Meditações em Filipenses (III): Suplicando pelos santos

Vinícius S. Pimentel

Meditações em Filipenses

E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus. (Filipenses 1.9-11)

Introdução

Pudemos ver, na última meditação, que o apóstolo Paulo costumava iniciar suas cartas às igrejas com uma saudação, seguida de uma oração pelos crentes a quem ele se dirigia. Cada oração geralmente continha tanto ações de graças como súplicas. Já vimos as razões pelas quais Paulo dá graças a Deus pela vida dos irmãos filipenses. Agora, vejamos quais as petições que o apóstolo faz a Deus em favor daqueles cristãos.

Ao meditarmos nesta oração de súplica, devemos almejar duas coisas. Por um lado, devemos desejar que também nós experimentemos as bênçãos espirituais que ele roga Deus conceda aos filipenses. Por outro, devemos nos sentir constrangidos a orar pelos nossos irmãos do presente, para que também eles desfrutem daqueles vistosos frutos da graça de Deus em suas vidas.

Que o vosso amor aumente

Se observarmos a passagem com cuidado, logo perceberemos que o apóstolo faz um único pedido a Deus – embora seja um pedido com diversas implicações – e este pedido é: que o amor daqueles crentes aumente mais e mais, em pleno conhecimento e toda a percepção (v. 9). Há muito a aprendermos aqui.

Em primeiro lugar, somos lembrados de que toda a vida cristã consiste sobretudo em amar a Deus. Não é este o maior de todos os mandamentos? Não é exatamente isso o que Deus mais requer de nós? Com efeito, somos convocados a amar ao Senhor de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, com todo o nosso entendimento e com toda a nossa força (Mc 12.30).

Ora, isso nos leva a considerar o fato de que a vida cristã envolve um comprometimento de todo o nosso ser com Deus, com a Sua vontade, com os Seus comandos. Não há um recanto de nossas vidas que não deva estar em completa e amorosa submissão ao Senhor, de maneira que nós podemos ser verdadeiramente chamados o Seu povo e a Sua possessão peculiar entre todos os povos. Como cristãos, somos o povo amado do Senhor e o povo que O ama sobre todas as coisas.

Em segundo lugar, somos lembrados de que o nosso amor por Deus nunca deve estagnar. Já vimos como a igreja dos filipenses estava comprometida com Deus e com o evangelho, de modo que Paulo tinha inúmeras razões para render graças pela vida daqueles irmãos. De fato, os crentes de Filipos possuíam uma fé exemplar e uma conduta digna de ser imitada. Isso está fora de questão.

O apóstolo estava certo de que eles amavam verdadeiramente a Deus, mas ele não considerava que aquela medida de amor fosse bastante, de maneira que os filipenses pudessem considerar-se desobrigados de continuar a crescer em sua devoção ao Senhor. Por isso, Paulo roga para que o amor deles “aumente mais e mais” (v. 9). Aliás, adiante ele irá demonstrar uma insatisfação semelhante em relação à sua própria vida: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus” (Fp 3.12).

Como filhos de Deus, nós temos conhecido o amor que o Pai tem por nós. Nós sabemos que o Seu amor por nós foi tão grande ao ponto de ter Ele entregado o Seu único Filho para nos salvar, e isso quando nós ainda éramos pecadores, injustos, malignos e rebeldes (Jo 3.16; Rm 5.8-11). Ora, quando contemplamos a natureza imensurável do amor de Deus por nós, logo percebemos quão pertinente é a oração de Paulo. Perto do amor que o Senhor nos dispensou, o nosso amor por Ele é como uma gota de água na vastidão do oceano! Por isso, não importa o quanto já O amamos, precisamos amá-Lo “mais e mais”.

Em terceiro lugar, somos lembrados de que o nosso amor por Deus não está dissociado do nosso conhecimento de Deus. Ouçamos novamente a petição do apóstolo: “que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção” (v. 9). Ao contrário do que muitos pensam e loucamente afirmam, parece-nos muito claro nas Sagradas Escrituras que o nosso amor por Deus depende, em larga medida, do nosso conhecimento Dele.

Ter a mente cheia de verdades bíblicas sobre quem é Deus e quais são as Suas obras é um passo indispensável para qualquer um que deseja crescer no amor ao Senhor. Em sentido contrário, menosprezar ou desprezar o conhecimento bíblico sobre os atributos e os feitos de Deus é o mesmo que desprezar o próprio Deus!

Portanto, precisamos desesperadamente de um conhecimento cada vez mais profundo de Deus, para que possamos amá-Lo e amá-Lo numa intensidade cada vez maior. E esse tipo de conhecimento só pode ser adquirido de uma maneira: pela meditação perseverante e piedosa na Palavra de Deus.

