J.C. Ryle – E ele será chamado pelo nome de Emanuel

J. C. Ryle

E ele será chamado pelo nome de Emanuel

Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente. Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco). (Mateus 1.18-23)

O outro nome, que aparece nestes versículos, de maneira alguma é menos interessante do que aquele que já destacamos. Esse é o nome conferido a nosso Senhor em vista da sua natureza, como “Deus que se manifestou em carne”. Ele é chamado de Emanuel, ou seja, “Deus conosco”. Devemos cuidar para que sejam bem claras as noções que formamos sobre a natureza e a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo. Esse é um ponto que se reveste da mais capital importância. Deveríamos ter bem claro, em nossas mentes, que nosso Senhor é perfeito Deus tanto quanto perfeito homem. Se chegamos a perder de vista esse fundamento da verdade, poderemos cair vítimas de temíveis heresias. O nome “Emanuel”, pois, é que se reveste de todo o mistério que o circunda. Jesus é o “Deus conosco”. Ele assumiu a natureza humana igual à nossa, em todas as coisas, excetuando somente a tendência para o pecado. Mas, embora Jesus estivesse “conosco” em carne e sangue humanos, ao mesmo tempo Ele nunca deixou de ser o verdadeiro Deus.

Quando lemos os evangelhos, por muitas vezes descobrimos que nosso Senhor era capaz de ficar cansado, de padecer fome e sede, como também podia chorar, gemer e sentir dor como qualquer um de nós. Em tudo isso podemos ver “o homem” Jesus Cristo. Percebemos a natureza humana que Ele tomou para Si mesmo ao nascer da virgem Maria.

Entretanto, nesses mesmos quatro evangelhos, descobriremos que nosso Salvador conhecia os corações e os pensamentos dos homens, exercia autoridade sobre os demônios, podia fazer os mais espantosos milagres apenas com uma palavra, era servido pelos anjos, permitiu que um dos seus discípulos O chamasse de “Deus meu” e, igualmente, disse: “Antes que Abraão existisse, EU SOU” (João 8.58). E também: “Eu e o Pai somos um” (João 10.30). Em tudo isso, vemos “o Deus eterno“. Vemos aquele que “é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém” (Romanos 9.5).

Você deseja dispor de um seguro fundamento para a sua fé e esperança? Nesse caso, jamais perca de vista a divindade do seu Salvador. Aquele em cujo sangue você foi ensinado a confiar é o Deus todo-poderoso. Toda a autoridade foi dada a Jesus Cristo, no céu e na terra. Ninguém poderá arrancar você da mão dEle. Se você é um verdadeiro crente em Jesus, não permita que o seu coração se perturbe e atemorize.

Você deseja contar com um doce consolo nas ocasiões de sofrimento e tribulação? Nesse caso, nunca perca de vista a humanidade do seu Salvador. Ele é o ser humano Jesus Cristo, que se deitou nos braços da virgem Maria quando era um pequenino infante, e que conhece os corações humanos. Ele deixa-se sensibilizar pelo senso das nossas fraquezas. Ele experimentou, pessoalmente, as tentações lançadas por Satanás. Ele precisou enfrentar a fome. Ele derramou lágrimas. Ele sentiu dor. Confie nEle o tempo todo, em todas as suas aflições. Ele nunca haverá de desprezá-lo. Derrame diante dEle, em oração, tudo quanto estiver em seu ser, e nada Lhe oculte. Ele é capaz de simpatizar profundamente com o seu povo.

Que estes pensamentos se aprofundem em nossas mentes. Bendigamos a Deus pelas encorajadoras verdades contidas no primeiro capítulo do Novo Testamento. Esse capítulo nos fala de Alguém que salva “o seu povo dos pecados deles”. Porém, isso ainda não é tudo. Esse capítulo revela-nos que o Salvador é o “Emanuel”, o próprio Deus conosco; Deus manifesto em carne humana, idêntica à nossa. Essas são boas novas. São autênticas boas novas. Alimentemos os nossos corações com essas verdades, por meio da fé, juntamente com ações de graças.

Fonte: RYLE, J.C. Meditações no Evangelho de Mateus. São José dos Campos/SP: Fiel, 2011, p. 9-10.
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Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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J.C. Ryle – E lhe porás o nome de Jesus

J. C. Ryle

E lhe porás o nome de Jesus

Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente. Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco). (Mateus 1.18-23)

Notemos os dois nomes conferidos a nosso Senhor, nestes versículos. Um deles é Jesus, o outro é Emanuel. O primeiro desses nomes descreve o seu ofício, o segundo, a sua natureza. Ambos são profundamente interessantes.

O nome Jesus significa “Salvador”. Trata-se do mesmo nome Josué, que aparece no Antigo Testamento. Foi dado a nosso Senhor porque “ele salvará o seu povo do pecados deles”. Esse é o ofício especial do Senhor Jesus. Ele nos salva da nossa culpa do pecado, lavando-nos a alma em Seu próprio sangue expiatório. Ele nos salva do domínio do pecado ao conferir-nos, no próprio coração, o Espírito santificador. Ele nos salva da presença do pecado quando nos tira deste mundo, para irmos descansar com Ele. E, finalmente, Ele nos salva das consequências do pecado ao nos proporcionar um glorioso corpo ressurreto, no último dia. O povo de Cristo é bendito e santo! Eles não são salvos das tristezas, da cruz e dos conflitos. Porém, são salvos do pecado, para todo o sempre. São purificados da culpa, mediante o sangue de Cristo. São habilitados para o céu mediante o Espírito de Cristo. Nisso consiste a salvação. Mas aquele que se apega ao pecado ainda não é salvo.

Jesus é um nome que infunde muita coragem aos que vivem sobrecarregados de pecados. Aquele que é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores poderia ter-se feito conhecido, com toda a legitimidade, por algum título mais pomposo. Contudo, não quis fazê-lo. Os dirigentes deste mundo com frequência se têm chamado por títulos como “grande”, “conquistador”, “herói”, “magnífico” e outros semelhantes. Mas o Filho de Deus contentou-se em chamar-se de “Salvador”. As almas que desejarem a salvação podem achegar-se ao Pai, com ousadia, tendo acesso por meio de Jesus Cristo, com toda a confiança. Esse é o seu ofício, e nisso Ele se deleita – em mostrar-se misericordioso. “Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (João 3.17).

Jesus é um nome peculiarmente doce e precioso para aqueles que são crentes. Com frequência, esse nome os tem beneficiado, quando o favor de reis e de príncipes teria sido ouvido por eles com pouco interesse. Esse nome tem-lhes dado a paz interior que o dinheiro não pode comprar. Esse nome lhes tem aliviado as consciências pesadas, conferindo descanso a seus corações entristecidos. O livro de Cantares de Salomão refere-se à experiência de muitos crentes, ao asseverar: “como unguento derramado é o teu nome” (Cântico dos Cânticos 1.3). Feliz é a pessoa que confia não meramente em vagas noções a respeito da misericórdia e da bondade de Deus, mas no próprio “Jesus”.

Fonte: RYLE, J.C. Meditações no Evangelho de Mateus. São José dos Campos/SP: Fiel, 2011, p. 8-9.
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Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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