.5), Aquele que possui toda a autoridade sobre o universo (Mateus 28.18).

Além disso, Paulo também sabia que o próprio Jesus, embora sendo Deus, a segunda bendita Pessoa da Trindade, havia se esvaziado e assumido a forma de um escravo, a fim de resgatar a humanidade do pecado e ser reconhecido, no mundo inteiro, como o único verdadeiro Senhor (cf. Filipenses 2.5-11). Ora, se o próprio Senhor de Paulo havia aceitado alegremente fazer-se Servo e sofrer a pior de todas as mortes por amor a Deus Pai e à humanidade caída, por que Paulo não haveria de aceitar, com a mesma alegria, ser reconhecido como um servo de Jesus, por amor a Deus e aos irmãos?

Paulo havia aprendido, com o próprio Cristo, que o homem verdadeiramente grande no reino de Deus é aquele que se humilha para servir a todos (Mateus 20.25-28). Da mesma maneira, todos os cristãos deveriam estar sempre prontos para aceitar a humilhação de servir a outros – pois, quando vivemos com tal disposição, estamos mostrando que somos de fato participantes da vida do próprio Jesus Cristo. Sendo assim, que possamos imitar o apóstolo Paulo e, em todas as circunstâncias, sermos reconhecidos em nossas palavras e obras como “servos de Cristo Jesus”.

Meditemos, em segundo lugar, no fato de o apóstolo identificar todos os verdadeiros crentes como “santos em Cristo Jesus” (v. 1). Os adeptos da heresia romana chamam de santos apenas certos homens a quem consideram exemplos especiais de uma vida moral e piedosa. Porém, aqui, o apóstolo se dirige a todos os irmãos da igreja em Filipos e chama-os de “santos”. Porém, uma vez que eles não são, de maneira alguma, aceitos diante de Deus por seus próprios méritos, Paulo acrescenta adequadamente que eles são “santos em Cristo Jesus”.

Como nós sabemos, a palavra “santo” significa “separado”. Quando usada em relação a Deus, ela designa a incomparável perfeição moral do SENHOR: Deus é santo porque Ele é único e ninguém jamais poderá fazer-se igual a Ele. Porém, quando usada em relação aos homens, a palavra “santo” serve para indicar aqueles que foram separados por Deus para refletir neste mundo caído, de maneira relativa, a perfeição moral que apenas Ele possui de maneira absoluta. Nesse sentido, “santos” são aqueles a quem Deus chamou para andarem com Ele e servi-Lo, brilhando a sua luz de maneira que o mundo inteiro veja as suas boas obras e, então, glorifique ao Pai que está nos céus (cf. Mateus 5.16).

Ora, Paulo faz questão de enfatizar que todos os verdadeiros crentes são santos em Cristo Jesus. Por um lado, isso significa que um verdadeiro crente é sem dúvida alguém que vive de maneira distinta neste mundo, refletindo com suas boas obras a perfeição moral do Deus a quem ele serve. Se alguém não vive assim, glorificando a Deus em seu viver diário, tal pessoa deve arrepender-se imediatamente do seu pecado e lavar-se no sangue de Jesus Cristo.

Por outro lado, a maneira como Paulo chama os crentes de “santos em Cristo Jesus” nos lembra de que a nossa santidade não vem de nós mesmos, mas procede inteiramente do próprio Deus que nos chamou, em Cristo Jesus, para andarmos em Sua presença. Se nós somos santos, é simplesmente porque aprouve a Deus nos fazer participantes da Sua própria santidade (cf. Hebreus 12.10), de maneira que nenhum de nós pode se orgulhar disso; pelo contrário, devemos dar toda a glória a Deus.

Meditemos, em terceiro lugar, naquilo que o apóstolo deseja que todos os verdadeiros crentes experimentem mais e mais: “graça e paz… da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (v. 2). Todos nós usamos esta saudação, mas poucos realmente param para pensar em seu significado. Quando Paulo deseja que os filipenses continuem a experimentar a graça e a paz, que procedem do Pai e chegam a nós pelo Filho, ele está desejando que aqueles irmãos jamais se afastem da graça que os salvou e lhes deu a paz com Deus; mais do que isso, o apóstolo está rogando ao próprio Deus que derrame sobre aqueles crentes uma medida cada vez maior de graça e de paz.