Evidências de amor

Agora, apesar de a única petição de Paulo pelso filipenses ser para que eles possam amar a Deus mais e mais, é certo que o apóstolo espera que tal crescimento em amor tenha impactos profundos e visíveis sobre a vida daqueles irmãos. Ele nos mostra, assim, que existem evidências as quais sempre acompanham o verdadeiro crescimento de nosso amor por Deus.

Em primeiro lugar, vemos que, à medida que o nosso amor por Deus aumenta, aumenta também a nossa capacidade de aprovar as coisas que são excelentes (v. 10). O significado dessa expressão fica muito claro quando consideramos o resto da Carta aos Filipenses. “Aprovar as coisas excelentes” significa, na ótica de Paulo, ser capacitado a considerar Cristo como o tesouro supremo que Ele é, a percebê-lo e experimentá-lo como mais valioso do que todas as coisas que este mundo valoriza, e ama, e busca. O homem que aprova as coisas excelentes é aquele que, sem hipocrisia, pode dizer que considera todas as coisas como lixo e esterco, quando comparadas com a sublimidade do conhecimento de Cristo (Fp 3.7-11).

Mais do que isso, ser capaz de aprovar as coisas excelentes significa estar apto a perder todas as demais coisas por causa de Cristo sem que isso seja considerado em qualquer sentido um prejuízo ou um dano, sem que tal perda seja motivo de qualquer lamento. Afinal, o mesmo Paulo que fez esta oração foi aquele que alegremente aceitou perder todos os prazeres e regalias deste mundo “para conquistar a Cristo e ser achado Nele”. Uma vez que Paulo sabia valorizar o que é excelente, ele estava plenamente apto a dizer: “Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fp 1.21). Isso é aprovar o que é excelente.

Em segundo lugar, vemos que, à medida que o nosso amor por Deus aumenta, aumenta também o nosso desejo de estarmos sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo (v. 10). Amamos a Deus e, por isso, procuramos viver de tal maneira como aqueles que, cedo ou tarde, haverão de se encontrar com o Senhor e desejam estar sempre prontos para serem chamados por Ele. O apóstolo João nos fala sobre isso em termos muito semelhantes: “E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (Jo 3.3). Isso não significa que dependemos de nossas obras para recebermos ou mantermos a nossa salvação; ao contrário, significa que temos tal consciência de como fomos amados por Deus, que nos sentimos constrangidos a viver neste mundo de maneira pura e íntegra, a fim de que, quando estivermos na plenitude de Sua santa presença, tenhamos uma oferta agradável a Lhe entregar.

Em terceiro lugar, vemos que, à medida que o nosso amor por Deus aumenta, aumenta também em nós o fruto de justiça (v. 11). Isso está diretamente relacionado ao ponto anterior. Na verdade, a maneira como nós nos tornamos sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo é dando mais e mais fruto de justiça. O crescimento do nosso amor por Deus é evidenciado pelo nosso crescimento na santificação e nas boas obras, as quais evidenciam que de fato fomos justificados por Deus pela fé em Cristo e regenerados para uma nova vida mediante a habitação do Espírito Santo.

De fato, não há amor por Deus ou cristianismo verdadeiro sem frutos de justiça, e não há crescimento em amor sem que isso resulte em crentes “cheios do fruto de justiça”. O próprio Senhor Jesus nos advertiu: “pelos frutos os conhecereis” (Mt 7.16-20), e aqui Paulo está tão somente repetindo o ensino do Senhor, ao orar para que os filipenses fossem sempre como galhos envergados de frutos vistosos e fartos.

Porém, para não nos deixar dúvidas de que “ao SENHOR pertence a salvação” (Jn 2.9), o apóstolo acrescenta que esses frutos de justiça — que devem estar presentes em todos os cristãos e numa medida cada vez maior – não procedem de nós mesmos, mas são “mediante Jesus Cristo” (v. 11). Ora, temos que dar muito fruto para o Senhor Jesus? É certo que sim! Contudo, esse fruto procede de nós mesmos? Mil vezes, não! Somos apenas os galhos que ostentam e exibem esses frutos, mas são a raiz da videira e sua seiva as responsáveis por prover absolutamente tudo o que é necessário para que eles apareçam e amadureçam.

Se todo o nosso fruto na vida cristã não procede de nós mesmos, mas vem mediante Jesus Cristo, não é de espantar que Paulo conclua afirmando que a nossa frutificação redundará na “glória e louvor de Deus” (v. 11). Nós não receberemos glória pelos nossos frutos; somente Deus a terá. Se nossos frutos realmente procedem Dele, é o Seu nome, e não o nosso, que será exaltado. É a Sua fama, e não a nossa, que correrá por toda a terra. Quando nossas boas obras procedem realmente de Jesus Cristo, os homens as veem em nós – afinal, somos os galhos que as ostentam! -, mas é ao Pai que eles glorificam.

