Apresentando a fé e o arrependimento (III)

Greg Gilbert

(Leia a PARTE 1 e a PARTE 2)

Apresentando a fé e o arrependimento

Arrependimento, não perfeição, mas lutar

Arrependimento do pecado não significa necessariamente que você para de pecar – não totalmente e, com muita frequência, não em áreas específicas. Os cristãos ainda são pecadores caídos, mesmo depois de haverem recebido de Deus uma nova vida espiritual, e continuarão a lutar contra o pecado, até serem glorificados com Jesus (veja Gálatas 5.17; 1 João 2.1). contudo, ainda que o arrependimento não signifique um fim imediato de nosso pecar, ele significa que não mais viveremos em paz com nosso pecado. Declararemos guerra mortal contra o pecado e nos dedicaremos a resistir-lhe pelo poder de Deus em todas as frentes de nossa vida.

Muitos cristãos combatem fortemente essa ideia de arrependimento porque esperam, de algum modo, que se eles se arrependerem genuinamente, o pecado irá embora e a tentação cessará. Quando isso não acontece, eles caem em desespero, questionando a si mesmos quanto à realidade de sua fé em Jesus. É verdade que, ao regenerar-nos, Deus nos dá poder para lutar contra o pecado e vencê-lo (1 Coríntios 10.13). mas, visto que continuaremos a lutar contra o pecado até que sejamos glorificados, temos de lembrar que o arrependimento verdadeiro é, mais fundamentalmente, uma questão de atitude do coração para com o pecado, e não uma simples mudança de comportamento. Odiamos o pecado e lutamos contra ele ou apreciamos o pecado e o defendemos?

Um escritor expressou essa verdade com muita beleza:

“A diferença entre um não-convertido e um convertido não é que um tem pecados e o outro não tem nenhum. A diferença é que um se coloca ao lado de seus pecados queridos em oposição a um Deus terrível, e o outro se coloca ao lado de um Deus reconciliado em oposição aos seus pecados odiados.”

Então, em que lado você se coloca: de seus pecados ou de seu Deus?

Para onde você apontará?

Quando você estiver diante de Deus, no julgamento, o que você planeja fazer ou dizer para convencer a Deus a considera-lo justo e admiti-lo a todas as bênçãos do reino dele? Que boas ações ou atitudes piedosas você lhe apresentará para impressioná-lo? Você apresentará sua frequência à igreja? Sua vida familiar? Seus pensamentos impecáveis? O fato de que você não fez algo realmente deplorável aos seus próprios olhos? Duvido que se apresentará a Deus e lhe dirá: “Deus, por conta de tudo isso, justifique-me!”

Eu lhe direi o que fará todo cristão cuja fé está somente em Cristo, pela graça de Deus. Ele apontará simples e tranquilamente para Jesus. E este será o seu apelo: “Ó Deus, não olhe para qualquer justiça que haja em minha própria vida. Olhe para seu Filho. Considere-me justo não por causa de qualquer coisa que eu tenha feito ou que eu seja, e sim por causa dele. Ele viveu a vida que eu deveria ter vivido. Ele morreu a  morte que eu merecia. Renunciei todas as outras confianças. Ele é meu único apelo. Justifique-me, ó Deus, por causa de Jesus”.

Fonte: GILBERT, Greg. O que é o Evangelho? São José dos Campos/SP: Fiel, 2011, p. 110-112/113-114.
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Apresentando a fé e o arrependimento (II)

Greg Gilbert

 (Leia a PARTE 1)

Apresentando a fé e o arrependimento

Fé somente

Quando compreendemos que somos dependentes de Jesus para a nossa salvação – sua morte por nosso pecado, sua vida por nossa justiça -, entendemos por que a Bíblia é tão insistente no fato de que a salvação vem somente pela fé nele. Não há outra maneira, não há outro salvador, não há ninguém e nada mais, no mundo, em que possamos descansar para a salvação, incluindo nossos próprios esforços.

Toda outra religião existente na história humana rejeita esta ideia de que somos justificados somente pela fé. Em vez disso, as outras religiões afirmam que a salvação é ganha por meio de esforço moral, boas obras e por equilibrarmos, de algum modo, a nossa conta por obtermos mérito suficiente para exceder o nosso mal. Isso não é surpreendente. É bastante humano pensar – e até insistir em – que podemos contribuir para a nossa própria salvação.

Todos nós somos pessoas autoconfiantes, não somos? Somos convencidos de nossa autossuficiência e nos ressentimos de qualquer insinuação de que somos o que somos por causa da intervenção de outra pessoa. Pense em como você se sentiria se alguém dissesse sobre o seu trabalho ou sobre algo que você valoriza: “Sim, você não fez por merecer isso. Você o tem somente por que outra pessoa lhe deu.” Isso é exatamente a verdade em relação à nossa salvação diante de Deus. Ele nos dá a salvação como um dom da graça, e não contribuímos nada para ela – nem a nossa justiça, nem o nosso pagamento por nossos pecados e, certamente, nem quaisquer boas obras que possam equilibrar a conta (Gálatas 2.16).

Colocar sua fé em Cristo significa renunciar totalmente qualquer outra esperança de ser considerado justo diante Deus. Você está confiando em suas próprias boas obras? A fé significa admitir que elas são deploravelmente insuficientes e confiar somente em Cristo. Você está confiando no que entende ser um bom coração? A fé significa reconhecer que seu coração não é bom, de modo nenhum, e confiar somente em Cristo. Isso é fé.

