Integridade inegociável

Áurea Emanoela

Integridade inegociável

Introdução

Em uma época carente de princípios e valores cristãos, impregnada pelo pragmatismo e pobre de bons exemplos, movida pela cobiça e alimentada pelo pecado, convido você a meditar no testemunho de três jovens cujas vidas estavam totalmente impregnada de Deus. Homens que viveram em tempos difíceis, em terra estranha, no meio de uma gente incrédula e perversa, mas que ainda assim não comprometeram seu testemunho cristão, mesmo diante das ameaças e perigos de morte.

É provável que você – assim como eu – já tenha tido oportunidades de proclamar Cristo a pessoas incrédulas e, por intimidação ou falta de segurança, tenha se calado. Talvez você esteja comprometendo a Palavra de Deus com respeito a algum tema ético no trabalho ou entre os amigos, acreditando que isso seja necessário para manter sua credibilidade como empregado e nas rodas sociais. Contudo, nosso testemunho cristão deve estar baseado em uma plena dedicação à Palavra de Deus como a mais alta autoridade – não importando as consequências que decorram disso.

Todavia, nossa grande dificuldade de viver em submissão a Deus decorre da facilidade com que aceitamos o sistema de valores do mundo, tornando-nos de tal forma indulgentes a ponto de personalizar-nos e fazer daqueles valores os nossos próprios ideais. Nossos padrões tomam o lugar dos padrões de Deus.

“O mundo é sedutor. Procura atrair nossa atenção e devoção. Permanece bem próximo e ao nosso alcance, bem visível e atraente, que ofusca nossa visão do céu. Aquilo que vemos luta para alcançar nossa atenção. Atrai nossos olhos, se não estivemos olhando para uma pátria superior, cujo arquiteto e construtor é Deus. O mundo nos agrada – na maior parte do tempo, digamos – e, assim, frequentemente, vivemos para agradá-lo. E é aqui que ocorrem os conflitos, pois agradar o mundo raramente se harmoniza com agradar a Deus.” (R.C. Sproul).

Integridade é sinônimo de honestidade, sinceridade e incorruptibilidade, virtudes que estavam presentes nas palavras e no testemunho de quatro jovens levados cativos à Babilônia. Daniel, Mizael, Ananias e Azarias são exemplos cristãos que devemos trazer para os nossos dias: servos fiéis que não cederam às lisonjas do mundo nem comprometeram sua fidelidade a Deus; estavam prontos a enfrentar fornalhas e leões, mas de maneira alguma negociariam a verdade.

Nos próximos posts destacarei aspectos da vida de Daniel e dos seus três amigos que fazem deles exemplos de integridade para os cristãos de todas as épocas. Até lá, com a graça de Deus!

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
Baseado em: MACARTHUR JR., John. O poder da integridade. Cambuci/SP: Cultura Cristã, 2001.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Anúncios

Fundamentos destruídos

Áurea Emanoela

Fundamentos destruídos

“No SENHOR me refugio. Como dizeis, pois, à minha alma: Foge, como pássaro, para o teu monte? […] Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?” (Salmos 11.1,3).

Perseguido e ameaçado por seus inimigos, instado por seus amigos a fugir, a não resistir, a procurar um lugar que lhe abrigasse daqueles que demandavam contra a sua vida, o salmista reafirma sua confiança em Deus.

Em uma época de inversão vergonhosa de valores, qual é o fundamento da nossa fé? Sobre quais pilares temos edificado as nossas vidas? De que maneira temos vivido? Como somos vistos pelo mundo?

Durante alguns anos de sua vida, mesmo depois de ter sido ungido rei (pelo decreto soberano de Deus), Davi se viu obrigado a fugir da fúria assassina de Saul, e é nesse contexto, de perseguiçãoversus fuga, que o salmista, contrariando o conselho dos seus amigos, deposita sua confiança em Deus.

O cristão e o mundo

Como reagimos diante de uma sociedade que exalta os relacionamentos passageiros, o prazer em lugar do amor, a legalização de vícios e comportamentos lascivos, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a mentira em detrimento da verdade e tantas outras formas de corrupção humana?

Talvez, do mesmo modo como aconteceu a Davi, sejamos instados a fugir ou mesmo nos conformar com a degradação que nos cerca. Todavia, o apóstolo Paulo nos adverte:

“[…] não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12.2)

Em meio a uma sociedade adúltera, devemos transparecer os valores de Cristo, colocando-nos contra todas as distorções daqueles que pervertem a justiça e corrompem a glória de Deus.