Que o Senhor atenda à oração de Paulo também em nosso favor. Que Ele nos dê uma medida cada vez maior de amor, daquele amor alicerçado no verdadeiro conhecimento de Deus, para que possamos valorizar Aquele que é excelente e estar prontos para a Sua vinda, cheios do fruto de justiça que nasce de Cristo e redunda na glória do Pai celestial.

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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Meditações no Salmo 1 (I): O justo e os ímpios

Vinícius S. Pimentel

Meditações no Salmo 1

Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.

Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido. Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa.

Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação dos justos. Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá. (Salmo 1)

J.C. Ryle escreveu certa vez que, assim como entre as estrelas há diferença de esplendor, algumas passagens das Escrituras brilham mais do que outras, revelando-nos com mais clareza e intensidade a glória do Deus a quem adoramos.

Se o bispo de Liverpool estiver certo (como eu penso que está), o Salmo 1 certamente é um dos capítulos mais importantes de toda a Bíblia. Além de servir como uma introdução ao Saltério, este salmo se apresenta para nós como uma belíssima síntese de como deve ser a vida do homem que vive por Deus e para Deus.

No Salmo 1, o salmista contempla a diferença radical entre a vida do justo e a vida do ímpio. Ele nos chama a observar que a vida do justo é caracterizada por um evidente amor aos mandamentos de Deus (a Lei) e, ao mesmo tempo, nos anuncia que a verdadeira felicidade na vida (bem-aventurança) está apenas com o homem justo, e não com o ímpio.

Se atentarmos à voz de Deus na boca do salmista, encontraremos um caminho seguro para vivermos de uma maneira que o Senhor seja completamente glorificado e nós, completamente felizes. Continuar lendo

O caminho da salvação (Parte 3)

Áurea Emanoela

(Leia a Parte 1 e a Parte 2)

O caminho da salvação

Não se encoraja aos que recebem a salvação, em trecho algum da Bíblia, que “abusem” da graça de Deus. Pelo contrário, os eleitos são advertidos a tornar seguro seu chamamento e eleição (cf. 2Pedro 1.10) e a evidenciarem sua salvação com temor e tremor (cf. Filipenses 2.13). A igreja deve ser a “comunhão dos envolvidos”, isto é, um povo que propaga a Palavra de salvação vivendo condignamente.

O conceito de “uma vez salvo, sempre salvo” pode levar aqueles que o defendem a uma maneira de pensar quietista. Isso significa que eles podem pensar que têm pouco ou nenhum papel a cumprir em manter sua salvação e que Deus faz tudo por eles. Embora uma pessoa não seja salva por obras (como creem os católicos romanos) e não se mantenha salvo por causa das obras (como acreditam algumas igrejas), Deus salva somente aqueles que perseveram na fé. (1)

Nas Institutas da Religião Cristã, em uma seção intitulada “A perseverança é uma obra exclusiva de Deus; não é uma recompensa nem um complemento de nosso ato individual”, João Calvino expõe:

Sem dúvida, a perseverança deve ser considerada um dom gratuito de Deus, quando não prevalece o erro comum de afirmar que ela é dada conforme o mérito humano, à medida que cada indivíduo se mostra receptivo à primeira graça. Mas, visto que esse erro surgiu do fato de que homens achavam que tinham o poder de rejeitar ou aceitar a graça de Deus, quando esta opinião é aniquilada, aquela ideia anterior também se destrói a si mesma. Contudo, aqui há um erro duplo. Pois, além de ensinarem que nossa gratidão pela primeira graça e nosso uso legítimo dela são recompensados por dons subsequentes, eles dizem que a graça não opera em nós por si mesma, ela apenas coopera conosco.

A perseverança é o resultado incontestável da obra do Espírito na vida dos crentes. É uma obra que nos capacita a continuarmos crendo, como bem afirmou o apóstolo Pedro: “[…] sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo.” (1Pedro 1.5). Portanto, Deus não pode crer por nenhum de nós, pelo contrário, somos “guardados” pela fé. Como expõe Jay Adams, é esse o ensino que podemos extrair de João 15:

Se alguém não permanecer na videira, será “lançado fora, à semelhança do ramo, e secará”, e, por fim, será queimado (v. 6). Por isso Jesus ordenou: “Permanecei no meu amor” (v. 9b). Os apóstolos tiveram de perseverar na fé, ou seriam lançados fora, à semelhança de um ramo quebrado de videira; e isso se aplica a todos os crentes verdadeiros. Cristo, a Videira, exige que todo aquele que professa ser cristão permaneça nEle por meio da fé genuína ou, do contrário, seja lançado no fogo. Portanto, a perseverança é o resultado da verdadeira fé, nutrida e mantida pelo Espírito. (2)

Se a salvação verdadeiramente está operando nos crentes, sua própria comunhão no Espírito aumentará, e a operação “vertical” do poder salvador de Deus os constrangerá a perceber as repercussões “horizontais” da posse da salvação sobre a sociedade. Aqueles que possuem a salvação devem ser luzeiros do mundo, sal da terra, cidades construídas sobre montes. A história da igreja demonstra como os crentes têm aprendido e como precisam continuar aprendendo a testificar de sua salvação, profeticamente, em cada época.

