Fundamentos destruídos

Áurea Emanoela

Fundamentos destruídos

“No SENHOR me refugio. Como dizeis, pois, à minha alma: Foge, como pássaro, para o teu monte? […] Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?” (Salmos 11.1,3).

Perseguido e ameaçado por seus inimigos, instado por seus amigos a fugir, a não resistir, a procurar um lugar que lhe abrigasse daqueles que demandavam contra a sua vida, o salmista reafirma sua confiança em Deus.

Em uma época de inversão vergonhosa de valores, qual é o fundamento da nossa fé? Sobre quais pilares temos edificado as nossas vidas? De que maneira temos vivido? Como somos vistos pelo mundo?

Durante alguns anos de sua vida, mesmo depois de ter sido ungido rei (pelo decreto soberano de Deus), Davi se viu obrigado a fugir da fúria assassina de Saul, e é nesse contexto, de perseguiçãoversus fuga, que o salmista, contrariando o conselho dos seus amigos, deposita sua confiança em Deus.

O cristão e o mundo

Como reagimos diante de uma sociedade que exalta os relacionamentos passageiros, o prazer em lugar do amor, a legalização de vícios e comportamentos lascivos, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a mentira em detrimento da verdade e tantas outras formas de corrupção humana?

Talvez, do mesmo modo como aconteceu a Davi, sejamos instados a fugir ou mesmo nos conformar com a degradação que nos cerca. Todavia, o apóstolo Paulo nos adverte:

“[…] não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12.2)

Em meio a uma sociedade adúltera, devemos transparecer os valores de Cristo, colocando-nos contra todas as distorções daqueles que pervertem a justiça e corrompem a glória de Deus.

“Não devemos ser como caniços agitados pelo vento, dobrando-nos diante das rajadas da opinião pública, mas tão inabaláveis quanto pedras em uma correnteza.” (John Stott)

O exemplo de Davi

Os companheiros de Davi deram-lhe bons motivos para buscar refúgio em outro lugar, de maneira que pudesse estar seguro das investidas de Saul:

“Porque eis aí os ímpios, armam o arco, dispõem a sua flecha na corda, para, às ocultas, dispararem contra os retos de coração” (Salmos 11.2)

Aqueles homens acreditavam que, se o salmista fugisse, deixando por algum tempo o lugar em que estava, certamente encontraria descanso para sua alma. Os companheiros de Davi descreveram a maneira sutil e covarde como agem os ímpios, arremetendo contra “os retos de coração”.

Embora a olhos humanos Davi tivesse bons motivos para “bater em retirada”, não é essa a sua decisão. Contrariando seus conselheiros, o salmista busca salvação em Deus:

“No SENHOR me refugio. Como dizeis, pois, à minha alma: Foge, como pássaro, para o teu monte?” (Salmos 11.1)

O salmista exalta a soberania de Deus, o seu cuidado para com os filhos dos homens, Davi afirma que coisa alguma passa despercebida aos olhos cuidadosos do Deus Todo-Poderoso. O Senhor perscruta todas as coisas e de maneira alguma está indiferente ao que acontece sobre a face da terra. Os amigos de Davi apenas olhavam para as coisas terrenas, mas o salmista fitava seus olhos nas celestiais, sabendo que Deus jamais cessou de reinar.

“O SENHOR está no seu santo templo; nos céus tem o SENHOR seu trono; os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam os filhos dos homens” (Salmos 11.4)

Davi reconhece que o Senhor põe à prova também ao justo, todavia não o condenará.

“O SENHOR põe à prova ao justo e ao ímpio; mas, ao que ama a violência, a sua alma o abomina” (Salmos 11.5).

O Senhor, do alto da sua soberania, permite a ação inescrupulosa dos homens, mas não retarda o seu juízo. As ações humanas limitam-se à vontade de Deus.

“Fará chover sobre os perversos brasas de fogo e enxofre, e vento abrasador será a parte do seu cálice. Porque o SENHOR é justo, ele ama a justiça; os retos lhe contemplarão a face” (Salmos 11.6-7)

O mundo caminha para a destruição dos alicerces, todavia, à semelhança de Davi, nossa confiança deve estar alicerçada no fato de que Deus reina eternamente e, ainda que todos os fundamentos se desfaçam:

“podemos sofrer com alegria, esperar com bom ânimo, aguardar pacientemente, orar fervorosamente, crer de maneira confiante e, finalmente triunfar” (Spurgeon)

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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Fé provada

Áurea Emanoela

Fé provada

Acaso, para o SENHOR há coisa demasiadamente difícil? Daqui a um ano, neste mesmo tempo, voltarei a ti, e Sara terá um filho. (Gênesis 18.14)

Esse versículo, durante algum tempo, ocupou meus pensamentos, e, à medida que meditava nele, o SENHOR me fez compreender algumas verdades a respeito da fé cristã – coisas que, de tão simples, acabam não raras vezes escapando à nossa atenção.

1ª Consideração

O SENHOR havia se revelado a um homem e lhe feito uma maravilhosa promessa. Ele disse: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!” (Gênesis 12.1-2).

Ora, a promessa de Deus consistia em reconhecimento, bênçãos, grandeza. O SENHOR foi categórico ao afirmar que de um homem se faria uma grande nação e que, através desse mesmo homem, seriam “benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12.3). Que glória ser agraciado por Deus com tamanha promessa!

