Menino inicia tratamento de mudança de sexo aos 8 anos (Uma perspectiva cristã)

Vinícius S. Pimentel

Comportamento homossexual na infância: Uma perspectiva cristã

No início de outubro, o site de notícias Vírgula (do portal UOL) relatou brevemente a história do pequeno Thomas Lobel, uma criança que, aos 8 anos de idade, iniciou um tratamento hormonal para mudar de sexo e, agora, se chama Tammy.

“Filho” de um “casal” de lésbicas, as “mães” do menino explicaram que uma das primeiras frases que ele aprendeu a dizer foi “Eu sou uma menina”. Além disso, aos 7 anos, ele teria ameaçado mutilar o próprio órgão sexual. Então, diagnosticado o transtorno de gênero do garoto, a saída escolhida pelos médicos foi o tratamento hormonal para mudança de sexo.

Leia a notícia completa aqui.

O que a Bíblia e os cristãos têm a dizer sobre isso?

A história do menino Thomas suscita diversos questionamentos dos homens ímpios, que exigem de nós uma resposta cristã adequada: “Isso não é uma prova de que o comportamento homossexual é herdado geneticamente? E, se há um fator genético preponderante, não deveríamos simplesmente aceitar as coisas como elas são? Não deveríamos simplesmente assegurar que os sistemas públicos de saúde ofereçam o melhor tratamento de mudança de sexo para essas pessoas? Não devemos deixá-las serem felizes? E não é esse o caminho para que elas sejam felizes?” (1)

Essas são perguntas de fato pertinentes e, embora não possamos respondê-las satisfatoriamente num espaço como este, podemos apresentar alguns insights de uma perspectiva genuinamente bíblica.

Ordem criacional e pecado

Em primeiro lugar, como cristãos, nós cremos que Deus criou todas as coisas e estabeleceu uma ordem para a Sua criação. Nós não acreditamos que o mundo e a vida sejam a obra de sucessivos acontecimentos aleatórios, fortuitos, não guiados; pelo contrário, nós afirmamos que todas as coisas foram criadas por Deus. Mais do que isso, nós cremos que Deus criou todas as coisas com um propósito específico – e que esse propósito, estabelecido soberanamente por Deus, é perfeitamente sábio e bom. Em outras palavras, nós afirmamos que o mundo e a vida possuem significado, ordem e propósito. “Pecado”, numa definição fundamental, é a quebra da ordem boa e sábia estabelecida por Deus para a Sua criação.

Desse modo, quando nós cristãos dizemos que o comportamento homossexual é pecaminoso, nós estamos afirmando que a homossexualidade contraria a ordem cósmica posta pelo Criador para os relacionamentos afetivos e sexuais de Suas criaturas. A Bíblia afirma expressamente que o contato homossexual é “contrário à natureza” (Romanos 1.26-27), pois as relações íntimas entre pessoas do mesmo sexo violam o propósito e o significado estabelecidos por Deus para a família, o casamento e o sexo.

De fato, Deus criou o homem e a mulher para que, na comunhão íntima e indissolúvel do casamento, cada um desempenhasse um papel complementar na criação – na família, na igreja e na sociedade. “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gênesis 2.24). O relacionamento homossexual é absolutamente inadequado para cumprir esse propósito. Além disso, Deus estabeleceu o casamento – incluindo nele o prazer do sexo – como uma vívida imagem do relacionamento entre Cristo e a Igreja. Os papéis complementares do homem e da mulher no casamento expressam o modo como Cristo ama a Igreja e como a Igreja se submete a Cristo (Efésios 5.22-33). Contudo, a homossexualidade perverte essa ilustração da aliança de Deus com o seu povo, sendo absolutamente inapta para expressar o real significado do casamento. Por essa razão, nós cristãos somos obrigados a reconhecer que o comportamento homossexual, incluindo o do pequeno Thomas Lobel, é pecado.

Pecado e genética

Em segundo lugar, como cristãos, nós não negamos a natureza inata do pecado. Pelo contrário, uma das doutrinas fundamentais da fé cristã é a imputação do pecado de Adão aos seus descendentes (Romanos 5.12; 1Coríntios 15.20-22). Nós cremos, com absoluta convicção, que todos os homens nascem completamente inclinados para o pecado. Embora essa inclinação se manifeste de formas diferentes em cada indivíduo, ela de fato existe – é real – e afeta todos os seres humanos – é universal. Na verdade, os efeitos da queda da humanidade no pecado foram tão devastadores que afetaram a própria ordem e harmonia da natureza (Romanos 8.19-23).

