[Livro do mês] John Stott – “A cruz de Cristo”

John Stott

Livro do mês - A cruz de Cristo

Tenho como um enorme privilégio o ter sido convidado para escrever um livro sobre o maior e mais glorioso de todos os temas, a cruz de Cristo. Dos vários anos de trabalho despendidos nesta tarefa, emergi espiritualmente enriquecido, com minhas convicções aclaradas e fortalecidas, e com uma firme resolução de gastar o restante dos meus dias na terra (assim como sei que toda a congregação dos redimidos passará a eternidade no céu) no serviço liberador do Cristo crucificado.

É oportuno que um livro sobre a cruz faça parte das celebrações do Jubileu de Ouro da Inter-Varsity Press, a quem o público leitor muito deve. Pois a cruz é o centro da fé evangélica. Deveras, como argumento neste livro, ela jaz no centro da fé histórica, bíblica, e o fato de que esta verdade não é sempre reconhecida em toda a parte em si mesmo é justificativa suficiente para preservar um testemunho distintamente evangélico. Os cristãos evangélicos crêem que em Cristo e através do Cristo crucificado Deus substituiu a si mesmo por nós e levou os nossos pecados, morrendo em nosso lugar a morte que merecíamos morrer, a fim de que pudéssemos ser restaurados em seu favor e adotados na sua família. O Dr. J. I. Packer com acerto escreveu que esta crença “é o marco distintivo da fraternidade evangélica mundial” (embora “muitas vezes seja mal compreendida e caricaturada por seus críticos”); ela “nos leva ao próprio coração do evangelho cristão”.

É necessário que se esclareça a distinção entre uma compreensão “objetiva” e “subjetiva” da expiação em cada geração. Segundo o Dr. Douglas Johnson, esta descoberta foi um momento decisivo no ministério do Dr. Martyn Lloyd-Jones, que ocupou uma posição singular de liderança evangélica nas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial. Ele confidenciou a vários amigos que “uma mudança fundamental ocorreu em sua perspectiva e pregação no ano de 1929”. Ele tinha, é claro, dado ênfase, desde o princípio do seu ministério à necessidade indispensável do novo nascimento. Mas, certa noite, depois de pregar em Bridgend, South Wales, o ministro local desafiou-o dizendo que “parecia que a cruz e a obra de Cristo” ocupavam um pequeno lugar em sua pregação. Imediatamente ele foi a uma livraria que vende livros usados e pediu ao proprietário os dois livros padrão sobre a Expiação. O livreiro apresentou a Expiação de R. W. Dale (1875) e A Morte de Cristo de James Denney (1903). Tendo voltado para casa, ele se entregou totalmente ao estudo, recusando o almoço e o chá, e causando tal ansiedade à esposa que esta telefonou a seu irmão perguntando se devia chamar um médico.

Porém, ao emergir da reclusão, Lloyd-Jones dizia ter encontrado “o verdadeiro coração do evangelho e o segredo do significado interior da fé cristã”. De sorte que o conteúdo de sua pregação mudou, e com esta mudança o seu impacto. Nas próprias palavras dele, a questão básica não era a pergunta de Anselmo “por que Deus se tornou homem?” mas “por que Cristo morreu?”

Por causa da importância vital da expiação, e de uma compreensão dela que retire toda falsa informação dos grandes conceitos bíblicos de “substituição”, “satisfação” e “propiciação”, duas coisas têm-me grandemente surpreendido. A primeira é a tremenda impopularidade em que a doutrina permanece. Alguns teólogos demonstram relutância estranha em aceitá-la, mesmo quando compreendem claramente sua base bíblica. Penso, por exemplo, naquele notável erudito metodista, Vincent Taylor. Sua erudição aprimorada e abrangente encontra- se exemplificada em seus três livros sobre a cruz — Jesus e Seu Sacrifício (1937), A Expiação no Ensino do Novo Testamento (1940) e Perdão e Reconciliação (1946). Ele, ao descrever a morte de Cristo, emprega muitos adjetivos como “vicária”, “redentora”, “reconciliadora”, “expiatória”, “sacrificial” e especialmente “representativa”. Mas não consegue chamá-la de “substitutiva”. Depois de um exame rigoroso do primitivo ensino e crença cristã de Paulo, de Hebreus e de João, escreve ele o seguinte acerca da obra de Cristo: “Nenhuma das passagens que examinamos descreve-a como a de um substituto. . . Em lugar algum encontramos apoio para tais conceitos.” Não, a obra de Cristo foi um “ministério realizado em nosso favor, mas não em nosso lugar”. Contudo, embora Vincent Taylor tenha feito estas espantosas afirmativas, fê-las com grande desconforto. Sua veemência nos deixa despreparados para as concessões que mais tarde ele se sente obrigado a fazer. “Talvez o aspecto mais admirável do ensino do Novo Testamento referente à obra representativa de Cristo”, escreve ele, “seja o fato de chegar bem perto dos limites da doutrina substitutiva sem, na realidade, atravessá-los. O paulinismo, em particular, encontra-se a uma distância mínima da substituição”. Ele até mesmo confessa a respeito de teólogos do Novo Testamento que “com demasiada frequência nos contentamos em negar a substituição sem substituí-la”, e que é uma noção que “talvez estejamos mais ansiosos a rejeitar do que a examinar”. Entretanto, o que procurarei mostrar neste livro é que a doutrina bíblica da expiação é substitutiva do princípio ao fim. O que Vincent Taylor não quis aceitar não foi a doutrina em si, mas as cruezas de pensamento e expressão das quais os advogados da substituição têm, com bastante frequência, sido culpados.

Minha segunda surpresa, em vista da centralidade da cruz de Cristo, é que nenhum livro sobre este tópico foi escrito por um escritor evangélico para leitores sérios (até dois ou três anos atrás) por quase meio século. É verdade, surgiram vários livros pequenos, e apareceram algumas obras de peso. Gostaria de prestar tributo especial aos notáveis labores neste campo do Dr. Leon Morris, de Melbourne, Austrália. O seu livro Pregação Apostólica da Cruz (1955) deixou-nos todos em dívida, e alegro-me de que ele tenha trazido o conteúdo da obra ao alcance dos leigos em A Expiação (1983). Ele se tomou mestre da vasta literatura de todas as épocas sobre este tema, e seu livro A Cruz no Novo Testamento (1965) permanece, provavelmente, o exame mais completo hoje disponível. Dessa obra cito com caloroso endosso sua afirmativa de que “a cruz domina o Novo Testamento”.