Todas as coisas à nossa volta se opõem às promessas de Deus. Ele prometeu imortalidade; estamos cercados de mortalidade e corrupção. Declarou que nos reputa como justos; estamos cobertos de nossos pecados. Ele testifica que é propício e bondoso para nós; os julgamentos exteriores ameaçam a ira divina. Então o que devemos fazer? Com olhos fechados, temos de deixar de lado a nós mesmos e todas as coisas associadas conosco, para que nada nos impeça ou nos prive de crer que Deus é verdadeiro. (3)

As Escrituras prometem a destruição final do mal, apocalíptica ou escatologicamente: o livramento da criação que atualmente geme sob a escravidão da corrupção, para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus (cf. Romanos 8.21s.) por ocasião da “adoção”, a “redenção do corpo”, a “regeneração” (cf. Mateus 19.28), e a criação dos “novos céus e nova terra, nos quais habita justiça”, onde Deus será contemplado face a face.

Pois, em Cristo, Deus oferece toda a felicidade em lugar de nossa miséria, toda a riqueza em lugar de nossa necessidade; nEle se abrem para nós os tesouros celestiais, para que todo a nossa fé contemple seu amado Filho, toda a nossa expectativa dependa dEle, e toda a nossa esperança se apegue e descanse nEle. Este é, de fato, aquele segredo e aquela filosofia escondida que não pode ser extraída de silogismos. Mas aqueles cujos olhos Deus abriu aprendem-na certamente com o coração, para que em sua luz vejam a luz [Sl 36.9]. (4)

Notas:
(1) ADAMS, Jay E. Uma herança garantida. In: PARSONS, Burk (ed.). João Calvino: Amor à devoção, doutrina e glória de Deus. São José dos Campos/SP: Fiel, 2010, p. 210.
(2) Idem, p. 211.
(3) John Calvin, Commentaries on the epistle of Paul the apostle to the Romans. Trad. John Owen. Grand Rapids: Baker, 1996, p. 180.
(4) John Calvin , Institutes of Christian Religion.

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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O caminho da salvação (Parte 2)

Áurea Emanoela

(Leia a Parte 1)

O caminho da salvação

Por toda a revelação bíblica, é o próprio Deus que, movido por santo amor, provê a salvação. A ênfase, aqui, recai sobre a salvação que Deus, em Cristo, preparou em lugar do pecador, e, apesar de não haver separação aqui, é salutar indicar como Ele opera a salvação do homem.

É pelo Espírito Santo que a salvação se torna uma realidade. A experiência de salvação, por parte do homem, tem um tríplice aspecto temporal. Pode ser escrita em termos de passado, presente e futuro; possessiva, progressiva e futuristicamente (1); o homem está salvo, está sendo salvo, e será salvo (cf. Mateus 10.22; Romanos 5.9-10; 8.24; 1Coríntios 1.18; Efésios 2.8).

Possessivamente: O homem, pela fé nele instalada através do Espírito Santo, recebe uma nova posição em Cristo; já está justificado e absolvido por causa de Cristo. Assim como em sua posição “pré-justificada” o homem não podia merecer a salvação, semelhantemente, após haver sido justificado (não por qualquer justiça própria) agora não pode “desmerecer” a salvação ou “desfazer” a sua justificação no sentido de desfazer aquilo que Deus fez por ele. Está redimido, reconciliado, perdoado, purificado (João 13.10), já passou da morte para a vida, e recebeu a certeza, pelo testemunho do Espírito junto a seu próprio espírito, de que é filho de Deus (cf. Romanos 8.16), co-herdeiro juntamente com Cristo, possuidor da vida que é eterna em sua qualidade e duração, e que de uma vez para sempre despedaçou as correntes da escravidão ao temor da morte (cf. Hebreus 2.15).

