Conselhos para os jovens reformados: Dediquem-se à evangelização

Vinícius S. Pimentel

(Vejam o sumário na Introdução.)

Semana da Reforma Protestante 2011

2º conselho: Dediquem-se à evangelização

O “doutor” Martyn Lloyd-Jones costumava dizer que certos indivíduos são bastante hábeis em “elogiar o Evangelho”, mas são completamente incapazes de pregar o Evangelho. Infelizmente, essa não é uma crítica injusta no que se refere a muitos daqueles que abraçam o chamado “calvinismo”.

Todavia, as coisas não deveriam ser assim. Se eu estou correto no meu entendimento das Escrituras e da teologia reformada, aqueles que creem nas tais “doutrinas da graça” deveriam ser os mais zelosos, os mais perseverantes e os mais confiantes proclamadores do Evangelho dentre todos os cristãos.

Deixem-me oferecer-lhes algumas razões para isso. Em primeiro lugar, como já dissemos, o grande fundamento da fé reformada é a centralidade de Deus, ou o senhorio de Deus sobre todas as coisas. O neocalvinista Abraham Kuyper costumava dizer com verdade que “não há um único centímetro quadrado em todos os domínios da existência humana sobre o qual Cristo, que é o Soberano sobre tudo, não clame: é meu!” (1).

Ora, se nós cremos, enquanto reformados, que Deus governa sobre tudo e todos em absoluta soberania, então nós também deveríamos estar plenamente cônscios de que as palavras de Deus não são para nós meros conselhos ou sugestões, e sim ordens a serem obedecidas com temor e tremor. “Tu ordenaste os teus mandamentos, para que os cumpramos à risca” (Salmo 119.4). Sendo assim, nós deveríamos considerar as palavras proferidas por Jesus antes da Sua ascensão – “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16.15) – com a maior seriedade. Evangelizar não é uma sugestão, não é uma opção, e sim um mandamento dado por Deus a todos aqueles que são Seus verdadeiros filhos e discípulos. Por isso mesmo foi que o apóstolo Paulo, consciente desse fato, exclamou:

“Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!” (1Coríntios 9.16)

Em segundo lugar, os calvinistas deveriam ser os mais empenhados evangelistas na igreja de Cristo, porque as doutrinas da graça nos tornam conscientes do estado deplorável no qual os homens se encontram, por causa do pecado. Nós sabemos, pela Palavra de Deus, que os pecadores não possuem esperança de vida eterna, exceto através do Evangelho. Não há salvação para eles a menos que, mediante a pregação do Evangelho, o Espírito Santo desperte os seus corações e os conduza ao arrependimento e à fé.

A implicação de tudo isso é que, se um pecador precisa crer no Evangelho para ser salvo, ele também precisa de alguém que vá e pregue a ele este Evangelho, ou, do contrário, ele não será salvo de maneira alguma. “Como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Romanos 10.14). Assim, a teologia reformada deveria nos impulsionar duplamente a sermos evangelistas dedicados: primeiro, por entendermos que essa é nossa obrigação, como servos de Cristo; segundo, por compreendermos que essa é a grande necessidade dos homens, enquanto pecadores sem outra esperança de salvação.

Mas existe uma terceira razão pelas quais os calvinistas deveriam ser vigorosos expositores do Evangelho: a confiança na soberania de Deus e no Seu poder irresistível de atrair pecadores para Si. Para certas pessoas, crer na soberania de Deus em salvar os homens torna-se um verdadeiro obstáculo ao evangelismo e à obra missionária. Mas isso é o resultado de uma compreensão bastante distorcida dessa doutrina. Na verdade, a soberania de Deus é a única esperança de que a evangelização feita por servos inúteis como nós há de efetivamente guiar almas para o céu! A fé na soberania de Deus é um poderoso estímulo para que o pregador do Evangelho continue proclamando as boas novas de salvação a todos os homens, em todos os lugares. Não importa quais sejam as dificuldades, as perseguições, a resistência dos homens, o evangelista que crê na graça irresistível sabe que Deus é poderoso para triunfar sobre a rebeldia dos pecadores e, com cordas de amor, atraí-los eficazmente à salvação.