Todavia, até à recente publicação do livro de Ronald Wallace intitulado A Morte Expiatória de Cristo (1981) e do de Michael Green A Cruz Vazia de Jesus (1984), não conheço outro livro evangélico para os leitores que tenho em mente, desde a obra de H. E. Guillebaud Por que a Cruz? (1937), que foi um dos primeiros livros editados pela IVF. Foi um livro corajoso, que enfrentou diretamente os críticos da expiação substitutiva com três perguntas: (1) “é cristã?” (isto é, compatível com os ensinos de Jesus e seus apóstolos); (2) “é imoral?” (isto é, compatível ou incompatível com a justiça); e (3) “é incrível?” (isto é, compatível ou incompatível com problemas como o tempo e a transferência da culpa.

Meu interesse é um pouco mais abrangente, pois este não é um livro apenas sobre a expiação, mas também sobre a cruz. Depois dos três capítulos introdutórios que formam a Primeira Parte, chego, na Segunda Parte, ao que chamei de “o coração da cruz”, na qual argumento em favor de uma compreensão verdadeiramente bíblica das noções de “satisfação” e “substituição”. Na Terceira Parte passo a três grandes realizações da cruz, a saber, salvar os pecadores, revelar a Deus e vencer o mal. A Quarta Parte, porém, trata de áreas que muitas vezes são omitidas nos livros sobre a cruz, isto é, o que significa à comunidade cristã “viver sob a cruz”. Procuro mostrar que a cruz a tudo transforma. Ela dá um relacionamento novo de adoração a Deus, uma compreensão nova e equilibrada de nós mesmos, um incentivo novo para nossa missão, um novo amor para com nossos inimigos e uma nova coragem para encarar as perplexidades do sofrimento.

Ao desenvolver o meu tema, conservei em mente o triângulo Escritura, tradição e mundo moderno. Meu primeiro desejo foi ser fiel à Palavra de Deus, permitindo que ela diga o que tem para dizer e não pedindo que ela diga o que eu gostaria que ela dissesse. Não há alternativa à exegese textual cuidadosa. Em segundo lugar, procurei partilhar alguns dos frutos das minhas leituras. Ao procurar compreender a cruz, não podemos ignorar as grandes obras do passado. Desrespeitar a tradição e a teologia histórica é desrespeitar o Espírito Santo que tem ativamente iluminado a igreja em todos os séculos. Então, em terceiro lugar, tentei compreender a Escritura, não apenas à sua própria luz e à luz da tradição, mas também com relação ao mundo contemporâneo. Perguntei o que a cruz de Cristo diz para nós que vivemos no final do século vinte.

Ao ousar escrever (e ler) um livro a respeito da cruz, há, é claro, um grande perigo de presunção. Isto, em parte, advém do fato de que o que realmente aconteceu quando “Deus estava reconciliando consigo mesmo o mundo em Cristo” é um mistério cujas profundezas passaremos a eternidade examinando; e, em parte, porque seria muitíssimo impróprio fingir um frio desprendimento à medida que contemplamos a cruz de Cristo. Quer queiramos, quer não, estamos envolvidos. Nossos pecados o colocaram aí. De sorte que, longe de nos elogiar, a cruz mina nossa justiça própria. Só podemos nos aproximar dela com a cabeça curvada e em espírito de contrição. E aí permanecemos até que o Senhor Jesus nos conceda ao coração sua palavra de perdão e aceitação, e nós, presos por seu amor, e transbordantes de ação de graças, saíamos para o mundo a fim de viver as nossas vidas no serviço dele.

________________________

Informações do livro

Título: A Cruz de Cristo
Autor:
 John Stott
Editora: Vida
Edição:
Ano: 2006
Número de páginas: 360

Fonte: STOTT, John. A cruz de Cristo. São Paulo/SP: Vida, 2006.
Por:
Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

[Livro do mês] John Piper – “Plena Satisfação em Deus”

Este livro está disponível para download no Satisfação em Deus, site oficial do ministério de John Piper em português.

John Piper

Livro do mês - Plena satisfação em Deus

Amado Leitor,

Escrevo este livreto porque a verdade e a beleza de Jesus Cristo, o Filho de Deus, são fascinantes. Eu faço coro com o salmista:

Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os do Senhor e meditar no seu templo. Salmos  27 : 4

Se você é um guia turístico e sabe que os turistas anseiam por desfrutar da beleza — que estão até mesmo dispostos a arriscar suas vidas para que a vejam — e assim se vê diante de um pico de tirar o fôlego, então o seu dever é mostrá-lo a eles e insistir que desfrutem da vista. Bem, a raça humana de fato anseia pela experiência da admiração.

E não há realidade mais arrebatadora do que Jesus Cristo. Estar com Ele não significa estar livre de perigo, mas a sua beleza é extraordinária.

Deus colocou a eternidade na mente do homem e encheu o coração humano de anelos. Mas nós não sabemos pelo que anelamos até que nós vejamos o quão formidável Deus é. Esta é a causa da inquietação universal. Daí a famosa oração de Santo Agostinho: “Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti”.

O mundo tem um anseio insaciável. Tentamos satisfazer este anseio por meio de férias com paisagens pitorescas, habilidades criativas, produções cinematográficas extraordinárias, aventuras sexuais, esportes espetaculares, drogas alucinógenas, devoções rigorosas,  excelência administrativa, dentre muitas outras coisas. Mas o anseio permanece. O que isto significa? C. S. Lewis responde:

Se encontro em mim um desejo que nenhuma experiência deste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é a de que fui criado para um outro mundo.

A tragédia do mundo é que o eco é confundido com o grito que o iniciou. Quando estamos de costas para a beleza fascinante de Deus, fazemos sombra na terra e nos apaixonamos por ela própria. Mas isto não nos satisfaz verdadeiramente.

Os livros ou a música onde pensamos estar a beleza nos trairão se confiarmos neles… Pois eles não são a coisa em si; eles são somente o aroma de uma flor que não encontramos, o eco de um tom que ainda não ouvimos, notícias de um país que nunca visitamos.

Escrevi este livro porque a Beleza encantadora nos visitou. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (João 1.14). Como, então, eu poderia deixar de clamar, Olhe! Creia! Seja satisfeito! Contemplar tal beleza pode custar a sua vida. Mas valerá a pena, pois sabemos, baseados na autoridade da Palavra de Deus, que “a tua graça é melhor do que a vida” (Salmo 63.3). Delícias infinitas são um dever arriscado. Mas você não se arrependerá da busca. Eu a chamo de prazer cristão.

________________________

Informações do livro

Título: Plena satisfação em Deus
Subtítulo: Deus glorificado e a alma satisfeita
Autor: John Piper
Editora: Fiel
Edição:
Ano: 2009
Número de páginas: 96

Fonte: PIPER, John. Plena satisfação em Deus: Deus glorificado e a alma satisfeita. São José dos Campos/SP: Fiel, 2009.
Postado por:
Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

[Livro do mês – maio/2012] Hernandes Dias Lopes – “Ouça o que o Espírito diz às igrejas”

Hernandes Dias Lopes

Livro do mês - Ouça o que o Espírito diz às igrejas

A igreja evangélica brasileira está bem, está mais ou menos e está mal. Em uma mesma congregação temos gente que anda com Deus, gente apática e gente que já abandonou as fileiras do evangelho. Em uma mesma igreja temos gente que vive e morre pela verdade e também aqueles que a negociam e a trocam por vantagens imediatas.

