Yago Martins – Deus é eterno, e eu…

Yago Martins

Deus e eu

“Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.” (Salmo 90.2)

“Quanto ao homem, os seus dias são como a relva; como a flor do campo, assim ele floresce; pois, soprando nela o vento, desaparece; e não conhecerá, daí em diante, o seu lugar.” (Salmo 103.15-16)

As Escrituras nos deixam claro que Deus é um ser eterno. Antes da criação do tempo, Ele estava lá. Constantemente, somos remetidos ao “Deus eterno”, que nos abençoa ao estender seus “braços eternos” em nosso favor (Deuteronômio 33.27). Não é à toa que Ele é “o Alfa e o Ômega”, “aquele que é, que era e que há de vir” (Apocalipse 1.8; 4.8). Em Jó 36.26, Eliú diz acerca de Deus que “o número dos seus anos não se pode calcular” e o próprio Jesus deixa claro sobre Si: “antes que Abraão existisse, EU SOU” (João 8.58). Em Gênesis 21.33, diz-se que Ele é “o Deus eterno”. Isaias declara que Ele é “desde a antiguidade” (Isaías 45.21). O Livro dos Salmos revela que Ele é “de eternidade a eternidade” (41.13) e “desde a eternidade” (93.2), de modo que devemos bendizer ao Senhor “de eternidade em eternidade” (Neemias 9.5). No Salmo 90, ouvimos o louvor apaixonado declarar que Deus está muito acima das nossas concepções de tempo: “Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite” (v. 4). Pedro ecoa essa mesma ideia ao escrever que “para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia” (2 Pedro 3.8).

Mas… E eu?

Deus é eterno, mas nós não somos. A qualquer momento, esta nossa breve e frágil vida pode acabar. Como alguém certa vez disse, “um puxão no gatilho e já era. Um tropeção na bordinha. Atropelado na estrada, engasgado com osso de galinha, esfaqueado, acidentado, doente, traído… Tantas formas de morrer que me admiro ainda estar vivo”.

A Escritura testifica, em vários locais e de várias maneiras, acerca da brevidade da existência humana. Isaias usa palavras poéticas: “Seca-se a erva, e caem as flores, soprando nelas o hálito do SENHOR. Na verdade, o povo é erva; seca-se a erva, e cai a sua flor…” (Isaías 40.7,8). Davi, por sua vez, entoou um louvor, dizendo: “como a sombra são os nossos dias sobre a terra, e não há outra esperança” (1Crônicas 29.15). O salmista, por várias vezes, entoou a Deus: “Pois todos os nossos dias vão passando…; acabam-se os nossos anos como um conto ligeiro”, “Porque o homem, são seus dias como a erva; como a flor do campo, assim floresce; pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não conhece mais” e “O homem é semelhante à vaidade; os seus dias são como a sombra que passa.” (Salmo 90.9; 103.15-16; 144.4). Tiago ensinou sobre esse tema ao povo que vivia em meio a vários sofrimentos: “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco e depois se desvanece” (Tiago 4.14).

Creio que ninguém lamentou mais a brevidade da vida do que Jó: “Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão e perecem sem esperança”, “a minha vida é como o vento”, “nossos dias sobre a terra são como a sombra”, “os meus dias são mais velozes do que um corredor; fugiram e nunca viram o bem. Passam como navios velozes, como águia que se lança à comida”, “sai como a flor e se seca; foge também como a sombra e não permanece” (Jó 7.6-7; 8.9; 9.25-26; 14.2).

Certo, mas… E daí?

Primeiro, isso nos leva a adorar o Senhor como Aquele que está acima do tempo. Muitas vezes, o modo como louvamos a Deus é extremamente vago e sem conteúdo. Clichês como “aleluia”, “eu Te amo” ou “glória a Deus” são repetidos como mantras, a fim de suprir nossa falta de “assunto” em nossas orações. Que tal tirar um tempo para engrandecer o nome de Deus pela Sua eternidade? Glorifique ao Senhor como Aquele que está sobre todo o tempo, regendo a história de acordo com Sua vontade.