Alguns cristãos envolvidos em debates acerca do homossexualismo defendem a inexistência de um fator genético no comportamento homossexual como se isso fosse de suma importância para o argumento de que a homossexualidade é, de fato, um pecado. Mas a verdade bíblica permanece, e com toda a sua força, de qualquer maneira. Se há influência genética envolvida no comportamento homossexual ou não, isso é uma questão ainda não resolvida no campo da biologia. Todavia, do ponto de vista cristão, essa dúvida tem pouca relevância, considerando que todas as formas de pecado – entre as quais se inclui o comportamento homossexual – têm origem em um fator inato, qual seja, o pecado de Adão imputado a todos os homens.

Por essa razão, nós não precisamos negar, de maneira alguma, que o garoto da notícia tenha realmente nascido com impulsos pecaminosos homossexuais. “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmo 51.5) é uma frase tão verdadeira a respeito de Davi quanto o é a meu respeito e a respeito do pequeno Thomas Lobel. Somos todos pecadores, desde a nossa concepção.

Pecado e responsabilidade humana

Em terceiro lugar, como cristãos, nós afirmamos que a natureza inata do pecado não anula, sob qualquer aspecto, a resposanbilidade humana. Aqui está o salto acrobático que muitos dão, numa tentativa insana de aliviarem as suas consciências da culpa por sua perversidade: “Se eu nasci pecador, não posso ser condenado por isso”“Se Thomas Lobel nasceu com tendências para o desejo homossexual, ele não é culpado disso”.

Ora, da perspectiva de Deus, a responsabilidade moral não decorre da capacidade humana de agir independentemente de quaisquer influências na vontade; antes, o fundamento da nossa responsabilidade é o nosso conhecimento do padrão moral de Deus, isto é, a Sua lei. E, quanto a esse particular, nenhum homem jamais poderá arguir diante de Deus a sua própria ignorância, pois, mesmo caídos e separados da comunhão com o Criador, todos nós nascemos com vestígios da Sua lei moral implantada em nossa consciência (Romanos 2.15). Somos, por isso mesmo, “indesculpáveis” perante Ele (Romanos 1.20-21).

As Escrituras nos mostram, ainda, que todos os homens – sem exceção – irão comparecer diante de Deus para serem julgados por suas obras (Romanos 2.5-6). O que estará em jogo, no Dia do Juízo, será o modo como nós cumprimos ou não os padrões morais de Deus revelados a nós, seja através da lei gravada no coração, seja através da lei escrita. E, naquele Dia, nenhum homem terá desculpas para eximir-se de sua responsabilidade.

Nossa sociedade, porém, nega de forma cada vez mais descarada qualquer atribuição de responsabilidade moral. A ideia de “responsabilidade” ensinada nas Escrituras faz oposição direta à noção de “liberdade”, ao menos na forma como concebida pela sociedade humanista e egocêntrica em que vivemos. Os homens ímpios fizeram-se a si mesmos deuses, e não aceitam receber ordens dAquele que é o único Legislador e Juiz. Então, ao invés de se submeterem à vontade boa, agradável e perfeita de Deus, os homens rebelam-se contra Ele, agem contra a Sua lei e, para amenizar a acusação de suas consciências, procuram justificar-se e escusar-se da responsabilidade por seus atos. Pensadores cristãos já têm demonstrado, com propriedade, que muito da psicologia humanista de nosso tempo não passa de uma rebeldia idólatra disfarçada de ciência, uma tentativa de explicar o comportamento pecaminoso dos homens sem atribuir-lhes a culpa pela sua maldade inata e deliberada. (2)

“Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados” (2Timóteo 3.13). As “mães” do pequeno Thomas, os médicos que o acompanham e o governo que financia o seu tratamento, na verdade, estão apenas enganando a si mesmos e à criança, procurando eximi-la de sua responsabilidade moral e do seu dever de agir segundo a vontade de Deus. Ao invés de tentarem cauterizar a consciência do menino e entregá-lo à sua própria pecaminosidade inata, os adultos envolvidos nessa história deveriam reconhecer como pecaminoso o comportamento do garoto e procurar conduzi-lo – diligente, paciente e amorosamente – de volta à conformidade ao padrão criacional de Deus para a sexualidade.

Pecado e redenção

Por fim, como cristãos, nós afirmamos que a pecaminosidade humana só pode ser vencida pela redenção que há em Cristo Jesus.