Estamos vivendo uma crise de integridade na igreja. Há um abismo entre o que pregamos e o que vivemos; entre o que falamos e o que praticamos. A igreja tem discurso, mas não tem vida; tem carisma, mas não tem caráter; tem influência política, mas não poder espiritual. Há uma esquizofrenia instalada em nosso meio. Tornamo-nos uma igreja ambígua e contraditória, em que o discurso mascara a vida, e a vida reprova o discurso.

Estamos vendo o florescimento de uma igreja narcisista, com síndrome de Laodiceia, pois se julga rica e abastada, mas está pobre, cega e nua. Uma igreja que aplaude e dá nota máxima a si mesma quando se olha no espelho, mas que não passa no crivo da integridade nem pode ser aprovada ao ser submetida ao teste da sã doutrina.

Estamos vendo o crescimento de uma igreja ufanista e triunfalista, que se encanta com seu próprio crescimento numérico ao mesmo tempo em que se apequena na vida espiritual. Uma igreja que explode numericamente, mas se atrofia espiritualmente. Uma igreja que tem cinco mil quilômetros de extensão, mas apenas cinco centímetros de profundidade. Uma igreja que se vangloria de produzir dezenas de bíblias de estudo, mas produz uma geração analfabeta em Bíblia.

Estamos vendo crescer em nossa nação uma igreja sem doutrina e sem ética. Uma igreja que rifa a verdade por dinheiro, que joga a ética para debaixo do tapete e, mesmo assim, vocifera palavras de ordem chamando as pessoas ao arrependimento. No passado a igreja tinha autoridade para chamar o mundo ao arrependimento. Hoje é o mundo que ordena que a igreja se arrependa. Derrubamos os muros que nos separam do mundo. Queremos ser iguais ao mundo, no tolo discurso de atraí-lo. Perdemos nossa identidade e nossa integridade. Nossa luz apagou-se debaixo do alqueire. Tornamo-nos sal sem sabor, que não presta para mais nada, senão para ser pisado pelos homens.

Estamos vendo crescer uma igreja mercado que escancara suas portas e usa a religião como fonte de lucro. Uma igreja que constrói novos templos como se abre franquias, não com o propósito de pregar a verdade, mas de granjear riquezas. Temos visto os templos se transformando em praças de negócio, os púlpitos em balcões de comércio, o evangelho em produto lucrativo e os crentes em consumidores vorazes. Temos visto igrejas se transformando em lucrativas empresas e pregadores inescrupulosos criando mecanismos heterodoxos para granjear fortunas em nome de Deus.

Estamos vendo crescer em nossa pátria uma igreja sincrética, mística que prega um outro evangelho, um evangelho diferente que, de fato, não é evangelho. Uma igreja que prega o que povo quer ouvir e não o que o povo precisa ouvir. Uma igreja que prega prosperidade, mas não salvação; que prega milagres, mas não a cruz. Uma igreja centrada no homem, e não em Deus.

Estamos vendo crescer uma igreja amante dos holofotes, embriagada pelo sucesso, sedenta de aplausos, em que seus pregadores e cantores são tratados como astros de cinema. Estamos trocando nosso direito de primogenitura por um prato de lentilhas das glórias humanas, rendendo-nos à tietagem e ao culto à personalidade, colocando homens em um pedestal, afrontando, assim, nosso único e bendito Senhor, que não divide sua glória com ninguém.

Estamos vivendo uma homérica crise de liderança. Uma das classes mais desacreditadas da nação são os pastores. Há pastores não convertidos no ministério. Há uma legião de ministros não vocacionados no ministério. Há muitos que entram para o ministério por causa do seu bônus, mas não aceitam seu ônus; querem os louvores do ministério, mas não suas cicatrizes. Há aqueles que fazem do ministério um refúgio para esconder sua preguiça e seu comodismo. Há pastores que deveriam cuidar de si mesmos antes de cuidar do rebanho de Deus. Há pastores confusos doutrinariamente no ministério, indivíduos que não sabem para onde caminham, por isso, são influenciados por todo vento de doutrina, deixando seu rebanho à mercê dos lobos travestidos de ovelhas. Há pastores que estão em pecado no ministério e já perderam a sensibilidade espiritual, pois condenam nos outros os mesmos pecados que praticam em secreto.

Estamos vivendo uma crise de valores na igreja. Abandonamos a simplicidade do evangelho. Substituímos a sã doutrina pelas novidades do mercado da fé. Trocamos a verdade pelo sucesso. Substituímos a pregação pelo espetáculo. Colocamos no lugar da oração, em que nos quebrantávamos e chorávamos pelos nossos pecados, os grandes ajuntamentos, em que saltitamos ao som estrondoso e ensurdecedor dos nossos instrumentos eletrônicos.

Precisamos desesperadamente voltar ao primeiro amor. Precisamos urgentemente de uma nova reforma na igreja. Precisamos de um reavivamento que nos traga de volta o frescor da vida abundante em Cristo Jesus. Precisamos desesperadamente do revestimento e do poder do Espírito Santo. Precisamos de uma igreja fiel que prefira a morte à apostasia. Uma igreja santa que prefira o martírio ao pecado. Uma igreja que ame a Palavra mais do que o lucro. Uma igreja que chore pelos seus pecados e pelas almas que perecem, e não pelas dificuldades da vida presente. Precisamos de uma igreja que tenha visão missionária e compaixão pelos que sofrem. Uma igreja que tenha ortodoxia e piedade, doutrina e vida, discurso e prática. Uma igreja que pregue aos ouvidos e aos olhos.

Este livro faz uma radiografia da igreja. Ele olha para o passado como propósito de lançar luz no presente e apontar rumos para o futuro. O Senhor Jesus terminou cada carta enviada às igrejas da Ásia da mesma maneira: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Meu ardente desejo, meu clamor diante dos céus, é que seu coração seja inflamado com essas mensagens, que você seja um graveto seco a pegar fogo e que comece a partir de você e de mim, um grande reavivamento espiritual em nossa nação!