2ª Consideração

Todavia, no versículo seguinte (Gênesis 12.4), surge uma importante informação a respeito do homem a quem o SENHOR houvera feito tão grande e maravilhosa promessa. Abrão (posteriormente, Abraão), chamado segundo o propósito de Deus, tinha 75 anos de idade e era casado com Sarai (posteriormente, Sara), mulher estéril (conforme Gênesis 11.30), também já avançada em idade (65 anos, conforme Gênesis 17.17).

A promessa de Deus, diante desse contexto, parecia algo distante e improvável: como um homem com idade avançada, casado com uma mulher que não podia gerar filhos, seria pai de uma grande nação? Houvera Deus mentido a Abrão?

3ª Consideração

Certamente que não! Contudo, mesmo aquele que ficou conhecido como o “pai da fé” precisou, de tempos em tempos, ser reanimado por Deus quanto àquilo que o SENHOR lhe havia prometido (cf. Gênesis 15.1-6,17). Todavia, os anos se iam passando, Abrão e Sarai continuavam envelhecendo e a promessa parecia cada vez mais impossível de se cumprir.

Abrão e Sarai eram constituídos da mesma estrutura que cada um de nós, portanto, sujeitos às mesmas fraquezas, aos mesmos erros (cf. Gênesis 16), inquietações (cf. Gênesis 15), ansiedades (cf. Gênesis 15.2-3) e desconfiança (cf. Gênesis 17.17; 18.12). Todavia, o que eles não sabiam (e nós muitas vezes ignoramos) é que Deus não precisa de situações favoráveis para cumprir as suas promessas; Ele simplesmente as cumpre, independente do cenário “catastrófico” no qual estejamos inseridos.

Deus não precisa de situações favoráveis para cumpror as Suas promessas; Ele simplesmente as cumpre

Uma primeira verdade que podemos depreender é que há um tempo certo para as promessas de Deus se cumprirem em nossas vidas. Foi assim com Abraão e é assim com todo cristão que vive sob o controle dAquele que pode todas as coisas.

A segunda verdade é que nossa ansiedade não é capaz de mudar o cenário no qual estamos inseridos. Pelo contrário, ela torna-o pior, haja vista que, tal como disse o salmista, “um abismo chama outro abismo” (Salmo 42.7). À ansiedade, segue-se o desespero, a desconfiança, a ira e a precipitação que nos leva a fazer escolhas erradas. Essas escolhas decorrentes da ansiedade podem ter um reflexo imediato, como também podem perdurar por muito tempo (a exemplo do que aconteceu quando Sarai permitiu que sua serva, Agar, deitasse com Abrão, gerando a Ismael).

Conclusão

Deus faz uso do tempo para forjar o nosso caráter e aperfeiçoar a nossa fé. A promessa feita pelo SENHOR a Abraão poderia ter-se cumprido imediatamente após ser feita; todavia, aprouve a Deus cumpri-la depois de um longo período de tempo e, durante os anos em que esperaram, Sara e Abraão foram ensinados a confiar suas vida nas mãos do Único capaz de mudar a situação em que se encontravam, precisaram amadurecer espiritualmente e saber que Deus não é levado por circunstâncias, por piores que possam ser.

Só então, depois de terem aprendido aquilo que o SENHOR lhes queria ensinar, o sorriso de incredulidade (cf. Gênesis 17.17; 18.12) deu lugar ao riso de gratidão a Deus pelo cumprimento da promessa: “e concebeu Sara e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, que Deus lhe tinha dito.” (cf. Gênesis 21.2). Só após entender a grandiosidade do Deus a quem servia, somente quando a sua fé estava totalmente firmada nesse Deus infinitamente grande e poderoso, capaz de fazer infinitamente mais do que a mente humana pode imaginar (cf. Efésios 3.20), Abraão pôde levar seu filho único, aquele que o SENHOR lhe havia dado como cumprimento da promessa feita anos atrás em Ur dos Caldeus, ao monte Moriá, para fazer tudo quanto o SENHOR lhe havia determinado, sabendo que, por mais dolorosa e incompreensível que fosse aquela situação, o Deus que lhe havia feito a promessa velaria por ela.

Por mais dolorosa e incompreensível que seja a situação, o Deus que nos fez a promessa velará por ela

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[Orações Puritanas] O Vale da Visão

Orações Puritanas - O Vale da Visão

Senhor, sublime e santo, humilde e manso,
Tu me trouxeste ao vale da visão,
onde eu vivo nas profundezas, porém vejo a Ti nas alturas;
cercado por montanhas de pecado, eu contemplo a Tua glória.

Faze-me aprender, por paradoxo,
que o caminho para baixo é o caminho para o alto,
que ser menor é ser maior,
que o coração quebrantado é o coração curado,
que o espírito contrito é o espírito alegre,
que a alma arrependida é a alma vitoriosa,
que não ter nada é possuir tudo,
que levar a cruz é portar a coroa,
que o vale é o lugar da visão.

Senhor, durante o dia podem-se ver as estrelas do mais profundo abismo,
e, quanto mais profundo o abismo, mais forte brilham as Tuas estrelas;

Faze-me encontrar a Tua luz na minha escuridão,
a Tua vida na minha morte,
a Tua alegria na minha tristeza,
a Tua graça no meu pecado,
as Tuas riquezas na minha pobreza,
a Tua glória no meu vale.

Fonte: BENNET, Arthur (Ed.). The Valley of Vision: A Collection of Puritan Prayers & Devotions. Edinburg, USA: The Banner of Truth Trust, 2009, p. XV.
Tradução: 
Voltemos ao Evangelho (Vinícius S. Pimentel) | Publicação original aqui.
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