Uma fábula sobre duas teologias: As tradições reformadas holandesa e escocesa

Nota do tradutor: todos os links do texto original foram mantidos, em inglês. É possível que alguns dos artigos a que tais links se referem sejam, posteriormente, traduzidos e publicados aqui no PreciosoCristo.

Justin Holcomb

Calvinismo holandês e calvinismo escocês

Você já ouviu falar da “outra” teologia reformada? Muitos, na ressurgência do interesse pela Reforma, estão familiarizados apenas com um lado do amplo espectro histórico da teologia reformada e, infelizmente, muitos dos estereótipos do “calvinismo” existem porque o legado de João Calvino tem sido negligentemente mutilado.

Muito frequentemente, a teologia reformada é definida meramente pelos assim chamados “cinco pontos” do calvinismo: depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, graça irresistível e perseverança dos santos. Embora essa ênfase em como Deus salva pecadores tenha valor, ela falha em capturar toda a amplitude da herança do pensamento reformado.

Existem duas correntes principais na teologia reformada que se desenvolveram a partir da obra de João Calvino: a corrente do calvinismo escocês e a corrente reformada holandesa. A tradição escocesa apresenta uma forte ênfase nas doutrinas da salvação e na ordo salutis (“ordem da salvação”). Porém outra dimensão é encontrada na tradição reformada holandesa, a qual também celebra as doutrinas reformadas da salvação, mas também enfatiza a cosmovisão, o engajamento cultural e o senhorio de Jesus sobre todos os aspectos da vida. Surpreendentemente, as duas correntes raramente têm interagido. Vamos dar um pequeno passeio pelas tradições teológicas reformadas escocesa e holandesa.

A tradição reformada escocesa

O ramo escocês da teologia reformada nasceu imediatamente a partir da Reforma. Nos primeiros dias da Reforma, o teólogo e pastor John Knox (1514-1572) fazia parte de um grupo que tentava reformar a igreja da Escócia; todavia, esse envolvimento levou à sua prisão e, depois, ao exílio. Enquanto no exílio, ele viajou à base de operações de João Calvino em Genebra, na Suíça. Lá, Knox ficou fascinado pela doutrina da predestinação e, dizem alguns, tornou-se mais “calvinista” do que o próprio Calvino. Knox, por fim, retornou e tornou-se a principal personagem na fundação da Igreja da Escócia, a qual representa a origem do Presbiterianismo.

As gerações subsequentes dentro da tradição teológica reformada escocesa (incluindo os puritanos ingleses, tais como Richard Baxter e John Owen) adquiriram a reputação de serem sombrios pregadores do inferno, de aplicarem severamente a disciplina eclesiástica enquanto investigavam a vida privada dos membros da igreja (isto é, por sua “tirania moral”), bem como de suprimirem as artes. Os teólogos americanos, tais como o grande Jonathan Edwards, também foram influenciados pela teologia e filosofia reformada escocesa e herdaram algumas dessas mesmas críticas. Embora haja provavelmente um pouco de verdade em cada uma dessas críticas comuns, tais práticas emergiram de situações culturais particulares e não deveriam ser as únicas medidas pelas quais a teologia reformada escocesa é julgada.

Ao longo dos séculos XVII e XVIII, os assuntos da predestinação, a eleição, a reprovação, a extensão da expiação e a perseverança dos santos ganharam a atenção dos camponeses da Escócia. Embora as preocupações dos camponeses com essas doutrinas tenham surgido por causa da ênfase de seus líderes nelas, as doutrinas da soteriologia calvinista tocaram nas necessidades práticas e existenciais que os membros da igreja enfrentavam.

Embora seja verdade que a teologia reformada escocesa rumou para algumas formas mais “secas” de calvinismo, a sua confissão original (a Confissão Escocesa de 1560) mantinha a natureza missional da igreja e o foco evangelístico da teologia. A doutrina reformada dos escoceses nunca estava separada da vida prática. Os escoceses olhavam para a Confissão de Fé de Westminster como o seu padrão doutrinário (sob a autoridade da Escritura) e procuraram implementar aqueles grandes verdades teológicas em suas vidas diárias.

A tradição reformada holandesa

O calvinismo chegou aos Países Baixos na terceira onda da Reforma, nos idos de 1560. O calvinismo holandês contribuiu com alguns dos mais importantes credos do início da Reforma: a Confissão Belga de 1561 deu uma definição original à Igreja Reformada Holandesa; o Catecismo de Heidelberg de 1563 serviu como uma ponte, cultivando unidade entre os reformados holandeses e alemães; e os Cânones de Dort em 1619 serviram como um concílio ecumênico reformado.