Este desejo que estava no coração de Paulo, ao escrever aos filipenses, deveria também estar em nosso coração, cada vez que saudamos os nossos irmãos na fé. Devemos sempre rogar que os nossos irmãos jamais se apartem da verdadeira fé em Cristo e jamais abandonem a perfeita paz da qual todos os verdadeiros filhos de Deus são participantes.

Ao lermos a breve saudação do apóstolo Paulo aos filipenses, portanto, que possamos guardar todas essas lições. Aceitemos com alegria a posição de servos de Jesus Cristo e busquemos servir os nossos irmãos. Vivamos de maneira santa neste mundo, ao mesmo tempo que demos toda a glória por isso a Deus, que nos santificou em Cristo Jesus. Além disso, andemos sempre em paz com Deus, por meio da graça que há em Cristo Jesus, e desejemos que os nossos irmãos caminhem da mesma maneira.

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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Meditações no Salmo 1 (II): O viver separado do justo

Vinícius S. Pimentel

Meditações no Salmo 1

Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.

Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido. Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa.

Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação dos justos. Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá. (Salmo 1)

No Salmo 1, o salmista contempla a diferença radical entre a vida do justo e a vida do ímpio. Ele nos chama a observar que a vida do justo é caracterizada por um evidente amor aos mandamentos de Deus (a Lei) e, ao mesmo tempo, nos anuncia que a verdadeira felicidade na vida (bem-aventurança) está apenas com o homem justo, e não com o ímpio.

Se atentarmos à voz de Deus na boca do salmista, encontraremos um caminho seguro para vivermos de uma maneira que o Senhor seja completamente glorificado e nós, completamente felizes. (Leia a Parte I)

Meditemos, em segundo lugar, no visível contraste existente entre a maneira como vive o justo e o modo como vive o ímpio.

Conforme nos ensina o salmista, a conduta do justo é inconfundível com a conduta do ímpio. O justo e o ímpio vivem de maneiras radicalmente distintas, e isso deve nos levar à mais séria consideração. Se nossas vidas não são marcadas por uma diferença, por uma separação radical em relação à vida dos ímpios, então podemos ter certeza de que algo está muito errado conosco.

Não sejais cúmplices

Primeiro, somos ensinados que o homem justo não se associa com os ímpios. O homem verdadeiramente justo não se cerca de companheiros ímpios, porque ele sabe do perigo de ser seduzido pela poluição de sua conduta.

Obviamente, isso não significa que um crente não deva relacionar-se em qualquer sentido com os incrédulos, pois, nesse caso, teríamos de sair do mundo (cf. 1Coríntios 5.10). Entretanto, o próprio Novo Testamento nos apresenta diversas exortações para que os crentes se mantenham distantes da poluição do mundo e dos homens mundanos (por exemplo, 2Coríntios 6.14-18). O ponto aqui é que o justo se afasta radicalmente dos ímpios em suas impiedades; ele não aprova tais coisas nem participa delas; pelo contrário, ele as reprova e condena, como Paulo também nos ensina em Ef 5.3-11:

Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos; nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices, coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças. Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais participantes com eles. Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (porque o fruto da luz consiste em toda bondade, e justiça, e verdade), 5.10 provando sempre o que é agradável ao Senhor. E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as.

Um novo pensar, um novo sentir

Segundo, somos ensinados que o homem justo não tem a mesma mente nem o mesmo coração dos ímpios. O homem justo não é apenas aquele que vive de maneira correta, mas é aquele que também pensa e sente de maneira correta, isto é, que tem a sua mente e o seu coração renovados pelo Espírito Santo para apreciar o que Deus aprecia e detestar o que Ele detesta.

Vejamos com cuidado que o profeta afirma que o justo “não anda no conselho dos ímpios”. Isto é, ele não aceita a maneira como os ímpios definem o que é certo e o que é errado, o que é bom e o que é mau, o que é justo e o que é injusto. Ele não aceita que os ímpios exerçam influência e autoridade sobre a sua mente, porque ele reconhece que apenas Deus possui tal prerrogativa.