A história está repleta de homens que de fato receberam luz do Senhor para compreenderem essas doutrinas com a mente e o coração e, como consequência disso, tornaram-se fervorosos e confiantes evangelistas. George Whitefield, Charles Spurgeon, William Carey e o próprio Martyn Lloyd-Jones são exemplos de homens que não apenas “elogiavam o Evangelho”, mas pregavam a palavra da cruz de maneira poderosa e instavam os homens a se arrependerem e a crerem em Cristo, para que pudessem ser salvos. Esses servos de Deus são um verdadeiro exemplo para nós, ao nos mostrarem que o empenho na evangelização é apenas a evidência de que nós realmente temos a fé bíblica à qual a teologia reformada nos chama.

Portanto, jovens reformados, sejam coerentes com a fé que vocês professam e dediquem-se a pregar o Evangelho aos perdidos. Sejam zelosos em fazer discípulos. Vão às nações e anunciem aos povos a salvação de Deus, para o louvor da Sua gloriosa graça.

Notas:
(1) Citado por CARVALHO, Guilherme Vilela Ribeiro de. Introdução editorial. In: DOOYEWEERD, Herman. No crepúsculo do pensamento ocidental: estudos sobre a pretensa autonomia do pensamento filosófico. São Paulo: Hagnos, 2010, p. 18.

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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Todos os crentes devem evangelizar?

Vinícius S. Pimentel

Todos os crentes devem evangelizar?

Seguiram os onze discípulos para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes designara. E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram. Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século. (Mateus 28.16-20)

Em meus estudos e meditações nas Escrituras, eu já me perguntei sinceramente se a evangelização é uma tarefa que Deus ordenou a todos os crentes ou apenas a um grupo de irmãos especialmente designado para isso.

Na época, a indagação me parecia bastante pertinente por uma série de razões. Hoje, pela graça de Deus, vejo que todos aqueles argumentos “pseudoteológicos” não passavam de sofismas e tentações de satanás, cujo nome é mentiroso e enganador, e que eu havia sido um tolo por perder tempo duvidando desse tão claro mandamento de Deus.

Este foi o caminho simples, porém glorioso, usado pelo Espírito Santo para me fazer entender que evangelizar é uma ordem para todos os crentes: Jesus termina a sua “grande comissão” fazendo uma promessa, uma grande promessa. Ele disse: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”.

Para quem o Senhor dirigiu essas palavras? A quem elas se aplicam? Quem são aqueles que desfrutarão da presença diária, contínua, eterna, inafastável de Jesus? Sem dúvida, todos os crentes são os destinatários dessa promessa. Talvez essas sejam as palavras mais consoladoras e sustentadoras de todas as proferidas por Jesus em sua primeira vinda, e nós crentes só permanecemos de pé porque nos apegamos a esta preciosa promessa: “Eu estou convosco!”. Teríamos nós condições de viver neste mundo hostil, se não tivéssemos a certeza da presença constante do nosso Senhor conosco e em nós? É certo que não!

Ora, não há qualquer mudança de destinatários na passagem da “grande comissão”. O Senhor Jesus dá uma ordem: “Ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os… ensinando-os…” e, logo em seguida, Ele faz uma promessa: “E eis que estou convosco…”. Os beneficiários da grande promessa são os mesmos que acabaram de receber uma grande tarefa: evangelizar o mundo. Portanto, se todos os crentes podem ter certeza da presença constante de Jesus em suas vidas, todos os crentes também podem estar certos de que receberam, antes dessa promessa, uma ordem que precisa ser levada a sério: Façam discípulos! Evangelizem!

Com esse simples raciocínio, o Senhor, que é o Espírito, me convenceu do meu dever de levar o Evangelho aos perdidos. Se eu havia sido agraciado com a infinita dádiva de ser Sua habitação, eu deveria entender que também havia sido incumbido da grandiosa tarefa de ser Seu embaixador.

Se somos habitação de Deus, devemos também ser embaixadores de Deus

Você está consciente disso, de que todos os crentes devem evangelizar? Você crê que o Senhor deixou essa ordem para todos os Seus verdadeiros discípulos? Como você tem se engajado nessa grande comissão?

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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