“Não devemos ser como caniços agitados pelo vento, dobrando-nos diante das rajadas da opinião pública, mas tão inabaláveis quanto pedras em uma correnteza.” (John Stott)

O exemplo de Davi

Os companheiros de Davi deram-lhe bons motivos para buscar refúgio em outro lugar, de maneira que pudesse estar seguro das investidas de Saul:

“Porque eis aí os ímpios, armam o arco, dispõem a sua flecha na corda, para, às ocultas, dispararem contra os retos de coração” (Salmos 11.2)

Aqueles homens acreditavam que, se o salmista fugisse, deixando por algum tempo o lugar em que estava, certamente encontraria descanso para sua alma. Os companheiros de Davi descreveram a maneira sutil e covarde como agem os ímpios, arremetendo contra “os retos de coração”.

Embora a olhos humanos Davi tivesse bons motivos para “bater em retirada”, não é essa a sua decisão. Contrariando seus conselheiros, o salmista busca salvação em Deus:

“No SENHOR me refugio. Como dizeis, pois, à minha alma: Foge, como pássaro, para o teu monte?” (Salmos 11.1)

O salmista exalta a soberania de Deus, o seu cuidado para com os filhos dos homens, Davi afirma que coisa alguma passa despercebida aos olhos cuidadosos do Deus Todo-Poderoso. O Senhor perscruta todas as coisas e de maneira alguma está indiferente ao que acontece sobre a face da terra. Os amigos de Davi apenas olhavam para as coisas terrenas, mas o salmista fitava seus olhos nas celestiais, sabendo que Deus jamais cessou de reinar.

“O SENHOR está no seu santo templo; nos céus tem o SENHOR seu trono; os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam os filhos dos homens” (Salmos 11.4)

Davi reconhece que o Senhor põe à prova também ao justo, todavia não o condenará.

“O SENHOR põe à prova ao justo e ao ímpio; mas, ao que ama a violência, a sua alma o abomina” (Salmos 11.5).

O Senhor, do alto da sua soberania, permite a ação inescrupulosa dos homens, mas não retarda o seu juízo. As ações humanas limitam-se à vontade de Deus.

“Fará chover sobre os perversos brasas de fogo e enxofre, e vento abrasador será a parte do seu cálice. Porque o SENHOR é justo, ele ama a justiça; os retos lhe contemplarão a face” (Salmos 11.6-7)

O mundo caminha para a destruição dos alicerces, todavia, à semelhança de Davi, nossa confiança deve estar alicerçada no fato de que Deus reina eternamente e, ainda que todos os fundamentos se desfaçam:

“podemos sofrer com alegria, esperar com bom ânimo, aguardar pacientemente, orar fervorosamente, crer de maneira confiante e, finalmente triunfar” (Spurgeon)

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Como estamos?

Áurea Emanoela

Como estamos?

“[…] Meu Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti a face, meu Deus, porque as nossas iniquidades se multiplicam sobre a nossa cabeça, e a nossa culpa cresceu até os céus.” (Esdras 9.6)

Nestes dias, enquanto meditava no livro de Esdras, meu coração foi contagiado por uma alegria que só se explica quando o Senhor, pelo seu Espírito, nos faz enxergar as maravilhas de Sua santa e rica Palavra. Embora esse livro tenha sido escrito por volta de 400-430 a.C. e tenha sido dirigido ao povo que voltava do exílio, ele é tão atual em suas verdades que podemos aplica-lo sem qualquer dificuldade aos nossos dias.

Após setenta anos servindo em terra estranha, sob o pesado julgo de reis pagãos que o Senhor levantara para punir a iniquidade e transgressão de seu povo, Judá finalmente retorna à terra que o Senhor “com mão levantada” (cf. Neemias 9.15) prometera dar a descendência de Abraão. O remanescente que sob a liderança de Sesbazar retornara a Judá levava consigo a incumbência de reconstruir a Casa do Senhor, a qual, por ocasião do exílio, fora totalmente destruída.

Uma vez lançados os alicerces do templo, “todo o povo jubilou com altas vozes, louvando ao SENHOR por se terem lançado os alicerces da sua casa” (Esdras 3.11). Entretanto, em meio aos que “levantaram as vozes com gritos de alegria”, estavam “muitos dos sacerdotes, e levitas, e cabeças de famílias, já idosos, que viram a primeira casa” (v. 12). Os brados de alegria se misturaram às lágrimas de desapontamento dos membros mais idosos por causa do contraste entre aquele pequeno recomeço (cf. Zacarias 4.10) e o esplendor do templo de Salomão. Posteriormente, desapontamentos similares foram igualmente repreendidos (Ageu 2.1-5), mas, no momento, a alegria do Senhor era a força da grande maioria.

