A Cruz

Áurea Emanoela

A Cruz

Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro) (Gálatas 3.13)

A cruz, certamente, é o maior símbolo do Cristianismo. É comum vê-la adornando os locais de reunião das igrejas, tremulando no pescoço dos cristãos, estampada em camisetas, adesivando carros, em lugar de destaque nas nossas residências, enfim, a cruz tem sido o maior orgulho dos cristãos ao longo dos séculos.

Mas a grande pergunta que se faz é: Como, de fato, temos enxergado a cruz? Qual é o seu significado para as nossas vidas? Entendê-la racionalmente não é suficiente para que possamos compreender a sua sublimidade. Conhecer os fatos históricos, apenas, é insuficiente para fazer com que venhamos a mergulhar nesse mistério de amor, graça e poder de Deus (cf. 1Coríntios 1.18).

“A imagem que é tão santificada entre nós, era grotesca e abominável para aqueles que viveram no século I. Era um símbolo de maldade, tortura e vergonha.”  (D. A. Carson, A Cruz e o Ministério Cristão). Nenhum cidadão romano poderia ser condenado à morte por crucificação, sem que houvesse sanção explícita do próprio imperador; somente os criminosos mais vis e desprezíveis eram submetidos à morte de cruz, e foi justamente com estes que o Filho de Deus – Jesus Cristo, o Justo – foi contado.

Aqueles que eram mortos por crucificação ainda eram expostos a uma profunda humilhação; “o indivíduo condenado era deixado inteiramente despido, posto em terra com a travessa da cruz sob os ombros, as suas mãos eram amarradas ou cravadas (João 20.25) à mesma.” (Novo Dicionário da Bíblia, 2006, p. 310).

Some-se a isso a imensidão da dor causada por esse tipo bárbaro de execução. Após ser erguida a cruz, “o condenado era abandonado para morrer de fome e exaustão. A morte algumas vezes era apressada pelo crurifragium, isto é, a fratura dos ossos das pernas, como sucedeu no caso dos dois ladrões, mais que não foi feito no caso de nosso Senhor por já ter ele morrido. Entretanto uma lança foi enfiada em seu lado, para tornar certa a morte, a fim de que o corpo pudesse ser removido, conforme os judeus exigiam, antes do início do sábado (João 19.31s).” (Novo Dicionário da Bíblia, 2006, p. 310).

Essa foi a morte que padeceu o nosso Jesus, pela qual o povo clamava (João 19.6). Todavia, “ele suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia” (Hebreus 12.2). A cruz era utilizada pelos romanos “não apenas como instrumento de tortura e execução, mas também como pelourinho vergonhoso, reservado para os mais baixos e vis.” (Novo Dicionário da Bíblia, 2006, p. 311).

Os nossos pecados nos separavam do Pai e afrontavam a sua Glória; estávamos condenados a uma eternidade no inferno e, mesmo assim, não conseguiríamos aplacar a ira de Deus. Por isso, palavra da cruz é igualmente para nós a palavra da reconciliação, ”a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação” (2Coríntios 5.19).

Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo

Além disso, estávamos separados pela lei, judeus e gentios em lados opostos, em posição de desigualdade. Somente o sangue purificador, que foi vertido na cruz, faria cair por terra o “muro de separação” outrora existente. “Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade, aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade” (Efésios 2.14-16). O escrito de dívida que pesava contra nós foi cravado, de uma vez por todas, na cruz (cf. Colossenses 2.14).

Aquele que nunca cometeu pecados, que “quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças” (cf. 1Pedro 2.23), desceu ao degrau mais baixo em sua humilhação, suportando a “morte de cruz” (cf. Filipenses 2.8), para manifestar a Glória de Deus aos homens.

Ao olharmos a cruz, mais do que tentar compreendê-la racionalmente, precisamos ser impactados pelo seu significado. Ao observarmos o madeiro, o nosso coração tem que se encher de uma exultação santa e humilde, pois, quando contemplamos a cruz, somos impelidos a olhar para nós mesmos e assim enxergarmos a matéria da qual somos feitos; somos colocados frente a frente com as nossas imperfeições; vislumbramos nitidamente a nossa insuficiência, o nosso completo imerecimento; e, então, somos iluminados por Aquele que é ao mesmo tempo “símbolo de vergonha e humilhação, bem como da sabedoria e da glória de Deus.” (Novo Dicionário da Bíblia, p. 311, 2006).

A cruz é o símbolo de nossa união com Cristo, não simplesmente em virtude de compartilharmos de seu exemplo, mas em virtude do que Ele realizou por nós e em nós. Em sua morte vicária sobre o madeiro cruento, nós morremos em Cristo (cf. 2 Coríntios 5.14), e “nosso velho homem foi crucificado com Ele”, a fim de que, pelo Espírito Santo que em nós habita, possamos andar em novidade de vida (cf. Romanos 6.14s; Gálatas 2.20; 5.24s; 6.14; 1 Pedro 2.24).

A cruz não é para nós apenas um exemplo, a cruz é o lugar da nossa união com Cristo

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Anúncios