Três perspectivas acerca do amor de Deus pelo mundo (I): J.C. Ryle

Vinícius S. Pimentel

Três perspectivas acerca do amor de Deus pelo mundo

Introdução à série

Nesta breve série de três posts, desejamos mostrar três diferentes interpretações da passagem bíblica registrada em João 3.16, na qual nos é dito que “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

É importante ter em mente, de antemão, que os três pontos de vista aqui defendidos não são diferentes maneiras de enxergar a extensão e a eficácia da obra expiatória realizada por Deus em Jesus Cristo. Todas as interpretações aqui apresentadas foram feitas por teólogos e pastores reformados, que abraçavam a sistematização calvinista da doutrina da salvação. Em especial, todos esses homens de Deus afirmavam claramente a doutrina da expiação limitada [1].

Portanto, a discussão aqui apresentada cinge-se, estritamente, ao sentido dessa passagem em particular (João 3.16). É óbvio que, para obter o seu significado, faz-se necessário levar em consideração todo o ensino bíblico concernente ao amor de Deus, sua natureza e extensão; porém, o objeto de estudo do debate é a interpretação do versículo em si, e não a sistematização da doutrina.

No tocante à exegese de João 3.16, o cerne da controvérsia diz respeito tanto ao significado da palavra “amor” quanto ao problema de como definir a palavra “mundo”. Com relação ao “amor”, a indagação que precisa ser respondida é: na passagem, Jesus estava se referindo a uma espécie de amor geral que Deus possui por toda a humanidade, ou ao amor salvífico que Deus tem especialmente pelos eleitos? Já com relação à palavra “mundo”, a dúvida é: ela se refere a “cada indivíduo da raça humana, sem exceção” ou a “todos os eleitos que estão em todas as nações do mundo” – ou, ainda, será possível pensar em uma terceira interpretação?

Apresentando a perspectiva de J.C. Ryle

Em suas Meditações no Evangelho de João, o bispo anglicano J.C. Ryle (1816-1900) nos apresenta, de maneira pastoral e aplicativa, o seu ponto de vista com respeito ao amor de Deus pelo mundo afirmado em João 3.16. Ei-lo:

[…] Em segundo lugar, a passagem nos indica a fonte natural de onde procede a salvação do homem. Essa fonte é o amor de Deus, o Pai. Nosso Senhor disse a Nicodemos: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

Foi com razão que Lutero chamou de “Bíblia em miniatura” esse versículo maravilhoso. As primeiras palavras talvez sejam as mais importantes: “Deus amou ao mundo de tal maneira”. O amor aqui mencionado não se refere àquele amor especial com que o Pai contempla os seus escolhidos, e sim à grande compaixão e misericórdia com que Ele olha para toda a raça humana. O alvo desse amor não é somente o pequeno rebanho, que desde a eternidade Ele concedeu a Cristo, mas também o “mundo” constituído por todos os pecadores, sem exceção. Em certo sentido, Deus ama profundamente este mundo. Com misericórdia e compaixão contempla todos os que por Ele foram criados. Deus não ama os pecados dos homens, e sim as suas almas. “O SENHOR é bom para todos, e as suas misericórdias permeiam todas as suas obras” (Sl 145.9). Cristo é a graciosa dádiva de Deus para o mundo inteiro.

Vigiemos para que a nossa compreensão do amor de Deus seja escriturística e bem definida. Existem erros abundantes quanto a esta questão.

Por um lado, devemos ter cuidado com opiniões vagas e exageradas. Precisamos afirmar, com segurança, que Deus odeia a impiedade e que o fim de todos os que nela persistem será a destruição. Não é certo dizer que o amor de Deus torna o inferno desnecessário; bem como não é correto dizer que Deus amou o mundo de tal maneira que todos os seres humanos acabarão sendo salvos. É correto afirmar que amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho para ser o Salvador de todos os que creem. Seu amor é oferecido de maneira gratuita, inteira, sincera e irrestrita; mas unicamente através da redenção que há em Cristo. Aquele que rejeita a Cristo exclui a si mesmo do amor de Deus e perecerá eternamente.