Ao longo do tempo, a Igreja Reformada Holandesa rumou para o liberalismo teológico. Posteriormente, no final do século XIX, o trabalho dos neocalvinistas, tais como Abraham Kuyper, Herman Bavinck e Louis Berkhof, despertou a igreja holandesa do sono e deu forma àquilo que é hoje conhecido como a escola de teologia reformada holandesa (fique atento a mais posts sobre cada uma dessas personagens).

Embora o pensamento reformado holandês tenha muito em comum com a tradição reformada mais ampla, algumas feições o distinguem. Um dos melhores resumos do pensamento reformado holandês é capturado nesta citação de Douglas Wilson: “Tudo de Cristo para tudo da vida”, bem como nestas famosas palavras de Abraham Kuyper: “Não há um centímetro quadrado em todo o domínio de nossa existência sobre o qual Cristo, que é Soberano sobre tudo, não clame: ‘É meu!'”.

Kuyper defendeu o senhorio de Criso sobre todas as áreas da vida e instigou os cristãos a não desprezarem certos campos da cultura e da sociedade por serem “mundanos”. Ele acreditava que Deus havia estabelecido estruturas de autoridade em diferentes esferas da criação, e que reconhecer os limites entre essas esferas ajudaria a manter e distribuir a justiça e a ordem na sociedade.

Segundo Kuyper, o governo de Deus sobre a terra se realiza através da fiel presença cultural de Sua igreja. Essa crença conduziu os teólogos holandeses a enfatizarem a ação cultural por parte dos cristãos. Kuyper desejava que os cristãos entendessem que cada cosmovisão possui as suas próprias suposições filosóficas particulares, e que a fé cristã possui suposições que moldam a maneira como os crentes deveriam agir em cada área da vida. Como um resultado da soberania absoluta de Deus, os cristãos devem experimentar a graça de Deus em todos os aspectos da vida, não apenas em atividades da igreja e cultos de adoração.

O ponto alto da teologia reformada holandesa é, possivelmente, a Teologia Sistemática de Louis Berkhof (grande revelação: eu fui apresentado à teologia reformada enquanto lia Berkhof, quando tinha 17 anos).

A teologia reformada holandesa compartilhava importantes aspectos essenciais com a escola de teologia da Antiga Princeton (adepta da tradição calvinista escocesa) nos Estados Unidos, mas elas diferiam significativamente em algumas áreas. Os holandeses sustentavam a crença de que as pessoas não possuem qualquer neutralidade religiosa, algum tipo de faculdade racional “objetiva”. Isso significava que não há qualquer terreno comum, necessariamente, compartilhado entre crentes e incrédulos. O mundo contem numerosas cosmovisões articuladas, e isso faz da apologética mais um confronto de cosmovisões do que um debate sobre evidências.

Enquanto os teólogos de Princeton (da corrente escocesa) enfatizavam uma doutrina da Escritura com foco na inerrância e na verdade proposicional, os reformados holandeses, salientavam o testemunho interior do Espírito Santo para validar a confiabilidade da Escritura.

Complementares, não contraditórias

Pode parecer que as correntes escocesa e holandesa da igreja reformada estão a milhas de distância em suas ênfases, mas é importante notar que as situações culturais em que cada uma delas se desenvolveu eram significativamente diferentes. Os teólogos holandeses estavam enfrentando uma igreja que sucumbia ao liberalismo teológico modernista do século XIX e tentavam encontrar um lar cultural para si mesmos, em suas novas instalações nos Estados Unidos. Sendo assim, a sua ênfase no supremo reinado de Cristo sobre as ideologias do momento e a sua cuidadosa concepção da cultura eram de se esperar. Em um sentido, a teologia reformada holandesa foi uma aplicação específica dos amplos princípios da Reforma.

O foco dos escoceses estava mais nas doutrinas primárias da Reforma do que em suas aplicações específicas a novas situações culturais. Mais do que isso, os reformados escoceses focaram em levar a Reforma inicial às regiões circunvizinhas, o que explica a sua ênfase em missões.

As igrejas reformadas escocesa e holandesa não estão tão distantes como pode parecer a princípio. Elas compartilhavam as mesmas doutrinas reformadas básicas, embora enfatizassem diferentes aspectos. Nada obstante, mesmo nesses distintos pontos de concentração, tanto os teólogos reformados escoceses quanto os holandeses estavam focados em fazer discípulos e tornar o evangelho frutífero no mundo ao seu redor. Ambas as tradições são exemplos para o movimento reformado de nossos dias.