Não demorou para que os inimigos do povo de Deus intentassem ardis, culminando com a paralisação da obra até os dias de Dario, rei da Pérsia. Todavia, os profetas Ageu e Zacarias alçaram voz e conclamaram o povo a edificar a Casa do Senhor sob os cuidados e autoridade dAquele que é Rei sobre todas as coisas. Assim, a obra de construção do templo foi concluída quatro anos depois do recomeço do trabalho (cf. Ageu 1.15), vinte anos depois do início da obra (cf. Ageu 3.8) e quase setenta anos depois da destruição do templo de Salomão em 586 a.C.

O cuidado de Deus para com Israel era evidente, e aquelas pessoas eram testemunhas oculares do agir poderoso do Senhor em suas vidas. Deus houvera escolhido Israel para ser o Seu povo, os herdeiros, os filhos legítimos. E, ao longo dos séculos, Deus prova o seu amor para com aquela nação que, em contrapartida, responde com obstinação, rebeldia, apostasia. A resposta de Israel é a mais perversa e vil, um povo que com facilidade esquecia dos benefícios de Deus e andava como as nações pagãs, fazendo aquilo que é abominável aos olhos do Altíssimo, violando a aliança, virando as costas ao Deus todo-poderoso.

Após o retorno do exílio, não demorou para que Israel mais uma vez quebrasse a aliança e se envolvesse com as nações circunvizinhas. Embora a graça de Deus se revelasse continuamente em suas vidas, os israelitas pareciam desprezar a grandeza desse amor. Nos tempos de crise, eles buscavam ao Senhor, mas, nos tempos de paz, não hesitavam em se rebelar contra os estatutos do Altíssimo.

O fato é que nós não somos tão diferentes do povo de Israel. Com a mesma facilidade costumamos “dar de ombros” aos ensinamentos do Senhor; nossa memória é tão curta quanto a deles, e com muita facilidade nos esquecemos dos livramentos, da misericórdia, do favor de Deus para conosco. Somos tão apegados à forma, mas pouco nos importamos com o conteúdo; a verdade tem sucumbido aos “achismos” da nossa vontade; amamos as benesses recebidas das mãos do Senhor, mas temos falhado em Lhe prestar obediência; repetimos as verdades bíblicas, mas elas parecem estar tão distantes da nossa vida cotidiana. Quantas vezes e em quantas situações temos agido como pagãos, pessoas não regeneradas, como se desconhecêssemos a santidade do Deus a quem dizemos servir! Temos falhado em reconhecer os nossos pecados e muitos de nós têm vivido de maneira odiosa, embora escondidos por trás de um falso cristianismo.

Externamente, os inimigos da igreja parecem avançar, “entrincheirados” e prontos a destruir o povo de Deus; internamente, temos padecido de um tipo de cristianismo vergonhoso que despreza a verdade e “encaixota” Deus às necessidades humanas. O sincretismo, tão abominável ao Senhor, tem impregnado as igrejas e pervertido a verdade. Somos coagidos a pensar, a viver e a agir como o mundo, comungando das mesmas práticas, desfrutando dos mesmos pecados.

Quando Esdras foi avisado de que “o povo de Israel, e os sacerdotes, e os levitas não se separaram dos povos de outras terras com as suas abominações” (cf. Esdras 9.1), a primeira reação do sacerdote e escriba foi rasgar as suas vestes, assentando-se atônito (cf. Esdras 9.3). Esdras conhecia o caráter santo do Deus a quem servia e sabia as consequências advindas do pecado.

Israel falhava em andar nos caminhos do Senhor porque continuamente se envolvia com nações corruptas. Nós falhamos porque, igualmente, nos associamos ao mundo e “incorporamos” as suas práticas. Com isso, obviamente, não estou dizendo que os cristãos devem viver isolados, sem qualquer comunicação com o mundo. De forma alguma! A separação a que me refiro é espiritual. Nós devemos nos relacionar com a sociedade levando-a ao conhecimento da Palavra de Deus, vivendo de maneira tal que o nome do Senhor seja glorificado através das nossas vidas, do nosso comportamento, da nossa negativa ao pecado. Vivendo como cristãos totalmente dependentes da graça do Deus bendito.

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.