Por outro lado, precisamos ter cuidado em não assumir uma posição extremista quanto a isso. Não devemos hesitar em dizer a qualquer pecador que Deus o ama. Não é verdade que Deus se importa apenas com seus eleitos ou que Cristo é oferecido somente aos que estão ordenados à vida eterna. Em Deus existe “bondade e amor” para todos os homens. Foi por causa deste amor que Cristo veio ao mundo e morreu na cruz. Não procuremos ser sábios além do que está escrito, nem mais sistemáticos em nossas afirmativas do que a própria Escritura. Deus não tem prazer na morte do ímpio. Não deseja que qualquer um deles pereça, antes, que sejam salvos. Deus ama o mundo (Jo 6.33; Tt 3.4; Jo 4.10; 2Pe 3.9; 1Tm 2.4; Ez 33.11). [2, negrito acrescido]

Entendendo a perspectiva de J.C. Ryle

Como podemos perceber, para o bispo de Liverpool, a palavra “mundo” deve ser entendida como que se referindo a “todos os pecadores, sem exceção”, isto é, tanto a eleitos como a não eleitos. Porém, Ryle deixa claro que não abraça qualquer forma de universalismo (a ideia de que todos os homens serão salvos de uma maneira ou de outra), ao afirmar que “não é correto dizer que Deus amou o mundo de tal maneira que todos os seres humanos acabarão sendo salvos”.

Tendo estabelecido a priori o significado de “mundo”, J.C. Ryle passa a investigar o sentido da palavra “amor”. Para ele, Deus possui um tipo de amor por toda a humanidade criada que não se confunde com o amor que Ele possui especialmente pelos eleitos. Em certo lugar, ele afirma que “com misericórdia e compaixão [Deus] contempla todos os que por Ele foram criados”. Há um tipo de amor geral que Deus possui por todos os homens, enquanto seres criados à Sua imagem. Assim, por causa dessa compreensão multifacetada do amor de Deus, o bispo de Liverpool diz que nós “não devemos hesitar em dizer a qualquer pecador que Deus o ama”.

Dessarte, a afirmação de Jesus a respeito do “amor” de Deus pelo mundo, na visão do bispo, não estaria se referindo ao amor especial que Ele tem pelos eleitos, mas ao tipo de amor geral que Deus possui por toda a raça humana, e por cada indivíduo em particular enquanto ser criado à própria imagem e semelhança do Criador. Ryle assevera claramente em sua meditação: “O amor aqui mencionado não se refere àquele amor especial com que o Pai contempla os seus escolhidos, e sim à grande compaixão e misericórdia com que Ele olha para toda a raça humana”.

Em suma, na ótica de J.C. Ryle, a expressão “Deus amou ao mundo de tal maneira” deve ser entendida como uma declaração do amor geral que Deus possui pela raça humana, como coroa de Sua criação, e por cada indivíduo pecador que a compõe. Todavia, esse “amor geral” pela humanidade não pode ser confundido com o amor especial que Deus nutre pelos eleitos, amor este cuja soberania assegura que todos eles, havendo sido escolhidos antes da fundação do mundo e redimidos no devido tempo pela obra vicária de Cristo, serão alcançados pela graça salvadora e preservados soberanamente para a salvação que está prestes a se revelar no último Dia.

Notas:

[1] Os Cânones de Dordt (Capítulo 2.8) assim apresentam a doutrina da expiação limitada:

[…] Isto quer dizer que foi da vontade de Deus que Cristo, por meio do sangue na cruz (pelo qual Ele confirmou a nova aliança), redimisse efetivamente de todos os povos, tribos, línguas e nações, todos aqueles e somente aqueles que foram escolhidos desde a eternidade para serem salvos, e Lhe foram dados pelo Pai. […] (Disponível em: http://www.monergismo.com/textos/credos/dort.htm. Acesso em: 04 abr. 2012.)