Créditos: By Justin Holcomb © 2012 Resurgence. All Rights Reserved. Website: theresurgence.com | Original aqui.
Tradução: 
Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

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494 anos depois…

Áurea Emanoela

Semana da Reforma Protestante 2011

1. A Reforma e a igreja do século I

Ao longo de 494 anos, o dia 31 de outubro é lembrado pelos protestantes como o marco do Movimento Reformado, o dia em que Marinho Lutero alçou voz contra a venda de indulgências realizada pela Igreja Católica Romana, afixando à porta da igreja do Castelo de Wittenberg as suas Noventa e Cinco Teses. A perspectiva reformada ecoou para muito além das fronteiras do Sacro Império Romano-Germânico, levando as pessoas, através do ensino Palavra, ao verdadeiro conhecimento de Deus. A Bíblia, que antes era um livro restrito aos sacerdotes (que se julgavam donos da revelação Divina), passa a ser a regra de fé e prática daqueles que abraçavam a fé protestante.

Muito mais do que um movimento político, como alguns sugerem, a Reforma envolveu, principalmente, a vida espiritual dá época, então fragilizada pelo completo desconhecimento de Deus e da sua maravilhosa graça. O grande alvo dos reformadores não era a fragmentação da igreja, e sim um retorno aos ensinamentos bíblicos e uma completa “limpeza” daquilo que houvera se estabelecido como verdade, mas que não passava de desvio da Palavra de Deus:

Aqueles que repudiam as Escrituras, imaginando que podem ter outro caminho que os leve a Deus, devem ser considerados não tanto como dominados pelo erro, mas como tomados por violenta forma de loucura. Recentemente, apareceram certos tipos de mau caráter que, atribuindo a si mesmos, com grande presunção, o magistério do Espírito, faziam pouco caso de toda leitura da Bíblia, e riam-se da simplicidade dos que ainda seguem o que esses, de mau caráter, chamam de letra morta e que mata. (João Calvino – As Institutas da Religião Cristã – Livro I, Capítulo 9)

A grande verdade, afirmada e ensinada pelos reformadores consistia em que a autoridade da Igreja é Jesus Cristo, não havendo quem possa substituí-lo. “E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisa, o deu à igreja.” (Efésios 1.22).

Alicerçados no poder eterno que Jesus detém e que prometeu exercer em prol da Sua obra na qual Seus servos participam, os discípulos receberam a incumbência de evangelizar o mundo. Sua missão consistia em, através do ensino da Palavra, levar as almas à conversão, batizar os convertidos para fazerem parte da Igreja de Cristo, e ensiná-los a viver segundo Seus ensinamentos e no Seu poder, sentindo Sua presença espiritual acompanhando cada um dos Seus (cf. Mateus 28.19-20, a “grande comissão”). Foi em nome desse cristianismo – sólido, firme, cristocêntrico – que os reformadores dedicaram as suas vidas e muitos homens e mulheres foram levados à morte.

2. O século XXI: “O Período das Trevas”

À semelhança do que aconteceu nos dois últimos séculos que antecederam a Reforma, a igreja moderna vive um período de trevas, que tem como agravante uma profunda apatia espiritual daquilo que deveria ser o Corpo de Cristo, “no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor” (Efésios 4.16).

494 anos após a Reforma Protestante, assistimos (não sem dores) a igreja “gemer”, sufocada por movimentos completamente destoantes da fé cristã (mas que ainda assim, identificam-se como Igreja do Senhor) e duramente perseguida por aqueles que, por não suportarem a sã doutrina, mas tendo comichão nos ouvidos, elegeram para si doutores conforme as suas próprias concupiscências (cf. 2Timóteo 4.3).

A nossa sociedade, tanto quanto àquela do século XVI, imersa em imoralidade e perversão, necessita de Deus, da sua Palavra e de uma transformação que abranja não apenas a sua vida espiritual, mas também a restauração da dignidade humana.

Vivemos tempos difíceis. Jesus parece ter virado uma figura distante, presa à história; a Bíblia, um livro velho de conceitos ultrapassados; os cristãos, pessoas radicais, intolerantes, completamente antiquadas; a mentira tomou o lugar da verdade, o errado passou a ser certo e o pecado uma questão de ponto de vista.

Aqueles que se opõem a Igreja, perseguindo-a vorazmente, parecem oferecer aos cristãos duas únicas alternativas: ou nos comprometemos com os valores obscurecidos de uma sociedade corrupta, entregue ao seu pecado, ou seremos “amordaçados”, perseguidos, lançados em grades; esquecem, porém, que a Palavra de Deus não se sujeita à aceitação dos homens. O esforço para calar a Igreja é inútil, pois, em todas as épocas, o Senhor sempre levantará pessoas dispostas a entregar suas próprias vidas por amor às Escrituras.