Segundo, isso nos faz considerar a brevidade das coisas. Sempre que vamos comprar algo novo, costumamos escolher aquilo que terá a melhor vida útil. Eu não compraria um iPod novo se soubesse que ele vai quebrar em 3 dias. Porém, como esquecemos que essa vida passa, e passa rápido, acabamos nos apegando a coisas que em breve desaparecerão. Que tal observar o que realmente é útil para você e o que é só vaidade inútil? Parafraseando John Stott, a vida é nada mais que um estado intermediário entre dois momentos de nudez; portanto, seria bom que transitássemos com o mínimo possível.

Terceiro, isso nos faz considerar a brevidade da vida. Por que não deixar para amanhã o que eu não quero fazer hoje? Simplesmente por que o amanhã pode nunca chegar. Não deixe para fazer o bem só amanhã, não espere se formar para fazer alguma diferença na vida de alguém, não ache que só será feliz quando ________ (complete com seu sonho de vida). Dedique-se a Deus hoje, agora, neste instante. Imagine que sua centelha de vida está quase no fim: como você quer viver esses últimos dias? Espero que seja queimando no altar de Deus, cumprindo vigorosamente Sua vontade.

E por fim, isso nos faz considerar nossa eternidade. A verdade é que, ainda que nossa vida seja breve, nós somos seres eternos. Minha pergunta final é: onde será a sua eternidade? No céu ou no inferno? Você já confiou em Cristo como Aquele que amou você desde antes da eternidade e que morreu na cruz para salvar você dos seus pecados, de modo que agora você vive uma vida de acordo com Seus ensinos e práticas? Se não, considere isto seriamente, toda sua eternidade depende disto: ou eternamente junto de Deus, saboreando Seu amor, ou eternamente longe de Deus, recebendo Sua ira.

Eterno Senhor,
eu Te exalto como Pai do Tempo
e Rei sobre todas as Eras.
Que Tu me ilumines neste dia,
mostrando-me que as coisas são passageiras,
de modo que elas apenas devem servir à Tua glória
e aos referenciais eternos.
Faze-me ver que a vida é breve
e que a qualquer momento posso desfalecer
e descer à sepultura.
Faz-me viver o hoje para Ti, ó Deus.
Que eu considere o destino eterno de minha alma.
Que eu escolha a eternidade junto de Ti.
Eternamente, Te louvo!

“Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, da eternidade para a eternidade! Amém, amém!” (Salmo 41.13)

Por: Yago Martins | PreciosoCristo | Original aqui.
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Yago Martins – Deus e eu: Como os atributos divinos transformam minha vida diária (Introdução)

Yago Martins

Deus e eu

Introdução

“Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.” Muitas vezes, é isso que ouvimos de nossos amigos quando eles tentam nos mostrar que dois fatores não estão relacionados um ao outro, ainda que aparentemente estejam. Seja intencional ou não, nós acabamos adotando de modo exagerado esse mesmo pensamento em nossa doutrina. Por isso, acabamos nos deparando com falsas dicotomias como “ou tolerância ao diferente ou firmeza doutrinária”, “ou amor pelos homossexuais ou combate à prática homoafetiva”, “ou profundidade teológica ou dedicação à evangelização”. Creio que não exista um único cristão neste país que não haja tido contato com essas falsas oposições – pontos que deviam estar juntos, como teologia e evangelismo, mas que são tratados como inimigos entre si. Corremos o risco de separar aquilo que Deus uniu.