________________________

Informações do livro

Título: Ouça o que o espírito diz às igrejas
Subtítulo: Uma mensagem de Cristo à sua igreja
Autor:
Hernandes Dias Lopes
Editora: Hagnos
Edição:
Ano: 2010
Número de páginas: 136

Fonte: LOPES, Hernandes Dias. Ouça o que o Espírito dias às igrejas: uma mensagem de Cristo à sua igreja. São Paulo: Hagnos, 2010.
Por:
Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

[Livro do mês] Haralan Popov – “Torturado por sua fé”

Haralan Popov

Livro do mês - Torturado por sua fé

Durante treze anos e dois meses, retido em prisões comunistas, fui sustentado por duas certezas. A primeira: eu sabia que a minha vida estava realmente nas mãos de Deus e não nas mãos de meus carcereiros comunistas. A segunda: eu queria sobreviver para dar meu testemunho e contar o que presenciei.

O propósito deste livro não é demonstrar a depravação dos homens – o que experimentei dia e noite durante mais de treze anos –, e sim mostrar o irresistível amor de Deus. Se temos de salientar algo neste livro, que seja a verdade avassaladora do amor de Deus em meio à bestialidade humana.

Na prisão, aprendi a lição do amor, como nunca havia aprendido. Embora eu já tivesse pregado sobre o amor de Deus em muitos púlpitos, percebi o amor dEle com um novo aspecto, no intenso desespero de celas subterrâneas e na fisionomia de incontáveis companheiros de prisão. Destituído de todas as coisas materiais e todas as distrações, encontrei em Deus uma realidade maior do que já conhecera. A verdade com frequência brilha mais intensamente onde as circunstâncias são mais obscuras.

Não faço ataques políticos neste livro, pois vejo o comunismo não apenas como uma força política, mas também como “sintoma” de uma enfermidade espiritual muito mais profunda. É a “religião” do ateísmo militante. A incapacidade de destruir a fé em Deus é o “calcanhar de Aquiles” do comunismo. Os comunistas temem desesperadamente a fé em Deus. Nunca estas palavras de Paulo se mostraram tão verdadeiras: “Nossa luta não é contra o sangue e a carne”.

Mas tenho outra razão para haver escrito este livro. Hoje há muitos rumores falsos, no estrangeiro, de que o comunismo está “se abrandando” para com o cristianismo e que as práticas do passado, apesar de serem más, acabaram. Fiquei chocado ao ver como essa ilusão dos comunistas é amplamente aceita. Este é um boato totalmente falso. Na verdade, por trás da Cortina de Ferro, o cristianismo está sendo atacado com maior severidade do que fora antes. Muitos continuam morrendo nas prisões.

Em vez de tentar destruir a Igreja, atacando-a externamente, na Rússia e em outros países, o comunismo está subvertendo-a e controlando-a internamente. Em vez de dar fim à Igreja com um único ataque brutal, o comunismo atualmente procura estrangular a Igreja lentamente. O ataque, em nossos dias, tanto é mais sutil, como é mais perigoso.

Nos países comunistas, o cristianismo não é livre e franco, como alguns proclamam. Mas também não pode ser destruído. Está vivo e crescente, mesmo sob perseguição como sucedeu à Igreja Primitiva. De fato, uma Igreja Subterrânea está viva no mundo comunista. Suas similaridades com a Igreja Primitiva são extraordinárias. Para apresentar o meu testemunho e a história da Igreja Subterrânea escrevo este livro. Dedico-o aos milhares de irmãos em Cristo que morreram encarcerados, muitos deles ao meu lado. Também dedico ao corpo de Cristo que, em nossos dias, é torturado no mundo comunista.

________________________

Informações do livro

Título: Torturado por sua fé
Autor: Haralan Popov
Editora: Fiel
Edição:
Ano: 2006
Número de páginas: 168

Fonte: POPOV, Haralan. Torturado por sua fé. São José dos Campos/SP: Fiel, 2006.
Postado por: 
Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

[Livro do mês] Thabiti Anyabwile – “O que é um membro de igreja saudável?”

Livro do mês - O que é um membro de igreja saudável

Quer sua vida cristã tenha começado ontem, quer tenha começado há trinta anos, o propósito do Senhor é que você desempenhe um papel ativo e vital em seu corpo, a igreja local. Ele tenciona que você tenha a experiência da igreja local como um lar mais maravilhoso e mais significativo do que qualquer outro lugar do mundo. Ele deseja que suas igrejas sejam lugares saudáveis e que os membros dessas igrejas sejam também saudáveis.

Este pequeno livro foi escrito na esperança de que você descubra e redescubra o que significa ser um membro de igreja local saudável e o que significa contribuir para a saúde de toda a igreja.

Este livro toma como exemplo O que é uma igreja saudável?, embora tente responder a uma pergunta um pouco diferente: “À luz das Escrituras, o que é um membro de igreja saudável?”. Procura-se com isso abordar as pessoas que os pastores lideram e encorajá-las a cumprir seu papel em ajudar a igreja local a refletir cada vez mais a glória de Deus.

Como você, membro de uma igreja local, pode contribuir positivamente à saúde de sua igreja?

[…] A saúde da igreja local depende da disposição de seus membros para inspecionarem seu coração, corrigirem sua maneira de pensar e dedicarem-se à obra do ministério. Os capítulos apresentarão uma proposta para você tornar-se um membro mais saudável de sua igreja local. Os capítulos pressupõem que você já é membro de uma congregação local e talvez precise apenas de um pequeno empurrão ou de oportunidade para refletir sobre alguns assuntos prioritários.

O capítulo 1 encoraja-o a ouvir de modo expositivo a Palavra de Deus. Membros de igreja saudável são aqueles que ouvem de maneira específica a Palavra de Deus pregada e estudada. Eles permitem que Deus estabeleça a agenda, procurando sempre ouvir o verdadeiro significado do texto, de modo que o apliquem à sua vida.

No capítulo 2, os membros de igreja são estimulados a dedicarem-se ao aprendizado dos temas da Bíblia. Em outras palavras, eles devem tornar-se “teólogos bíblicos”, esforçando-se por protegerem a si mesmos e à igreja dos ensinos falsos e incorretos.

O capítulo 3 convida os membros da igreja a que fiquem saturados com o evangelho de Jesus Cristo. É o evangelho que nos salva (Romanos 1.16); também é o evangelho que nos sustenta e nos motiva no viver cristão diário.

Não podemos ouvir as Escrituras ensinadas expositivamente, conhecer bem as suas narrativas e temas abrangentes e viver saturados com o evangelho, sem desejarmos e nos esforçarmos para tornar-nos evangelistas bíblicos. Os capítulos 4 e 5 oferecem algumas sugestões para considerarmos a evangelização e a conversão de modo bíblico saudável.

O capítulo 6 é uma chamada a assumir um compromisso sério e ativo com a membresia de uma igreja local. Depois, o capítulo 7 provê uma razão que explica por que a membresia comprometida é importante: a igreja local é o lugar em que os crentes experimentam a disciplina transformadora e corretiva do Senhor.