Essa é uma questão particularmente difícil no tempo em que vivemos. Podemos citar diversas influências ímpias que lutam para exercer domínio sobre a mente dos justos. O governo civil, a ciência e a escola são algumas delas. Mas, sem dúvida, nenhuma dessas influências tem sido tão bem-sucedida na tentativa de poluir a mente dos homens quanto a televisão. Penso que não estou exagerando em afirmar que a TV tem sido a grande arma de satanás para fazer os homens andarem no conselho dos ímpios, afastando-os da verdadeira felicidade em Deus.

A TV ensina as nossas mulheres a se vestirem de maneira a atrair o olhar dos homens para o seu corpo; a TV ensina os nossos homens a buscarem um prazer inútil e ilusório na pornografia e na masturbação; a TV ensina os nossos jovens a desprezarem a sabedoria dos mais velhos; a TV ensina aos nossos casais que, se eles têm problemas no relacionamento, a melhor solução é sempre o divórcio; a TV ensina à nossa sociedade que a desonestidade é mais proveitosa do que o trabalho árduo, que o homossexualismo é tão lícito quanto o relacionamento de um homem com uma mulher, que a única coisa com a qual você deve se preocupar no sexo é em estar seguro e que, se por acaso a sua irresponsabilidade e depravação resultarem numa gravidez, fazer um aborto é a melhor opção. A TV ensina que acreditar em Deus é legal, mas que viver de acordo com a Palavra de Deus e ensinar outros a fazerem o mesmo é abusivo e intolerante.

Obviamente, isso não significa necessariamente que você não deveria ter uma TV em casa. Talvez você não deva, mas apenas o Espírito Santo pode orientar o seu coração a fazê-lo; eu não posso pôr sobre você um jugo que o próprio Deus não coloca em sua Palavra. Porém, eu preciso recomendar a você e exortá-lo a ter discernimento, a não usar a TV de maneira indiscriminada. Não permita que os seus filhos sejam educados pela televisão; não deixe que a mentalidade da sua esposa seja moldada pela televisão; e não permita, sob hipótese nenhuma, que os seus próprios pensamentos sejam governados pelos conselhos dos ímpios veiculados na TV.

Como eu amo a Tua lei!

Terceiro, somos ensinados que o homem justo ama a lei de Deus. Essa é uma declaração verdadeiramente notável. Qual é a característica mais importante para definir se um homem é justo? A resposta dada a nós pelo Espírito Santo é: o justo é distinguido pelo seu amor à lei de Deus.

Observemos, aqui, que a expressão “a lei do SENHOR” faz os nossos olhos se voltarem para a Palavra escrita de Deus. Não há margem para discussões aqui; o salmista está dizendo que o justo nutre um amor especial pela Escritura Sagrada, por este Livro maravilhoso através do qual Deus decidiu comunicar-se de maneira infalível com o homem que Ele criou. Portanto, precisamos nos examinar quanto a essa questão. Amamos, de fato e de verdade, a Palavra escrita de Deus?

É preciso dizer, porém, que a expressão “a lei do SENHOR” também dirige a nossa atenção para o aspecto prescritivo, diretivo da Escritura Sagrada. Em outras palavras, o profeta está querendo dizer que o amor do homem verdadeiramente justo está voltado para os mandamentos de Deus. O prazer do justo não vem das curiosidades que ele encontra na Bíblia; também não tem a ver com um mero estudo teórico, com aquele tipo de atitude racionalista, intelectualista e mórbido que alguns demonstram para com a Palavra de Deus. Não, isso não é “amor à lei”. O verdadeiro “prazer na lei do SENHOR” está em deleitar-se, em alegrar-se com os mandamentos de Deus, com as ordens de Deus, com as exigências de Deus. Se eu sou verdadeiramente justo, eu não leio a Bíblia apenas com o interesse de conhecer as histórias ali apresentadas, mas eu busco na Escritura a direção para obedecer a Deus e viver de maneira agradável a Ele.