Talvez este seja o ponto menos compreendido pelos descrentes quando nós cristãos procuramos avaliar o comportamento homossexual de uma perspectiva bíblica. Segundo me parece, nós somos os culpados disso, pois aqueles que são conhecidos por defenderem uma perspectiva “cristã” no debate concernente à homossexualidade não costumam enfatizar devidamente o tema da redenção.

Quando nós afirmamos que um indivíduo com impulsos homossexuais é um pecador, nós não estamos classificando-o como um ser humano de segunda classe, pertencente a um grupo da humanidade ao qual nós mesmos não pertencemos. Nesta humanidade caída, não existe uma divisão entre homens pecadores e não-pecadores; “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23).

Mais importante: quando nós dizemos que todos os seres humanos são moralmente responsáveis pelos seus pecados, nós não estamos afirmando que eles são moralmente capazes de vencerem o impulso pecaminoso que há em sua carne desde a sua concepção. Muito pelo contrário; nós, cristãos, sabemos com muita clareza que os homens, desde a queda, tornaram-se escravos das paixões pecaminosas e, por isso, são absolutamente incapazes, de si e por si mesmos, de vencerem a sua própria natureza caída e fazerem algo que agrade a Deus. “Os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Romanos 8.8). “Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal” (Jeremias 13.23).

Ora, se é verdade que os homens são absolutamente incapazes de obedecerem a Deus com integridade de coração, qual é a nossa esperança? A nossa única esperança, enquanto pecadores destituídos da graça de Deus, reside na grande notícia de que Jesus Cristo morreu como um substituto pelos nossos pecados, para reconciliar os homens com Deus e fazer a paz entre o Criador Todo-Poderoso e suas criaturas rebeldes. “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8).

Assim, embora não exista na humanidade uma divisão entre homens pecadores e não-pecadores, certamente há uma seriíssima divisão entre redimidos e não-redimidos. Enquanto os homens não encontram em Jesus Cristo o perdão de seus pecados, eles continuam sujeitos ao julgamento de Deus. Por outro lado, “nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8.1), isto é, para aqueles que foram justificados em Cristo e nasceram do Espírito para uma nova vida, havendo sido libertos da escravidão do pecado.

Quando nós, como cristãos, apontamos para a pecaminosidade crescente em nossa sociedade e alertamos os homens para a iminência do juízo de Deus, nós o fazemos para convencê-los de sua própria necessidade de redenção e, em seguida, mostrar-lhes o único caminho pelo qual podem receber remissão de pecados e reconciliação com Deus: a fé em Cristo Jesus.

Uma conclusão cheia de esperança

Infelizmente, o menino Thomas, assim como suas “mães” e médicos – e tantas outras pessoas neste mundo -, demonstram estar com suas mentes completamente obscurecidas e cauterizadas, com o coração inteiramente endurecido pelo engano do pecado. Os homens de nossa sociedade, “tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza” (Efésios 4.19).

Entretanto, Jesus Cristo ainda é o mesmo. Ele deu a Sua vida pelas ovelhas. Ele veio buscar e salvar aquelas que estavam perdidas. Hoje, Ele continua a trazer nos braços, cheio de alegria, as ovelhas que se desgarraram do Seu rebanho. Por isso, nós não estamos desesperados em relação a Thomas Lobel, sua família, seus médicos e sua nação, assim como em relação à humanidade em geral. Nossa oração e expectativa é que Deus faça a luz do Seu evangelho brilhar nos corações daqueles que ainda não O conhecem, de modo que Eles contemplem a majestade do Altíssimo e, capturados por essa visão, sejam salvos, redimidos e “transformados, de glória em glória, na Sua própria imagem”.

Como cristãos, nós temos plena certeza de que Deus é poderoso e misericordioso para assim fazer. Afinal, foi isso que Ele fez em cada um de nós.

Notas:
(1) Utilizo a expressão “homossexual” de modo amplo, para referir-me a todas as formas de comportamento sensual envolvendo pessoas do mesmo sexo, sem me preocupar com as distinções entre “bissexuais”, “travestis”, “transexuais” etc.
(2) Embora não seja um trabalho acadêmico, há uma interessante reflexão acerca dos pressupostos idólatras da psicologia freudiana em LOPES, Augustus Nicodemus. Reprimir o desejo sexual faz mal? Disponível em: <http://tempora-mores.blogspot.com/2008/09/reprimir-o-desejo-sexual-faz-mal.html>. Acesso em: 23/10/2011.

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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