Um firme alicerce

Áurea Emanoela

Um firme alicerce

No post anterior, tivemos a oportunidade de falar acerca da “destruição dos fundamentos”, trazendo o exemplo de como o rei Davi resistiu às adversidades que o cercavam, refugiando-se no Deus que reina eternamente e é Senhor de todas as coisas. Salientamos que, embora fugir fosse aparentemente a melhor saída, o salmista, contrariando o conselho dos seus amigos, confiou na justiça dAquele que julga retamente e tem o controle da história em Suas mãos.

Como também falamos, temos vivido uma triste e vergonhosa inversão de valores, e as palavras do apóstolo Paulo, dirigidas a Timóteo, parecem resumir bem a realidade moral da sociedade “pós-moderna”:

“Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder.” (2Timóteo 3.1-5a)

O conselho de Paulo a Timóteo é claro e deveras objetivo, estendendo-se a todo cristão que deseja viver piedosamente: “Foge também destes” (2Timóteo 3.5b). Nesta semana, gostaria de dar continuidade ao tema outrora abordado, todavia tratando-o sobre outro enfoque: “Qual o pilar de sustentação da nossa fé?”

A importância do alicerce

Embora eu entenda pouquíssimo a respeito de construção civil, duas coisas são de fácil compreensão: a primeira delas é o fato de que qualquer edificação, por mais simples que seja, precisa de um bom alicerce; caso contrário, ruirá. Em segundo lugar, os fundamentos determinam o tamanho da futura construção, dessa forma, se quisermos erguer um edifício de quinze andares teremos que investir na construção de um alicerce compatível.

“A fundação evita, que qualquer estrutura, até mesmo uma casa, afunde – por isso, ela tem que ser posicionada diretamente abaixo dos pontos de apoio da futura construção. […] O ideal é que o solo que sustenta o alicerce seja resistente e não se deforme com o peso do edifício. ‘Muitas vezes, o solo bom está muitos metros abaixo da superfície, por isso temos que cavar fundo para encontrá-lo’, diz o engenheiro Carlos Mafei, da USP.” (Retirado do site Mundo Estranho. Grifos acrescidos)

À semelhança do que acontece na construção civil, a vida cristã precisa estar “solidamente assentada” de modo que não venha a apresentar deformações, rachaduras, ou terminar em desabamento.

“Portanto, assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu assentei em Sião uma pedra, pedra já provada, pedra preciosa, angular, solidamente assentada; aquele que crer não foge.” (Isaias 28.16)

Vida cristã bem alicerçada

Cristo é referido como o fundamento da igreja, isto é, a verdadeira e única base da nossa salvação (1Coríntios 3.11). Ele é a principal pedra, a pedra angular, de maneira que uma vida construída fora dEle, sobre a areia, pode até aparentar alguma beleza, todavia não terá firmeza suficiente nos alicerces para resistir à força das dificuldades.

“A fundação evita que qualquer estrutura, até mesmo uma casa, afunde – por isso, ela tem que ser posicionada diretamente abaixo dos pontos de apoio da futura construção.”

Precisamos ter muito cuidado com as aparências: duas casas, assim como dois cristãos, podem parecer iguais por fora, mas a diferença entre elas (e entre o cristão falso e o verdadeiro) será revelada quando vierem às provações, as rajadas de “vento” que ameaçam tudo destruir. O construtor sábio lança os fundamentos na Rocha firme.

Uma das principais técnicas utilizadas na construção civil – e também uma das mais caras – é o “barrete”, que serve para edifícios com vinte ou mais andares quando o solo não permite usar a fundação rasa. Com essa metáfora, que quero dizer que uma vida bem alicerçada exige um custo alto; e aqui não me refiro a valores auferidos através do dinheiro, mas a renúncia, obediência, submissão e muitas vezes sofrimento, perseguição e até mesmo martírio.

Seguir a Cristo exige um custo, todavia não poderíamos pagá-lo se o próprio Jesus, através do Seu sangue, não nos tivesse garantido acesso ao Pai. Nenhum preço pode ser maior do que esse. O segredo de uma vida cristã bem alicerçada é a profundidade do nosso relacionamento com o Deus que se revela ao Seu povo através das Escrituras. Uma vida cristã “rasa” tem como consequência cristãos superficiais.

Conclusão

Gostaria de encerrar comentando a seguinte frase: “Muitas vezes, o solo bom está muitos metros abaixo da superfície, por isso temos que cavar fundo para encontrá-lo.”

Deus não pode ser encontrado nessa forma de evangelho fácil que muitas “igrejas” ditas “cristãs” pregam, tampouco pode ser achado fora da Sua Palavra inerrante. Para encontrá-lo é preciso “cavar” fundo até achar o único caminho que conduz a Ele: Jesus. Somente uma vida bem alicerçada pode sustentar-nos frente a esse mundo de valores espúrios.

Quanto os desafios de ser cristão em um mundo de descrentes, não estamos a mercê do acaso, da sorte ou mesmo do destino. Deus controla o desenrolar dos fatos, ELE é o dono da história e nem mesmo um fio de cabelo que é arrancado da nossa cabeça, o é sem que Ele autorize. Regozijemo-nos nessa certeza!

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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