Há definições mais estritas do conceito de expiação limitada, como, por exemplo, aquela oferecida por Richard Belcher no livro Uma jornada na graça:

A expiação limitada diz que a morte de Cristo teve um desígnio e propósito específico para com os eleitos, e não um desígnio e propósito geral para com toda a raça humana. (BELCHER, Richard P. Uma jornada na graça: uma novela teológica. São José dos Campos/SP: Fiel, 2002, p. 107.)

Se levarmos em conta a definição menos ampla de Belcher, concepções como a do bispo Ryle (modernamente chamada de “expiação limitada ilimitada”) talvez possam ser vistas como contrárias à doutrina da expiação definida. Todavia, se considerarmos a definição histórica oferecida pelo Sínodo de Dordt, todos os pontos de vista aqui expostos abraçam indubitavelmente o ensino da expiação limitada.

[2] RYLE, J.C. Meditações no Evangelho de João. São José dos Campos/SP: Fiel, 2011, p. 35-36.

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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J.C. Ryle – E ele será chamado pelo nome de Emanuel

J. C. Ryle

E ele será chamado pelo nome de Emanuel

Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente. Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco). (Mateus 1.18-23)

O outro nome, que aparece nestes versículos, de maneira alguma é menos interessante do que aquele que já destacamos. Esse é o nome conferido a nosso Senhor em vista da sua natureza, como “Deus que se manifestou em carne”. Ele é chamado de Emanuel, ou seja, “Deus conosco”. Devemos cuidar para que sejam bem claras as noções que formamos sobre a natureza e a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo. Esse é um ponto que se reveste da mais capital importância. Deveríamos ter bem claro, em nossas mentes, que nosso Senhor é perfeito Deus tanto quanto perfeito homem. Se chegamos a perder de vista esse fundamento da verdade, poderemos cair vítimas de temíveis heresias. O nome “Emanuel”, pois, é que se reveste de todo o mistério que o circunda. Jesus é o “Deus conosco”. Ele assumiu a natureza humana igual à nossa, em todas as coisas, excetuando somente a tendência para o pecado. Mas, embora Jesus estivesse “conosco” em carne e sangue humanos, ao mesmo tempo Ele nunca deixou de ser o verdadeiro Deus.

Quando lemos os evangelhos, por muitas vezes descobrimos que nosso Senhor era capaz de ficar cansado, de padecer fome e sede, como também podia chorar, gemer e sentir dor como qualquer um de nós. Em tudo isso podemos ver “o homem” Jesus Cristo. Percebemos a natureza humana que Ele tomou para Si mesmo ao nascer da virgem Maria.

Entretanto, nesses mesmos quatro evangelhos, descobriremos que nosso Salvador conhecia os corações e os pensamentos dos homens, exercia autoridade sobre os demônios, podia fazer os mais espantosos milagres apenas com uma palavra, era servido pelos anjos, permitiu que um dos seus discípulos O chamasse de “Deus meu” e, igualmente, disse: “Antes que Abraão existisse, EU SOU” (João 8.58). E também: “Eu e o Pai somos um” (João 10.30). Em tudo isso, vemos “o Deus eterno“. Vemos aquele que “é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém” (Romanos 9.5).

Você deseja dispor de um seguro fundamento para a sua fé e esperança? Nesse caso, jamais perca de vista a divindade do seu Salvador. Aquele em cujo sangue você foi ensinado a confiar é o Deus todo-poderoso. Toda a autoridade foi dada a Jesus Cristo, no céu e na terra. Ninguém poderá arrancar você da mão dEle. Se você é um verdadeiro crente em Jesus, não permita que o seu coração se perturbe e atemorize.

Você deseja contar com um doce consolo nas ocasiões de sofrimento e tribulação? Nesse caso, nunca perca de vista a humanidade do seu Salvador. Ele é o ser humano Jesus Cristo, que se deitou nos braços da virgem Maria quando era um pequenino infante, e que conhece os corações humanos. Ele deixa-se sensibilizar pelo senso das nossas fraquezas. Ele experimentou, pessoalmente, as tentações lançadas por Satanás. Ele precisou enfrentar a fome. Ele derramou lágrimas. Ele sentiu dor. Confie nEle o tempo todo, em todas as suas aflições. Ele nunca haverá de desprezá-lo. Derrame diante dEle, em oração, tudo quanto estiver em seu ser, e nada Lhe oculte. Ele é capaz de simpatizar profundamente com o seu povo.