Agora, notemos ainda que a relação do justo com a lei é uma relação de amor e prazer. No seu comentário deste salmo, João Calvino assim escreveu:

“A partir desta caracterização do homem piedoso como aquele que se deleita na lei do Senhor, nós podemos aprender que a obediência forçada ou servil não é, de maneira alguma, aceitável a Deus, e que apenas são estudantes dignos da lei aqueles que vêm a ela com uma mente alegre, e de tal maneira satisfeitos nas suas instruções, que consideram não haver nada mais desejoso ou delicioso do que fazer progresso nelas”

De fato, por toda a Bíblia o homem de Deus é descrito não apenas como aquele que obedece a Deus, mas como aquele que obedece de coração, com amor (1Jo 5.3).

É a minha meditação, todo o dia!

Quarto, somos ensinados que o homem justo demonstra o seu amor pela lei ao meditar nela. De fato, se acompanharmos as palavras do profeta, teremos de dar um passo adiante e afirmar, aqui, que o prazer do justo na lei de Deus não é algo abstrato; antes, é demonstrado na dedicação e atenção que tal homem dá à Palavra de Deus.

Eu diria, à luz deste salmo, que nós demonstramos prazer na lei do Senhor de duas maneiras. De um lado, fazemos isso gastando tempo no estudo diligente das Escrituras. De outro, provamos nosso amor pela Lei empregando todo o nosso esforço para pôr em prática os mandamentos da lei de Deus. Se alguém estuda a Bíblia com dedicação e empenha-se em obedecer aos comandos de Deus que nos são dados em sua Palavra, tal pessoa dá evidências de ser verdadeiramente justa. Porém, se negligenciamos a leitura sistemática da Palavra ou se não empregamos o devido esforço para sermos obedientes a Deus, então com isso apenas mostramos que não somos justos de maneira alguma.

Como fica evidente, à luz das palavras colocadas na boca do salmista pelo Espírito Santo, a vida do homem de Deus é notoriamente distinguível da maneira como vive o ímpio. Uma vez que o justo é alguém que nasceu de novo, recebendo do Senhor uma nova mente e um novo coração, esse homem não pode mais viver da mesma maneira que vivia antes. Ele, embora ainda seja um pecador, já não é mais um ímpio: a fonte de sua felicidade, que antes eram os prazeres transitórios do pecado, agora é a lei de Deus.

Diante de tão elevados pensamentos, não podemos fazer outra coisa senão examinarmos a nós mesmos: somos justos ou somos ímpios?

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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Um chamado à obediência

Áurea Emanoela

Um chamado à obediência

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.” (Mateus 7.21-23)

Não existe cristianismo sem submissão ao senhorio de Cristo! Paralelamente a isso, temos que uma vida de obediência a Deus é o fruto da fé (conforme o que se diz acerca de Abraão, conforme Gênesis 22.18; Hebreus 11.8-17; e Tiago 2.21s.). Obediência cristã significa “imitar a Deus na sua santidade (1 Pedro 1.15s) e a Cristo na sua humildade e no seu amor (João 13.14s; Filipenses 2.5s; Efésios 4.32 e 5.2)” (Novo Dicionário da Bíblia, p. 949, 2006).

Segundo ensina o Pastor John MacArthur, “ninguém pode ser salvo, se não deseja obedecer a Cristo, ou se conscientemente se rebela contra o seu senhorio” (O Evangelho Segundo Jesus, p.14, 2010) Temos vivido uma época de “cristianismo fácil” acompanhado de uma terrível apatia espiritual e um desvalor pelo Reino de Deus. O Evangelho da Salvação não mais ocupa lugar de proeminência nos púlpitos cristão; antes, perde espaço para o “evangelho da autoestima”, que lota igrejas mas é incapaz de levar o homem ao arrependimento. Mensagens diluídas, alimento sem qualquer valor, que satisfaz o ego humano, mas mantém o homem à distância de Deus.

Uma realidade aterradora é exposta em Mateus 7.21-23, concernente ao que acontecerá no grande Dia do Senhor, em que muitos comparecerão à Sua presença aturdidos com a terrível constatação de que não estão incluídos no Reino. Jesus faz referência àqueles que detinham uma falsa ideia de salvação, pessoas que durante anos, ou mesmo durante toda a sua vida, lotaram os bancos das igrejas, mas que em momento algum fizeram a vontade do Pai. Jesus ainda deixa claro que nenhuma experiência miraculosa (profecia, expulsão de demônios, operações de milagres) pode ser tomada como evidência de salvação se estiver separada da obediência a Deus.