O capítulo 8 examina o crescimento espiritual com base numa perspectiva bíblica, enquanto o capítulo 9 inclui algumas recomendações para apoiarmos eficientemente a liderança da igreja local.

O capítulo 10 é uma chamada a considerarmos a oração como um aspecto essencial de tornar-se um membro saudável de igreja. Uma breve discussão das bases bíblicas da oração é apresentada, incluindo algumas sugestões que os membros saudáveis de igreja podem incluir em sua vida de oração.

Cada capítulo inclui também algumas leituras recomendadas para estudo posterior. Essas não são as únicas coisas que produzem um membro de igreja saudável; outras coisas também são importantes. Entretanto, espero que essas nos estimulem ao amor e às boas obras, para a glória de Cristo e a beleza de sua noiva.

________________________

Informações do livro

Título: O que é um membro de igreja saudável?
Autor: Thabiti Anyabwile
Editora: Fiel
Edição:
Ano: 2010
Número de páginas: 122

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

[Livro do mês] Stuart Olyott – “Ministrando como o Mestre”

Vinícius S. Pimentel

Livro do mês - Ministrando como o Mestre

Quando comprei o pequeno livro Ministrando como o Mestre: Aprendendo com os métodos de Cristo, eu não fazia ideia do maravilhoso tesouro que estava levando para casa. De fato, as 67 páginas deste opúsculo não chamam a atenção de leitores desavisados como eu. Todavia, numa combinação rara de simplicidade e consistência, o pastor galês Stuart Olyott compartilha conosco riquezas insondáveis acerca do ministério da Palavra de Deus, apontando-nos as principais marcas do ministério do próprio Senhor Jesus como um exemplo a ser seguido pelos Seus ministros.

No primeiro capítulo, Stuart Olyott assevera que nosso Senhor não era um pregador enfadonho. A pregação de Jesus era vibrante e, por isso, poderosa e eficaz para o coração dos ouvintes. “A forma de falar do nosso Senhor era característica, clara, simples e fácil de copiar” (p. 7).

O autor faz uma exposição panorâmica do Sermão do Monte para mostrar que a oratória de Jesus seguia um método triplo, consistente em ensinar-ilustrar-aplicar. Todavia, ao invés dividir o sermão nessas três partes, o Senhor mesclava ensino, ilustração e aplicação – como numa trança de cabelo, em que não é fácil distinguir cada mecha que a compõe – de uma maneira que a mente dos ouvintes era cativada pela Sua mensagem. Olyott enfatiza que o método de ensino de Cristo era claro, Suas ilustrações soavam familiares ao povo e Suas aplicações abrangentes alcançavam os mais diversos tipos de pessoas ouvintes.

No segundo capítulo, Olyott parte da passagem narrada em Mateus 11.20-30 para demonstrar que nosso Senhor era um pregador evangelista. A fim de assegurar que essa afirmação não seja mal-entendida ou menosprezada, o autor explica o significado de ser um evangelista: é pregar com vistas à conversão imediata de cada ouvinte. “Enquanto prego, tenho uma foice na mão. Minha oração e meu alvo é colher uma safra do sermão que estou dando no momento” (p. 31).

O pastor galês, então, extrai do texto exposto três lições vitais a respeito da pregação evangelística do Senhor Jesus. Em primeiro lugar, Jesus demonstrava o Seu zelo evangelístico ao apontar o dedo para grupos específicos de pessoas: Ele dirige-se aos moradores de Corazim, Betsaida e Cafarnaum e mostra quão grande e terrível era o seu pecado. O Senhor então expõe pecados específicos daqueles grupos de pessoas e aponta-lhes o Dia do Julgamento como uma advertência para que eles se arrependessem e se convertessem.

Em segundo lugar, Jesus demonstrava o Seu zelo evangelístico ao dobrar os joelhos. A passagem em questão narra que Jesus, após apontar o dedo para os pecados dos Seus ouvintes, irrompeu em oração ao Pai. Stuart Olyott então conclui: “Isto nos ensina que devemos não apenas apontar nosso dedo; devemos também dobrar o joelho” (p. 40). Contudo, a oração do Senhor – ao contrário do que se poderia esperar – não expressa uma petição, e sim um profundo louvor à soberania e aos sábios decretos de Deus na eleição: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado”. Mas como esse tipo de oração pode fazer parte do nosso ministério evangelístico? Olyott afirma:

Para seguir o caminho do Mestre, você tem de admirar o mistério, não entendê-lo; tem de adorar o mistério, sem se perder em especulação e filosofia. Tal caminho também é um mistério a ser proclamado, mas ao fazê-lo nunca tente explicá-lo. Deus é Deus. Você é um homem ou uma mulher e isto é tudo que sempre será. Então, dobre os joelhos!

Em terceiro lugar, Jesus demonstrava o Seu zelo evangelístico ao abrir os braços. Para o Senhor, não era suficiente apontar o dedo para o pecado dos ouvintes e dobrar os joelhos em reverente louvor ao Pai; assim, também, nós devemos abrir os braços, convidando generosamente os pecadores a virem a Cristo e desfrutarem de todos os Seus benefícios prometidos aos que Lhe pertencem. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”. Aqui, Stuart Olyott desafia os pregadores a oferecerem com liberalidade, sem restrições ou receios, as promessas do Evangelho. Ele nos exorta a mostrarmos, em nosso ministério, o quanto o Senhor Jesus é “manso e humilde de coração” – nunca rejeitando o pecador que retorna – e o quanto são maravilhosas as Suas promessas – o Seu jugo é suave e o Seu fardo é leve.

No último capítulo, Olyott conclui a sua apresentação do ministério de Cristo sustentando que nosso Senhor não era apenas um pregador. Esta é, sem dúvida, uma das mais importantes lições a serem aprendidas pelos pregadores (e por aqueles que almejam pregar o Evangelho): o ministério da Palavra de Deus não se resume à pregação.

O autor não deixa de enfatizar que “nosso Senhor é um pregador”. Isso está fora de questão; a pregação é um elemento central, fundamental em Seu ministério. Todavia,  ele deseja demonstrar que “pregar não é a única coisa em sua vida” (p. 54). Assim, numa breve exposição de Marcos 1, Olyott nos mostra sete coisas que Jesus fez em Seu ministério, além de pregar.

Primeiro, Jesus se identifica com os pecadores ao submeter-se ao batismo de João (assim como Ele se identificaria com os pecadores ao substituir-nos na cruz). Segundo, Jesus experimentou tentação, ao ser conduzido pelo Espírito ao deserto. Terceiro, Jesus faz discípulos por meio de conversas pessoais, tal como relatado na conversão de Simão, André, Tiago e João. Quarto, Jesus confronta o mal pessoalmente, como o fez com aquele endemoninhado na sinagoga em Cafarnaum. Quinto, Jesus preocupa-se com os doentes, como fica claro na cura da sogra de Pedro. Sexto, Jesus mantém uma vida de intensa oração secreta. Sétimo, Jesus toca os rejeitados, aqueles de quem todos os outros recusam a aproximar-se. Jesus era, enfim, muito mais que um pregador. “Isto aconteceu, porque toda a sua vida foi um ministério, e ministrar foi toda a sua vida” (p. 66).