Ainda é possível acrescentar a toda essa problemática um tipo de “evangelicalismo” emergente que, embora lote templos, é completamente deficiente em confrontar as pessoas com a realidade de seu pecado pessoal. Os pregadores oferecem uma fé fácil, satisfação imediata e um “cristo” totalmente oposto ao das Escrituras. As pessoas são chamadas a “aceitar Jesus”, “optar por Jesus”, “escolher Jesus”, “deixar que Jesus seja o Senhor das suas vidas” (como se pudéssemos coroar quem já é Rei e Senhor de todas as coisas).

Devemos precaver-nos para que, cedendo ao desejo de adequar Cristo às nossas próprias invenções, não o mudemos tanto (como fazem os papistas), que ele se torne dessemelhante de si próprio. Não nos é permitido inventar tudo ao sabor de nossos gostos pessoais, senão que pertence exclusivamente a Deus instruir-nos segundo o modelo que te foi mostrado (Ex 25.40). (João Calvino, Exposição de Hebreus, p. 209)

A sã doutrina tem sido suplantada por falsos e perigosos ensinos que têm entrado sorrateiramente nas igrejas e “arrastado” pessoas ao engano. Os reformadores, à semelhança dos apóstolos (cf. Romanos 16.17; 1Timóteo 4.6; 6.3; 2Timóteo 4.3; Tito 1.9; 2.1, 10; Hebreus 6.1; 1João 2.24, Apocalipse 2.15), compreendiam esse perigo:

Não há nada que Satanás mais tente fazer do que levantar névoas para obscurecer Cristo; pois ele sabe que dessa forma o caminho está aberto para todo tipo de falsidade. Assim, o único meio de manter e também restaurar a doutrina pura é colocar Cristo diante de nossos olhos, exatamente como ele é, com todas as Suas bênçãos, para que Seu poder possa ser verdadeiramente percebido. (João Calvino, As Institutas da Religião Cristã)

Comentando Gálatas 5.9 (“Um pouco de fermento leveda toda a massa”), Calvino escreve:

Essa cláusula nos adverte de quão danosa é a corrupção da doutrina, para que cuidassem de não negligenciá-la (como é costumeiro) como se fosse algo de pouco ou nenhum risco. Satanás entra em ação com astúcia, e obviamente não destrói o evangelho em sua totalidade, senão que macula sua pureza com opiniões falsas e corruptas. Muitos não levam em conta a gravidade do mal, e por isso fazem uma resistência menos radical. […] Devemos ser muito cautelosos, não permitindo que algo (estranho) seja adicionado à íntegra doutrina do Evangelho. (João Calvino, Gálatas, p. 158-159)

Ao contrário do que acontece hoje em grande parte das igrejas emergentes, os reformadores primavam pela pregação teocêntrica, não usavam o púlpito para expor seu sucesso pessoal, tampouco empregavam tempo falando de suas experiências miraculosas e sobrenaturais (tão distantes da realidade da congregação). Aqueles homens, levantados e guiados por Deus, se emprenhavam em pregar a Cristo, pois estavam plenamente convencidos de que esse é o único meio capaz de conduzir o homem à salvação, a uma mudança radical de vida.

Os reformadores não ensinavam uma fé barata, meritória, não “apelavam” para que as pessoas viessem a Cristo, pois sabiam que o homem por si só – em seu estado natural (de completa miséria e rebelião) – é incapaz de “aceitar” a Jesus, o que ocorrerá apenas se o Senhor o atrair à Sua presença. Eles também não se calaram frente às ameaças dos paladinos que os perseguiam, por odiarem a verdade e aborrecerem a luz – “porque a luz tudo manifesta” (cf. Efésios 5.13, ARC) -, pois não temiam a fúria daqueles que, embora pudessem matar o corpo, de modo nenhum poderiam matar a alma (cf. Mateus 10.28).

Somente os crentes genuínos conhecem a diferença entre este estado transitório e a bem-aventurada eternidade, para a qual foram criados; eles sabem qual deve ser a meta de sua vida. Ninguém, pois, pode regular sua vida com uma mente equilibrada, senão aquele que, conhecendo o fim dela, isto é, a morte propriamente dita, é levado a considerar o grande propósito da existência humana neste mundo, para que aspire o prêmio da vocação celestial. (João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo, Parakletos, 2002, Vol. 3, (Sl 90.12), p. 440).