A obediência à autoridade divina é pré-requisito para a entrada no Reino, e, ao contrário do que muitos pensam, não se trata de uma questão que pode ser discutida em “um momento posterior” ou “nos bastidores” da igreja; pelo contrário, é pela obediência que se evidencia o novo nascimento. “O teste definitivo, se uma pessoa pertence a Cristo ou não, é uma disposição para render-se à Sua autoridade” (John MacArthur, O Evangelho Segundo Jesus). Ainda segundo o pastor MacArthur, “pelo fato de todos guardarmos os vestígios de uma natureza pecaminosa, ninguém poderá obedecer perfeitamente (cf. 2Coríntios 7.1; 1 Tessalonicenses 3.10), mas o desejo por realizar a vontade de Deus está sempre presente nos crentes verdadeiros (cf. Romanos 7.18). A fé gera sempre o anseio por obedecer” (John MacArthur, O Evangelho Segundo Jesus, p. 230, 2010).

Qualquer ensinamento que exclua a obediência como parte integrante do caminhar cristão não passa de engodo e não constitui o verdadeiro Evangelho, pois contraria os ensinamentos de Jesus (“Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.” – Mateus 4.17) e dos apóstolos (“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados.” – Atos 3.19). A mensagem de Cristo não pode ser acomodada a qualquer forma barata de graça ou fé fácil. Servir a Deus implica compromisso, mudança de vida, entrega total e, ao contrário do que somos constantemente levados a pensar, Jesus não procura multidões, mas seguidores dispostos a darem as suas vidas por Ele.

Como cristãos, não somos chamados a andar por terrenos planos, caminhos curtos, paisagens sempre aprazíveis e nem sempre podemos seguir na companhia daqueles a quem amamos! Jesus nos conclama a tomarmos nossa cruz, a ultrajante e pesada cruz, e seguirmos após Suas pisaduras, compartilhando com Ele dos Seus sofrimentos como peregrinos e forasteiros que somos (cf. Mateus 16.24; Marcos 8.34; Lucas 9.23; Mateus 14.27; 1 Pedro 2.11).

O Senhor nos desafia a seguirmos pela porta estreita, porque largo é o caminho que conduz a perdição e muitos são os que andam por ele, atraídos pelas facilidades da vida e os prazeres do mundo (cf. Mateus 7.13; Lucas 13.24). Esse caminho estreito não nos permite levar as “bagagens” que tanto satisfazem o homem natural; temos que nos despojar, de forma obediente, de todo os nossos tesouros e levar tão somente aquilo que agrada a Deus (cf. Mateus 6.21; Lucas 12.34). Passaremos por longas noites de escuridão e choro, até o raiar da esperada manhã (cf. Salmos 30.5). Teremos que abandonar àqueles a quem mais amamos e seguir, sem olhar para trás, se assim nos for requerido (cf. Mateus 10.37-39).

Não se trata de um caminho fácil. Ser cristão significa obedecer em humildade, mas não uma humildade resignada, passiva, em que aquele que obedece se dá por vencido. Somos chamados a uma obediência exultante, que decorre da nossa plena satisfação e confiança no Senhor das nossas vidas. Somos convocados a viver por e para Cristo numa escalada constante, cujo destino final é o céu. “A cidadania celestial é um grande privilégio, mas requer que vivamos pelos padrões de Deus, não pelos do mundo (cf. 1João 2.15-17)” (John MacArthur, O Poder da Integridade, p. 53, 2001).

Que tipo de cristianismo temos vivido?

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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7 efeitos negativos da pornografia

B. J. Stockman

(Este texto aborda o tema não propriamente de uma perspectiva teológica exegética, mas do ponto de vista da psicologia. Entretanto, ele parte de pressupostos cristãos e apresenta informações úteis e insights que são bastante pastorais. Por essa razão, julgamos apropriado traduzi-lo e publicá-lo aqui. A linguagem técnica e os neologismos dificultaram a tradução; portanto, sintam-se à vontade para sugerir revisões. Todos os links estão em inglês.)

7 efeitos negativos da pornografia

Este é um post bastante franco sobre pornografia; portanto, proceda – ou não – com isso em mente.