Progressivamente: A graça de Deus, que traz a salvação (cf. Tito 2.11), é o poder transmitido pela pregação da cruz àqueles que “estão sendo salvos” (cf. 1Coríntios 1.18). Ensina a necessidade da operação santificadora do Espírito, a exteriorização da salvação que Deus operou no homem (cf. Filipenses 2.1-12), evidenciando a negação à impiedade e as concupiscências mundanas, e produzindo uma vida sóbria, reta e piedosa no mundo presente. Assim como a fé é o fato operativo na salvação, concebida possessivamente, semelhantemente é o amor, na exteriorização da salvação. Mediante o amor implantado pelo Espírito, a vida do homem é conservada, o remido atinge sua verdadeira personalidade ao refletir a imagem de Deus dessa nova maneira, e se faz verdadeiramente presente em sua pessoa para aqueles que ainda necessitam da salvação.

Futuristicamente: A salvação, em sua plenitude, deverá ser realizada somente no futuro. O homem é salvo em esperança. Ao crente é apontado a obtenção da salvação total (cf. 1Tessalonicenses 5.9; 2Tessalonicenses 2.13; 2 Timóteo 2.10; Hebreus 1.14). A salvação total está prestes a ser revelada no último tempo (cf. 1Pedro 1.5). Essa salvação está “agora mais perto do que quando no princípio cremos” (Romanos 13.11). Para aqueles que esperam em Cristo, Ele aparecerá segunda vez, não para novamente tratar do pecado, mas, sim, “para a salvação” (Hebreus 9.28). Por ocasião da derrota definitiva do mal, a voz celeste proferirá as palavras: “Agora é vinda a salvação” (cf. Apocalipse 12.10).

(Leia a Parte 3 – em breve)

Notas:
(1) DOUGLAS, J.D. (ed.) [editores assistentes BRUCE, F.F. et al.; editor da edição em português SHEDD, Russell P.]. Novo dicionário da Bíblia. 3 ed. rev. São Paulo: Vida Nova, 2006.

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O caminho da salvação (Parte 1)

Áurea Emanoela

O caminho da salvação

A Bíblia nos conduz a uma profunda reflexão a respeito da condição do homem – como indivíduo e na sociedade -, coloca-nos frente à nossa desesperada necessidade de salvação. Encontramo-nos em um “círculo vicioso”, numa perigosa posição de culpa e impotência. Nossa culpa nos desqualifica para recebermos, por merecimento, o único recurso que porventura poderia tirar-nos de nossa incômoda posição. Nenhum poder humano pode solucionar esse problema, tirando o homem do círculo vicioso em que está. Se o homem tiver de ser salvo, Deus precisa tomar a iniciativa.

Como afirma James Montgomery Boice,

isso não quer dizer que todas as pessoas são tão más quanto elas poderiam ser. Significa, antes, que todos os seres humanos são afetados pelo pecado em todo campo do pensamento e da conduta, de forma que nada do que vem de alguém, separado da graça regeneradora de Deus, pode agradá-lo. À medida que nosso relacionamento com Deus é afetado, nós somos tão destruídos pelo pecado que ninguém consegue entender adequadamente Deus ou os caminhos de Deus. Tampouco somos nós que buscamos Deus, e, sim, é ele quem primeiramente age dentro de nós para levar-nos a agir assim.

Existem várias descrições sobre a horrenda sorte do homem – fracasso, destruição, vazio, alienação, escravidão, rebelião, enfermidade, corrupção, imoralidade e morte. Igualmente variadas são as fúteis tentativas humanas de remediar essa situação – iluminação intelectual da ignorância, reforma moral, esforços ascéticos, tratamento médico ou psicológico, melhoramento social pelo emprego dos recursos tecnológicos, estratagemas os mais variados possíveis e, acima de tudo, técnicas religiosas criadas pelo homem.

Desde bem cedo em sua história, o homem teve de perceber, como continua tendo de ver, que não pode produzir a sua própria salvação, por causa da natureza radical de seu pecado e egocentrismo. Mais do que isso, as suas tentativas de salvar a si mesmo são a pior afronta a Deus, e fazem com que incorramos em Seu julgamento. A Bíblia expõe-nos Deus em santo amor, a conceber e a desdobrar um “plano de salvação” e o ponto crucial dessa salvação é a cruz de Cristo (Romanos 1.16; 1Coríntios 1.18).

É na morte de Seu Filho que Deus realiza o ato focal da salvação que oferece ao homem. Por toda a revelação bíblica, é o próprio Deus quem, movido por santo amor, provê a salvação. Os “retratos” são variados, mas o quadro daí resultante exibe a majestade, o mistério, o poder e a misericórdia de Deus em ação: o pecado, que é uma afronta à santidade de Deus, é removido em Cristo; condições legítimas de paz com Deus são ratificadas por Cristo, o qual estabeleceu a paz por meio de Sua cruz e fez expiação pelo homem alienado de seu Criador; um resgate foi pago para redimir ou libertar o escravo de sua escravidão; a absolvição, perante o “tribunal de justiça”, é declarada, visto que Deus, em Seu Filho, já suportou o julgamento e sofreu a pena imposta ao homem, ao identificar-se com o pecador em seu pecado; a honra de Deus fica satisfeita pela perfeição de Cristo, apresentada em obediência; Cristo une em Si mesmo a humanidade e a leva em Seu sacrifício até o Pai; Cristo é supremamente vitorioso em sua morte.