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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Harry L. Reeder – Desmistificando velhos ensinos

Harry L. Reeder

Semana da Reforma Protestante 2011

Calvino como pastor, evangelista e missionário

Muitos conhecem a acusação de que os calvinistas se preocupam somente com doutrina e são indiferentes à evangelização e missões. Além disso, o calvinismo é acusado de ser contraproducente em relação ao empreendimento de evangelização e missões. Isso é errado não somente no que diz respeito à história, conforme revela um exame da lista de grandes pastores-evangelistas e missionários que eram declaradamente calvinistas (a saber, George Whitefield, Charles H. Spurgeon, William Carey, David Brainerd, Jonathan Edwards, etc.), mas também no que diz respeito ao próprio Calvino.

A paixão de Calvino como pastor-evangelista se revelou de várias maneiras. Calvino evangelizava persistentemente as crianças de Genebra, por meio de aulas de catecismo e da Academia de Genebra. Além disso, ele treinava pregadores a rogarem aos homens e mulheres que seguissem a Cristo. A visitação na enfermidade prescrevia uma conversa evangelística. Até uma análise superficial dos sermões de Calvino mostra de imediato um zelo permanente para que homens e mulheres fossem convertidos a Cristo.

E o que podemos dizer sobre missões? O Registro da Venerável Companhia de Pastores relata que 88 missionários foram enviados de Genebra. De fato, houve mais do que cem, e muitos deles foram treinados diretamente por Calvino. Contudo, missões foram realizadas em um nível mais informal. Genebra se tornou o ímã de crentes perseguidos, e muitos desses imigrantes foram discipulados e retornaram ao seu país como missionários e evangelistas eficazes.

Quando se acalmaram os tempos turbulentos no ministério pastoral de Calvino, surgiu a oportunidade para expansão missionária intencional e implantação de igrejas. A bênção de Deus sobre os esforços missionários de Calvino e das igrejas de Genebra, de 1555 a 1562, foi extraordinária – mais de 200 igrejas secretas foram implantadas na França por volta de 1560. Até 1562, o número crescera para 2.150, produzindo mais de 3.000.000 de membros. Algumas dessas igrejas tinham congregações que totalizavam milhares de membros. O pastor de Montpelier informou a Calvino, numa carta, que “nossa igreja, graças a Deus, tem crescido, e continua a crescer, tanto a cada dia, que pregamos três sermões aos domingos para mais de cinco ou seis mil pessoas” (10). Outra carta, do pastor de Toulouse, declarava: “Nossa igreja continua crescendo até ao admirável número de oito ou nove mil almas” (11). A amada França de João Calvino, por meio de seu ministério, foi invadida por mais de 1.300 missionários treinados em Genebra. Esse esforço, conjugado com o apoio de Calvino aos valdenses, produziu a Igreja Huguenote Francesa que quase triunfou sobre a Contra-Reforma católica na França.

Calvino não evangelizou e implantou igrejas somente na França. Os missionários treinados por ele estabeleceram igrejas na Itália, Holanda, Hungria, Polônia, Alemanha, Inglaterra, Escócia e nos estados independentes da Renânia. Ainda mais admirável foi uma iniciativa que enviou missionários ao Brasil. O compromisso de Calvino com a evangelização e missões não era teórico, mas, como em todas as outras áreas de sua vida e ministério, era uma questão de atividade zelosa e compromisso fervoroso.

Notas:
(10) Frank James, “Calvin the evangelist”, Reformed Quarterly, Jackson, v. 19, nº 2/3 (2001).
(11) Ibid.

Fonte: REEDER, H. L. O clérigo da Reforma. In: PARSONS, Burk (Ed.). João Calvino: Amor à Devoção, Doutrina e Glória de Deus. São José dos Campos/SP: Fiel, 2010, p. 91-93.
Postado por: 
Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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Conselhos para os jovens reformados: Introdução

Vinícius S. Pimentel

Semana da Reforma Protestante 2011

Sumário

A Reforma Protestante: origens e desenvolvimentos

Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero afixou, nas portas da Igreja do Castelo de Wittenberg, as suas famosas “Noventa e Cinco Teses”, que versavam basicamente sobre penitências, indulgências e a salvação pela fé. O objetivo inicial de Lutero era discutir as suas teses com outro teólogos e, assim, purificar a Igreja Católica Romana de seus abusos. Todavia, a repercussão e as implicações daquele acontecimento acabaram por deflagrar um grande movimento de renovação espiritual e de retorno ao Cristianismo bíblico: a Reforma Protestante.