De maneira amorosa, porém confrontadora, Stuart Olyott desafia os leitores: se nossa pregação é enfadonha, não estamos ministrando como o Mestre. Se não somos pregadores evangelistas, não estamos ministrando como o Mestre. E, se somos apenas pregadores, também não estamos ministrando como o Mestre.

O livro todo possui um tom de exortação calorosa, porém compassiva, conduzindo-nos a uma visão elevada do ministério da Palavra e chamando-nos a seguirmos os passos de Jesus na Sua maneira perfeita de ministrar neste mundo. Todavia, este não é um livro sobre técnicas de pregação, tampouco é o seu objetivo nos dar uma lista de coisas a fazer se quisermos ser ministros bem-sucedidos. Ao contrário, após mostrar o padrão perfeito do ministério de Jesus, Stuart Olyott convoca os imperfeitos ministros a voltarem os seus olhos para a cruz, confessando os seus pecados e clamando pela ação transformadora do Espírito de Cristo:

Devemos buscar o Crucificado que agora é Exaltado; devemos reconhecer tudo que O ofende e entristece, experimentar novamente sua purificação e deixar o lugar secreto com uma consciência limpa.

[…] A minha oração, contudo, é para que mais de um leitor diga: “Em todas as áreas da vida eu baguncei as coisas. Senhor, novamente me prostro aos teus pés, como um pecador diante da cruz e quero contar tudo sobre essa desordem”. Nosso Senhor mostra graça e dá perdão a todo pecador arrependido. Ele também se certifica de que a vida de tal pecador não permaneça como era!

Ministrando como o Mestre: Aprendendo com os métodos de Cristo é, enfim, um excelente livro, que comunica verdades profundas com uma linguagem simples e conduz o leitor pelos caminhos maravilhosos do arrependimento e da graça de Deus. É, sem dúvida, um livro voltado para aqueles que de alguma maneira estão envolvidos com o ministério da Palavra; contudo, tenho certeza de que qualquer cristão (e até mesmo um incrédulo) poderá ter grande proveito na sua leitura – afinal, nada existe de mais importante nesta vida além de contemplar o ser e as obras de Cristo, e, assim, ser transformado na Sua própria imagem. E o livro certamente nos conduz a essa divina contemplação.

________________________

Informações do livro

Título: Ministrando como o Mestre: Aprendendo com os métodos de Cristo
Autor: Stuart Olyott
Editora: Fiel
Edição:
Ano: 2005
Número de páginas: 67

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

[Livro do mês] Thea B. Van Halsema – “João Calvino era assim”

Áurea Emanoela

Livro do mês - João Calvino era assim

João Calvino Era Assim foi escrito para contar a história de uma vida. É uma tentativa de fazê-lo viver, de recapitular algo da extraordinária e inspiradora personalidade de João Calvino.” (Thea B. Van Halsema)

Um homem chamado segundo o propósito de Deus, para fazer aquilo que o Grande Regente do universo houvera determinado. João Calvino era um homem alto, de porte franzino, apaixonado pelos livros, cujo grande desejo era “desfrutar o lazer literário, com uma vida razoavelmente honrada e desimpedida” (p. 31). Todavia, após uma “repentina conversão” (p. 32) na qual teve o seu coração subjugado por Deus, “o candidato ao sacerdócio, o advogado, o pesquisador secular, não mais existia. Em seu lugar estava agora João Calvino, servo de Jesus Cristo” (p. 32).

Com palavras simples e riqueza de detalhes, a escritora americana Thea B. Van Halsema, conduz o leitor a um “passeio contagiante” por detalhes da vida do homem que, fazendo a vontade de Deus, teve seus desejos completamente satisfeitos por Aquele que o houvera chamado. O Senhor fez de Calvino não apenas um grande escritor, mas um homem cujas

ideias e obras continuam poderosamente vivas através dos séculos. Inspiradas pela Palavra viva, elas penetram em todo o mundo cristão. Por intermédio delas o pregador de Saint Pierre tem ensinado e moldado a igreja de Cristo. Ele tem falado na vida de homens e de nações. (p. 191)

O livro é dividido em três partes, cada uma contendo doze capítulos. Na parte I, intitulada Deus guiou-me assim, somos apresentados ao lar de Calvino; ao seu pai Gerard Calvin, “advogado dos padres e cônegos” (p. 7); à sua mãe Jeanne le Franc, filha de um rico hoteleiro aposentado que faleceu quando “o menino de olhos vivos” (p. 08) tinha apenas três anos de idade; aos seus irmãos; às pessoas que costumeiramente entravam e saiam da sua casa “porquanto o lar era um escritório também” (p. 7); à sua infância em Noyon, na província francesa de Picardy, entre cônegos, padres, monges, capelães e toda espécie de empregados eclesiásticos. A autora explica que

foi nesse pequeno mundo amuralhado, de santuários e relíquias, de procissões e festas, de círios, sinos e imagens que cresceu o segundo filho do advogado da igreja. Em tudo ele participava com devoção, lembrando os olhos embaçados de sua mãe. Do seu tamborete, no canto da casa, também ouvia as vozes que vinham da escrivaninha do seu pai. Um clérigo queria o fruto de mais vinhas. Outro desejava o grão de maiores campos. Estavam sempre querendo mais coisas para si mesmos. Queriam ficar mais ricos, mais admirados, mais acomodados. (p. 10)

No verão de 1523, João Calvino deixa a cidade em que nascera e com grandes expectativas segue em direção a Paris. Calvino, “com quatorze anos de idade, entrava num mundo novo de pessoas, lugares e ideias. Ele não voltaria mais a Noyon para residir” (p. 12). Assim como acontecera na Suíça de Ulrich Zwinglio, as ideias da Reforma também haviam chegado à França; é-nos contado, por exemplo, que Jacques Lefèvre, professor da melhor universidade da Europa, “com idade de setenta anos, redescobriu as verdades da Bíblia” (p. 14).

À medida que a nova fé se espelhava pela França, apareciam inimigos para abafá-la. Entre estes se destacavam dois homens de altas posições: o sagaz Noel Beda, reitor da Universidade da Sorbonne, e o ambicioso Antoine du Prat, chanceler da França. De início, estes homens e seus auxiliares usaram ameaças e argumentos. Quando tais métodos falharam, começaram a usar fogo e o laço do enforcador (p. 15).