Esse mesmo erro já atingiu o modo como nós pensamos sobre o Ser de Deus. O nosso pensamento é que a pessoa de Deus e os Seus atributos são um assunto metafísico, intangível, ininteligível e até metafórico. Dedicar-nos a estudar sobre soberania, autoexistência, trindade e onipresença soa como “coisa de teólogo”, mero capricho intelectual ou pura perda de tempo. Achamos que o que é palpável é melhor – e como não seria? Com tantas vidas perdidas, tantos crentes fracos, tantos pecados a vencer e tantos pobres a ajudar, como poderemos gastar nosso tempo tentando entender algo que não nos servirá para nada além de intermináveis debates acalorados?

O que eu desejo com esta série de posts é mostrar que pensar sobre Deus não é algo meramente metafísico – sim, é metafísico –, mas algo que influencia de modo crucial a nossa vida. A Escritura testifica claramente sobre isso.

Conhecer ao Senhor nos fará crentes fortes e poderosos. “O povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e fará proezas” (Daniel 11.32). Entender sobre o Senhor não é um tema de escritório ou de bibliotecas, é um assunto para discipulados, aconselhamentos e pregações. Crentes fracos e desanimados precisam conhecer o Rei dos Reis a fim de adquirirem aço em seus músculos espirituais. Está precisando de força? Conheça a Deus!

Conhecer ao Senhor nos fará crentes motivados. Qual a motivação que Cristo deu para Seus apóstolos e para todos nós na Grande Comissão? Seu poder: “É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos” (Mateus 28.18-19). É por que Cristo recebeu todo o poder em Sua ressurreição que temos um motivo para evangelizar. Está desmotivado? Conheça a Deus!

Conhecer ao Senhor nos fará crentes animados. Paulo tinha todos os motivos para desanimar em seu ministério. Todos, menos um: “tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos” (2Coríntios 4.1). Por que ele não desfalecia? Por que ele entendia que o serviço era uma manifestação das misericórdias de Deus. Está pensando em desistir? Conheça a Deus!

Conhecer ao Senhor nos fará crentes maravilhados. Foi o que aconteceu com Paulo. Após falar sobre pontos dos mais controversos sobre teologia, envolvendo assuntos como sofrimento, predestinação e o papel dos judeus na nova aliança, ele louva a Deus, maravilhado: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Romanos 11.33). Não há como não ficarmos atônitos diante de beleza tão sublime. Muitos viajam por vários países e gastam fortunas a fim de encontrar algo que os deixe maravilhados. Nós, porém, possuímos a maior maravilha do universo como Pai – como negligenciá-Lo? Quer ficar mudo diante de tanta beleza? Conheça a Deus!

Conhecer a Deus nos fará crentes adoradores. Os salmos deixam muito claro que adoraremos ao Senhor motivados pelo que conhecemos Dele: “Louvai ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre” (Salmo 136.1); “Louvarei o teu nome pela tua benignidade, e pela tua verdade; pois engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome. […] Todos os reis da terra te louvarão […] e cantarão os caminhos do SENHOR; pois grande é a glória do SENHOR.” (138.2,4,5) e “Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem” (139:14) – só para citar alguns poucos exemplos. Quer ser um adorador em espírito e em verdade? Conheça a Deus!

Esta será a nossa aventura. Não espere academicismo, longas citações de teólogos do passado ou referências às confissões de fé históricas. Vamos passear pela Palavra, como quem anda no parque – e colheremos as melhores rosas que encontrarmos: não para uma aula de botânica, mas para apreciar o aroma. Em alguns momentos, estaremos gratos pela Misericórdia; em outros, assombrados pela Ira; quem sabe, regozijando pelo Amor; depois, tremendo pela Santidade. No entanto, de qualquer modo, não estaremos dissecando Deus como a um sapo na mesa do laboratório. Estaremos estudando-O como um casal apaixonado o faz: buscando descobrir como agradar aquele a quem amamos. E, principalmente, tentando responder, como diria Paulo, “que diremos, pois, diante destas coisas?” – ou, no popular, “o que eu tenho a ver com isso?”

Seja bem vindo, e boa viagem.

Por: Yago Martins | PreciosoCristo | Original aqui.
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