Antes de Lutero, os chamados “pré-reformadores” já haviam apontado os graves erros morais e doutrinários em que estava mergulhada a Igreja Romana. Todavia, a Reforma tornou-se muito mais do que isso com a defesa intransigente dos cinco lemas protestantes, os quais expressavam o firme desejo de retorno à fé bíblica: sola Scriptura (somente a Escritura), sola fide (somente a fé), sola gratia (somente a graça), solus Christus (somente Cristo), soli Deo gloria (somente a Deus a glória). Além disso, a tradução da Bíblia para “a língua comum do povo” representou uma das maiores, senão a maior, contribuição de Lutero para a verdadeira fé cristã.

Os desenvolvimentos posteriores fizeram com que a Reforma se distanciasse do luteranismo. Pelo serviço de homens como Ulrich Zwinglio na Suíça, John Knox na Escócia e João Calvino em Genebra, as grandes doutrinas bíblicas passaram a ser anunciadas em toda a sua beleza e vigor, pois a Palavra de Deus estava de volta ao lugar que lhe é devido – no fundamento da fé cristã, no centro da adoração da igreja e, ademais, na mente, no coração e na prática de vida dos crentes.

A Reforma e os jovens do século XXI: um testemunho pessoal

Quase quinhentos anos depois, os frutos da Reforma Protestante ainda podem ser percebidos. Mais do que isso, vemos em nossos dias uma ressurgência das grandes verdades bíblicas em favor das quais os reformadores dedicaram suas vidas. Há, inclusive no Brasil, um indubitável interesse renovado pela “fé reformada”, e esse interesse tem alcançado os jovens cristãos de uma maneira especial. Os jovens têm redescoberto a importância da sã doutrina e encontrado, na teologia reformada, uma sistematização sólida das verdades do Cristianismo. Eles têm sido alimentados pelos sermões, pelos blogs e pelos livros de pregadores reformados modernos, como John Piper, John MacArthur, Mark Driscoll, R. C Sproul, C. J. Mahaney e Kevin DeYoung. Agora, muitos deles estão se familiarizando com os clássicos puritanos e com os livros de Louis Berkhof, Charles Hodge, Cornelius Van Til, Abraham Kuyper e Francis Schaeffer – além, é claro, da vasta obra de João Calvino.

Pela graça de Deus, eu também sou um desses “jovens reformados” brasileiros (1). Jovem porque tenho apenas 21 anos e, também, porque apenas recentemente entrei em contato com a fé reformada. Como muitos desses jovens que hoje se identificam com as doutrinas da Reforma, eu também achava que a tal “predestinação” era uma baita heresia; como eles, eu também enfrentei duros conflitos interiores – na mente e nas emoções – à medida em que o Espírito Santo me convencia, pela Sua Palavra, de verdades eternas que até então me pareciam absurdas; como vários deles, eu também encontrei obstáculos e oposições enquanto trilhava esta “jornada na Graça” – e ainda tenho encontrado!

Como muitos desses jovens, eu também sou – digamos assim – um filho da Pregação Chocante. Eu estava lá quando o vemver.tv legendou A Supremacia de Cristo (ainda considero o melhor vídeo de todos!), quando o Voltemos ao Evangelho ainda era verde (e um monte de gente já me confundia com o Vini…), quando o Rafael Bello ainda iniciava os Pródcasts gritando “Fala, galera!” e o iPródigo nos abençoava com muitos vídeos do Mark Driscoll (sim, isso é uma alfinetada: iPródigo, sinto falta de novos vídeos!).

Desafios aos jovens reformados

De lá para cá, muitos jovens cristãos vêm sendo despertados e desafiados a uma fé mais bíblica e mais centrada em Deus. É bem provável que, em alguns, tal interesse pela teologia reformada seja apenas “fogo de palha”, mas eu estou confiante de que há um genuíno agir de Deus em muitos desses corações, uma obra profunda do Espírito que não ficará incompleta. Eu oro e espero que muitos desses “jovens reformados” (inclusive eu) eventualmente amadureçam e se tornem homens de Deus piedosos, experimentados, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, crentes que vivem e morrem para adornar em todas as coisas a doutrina de Deus, nosso Salvador.

Nós não podemos esquecer, todavia, que entre ser um “jovem reformado” e “alcançar a perfeita varonilidade” há uma distância significativa, um longo e apertado caminho a ser trilhado. Por esse motivo, eu gostaria de oferecer alguns conselhos, advertências e repreensões aos jovens que, como eu, têm abraçado com alegria e entusiasmo a fé reformada. Não o faço como alguém que já avançou significativamente nessas coisas e está pronto a servir-lhes de modelo; pelo contrário, apresento cada um destes conselhos como um companheiro de lutas, como um jovem sujeito às mesmas fraquezas que vocês, como alguém que ainda está.engatinhando nessas coisas e, muitas vezes, ainda tem as mãos descaídas e os joelhos vacilantes.