Que estes pensamentos se aprofundem em nossas mentes. Bendigamos a Deus pelas encorajadoras verdades contidas no primeiro capítulo do Novo Testamento. Esse capítulo nos fala de Alguém que salva “o seu povo dos pecados deles”. Porém, isso ainda não é tudo. Esse capítulo revela-nos que o Salvador é o “Emanuel”, o próprio Deus conosco; Deus manifesto em carne humana, idêntica à nossa. Essas são boas novas. São autênticas boas novas. Alimentemos os nossos corações com essas verdades, por meio da fé, juntamente com ações de graças.

Fonte: RYLE, J.C. Meditações no Evangelho de Mateus. São José dos Campos/SP: Fiel, 2011, p. 9-10.
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J.C. Ryle – E lhe porás o nome de Jesus

J. C. Ryle

E lhe porás o nome de Jesus

Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente. Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco). (Mateus 1.18-23)

Notemos os dois nomes conferidos a nosso Senhor, nestes versículos. Um deles é Jesus, o outro é Emanuel. O primeiro desses nomes descreve o seu ofício, o segundo, a sua natureza. Ambos são profundamente interessantes.

O nome Jesus significa “Salvador”. Trata-se do mesmo nome Josué, que aparece no Antigo Testamento. Foi dado a nosso Senhor porque “ele salvará o seu povo do pecados deles”. Esse é o ofício especial do Senhor Jesus. Ele nos salva da nossa culpa do pecado, lavando-nos a alma em Seu próprio sangue expiatório. Ele nos salva do domínio do pecado ao conferir-nos, no próprio coração, o Espírito santificador. Ele nos salva da presença do pecado quando nos tira deste mundo, para irmos descansar com Ele. E, finalmente, Ele nos salva das consequências do pecado ao nos proporcionar um glorioso corpo ressurreto, no último dia. O povo de Cristo é bendito e santo! Eles não são salvos das tristezas, da cruz e dos conflitos. Porém, são salvos do pecado, para todo o sempre. São purificados da culpa, mediante o sangue de Cristo. São habilitados para o céu mediante o Espírito de Cristo. Nisso consiste a salvação. Mas aquele que se apega ao pecado ainda não é salvo.

Jesus é um nome que infunde muita coragem aos que vivem sobrecarregados de pecados. Aquele que é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores poderia ter-se feito conhecido, com toda a legitimidade, por algum título mais pomposo. Contudo, não quis fazê-lo. Os dirigentes deste mundo com frequência se têm chamado por títulos como “grande”, “conquistador”, “herói”, “magnífico” e outros semelhantes. Mas o Filho de Deus contentou-se em chamar-se de “Salvador”. As almas que desejarem a salvação podem achegar-se ao Pai, com ousadia, tendo acesso por meio de Jesus Cristo, com toda a confiança. Esse é o seu ofício, e nisso Ele se deleita – em mostrar-se misericordioso. “Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (João 3.17).

Jesus é um nome peculiarmente doce e precioso para aqueles que são crentes. Com frequência, esse nome os tem beneficiado, quando o favor de reis e de príncipes teria sido ouvido por eles com pouco interesse. Esse nome tem-lhes dado a paz interior que o dinheiro não pode comprar. Esse nome lhes tem aliviado as consciências pesadas, conferindo descanso a seus corações entristecidos. O livro de Cantares de Salomão refere-se à experiência de muitos crentes, ao asseverar: “como unguento derramado é o teu nome” (Cântico dos Cânticos 1.3). Feliz é a pessoa que confia não meramente em vagas noções a respeito da misericórdia e da bondade de Deus, mas no próprio “Jesus”.

Fonte: RYLE, J.C. Meditações no Evangelho de Mateus. São José dos Campos/SP: Fiel, 2011, p. 8-9.
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