Pornografia é um problema. É um problema pessoal para muitos e um problema cultural para todos. Talvez, você pense não ter sido afetado pela pornografia, mas você foi, porque ela está arraigada na cultura que nos cerca. O tamanho inacreditável da indústria pornográfica, sua influência sobre a mídia e a evolução da tecnologia, ao lado da acessibilidade, do anonimato e da disponibilidade da pornografia, tudo contribui para o seu crescente impacto sobre a cultura.

A pornografia afeta você, quer você já a tenha consumido ou não, e é útil entender alguns dos seus efeitos negativos – seja você um homem ou uma mulher, lutando com a tentação de vê-la, ou simplesmente uma mãe ou pai com um filho ou filha. Há uma abundância de pesquisas acerca dos efeitos perniciosos da pornografia (e eu não penso que os que seguem são necessariamente os piores deles), mas aqui estão sete efeitos negativos da pornografia sobre homens e mulheres:

1. A pornografia contribui para problemas psicológicos e sociais nos homens

Gail Dines, um ativista anti-pornografia, observa que jovens homens que se tornam viciados em pornografia “negligenciam suas tarefas escolares, gastam enormes quantias de dinheiro que eles não possuem, tornam-se pessoas isoladas das demais, e frequentemente sofrem de depressão” (Pornland, 93). O Dr. William Struthers, que possui um PhD em biopsicologia pela Universidade de Illinois, em Chicago, confirma alguns desses efeitos e acrescenta outros, constatando que homens que consomem pornografia tornam-se controladores, altamente introvertidos, altamente ansiosos, narcisistas, curiosos, com baixa auto-estima, depressivos, dissociativos, desatentos (Wired for Intimacy, 64-65). Ironicamente, enquanto assistir a pornografia cria experiências momentâneas de intenso prazer, ela termina conduzindo a diversas e duradouras experiências psicológicas negativas.

2. A pornografia aprisiona o cérebro masculino

Struthers elabora:

À medida que os homens rendem-se mais profundamente ao hábito mental de fixar-se em [imagens pornográficas], a exposição a elas cria trajetos neurais. Assim como um caminho é criado na floresta pelo caminhar reiterado dos homens, assim também os caminhos neurais determinam o curso para a próxima vez que uma imagem erótica é visualizada. Com o passar do tempo, esses caminhos neurais tornam-se mais largos, à medida que eles são repetidamente percorridos com cada exposição à pornografia. Eles se tornam o trajeto automático através do qual as interações com mulheres são guiadas… Eles, não intencionalmente, criaram um circuito neurológico que aprisiona a sua habilidade de ver as mulheres corretamente como criadas à imagem de Deus. (Wired for Intimacy, 85)

Em uma tendência similar acerca do efeito da pornografia sobre o cérebro, Naomi Wolf escreve em seu artigo The Porn Myth:

Afinal, a pornografia atua no cérebro da mais básica das maneiras: é um pavloviano (1). O orgasmo é um dos maiores condicionantes imagináveis. Se você associar o orgasmo à sua esposa, a um beijo, a um perfume, a um corpo, será isso que, ao longo do tempo, irá despertar o seu desejo sexual; se você se abrir para um fluxo interminável de imagens cada vez mais transgressivas de escravas sexuais cibernéticas, será isso que irá despertar o seu desejo sexual. A ubiquidade de imagens sexuais não liberta o eros; antes, o dilui.

3. A pornografia transforma o sexo em masturbação

O sexo torna-se servo de si mesmo. Ele se torna algo relativo apenas ao seu próprio prazer, e não mais o contato íntimo altruísta e mutuamente prazeroso que foi projetado para ser.

4. A pornografia rebaixa e objetifica as mulheres

Isso ocorre tanto na pornografia pesada como na mais leve. Pamela Paul, no seu livro Pornified, citando o estudo de um psicólogo que pesquisou a pornografia na Universidade Texas A&M, escreve:

‘A pornografia leve também possui um efeito bastante negativo sobre os homens. O problema com a pornografia leve é que o seu voyeurismo ensina os homens a enxergarem as mulheres como objetos, ao invés de estarem em relacionamentos com mulheres enquanto seres humanos’. De acordo com Brooks, a pornografia dá aos homens a falsa impressão de que sexo e prazer estão inteiramente divorciados de relacionamentos. Em outras palavras, a pornografia é inerentemente egocêntrica – algo que um homem faz por si mesmo, para si mesmo – usando uma outra mulher como o meio para alcançar o prazer, assim como qualquer outro produto de consumo (80).