Era este o ambiente em Paris quando Calvino lá chegou em meados de 1523:

era agosto, no mês em que a fumaça de um sacrifício humano subia aos céus no Place de Greve. Um monge Agostiniano convertido foi amarrado ao pelourinho e queimado por causa de suas “heresias luteranas”. Foi o primeiro a morrer dessa maneira em Paris. O primeiro de muitos. (p. 16)

A narrativa prossegue conduzindo o leitor desde a vida estudantil até o “fracasso” literário daquele que posteriormente viria a ser um dos maiores e mais reconhecidos escritores cristãos.

Em 1533, aproximadamente um ano depois da publicação de um ensaio sobre Sêneca (filósofo romano que foi contemporâneo do apóstolo Paulo), Calvino se viu obrigado a deixar Paris para salvar sua vida. A partir daí, conforme ele mesmo expressou, “não podia fazer outra coisa senão seguir o Teu caminho condenando o meu passado com não poucas agonias e lágrimas” (p. 32). Calvino passou a ser caçado como herege apto para o fogo.

De formas diferentes, era também caçado por pessoas sedentas da verdade que ele ensinava e pregava. Recordando esses meses, Calvino escreveu: “Deus me dirigiu por tantas voltas e mudanças, que Ele nunca permitiu que eu descansasse em qualquer lugar” (p. 35).

Naqueles tempos difíceis, ao final de seus sermões, Calvino costumava erguer suas mãos em direção aos céus e exclamar: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (p. 36).

Em 1536, Calvino publica a primeira edição das Institutas da Religião Cristã. O projeto inicial consistia em “ajudar os novos protestantes que precisavam conhecer as verdades da Bíblia” (p. 41); todavia, diante da fúria incontida do rei da França (Francisco I), Calvino “sentou-se à sua escrivaninha e mergulhou sua pena no tinteiro. Trabalhou febrilmente para concluir o que estava escrevendo” (p. 41). Embora o rei da França jamais tenha chegado “a ler a carta de vinte e uma páginas que lhe fora endereçada” (p. 41), João Calvino tencionava esclarecer “a natureza daquela doutrina que é o objeto de tanta cólera incontida por parte daqueles loucos que ainda agora estão convulsionando o país com fogo e espada” (p. 43). Na sua última edição, de 1559,

as Institutas seguiram a ordem do Credo dos Apóstolos na discussão das verdades da religião cristã. […] Foi assim que apareceu a poderosa obra que recolheu da Palavra de Deus um completo sistema doutrinário. As Institutas começaram com Deus, concluíram com Deus e encontraram todas as coisas em Deus, o Deus triúno. (p. 45)

A narrativa prossegue e atinge seu clímax com a chegada de Calvino na impenitente cidade de Genebra. “O viajor chegou para uma noite de sono. Pretendia continuar a viagem, sem ser reconhecido. Mas Deus tinha outros planos” (p. 65). Ainda no ano de 1536, João Calvino teve o primeiro contato com aquele que seria o seu amigo pelo resto da vida, o impetuoso e destemido Guilherme Farel. Logo que soube da estada de Calvino na explosiva Genebra, Farel tratou de instá-lo a permanecer na cidade a dar continuidade ao trabalho ali iniciado. Diante da negativa inicial de Calvino, Farel, ousadamente,

apontando aos céus, vociferou: “Digo-te, em nome de Deus Todo-Poderoso, que estás apresentando os teus estudos como pretexto. Deus te amaldiçoará se não nos ajudares a levar adiante o Seu trabalho, pois doutra forma estarias buscando a tua própria honra em vez da de Cristo!” (p. 66)

 A resposta de Calvino à ousada “convocação” de Farel veio da sua devota obediência ao Deus que convertera seu coração:

Senti como se Deus tivesse estendido a Sua mão do céu em minha direção para me prender… Fiquei tão aterrorizado que interrompi a viagem que havia encetado… Guilherme Farel me reteve em Genebra. (p. 66)

Em Genebra, os problemas pareciam se avultar a cada novo dia, culminando com a expulsão, em 25 de abril de 1538, dos três pastores franceses da cidade que abraçara a fé protestante (Junto com Calvino e Farel estava Corault, “o homem cego e velho que tinha acabado de sair da prisão”). Ao ouvir a sentença pronunciada pelo arauto, Calvino replicou: “Muito bem. Tivéssemos servido a homens seríamos mal recompensados, mas servimos a um bom mestre que nos retribuirá” (p. 85). Vinte meses após a sua chegada, Calvino e seus dois amigos atravessam “a ponte elevadiça sobre o fosso, passando pela guarda armada e saindo pelo portão da cidade” (p. 85). Todavia, alguns anos mais tarde, o jovem reformador, a pedido do Conselho de Genebra e novamente guiado por Deus, retornaria à cidade da qual fora expulso e permaneceria ali até sua morte, em 27 de maio de 1564.

A segunda parte do livro prossegue com o exílio de Calvino e o seu ofício como pastor da igreja de refugiados franceses em Strasbourg. Os três anos que passaria na pacífica cidade se tornariam “um sonho agradável comparado com os horrores de Genebra” (p. 89). Foi em Strasbourg que Calvino conheceu Idelette, que posteriormente tornar-se-ia sua esposa.

Calvino não poderia ter encontrado melhor esposa do que a nova Madame Calvino. […] Era não somente paciente, ansiosa por servir o marido e feliz por compartilhar com ele qualquer trabalho do Senhor; ela mesma saía para visitar os doentes, confortar os tristes, e compartilhar com os outros a sua fé. Calvino, alentado pelo seu amor, nunca imaginou ser possível tal felicidade. (p. 100)

Todavia, nos primeiros dias de setembro de 1541, escoltado pelo arauto, Calvino encetou viagem de volta a Genebra.

As lágrimas anuviando os olhos, Calvino cavalgou para fora da pacífica cidade onde tinha gasto três frutíferos anos. O Senhor o estava enviando de volta às tempestades de Genebra. […] Ninguém sonhava, muito menos Calvino, que a turbulenta cidade a que se destinava tornar-se-ia para todo o sempre a cidade mundial da Reforma. (p. 117)

Em seu derradeiro capítulo somos reconduzidos, juntamente com Calvino, à cidade de Genebra. Vislumbramos algumas das dificuldades enfrentadas pelo Reformador quando do seu retorno à cidade que ele considerava como a “Sodoma da Reforma”. Acompanhamos o sofrimento de Calvino quando da morte de sua esposa Idelette, em meados de 1549: “Fui privado da melhor companhia da minha vida. […] Faço o possível para não ficar assoberbado pela tristeza” (p. 135). Somos ainda guiados em torno da grande controvérsia acerca de “quem queimou Servetus?” (p. 170).