(Leia a Parte 2 e a Parte 3 – em breve)

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Deus está no comando?

Áurea Emanoela

Deus está no comando?

Foi esta a indagação com a qual me deparei há alguns dias, enquanto “passava os olhos” rapidamente pela página inicial de uma dessas redes sociais. Aquele questionamento me pareceu desafiador e, embora em tímidas letras minúsculas, “saltou” aos meus olhos como se houvesse sido escrito em letras garrafais: Deus está no comando?”

A pergunta, em tom incisivo, remetia a Belo Monte, um projeto de aproveitamento hidrelétrico em terras indígenas. Segundo detalhes do próprio vídeo, caso venha a ser construída, Belo Monte ocupará o “status” de terceira maior hidroelétrica do mundo, chegando a gerar até 11.182 megawatts. A vida nos arrabaldes do rio Xingu está ameaçada pelos interesses capitalistas daqueles que são incapazes de olhar para as necessidades do seu próximo, sequiosos pela ganância que se esconde por trás dos discursos de progresso.

Belo Monte deveria, sem dúvida, chamar a nossa atenção e despertar um senso de indignação que a maioria das pessoas só costuma ter quando alguém, com ou sem justificativas, lança mão do que não lhe pertence.

Todavia, confesso que, dessa vez, algo me chamou mais atenção do que “Belo Monte”… Aquela pergunta que tão nitidamente transferia para ELE toda a culpa pelos problemas trazidos pelo “progresso”.

Não é incomum ouvir indagações como essa nos diálogos que as pessoas estabelecem, nas “rodas de amigos”, no tom jocoso daqueles declaradamente céticos ou mesmo nas redes sociais (tão ovacionadas pela forma como têm sido usadas para conclamar o povo à “revolução”). Já vi outras indagações desafiadoras, tais como “Deus se preocupa?” estampando a foto de uma mulher vítima de agressão. Confesso que meu coração salta dentro do peito embalado por uma mistura de tristeza e outros tantos questionamentos.

Gostaria que, igualmente, as pessoas fossem capazes de olhar para o passado ao menos por um instante e procurassem direcionar sua visão cerca de dois mil anos atrás. Fosse assim, certamente os seus questionamentos acerca de Deus seriam plenamente respondidos e suas dúvidas, consequentemente redirecionadas.

Se porventura conseguissem fazer isso, seus olhos contemplariam a pequena cidade de Belém (cf. Lucas 2.1-7), onde veriam o Filho de Deus, Jesus Cristo, o prometido das nações, nascendo em uma manjedoura. Veriam Maria e José, pessoas simples escolhidas para receber o Cristo; veriam ambos tendo que esconder a pequenina Criança da fúria de Herodes, o qual tencionava tirar a Sua vida porque de maneira nenhuma queria colocar em risco o seu trono (cf. Mateus 2.13-15). Seus olhos pasmariam ao ver milhares de meninos de 0 a 2 anos de idade sendo mortos (cf. Mateus 2.16-18) – afinal de contas, o rei humano precisava assegurar a estabilidade de seu trono, mesmo que isso custasse o sangue de muitas crianças e as lágrimas de muitos pais.

Tais pessoas seriam transportadas no tempo e veriam um Menino de apenas doze anos de idade em meio a doutores, ouvindo-os e interrogando-os, “e todos os que o ouviam muito se admiravam da sua inteligência e das suas respostas” (Lucas 2.47). À semelhança dos pais terrenos de Jesus, ficariam maravilhadas com a sabedoria do Menino que, sem “atropelar” qualquer estágio de Seu desenvolvimento, “crescia […] em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens” (Lucas 2.52).

Em seguida, ouviriam as palavras de João Batista conclamando o povo ao “arrependimento para remissão de pecados” (Lucas 3.3), desfiando a multidão corrupta a produzir “frutos dignos de arrependimento” (Lucas 3.8). Contemplariam a humildade com que João testemunhara dAquele que viria após ele (cf. Mateus 3.11-12) e participariam do batismo de Jesus (cf. Mateus 3.13-17; Marcos 1.9-11; Lucas 3.21-22; João 1.32-34). Seriam levados ao deserto e presenciaram a astúcia mordaz de satanás, em contraste com a fidelidade absoluta de Jesus a Deus (cf. Mateus 4.1-11; Marcos 1.12-13; Lucas 4.1-13).