Paul se refere a um experimento que revela outro efeito bastante chocante da pornografia: “homens e mulheres que foram expostos a quantidades expressivas de pornografia mostraram-se significativamente menos dispostos a desejarem ter filhas do que aqueles que não foram expostos. Quem desejaria que a sua própria pequena garota fosse tratada daquela maneira?” (80).

Novamente, é preciso enfatizar, esse não é um efeito ao qual estão sujeitos apenas aqueles que viram pornografia. O consumo massivo de pornografia e o tamanho da indústria pornográfica “hipersexualizou” a cultura como um todo. Homens e mulheres nascem em uma cultura “pornificada”, e as mulheres são as que mais sofrem com isso. Dines continua:

Ao inundar garotas e mulheres com a mensagem de que o seu atributo mais valioso é a sua atratividade sexual e ofuscar outras mensagens, a cultura pop as está dominando assim como um perpetrador individual faria. Isso está lentamente destruindo a sua auto-estima, despojando-as de uma percepção de si mesmas como seres humanos integrais, fornecendo-lhes uma identidade que enfatiza o sexo e despreza todos os outros atributos humanos (Pornland, 118).

5. A pornografia destrói a beleza de uma mulher nua de verdade

Wolf, em sua própria maneira direta, confirma isso:

Durante a maior parte da história humana, imagens eróticas foram reflexos, celebrações ou substitutos de mulheres nuas de verdade. Pela primeira vez na história, o poder e a fascinação das imagens suplantou o poder e a fascinação de mulheres nuas de verdade. Hoje, mulheres nuas de verdade são apenas pornografia ruim (citado em Wired for Intimacy, 38).

6. A pornografia tem um efeito entorpecedor sobre a realidade

Ela torna o sexo real, e até o mundo real, enfadonho em comparação. Particularmente, ela anestesia a vida emocional de um homem. Paul comenta:

A pornografia deixa os homens insensíveis tanto ao ultraje como à excitação, conduzindo a uma diminuição geral dos sentimentos e, consequentemente, à insatisfação diante das lutas emocionais da vida diária… Por fim, eles são deixados com uma mistura de expectativas exageradas quanto ao sexo e emoções entorpecidas quanto às mulheres… Quando um homem fica entediado com a pornografia, tanto o seu mundo de fantasia como o seu mundo real se tornam imbuídos de indiferença. O mundo real frequentemente torna-se muito enfadonho… (Pornified, 90, 91)

7. A pornografia mente a respeito do que significa ser homem e mulher

Dines registra como a pornografia conta uma história falsa a respeito dos homens e das mulheres. Na história da pornografia, as mulheres são “unidimensionais” – elas nunca dizem não, nunca engravidam, e não podem esperar para ter sexo com qualquer homem e dar-lhes prazer de todas as maneiras imagináveis (ou até inimagináveis). Do outro lado, a história que a pornografia conta a respeito dos homens é que eles são “desalmados, insensíveis, meros sistemas amorais de sustentação de pênis eretos que são designados para usar as mulheres de qualquer maneira que desejarem. Esses homens não demonstram qualquer empatia, respeito ou amor pelas mulheres com as quais eles fazem sexo…” (Pornland, xxiv).

Notas:
(1) Segundo a Wikipedia, “O condicionamento clássico (ou condicionamento pavloviano ou condicionamento respondente) é um processo que descreve a gênese e a modificação de alguns comportamentos com base nos efeitos do binômio estímulo-resposta sobre o sistema nervoso central dos seres vivos. O termo condicionamento clássico encontra-se historicamente vinculado à ‘psicologia da aprendizagem’ ou ao ‘comportamentalismo’ (Behaviorismo) de John B. Watson, Ivan Pavlov e Burrhus Frederic Skinner” (Nota do Tradutor).

Créditos: By B.J. Stockman © 2011 Resurgence. All Rights Reserved. Website: theresurgence.com | Original aqui.
Tradução: 
Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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