Meditações no Salmo 1 (I): O justo e os ímpios

Vinícius S. Pimentel

Meditações no Salmo 1

Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.

Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido. Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa.

Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação dos justos. Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá. (Salmo 1)

J.C. Ryle escreveu certa vez que, assim como entre as estrelas há diferença de esplendor, algumas passagens das Escrituras brilham mais do que outras, revelando-nos com mais clareza e intensidade a glória do Deus a quem adoramos.

Se o bispo de Liverpool estiver certo (como eu penso que está), o Salmo 1 certamente é um dos capítulos mais importantes de toda a Bíblia. Além de servir como uma introdução ao Saltério, este salmo se apresenta para nós como uma belíssima síntese de como deve ser a vida do homem que vive por Deus e para Deus.

No Salmo 1, o salmista contempla a diferença radical entre a vida do justo e a vida do ímpio. Ele nos chama a observar que a vida do justo é caracterizada por um evidente amor aos mandamentos de Deus (a Lei) e, ao mesmo tempo, nos anuncia que a verdadeira felicidade na vida (bem-aventurança) está apenas com o homem justo, e não com o ímpio.

Se atentarmos à voz de Deus na boca do salmista, encontraremos um caminho seguro para vivermos de uma maneira que o Senhor seja completamente glorificado e nós, completamente felizes. Continuar lendo

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O caminho da salvação (Parte 2)

Áurea Emanoela

(Leia a Parte 1)

O caminho da salvação

Por toda a revelação bíblica, é o próprio Deus que, movido por santo amor, provê a salvação. A ênfase, aqui, recai sobre a salvação que Deus, em Cristo, preparou em lugar do pecador, e, apesar de não haver separação aqui, é salutar indicar como Ele opera a salvação do homem.

É pelo Espírito Santo que a salvação se torna uma realidade. A experiência de salvação, por parte do homem, tem um tríplice aspecto temporal. Pode ser escrita em termos de passado, presente e futuro; possessiva, progressiva e futuristicamente (1); o homem está salvo, está sendo salvo, e será salvo (cf. Mateus 10.22; Romanos 5.9-10; 8.24; 1Coríntios 1.18; Efésios 2.8).

Possessivamente: O homem, pela fé nele instalada através do Espírito Santo, recebe uma nova posição em Cristo; já está justificado e absolvido por causa de Cristo. Assim como em sua posição “pré-justificada” o homem não podia merecer a salvação, semelhantemente, após haver sido justificado (não por qualquer justiça própria) agora não pode “desmerecer” a salvação ou “desfazer” a sua justificação no sentido de desfazer aquilo que Deus fez por ele. Está redimido, reconciliado, perdoado, purificado (João 13.10), já passou da morte para a vida, e recebeu a certeza, pelo testemunho do Espírito junto a seu próprio espírito, de que é filho de Deus (cf. Romanos 8.16), co-herdeiro juntamente com Cristo, possuidor da vida que é eterna em sua qualidade e duração, e que de uma vez para sempre despedaçou as correntes da escravidão ao temor da morte (cf. Hebreus 2.15).

Progressivamente: A graça de Deus, que traz a salvação (cf. Tito 2.11), é o poder transmitido pela pregação da cruz àqueles que “estão sendo salvos” (cf. 1Coríntios 1.18). Ensina a necessidade da operação santificadora do Espírito, a exteriorização da salvação que Deus operou no homem (cf. Filipenses 2.1-12), evidenciando a negação à impiedade e as concupiscências mundanas, e produzindo uma vida sóbria, reta e piedosa no mundo presente. Assim como a fé é o fato operativo na salvação, concebida possessivamente, semelhantemente é o amor, na exteriorização da salvação. Mediante o amor implantado pelo Espírito, a vida do homem é conservada, o remido atinge sua verdadeira personalidade ao refletir a imagem de Deus dessa nova maneira, e se faz verdadeiramente presente em sua pessoa para aqueles que ainda necessitam da salvação.

Futuristicamente: A salvação, em sua plenitude, deverá ser realizada somente no futuro. O homem é salvo em esperança. Ao crente é apontado a obtenção da salvação total (cf. 1Tessalonicenses 5.9; 2Tessalonicenses 2.13; 2 Timóteo 2.10; Hebreus 1.14). A salvação total está prestes a ser revelada no último tempo (cf. 1Pedro 1.5). Essa salvação está “agora mais perto do que quando no princípio cremos” (Romanos 13.11). Para aqueles que esperam em Cristo, Ele aparecerá segunda vez, não para novamente tratar do pecado, mas, sim, “para a salvação” (Hebreus 9.28). Por ocasião da derrota definitiva do mal, a voz celeste proferirá as palavras: “Agora é vinda a salvação” (cf. Apocalipse 12.10).

(Leia a Parte 3 – em breve)

Notas:
(1) DOUGLAS, J.D. (ed.) [editores assistentes BRUCE, F.F. et al.; editor da edição em português SHEDD, Russell P.]. Novo dicionário da Bíblia. 3 ed. rev. São Paulo: Vida Nova, 2006.

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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