Que, por meio destes conselhos, o Senhor nos aperfeiçoe e nos conduza até a medida da estatura da plenitude de Cristo, pois esse é o nosso alvo.

Notas:
(1) Em geral, não gosto de me intitular “reformado”, muito menos “calvinista”. Prefiro definir-me utilizando simplesmente aquelas sublimes expressões ensinadas pelas Escrituras: “cristão”, “crente”, “discípulo de Jesus”, “servo de Deus”, “filho de Deus” etc. Todavia, uma vez que eu abraço com alegria os “cinco solas” protestantes e os chamados “cinco pontos do calvinismo”, não seria inexato definir-me como um crente reformado ou calvinista. De toda forma, o grande ponto aqui é que desejo falar diretamente aos jovens que se interessam pela teologia reformada, entre os quais me incluo.

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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Relembrando a Reforma Protestante

Áurea Emanoela

Semana da Reforma Protestante 2011

1. A importância da Reforma

Tendo em vista o contexto da época, pode-se dizer que a Reforma Protestante do século XVI foi responsável por trazer à sociedade um novo entendimento sobre a relação entre Deus e os seres humanos. Todavia, os fundamentos sobre os quais a Reforma se apoiou remontavam a verdades não tão novas (uma vez que sempre estiveram contidas na Palavra de Deus), mas que foram suplantadas pelo falso ensino da Igreja Católica Romana.

Os reformadores foram responsáveis por reedificar o “altar” que houvera sido derribado, trazendo à luz a necessidade de retorno à centralidade escriturística, à justificação somente pela fé e ao sacerdócio de todos os crentes.

2. O contexto religioso

Apostasia; imoralidade (na sociedade e no seio da própria igreja); falsos ensinos; cristãos frios, sem nenhum compromisso com as doutrinas bíblicas, voltados aos seus próprios interesses e verdades… À semelhança da nossa sociedade, era esse o cenário da Igreja  Católica Romana do século XVI.

A religião, no final da Idade Média, era eminentemente meritória, trazia em seu bojo a missa pelos mortos, a invocação aos santos – principalmente a Maria –, uma falsa crença naquilo que seria o purgatório, além de outras deturpações cujo principal intuito era “arrancar” dinheiro dos fiéis para manter a mordomia dos clérigos.

A sociedade vivia sob o pesado julgo do Papa e da Igreja, sem qualquer liderança espiritual e à mercê dos abusivos impostos eclesiásticos; vitimada por uma religiosidade em que a salvação estava baseada em obras (cujo alcance se estendia àqueles que pudessem pagar por ela). Por meio da venda de indulgências, a Igreja de Roma concedia o perdão das penas temporais do pecado, um comércio lucrativo e imoral.

3. Martinho Lutero

Sob o manto protetor da Igreja Romana e com o jingle “Assim que a moeda no cofre tilintar, a alma do purgatório irá saltar”, o dominicano Tetzer foi a Wittemberg com a vergonhosa promessa de que as pessoas poderiam obter a remissão dos pecados de seus entes queridos que já haviam falecido, mas que padeciam no  “purgatório” em razão do número e gravidade de suas ofensas.

Não demorou para que as informações acerca das atividades perniciosas de Tetzer adentrassem às salas da Universidade de Wittemberg e fossem recebidas com grande consternação pelo então monge e professor de teologia Martinho Lutero.

Inflamando de indignação, Lutero resolveu se pronunciar contra a venda de indulgências, afixando, em 31 de outubro de 1517, à porta da igreja do Castelo de Wittemberg, as suas Noventa e Cinco Teses (uma forma usual, à época, de convidar a comunidade acadêmica para debater determinado assunto). A sua firme posição em favor das verdades bíblicas fez de Lutero um inimigo de Roma, levando-o a excomunhão em 03 de janeiro de 1521.

Duramente perseguido, o ex-monge alemão encontrou refúgio no Castelo de Wartburg, onde começou a produzir uma obra-prima da literatura alemã: a sua tradução das Escrituras.

4. Nova perspectiva

Lutero falou corajosamente contra as indulgências e o ensino de que o perdão dos pecados seria alcançado através de “contrição, confissão e contribuição”: “aqueles que creem que podem garantir a salvação por terem cartas de indulgências serão condenados eternamente juntamente com seus professores” (Tese nº 32).