Veriam um homem humilde – “pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homem; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Filipenses 2.6-8) -, que andou entre os pecadores, publicanos e fariseus (cf. Mateus 9.10-13; Marcos 2.15-17; Lucas 5.29-32); que pregou a pessoas que a sociedade tinha como desprezíveis (cf. Lucas 10.21); que livrou uma mulher, pega em adultério, de ser apedrejada por homens perversos e cheios de justiça própria (cf. João 8.1-11). E, ao contrário do que muitos de nós faríamos, Ele não colocou o dedo em riste e lhes mostrou asperamente suas falhas; pelo contrário, levou-os humildemente à reflexão: “aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra” (João 8.7).

Contemplariam Jesus alimentando multidões (cf. Mateus 14.13-21; Lucas 9.10-17; João 6.1-13.). Nessa mesma ocasião, veriam Seus discípulos propondo ao Mestre que despedisse a multidão para que procurassem alimento para si; todavia, não os condenem, eles eram apenas homens imperfeitos.

Iriam contemplar outros tantos milagres (cf. Mateus 15. 21-28; Marcos 6.45-52); curas (cf. Mateus 21.14-17; Marcos 5.21-34; Lucas 18.35-43); libertação (cf. Marcos 5.1-14); vidas transformadas (cf. João 4.1-30); amor sem medida (cf. João 13.1). Veriam um homem perfeito, na essência da palavra, e, quando julgarem já ter visto tudo, seriam surpreendidas novamente. Ficariam atônitas com as cenas que estavam prestes a presenciar e, naquele exato momento, todas as suas indagações iriam mudar e, se fossem capazes de verdadeiramente ver, suas vidas nunca mais seriam as mesmas.

Veriam a maior maldade que os seus olhos jamais presenciaram: Jesus sendo crucificado. Elas estariam presentes em cada momento, desde o julgamento, quando o povo gritava: “Crucifica-o! Crucifica-o!” (cf. Marcos 15.13-14). Vê-lo-iam ser açoitado, cuspido, zombado (cf. Marcos 15.16-20; João 19.1); veriam a coroa de espinhos sendo colocada bruscamente na Sua cabeça (cf. João 19.2); veriam-no carregando a cruz (cf. João 19.17); ouviriam o ruído dos cravos perfurando Sua carne; veriam homens perversos dando-lhe vinagre quando Ele teve sede e lhes pediu água (João 19.28-30). Então, acompanhariam com olhos atentos a comitiva de soldados que vinha quebrar-lhe as pernas (cf. João 19.31), caso Ele ainda não tivesse morrido (afinal de contas, os judeus estavam para comemorar a Páscoa e aqueles corpos precisavam ser retirados da cruz). Todavia Ele já havia entregue seu espírito ao Pai (cf. Lucas 23.46), mas, ainda assim, cravaram-lhe uma lança no dorso (cf. João 19.34).

Depois de acompanhar tudo isso, certamente não ficariam admirados em ouvi-lo clamando ao Pai para que perdoasse os responsáveis por toda aquela atrocidade (cf. Lucas 23.34). Mas não poderiam, em absoluto, deixar de perceber que toda essa maldade fora praticada por homens que anteriormente haviam-no recebido com brados de louvor (cf. Mateus 21.1-11; Marcos 11.1-11; Lucas 19.28-40; João 12.12-15). O que mudou na mente desses homens? Não perceberam? As perguntas já começaram a mudar.

Concluiriam que Deus está no comando de todas as coisas desde a fundação do mundo. Exultariam, renderiam graças ao Senhor porque Ele “firmou o mundo para que não se abale” (1Crônicas 17.30). Compreenderiam, inequivocamente, que Deus sempre esteve presente, e não abandonou o seu Filho quando Ele foi levado pela mão de homens. O Dono de todas as coisas sempre esteve no comando.

Por fim, chegariam à única conclusão possível: a maldade que habita em corações não regenerados, a rebelião do homem contra Deus, o pecado que cega e alimenta as más inclinações não somente levou Jesus ao calvário, como continua incitando o homem contra o Senhor, tornando-o incapaz de compreender que “a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça” (Romanos 1.18). O ápice de toda essa dureza de coração é atribuir ao Criador a culpa pelo mal que habita nos corações humanos e se revela em suas praticas.

A única afirmativa que nos caberia, portanto, seria esta: O pecado que habita no coração do homem leva-o a fazer coisas terríveis; todavia “é certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel” (Salmos 121.4).

É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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Precioso Cristo (Ou: O que Ele é para você?)

