Fé provada

Áurea Emanoela

Fé provada

Acaso, para o SENHOR há coisa demasiadamente difícil? Daqui a um ano, neste mesmo tempo, voltarei a ti, e Sara terá um filho. (Gênesis 18.14)

Esse versículo, durante algum tempo, ocupou meus pensamentos, e, à medida que meditava nele, o SENHOR me fez compreender algumas verdades a respeito da fé cristã – coisas que, de tão simples, acabam não raras vezes escapando à nossa atenção.

1ª Consideração

O SENHOR havia se revelado a um homem e lhe feito uma maravilhosa promessa. Ele disse: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!” (Gênesis 12.1-2).

Ora, a promessa de Deus consistia em reconhecimento, bênçãos, grandeza. O SENHOR foi categórico ao afirmar que de um homem se faria uma grande nação e que, através desse mesmo homem, seriam “benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12.3). Que glória ser agraciado por Deus com tamanha promessa!

2ª Consideração

Todavia, no versículo seguinte (Gênesis 12.4), surge uma importante informação a respeito do homem a quem o SENHOR houvera feito tão grande e maravilhosa promessa. Abrão (posteriormente, Abraão), chamado segundo o propósito de Deus, tinha 75 anos de idade e era casado com Sarai (posteriormente, Sara), mulher estéril (conforme Gênesis 11.30), também já avançada em idade (65 anos, conforme Gênesis 17.17).

A promessa de Deus, diante desse contexto, parecia algo distante e improvável: como um homem com idade avançada, casado com uma mulher que não podia gerar filhos, seria pai de uma grande nação? Houvera Deus mentido a Abrão?

3ª Consideração

Certamente que não! Contudo, mesmo aquele que ficou conhecido como o “pai da fé” precisou, de tempos em tempos, ser reanimado por Deus quanto àquilo que o SENHOR lhe havia prometido (cf. Gênesis 15.1-6,17). Todavia, os anos se iam passando, Abrão e Sarai continuavam envelhecendo e a promessa parecia cada vez mais impossível de se cumprir.

Abrão e Sarai eram constituídos da mesma estrutura que cada um de nós, portanto, sujeitos às mesmas fraquezas, aos mesmos erros (cf. Gênesis 16), inquietações (cf. Gênesis 15), ansiedades (cf. Gênesis 15.2-3) e desconfiança (cf. Gênesis 17.17; 18.12). Todavia, o que eles não sabiam (e nós muitas vezes ignoramos) é que Deus não precisa de situações favoráveis para cumprir as suas promessas; Ele simplesmente as cumpre, independente do cenário “catastrófico” no qual estejamos inseridos.

Deus não precisa de situações favoráveis para cumpror as Suas promessas; Ele simplesmente as cumpre

Uma primeira verdade que podemos depreender é que há um tempo certo para as promessas de Deus se cumprirem em nossas vidas. Foi assim com Abraão e é assim com todo cristão que vive sob o controle dAquele que pode todas as coisas.

A segunda verdade é que nossa ansiedade não é capaz de mudar o cenário no qual estamos inseridos. Pelo contrário, ela torna-o pior, haja vista que, tal como disse o salmista, “um abismo chama outro abismo” (Salmo 42.7). À ansiedade, segue-se o desespero, a desconfiança, a ira e a precipitação que nos leva a fazer escolhas erradas. Essas escolhas decorrentes da ansiedade podem ter um reflexo imediato, como também podem perdurar por muito tempo (a exemplo do que aconteceu quando Sarai permitiu que sua serva, Agar, deitasse com Abrão, gerando a Ismael).

Conclusão

Deus faz uso do tempo para forjar o nosso caráter e aperfeiçoar a nossa fé. A promessa feita pelo SENHOR a Abraão poderia ter-se cumprido imediatamente após ser feita; todavia, aprouve a Deus cumpri-la depois de um longo período de tempo e, durante os anos em que esperaram, Sara e Abraão foram ensinados a confiar suas vida nas mãos do Único capaz de mudar a situação em que se encontravam, precisaram amadurecer espiritualmente e saber que Deus não é levado por circunstâncias, por piores que possam ser.

Só então, depois de terem aprendido aquilo que o SENHOR lhes queria ensinar, o sorriso de incredulidade (cf. Gênesis 17.17; 18.12) deu lugar ao riso de gratidão a Deus pelo cumprimento da promessa: “e concebeu Sara e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, que Deus lhe tinha dito.” (cf. Gênesis 21.2). Só após entender a grandiosidade do Deus a quem servia, somente quando a sua fé estava totalmente firmada nesse Deus infinitamente grande e poderoso, capaz de fazer infinitamente mais do que a mente humana pode imaginar (cf. Efésios 3.20), Abraão pôde levar seu filho único, aquele que o SENHOR lhe havia dado como cumprimento da promessa feita anos atrás em Ur dos Caldeus, ao monte Moriá, para fazer tudo quanto o SENHOR lhe havia determinado, sabendo que, por mais dolorosa e incompreensível que fosse aquela situação, o Deus que lhe havia feito a promessa velaria por ela.

Por mais dolorosa e incompreensível que seja a situação, o Deus que nos fez a promessa velará por ela

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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