Lamenta-se que Calvino, na maneira de tratar Servetus, tenha agindo como outros homens do seu tempo. Lamenta-se especialmente porque nos seus escritos e nos seus atos Calvino estava muito além da sua época, apontando o caminho para a tolerância e a liberdade. (p. 175)

Contudo, depois de muitos anos tempestuosos, “Genebra, a Sodoma para a qual Calvino havia voltado, estava sendo transformada numa cidade de Deus” (p. 175).

Enquanto povos e nações ao seu redor eram abalados por guerras e dificuldades, a cidade no lago caminhava firmemente para ocupar o seu lugar como cidade mundial da Reforma. Devido ao homem que morava na Rua do Canhão, Genebra era a sede da fé Protestante para todo o mundo da época. Esta era a cidade da qual João Knox, o grande reformador escocês, falou: ‘Existe aqui a mais perfeita escola de Cristo desde os dias dos apóstolos’. (p. 176-177)

Em 27 de maio de 1564, Calvino “morreu em paz, como alguém que pega no sono. Numa noite de sábado – o fim do dia, o fim da semana, o fim de uma vida. Um grande servo estava agora com o seu Mestre” (p. 190). Nem mesmo as fortes dores que sentia impediam Calvino de adorar ao Deus bendito:

Orava continuamente, em voz alta ou silenciosamente, movimentava os lábios. Nos estertores, atribulado pela dor, clamava com frequência: “por quanto tempo, Ó Senhor?”. Ou “Senhor, Tu me esmagas, mas eu me conformo de que seja a Tua mão”. (p. 190)

João Calvino era assim, um extraordinário servo de Jesus Cristo. “O milagre consistia em que Deus tenha usado um servo pecador como João Calvino de maneira tão poderosa para edificar Sua Igreja e influenciar o mundo” (p. 175).

________________________

Informações do livro

Título: João Calvino era assim: A vibrante história de um dos grandes líderes da Reforma
Autora: Thea B. Van Halsema
Editora: Puritanos
Edição:
Ano: 2009
Número de páginas: 191

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

[Livro do mês] John MacArthur – “A sós com Deus”

Áurea Emanoela

Livro do Mês - A sós com Deus

Em A sós com Deus: O poder e a paixão pela oração, o pastor John MacArthur nos faz mergulhar no fantástico “exercício espiritual” da oração, apresentando-a como algo tão natural, dentro da família de Deus, quanto o próprio respirar:

Para os cristãos, orar é como respirar. Você não tem de pensar em respirar porque a atmosfera exerce pressão sobre os seus pulmões e o força a fazer isso. É por isso que é mais difícil prender a respiração do que respirar. (p. 13)

Nos onze capítulos que compõem o livro, divididos em três partes, MacArthur nos apresenta a oração como essencial à comunhão do crente com Deus, sendo de tal modo importante, que “o inimigo tenta constantemente disseminar enganos sobre o nosso entendimento da oração e sobre o nosso compromisso em orar” (p. 8).

Totalmente centrado na glória de Deus, o autor nos adverte acerca das percepções errôneas ou confusas sobre a oração, mostrando que ela é muito mais do que um ritual, ou uma maneira de fazer exigências e reivindicações a Deus. Fazendo uso das palavras de Martin Lloyd-Jones: “a oração é sem sombra de dúvida a mais elevada atividade da alma humana” (p. 7), e acrescenta: “por ser a mais elevada atividade da alma humana, a oração é ao mesmo tempo o teste definitivo da real condição espiritual do homem” (p. 8).

Na primeira parte do livro (formada pelos dois primeiro capítulos), John MacArthur faz um exame esclarecedor a respeito da atitude que cada crente deveria ter em relação à comunicação com Deus. “Todos os cristãos devem ter necessariamente seus corações focados em Deus de modo que a comunhão com Ele seja uma atividade diária e natural de suas vidas” (p. 09). No primeiro capítulo, “Um coração firmado em Deus”, somos instados a compreender a necessidade vital de “orarmos sem cessar”.

Penso em orar sem cessar como viver na contínua consciência da presença de Deus, quando tudo que vemos e experimentamos se converte em uma espécie de oração, vivida em profunda consciência e rendição ao nosso Pai Celestial. (p. 17)

No segundo capítulo, “Buscando a Deus em secreto”, o pastor MacArthur nos adverte quanto à necessidade de nos guardarmos para que não venhamos a orar com a atitude errada, a exemplo do que acontecia com os fariseus, que faziam da oração um meio para exibir sua falsa espiritualidade “ao invés de vê-la como uma humilde oportunidade de glorificar a Deus” (p. 10). Os fariseus oravam para serem vistos, deturpando o propósito maior da oração que é glorificar a Deus! MacArthur nos alerta quanto ao perigo de tornarmos a oração um hábito ou de exercê-la sem paixão e, fazendo uso da brilhante percepção do pastor puritano John Preston, pontua: “se for desempenhada de maneira formal ou costumeira e excessiva, é melhor omiti-la totalmente, pois o Senhor recebe as nossas orações não por seu número, mas por seu peso” (p. 29).

Na segunda pare do livro (em que estão os capítulos 3 a 9), MacArthur nos traz o padrão de Jesus para a oração dado no “Pai nosso” (Mateus 6.9-15), “como uma forma de corrigir a corrompida perspectiva sobre a oração que os discípulos haviam recebido daqueles líderes religiosos hipócritas [os fariseus]” (p. 10). O autor acrescenta que o modelo de oração ensinado por Jesus “ofereceu um padrão que dava uma visão abrangente de todos os elementos essenciais de uma oração correta, estando todos eles centralizados em Deus” (p. 10). Essa parte do livro aborda cada frase da oração ensinada por Cristo, e nos leva a descobrir que “Jesus focaliza nossa atenção em Deus – na sua adoração, dignidade e glória” (p. 10).

Por fim, na terceira e última parte do livro (dividida em dois capítulos), MacArthur nos leva a examinar os motivos específicos pelos quais todos os crentes deveriam orar. “Se estivermos orando realmente pelas coisas certas, focalizaremos os nossos pedidos de oração naquilo que diz respeito ao Reino de Deus e ao nosso próprio crescimento espiritual” (p. 193). Essa derradeira parte funciona como uma espécie de manual prático, no qual somos instados a aplicar o que aprendemos ao longo da leitura, em orações cujo proposito único é “simplesmente falar com Deus como você faria com um amigo querido, sem qualquer fingimento ou petulância” (p. 8).

Ao longo das duzentas páginas que constituem esse maravilhoso livro, o leitor é levado a redescobrir “o poder e a paixão que o tempo gasto com Deus pode trazer” (p. 10).

E você, já conversou com Deus hoje?

________________________

Informações do livro

Título: A sós com Deus: O poder e a paixão pela oração
Autor: John MacArthur Jr.
Editora: Palavra
Edição:
Ano: 2009
Número de páginas: 200

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.