Para Lutero, apenas o arrependimento – e não as penitências sacramentais, pregadas pela Igreja Romana – levaria o homem a alcançar o favor de Deus. Esta foi a proposição que encabeçou as suas Noventa e Cinco Teses: “ao dizer: ‘Fazei penitência’, etc. (Mateus 4.17), o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência” (Tese nº 01). Nesse mesmo sentido, o documento prossegue: “esta penitência não pode ser entendida como penitência sacramental, isto é, da confissão e satisfação celebrada pelo ministério dos sacerdotes” (Tese nº 02).

Lutero acreditava que a penitência interior seria de nenhum valor (“nula”, em suas palavras), “se, externamente, não produzisse toda sorte de mortificação da carne.” (Tese nº 03). Para o reformador, o arrependimento verdadeiro perduraria por toda a vida, “até a entrada do reino dos céus.”. Martinho Lutero vociferava, convencido pelo Espírito, que “qualquer cristão verdadeiro, seja vivo, seja morto, tem participação em todos os bens de Cristo e da Igreja, por dádiva de Deus, mesmo sem carta de indulgência” (Tese nº 37), para completo desespero daqueles que faziam das indulgências um meio de vida.

5. A centralidade da Bíblia

Completamente cativado por Deus, Lutero trouxe à luz a necessidade de retorno à centralidade das Escrituras, cujos primeiros passos foram dados por alguns “pré-reformadores” dos séculos XIV e XV, os quais defendiam uma espiritualidade mais bíblica e se colocavam contra certos ensinos e práticas da Igreja medieval – entre eles, John Wycliff, John Hus (defendido por Lutero em um debate com o dominicano João Eck) e Jerônimo Savonarola.

Os reformadores reconheceram a Bíblia como a fonte por excelência da tradição cristã, o registro providencial da ação redentora de Deus na vida da humanidade. O grande compromisso da Reforma para com a Escritura enfatizava a inspiração, a autoridade e a suficiência da Bíblia, outrora suplantadas pela tradição católico-romana.

Homens como Martinho Lutero, Ulrich Zwinglio e João Calvino, cujas vidas foram impactadas pelo poder libertador de Deus, afirmavam convicta e apaixonadamente que a autoridade bíblica decorre de sua origem divina, sendo a revelação direta, viva e pessoal de Deus aos seres humanos. Eles ensinavam ousadamente que o evangelho contido nas Sagradas Escrituras é o pilar de sustentação da Igreja, e não o contrário: “… edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor” (Efésios 2.20-21).

A consequência desses ensinamentos representou outro marco do protestantismo: o estudo da Bíblia passou a ser não apenas um direito, mas um dever de todos aqueles que professavam a fé reformada. A igreja que florescia à luz desses ensinamentos passou a refletir novas convicções e o foco central do culto passou a ser a pregação expositiva da Palavra, bem como a celebração dos sacramentos (o batismo e a ceia do Senhor).

6. Os solas da Reforma

Pouco a pouco, essa nova perspectiva cristã se consolidou em cinco princípios fundamentais da Reforma Protestante, conhecidos como os Cinco solas:

† Sola Fide (“somente a fé”): representava a convicção protestante quanto à exclusividade da fé como meio de justificação.

Sola Sciptura (“somente a Escritura”): para os reformadores, somente a Escritura Sagrada tem a palavra final em matéria de fé e prática. Tal convicção ficou consubstanciada nas confissões de fé de origem reformada, como a Confissão de Fé de Westminster:

“A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a palavra de Deus.” (CFW, I.IV)

Solus Christus (“somente Cristo”): os reformadores defendiam a suficiência e a exclusividade de Cristo como Autor da salvação. “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Coríntios 2.2). Para eles, quando a Palavra de Deus é tomada como regra de vida, Cristo passa a ser o centro do nosso viver.

Sola gratia (“somente a graça”): a salvação não é, em nenhum sentido, obra humana; é, na verdade, ato da livre e soberana graça de Deus. “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Efésios 2.8).

Soli Deo Glória (“somente a Deus a glória”): dar glória somente a Deus significa que nada nem ninguém podem ocupar o lugar que pertence apenas a Ele. Foi para esse fim que todas as coisas foram criadas: a glória de Deus. Essa verdade é belamente expressa na resposta à primeira pergunta do Breve Catecismo de Westminster:

O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre.

7. Conclusão

“Comemorar a Reforma não é uma questão de saudosismo ou apego à tradição, mas significa reafirmar os fundamentos bíblicos redescobertos e confessados pelos reformadores, sem os quais ficaremos à deriva no mar de incertezas que caracteriza a presente era” (Alderi Souza de Matos, Instituto Presbiteriano Mackenzie).

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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