Vinícius S. Pimentel

Cristo é a preciosidade para você?

Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. Pois isso está na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado. Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas, para os descrentes, A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular e: Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos. Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia. (1Pedro 2.4-10)

Como bons cristãos, todos nós estamos prontos a explicar às pessoas que a salvação só pode ser recebida pela fé, e não pelas obras. “Crê no Senhor Jesus e serás salvo”; “porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Atos 16.31; Efésios 2.8). Essa explicação está obviamente certa; é exatamente isso o que a Bíblia ensina! Mas o que significa crer? O que significa ter fé – essa fé que, segundo a Bíblia, nos traz a salvação?

Apesar da evidente grandiosidade do assunto, em contraste com nossa capacidade limitada de oferecer definições, o apóstolo Pedro nos apresenta uma descrição inspirada, concisa, profunda e desafiadora do que seja a verdadeira fé cristã. Ele diz: “Para vocês, os que crêem, Cristo é a preciosidade.” Ponto final.

Sim, eu preciso crer que Cristo é meu Salvador, que Ele morreu na cruz como meu Substituto e, com Seu sangue, comprou para mim a salvação que eu jamais poderia obter com minhas obras. Sim, eu preciso crer que Cristo é meu Senhor, que Ele governa a minha vida tanto quanto reina soberanamente sobre tudo o mais no universo, que Ele é digno de reverência e obediência humilde, embora eu seja incapaz de oferecer de mim mesmo algo que seja verdadeiramente bom. Sim, eu preciso crer que Cristo é Salvador e Senhor.

Porém, Pedro nos mostra que a fé verdadeira envolve muito mais do que isso. O verdadeiro cristão considera que Cristo é mais do que o seu Salvador pessoal e o Senhor de sua vida. Segundo Pedro, aqueles que verdadeiramente creem são aqueles que consideram Cristo a sua preciosidade.

Aqueles que creem verdadeiramente são aqueles que consideram Cristo a sua preciosidade

Isso significa que a conversão, aquele momento sobrenatural no qual um pecador perdido é encontrado e salvo pelo Bom Pastor, não envolve apenas uma mudança da morte para a vida ou um transporte do inferno para o céu. A conversão corresponde a uma completa reviravolta na minha percepção do valor e da dignidade de Cristo. Envolve também um apego pessoal a tudo o que Cristo é, acima de todas as outras pessoas e coisas. Cristo não é mais simplesmente o Salvador do mundo e o Senhor do universo. Ele é o meu Salvador, o meu Senhor, a minha Vida, o meu Tudo, e nada mais me satisfaz tanto e me dá tanto prazer quanto estar com Ele, desfrutando da Sua presença e de tudo o que ela traz: perdão, graça, justiça, paz, alegria, amor…

Quando Cristo se torna a minha preciosidade, todos os senhores e deuses do meu coração são destronados. Agora, Ele é o meu tesouro, e não o meu dinheiro ou as minhas possessões. Ele é o meu prazer, e não a lascívia, a pornografia, o sexo ilícito, o adultério. Ele é o meu lugar de descanso, não a minha cama, a minha casa de praia ou a minha casa de campo. Ele é o meu socorro, não os meus pais, a minha namorada, a minha esposa ou os meus amigos. Agora, Ele é tudo em mim e para mim!

Além disso, quando Cristo se torna a minha preciosidade, palavras difíceis como “obediência”, “fidelidade”, “submissão” e “santidade” deixam de parecer exigências severas de um Deus egoísta e se tornam expressões espontâneas do amor, do contentamento e da satisfação que Cristo desperta em mim. Para o verdadeiro crente, aquele que tem Cristo como sua preciosidade, “os seus mandamentos não são penosos” (1João 5.3).

Não se engane. O que você pensa sobre Cristo não muda aquilo que Ele verdadeiramente é. O valor absoluto de Cristo é dado por aquilo que o Pai pensa sobre Ele, e, segundo Pedro, Cristo é a pedra “eleita e preciosa” para com Deus. Porém, o que você pensa sobre Cristo define radicalmente o seu destino no futuro e molda poderosamente o modo como você vive no presente. Se Cristo é para você apenas uma pedra de tropeço, um paralelepípedo sem valor, então você vive agora como um desobediente e seu destino será o juízo eterno de Deus. Você precisa se arrepender do seu desprezo pelo Filho de Deus e recebê-Lo como o Tesouro maravilhoso que Ele é.

O que você pensa sobre Cristo define radicalmente o seu destino no futuro e molda poderosamente a sua vida no presente

Porém, se Cristo é para você o Diamante mais precioso, a Pérola de valor inestimável, então você vive agora como um santo e, na eternidade, terá um lugar garantido à mesa de Deus.

O que Ele é para você?

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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