Arrependimento, o outro lado da moeda

A mensagem de Jesus aos seus ouvintes foi esta: “Arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1.15). Se á fé é voltar-se para Jesus e confiar nele para a salvação, o arrependimento é o outro lado da moeda. É afastar-se do pecado, odiá-lo e resolver, pelo poder de Deus, abandonar o pecado, ao mesmo tempo em que nos voltamos para Deus com fé. Por isso, Pedro disse a multidão que o ouvia: Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados” (Atos 3.19). E Paulo anunciou a todos “que se arrependessem e se convertessem a Deus” (Atos 26.20).

O arrependimento não é um acessório opcional à vida cristã. É absolutamente crucial à vida cristã, distinguindo os que foram salvos por Deus dos que não foram salvos.

Tenho conhecido muitas pessoas que diriam algo assim: “Sim, aceitei a Jesus como Salvador, portanto, sou um cristão. Mas ainda não estou pronto para aceitá-lo como Senhor. Tenho algumas coisas para corrigir”. Em outras palavras, elas afirmam que podem ter fé em Jesus e serem salvas, mas, apesar disso, não se arrependerem do pecado.

Se entendermos corretamente o arrependimento, admitiremos que a ideia de que você pode aceitar Jesus como Salvador, mas não como Senhor, é ilógica. Por outro lado, tal ideia não se harmoniza com o que a Bíblia diz sobre o arrependimento e sua conexão com a salvação. Por exemplo, Jesus advertiu: “Se… não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis” (Lucas 13.3). Quando os apóstolos ouviram o relato de Pedro sobre a conversão de Cornélio, eles glorificaram a Deus por conceder aos gentios “o arrependimento para vida” (Atos 11.18). E Paulo, falou sobre o “arrependimento para a salvação” (2 Coríntios 7.10).

Além disso, ter fé em Jesus é, em essência, crer que ele é realmente o que diz ser – o Rei crucificado e ressuscitado que venceu a morte e o pecado, e tem o poder de salvar. Ora, como uma pessoa poderia crer e descansar realmente em Jesus e, ao mesmo tempo, dizer: “Mas não reconheço que o Senhor é Rei sobre mim”? Isso não faz sentido. A fé em Cristo traz consigo uma renúncia do poder rival que Jesus venceu – o pecado. E, onde essa renúncia do pecado não está presente, também não há fé genuína nAquele que venceu o pecado.

É como Jesus disse: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar  ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro” (Mateus 6.24). Depositar a fé no Rei Jesus implica renunciar seus inimigos.

Fonte: GILBERT, Greg. O que é o Evangelho? São José dos Campos/SP: Fiel, 2011, p. 106-110.
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Apresentando a fé e o arrependimento (I)

Greg Gilbert

Apresentando a fé e o arrependimento

Marcos nos diz que Jesus começou seu ministério pregando: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1.15). Estas ordens – arrependei-vos e crede – são o que Deus exige de nós em resposta às boas-novas de Jesus.

Em todo o Novo Testamento, vemos que os apóstolos exortavam as pessoas a fazerem isso. Jesus chamou seus ouvintes a arrependerem-se e crerem no evangelho. Pedro, no final de seu sermão, no dia de Pentecostes, disse às pessoas: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus cristo” (Atos 2.38). Conforme lemos em Atos 20.21, Paulo explicou seu ministério dizendo que havia testificado “tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus”. E, como lemos em Atos 26.18, ele narrou como Jesus o enviara

“para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim.”

Fé e arrependimento. Isso é o que caracteriza aqueles que são o povo de Cristo, ou seja, os “cristãos”. Em outras palavras, um cristão é uma pessoa que se converte de seu pecado e confia no Senhor Jesus Cristo – e nada mais – para salvá-lo do pecado e do julgamento vindouro.

Fé é dependência

Fé é uma das palavras que, por muito tempo, tem sido tão mal usada, que a maioria das pessoas não tem ideia do que ela realmente significa. Peça a alguma pessoa na rua que descreva a fé, e, embora talvez você ouça algumas palavras respeitosas e agradáveis, o âmago da questão será, provavelmente, que fé é crer no ridículo em contrário a toda evidência.

Um dia, assisti na televisão, com meus dois filhos mais velhos, ao Desfile do Dia de Ação de Graças da rede de lojas Macy’s. O tema do evento era “Creia!”, e o ponto focal, suspenso acima do palanque, era o que os âncoras estavam chamando de Creiômetro. Toda vez que um novo carro alegórico passava, a banda tocava ou os dançarinos executavam danças em trajes de elfos, o ponteiro de creiômetro subia um pouco mais. Evidentemente, o momento sublime do desfile aconteceu quando Papai Noel surgiu – dirigindo ele mesmo seu trenó construído, inexplicavelmente, na forma de um ganso majestoso – e o creiômetro ficou maluco! Com aquela música, aquelas danças, os confetes, as crianças gritando – e adultos gritando –, um visitante estranho teria concluído, com certeza, que as pessoas da Virgínia creem realmente nisso.

Meu filho de seis anos achou tudo aquilo espalhafatosamente tolo. Entretanto, isso é o que o mundo pensa sobre fé. A fé é uma charada, um jogo divertido e confortante no qual as pessoas têm liberdade de se envolver, se quiserem, mas sem qualquer conexão genuína com o mundo atual. As crianças creem em Papai Noel e no Coelho da Páscoa. Os místicos creem no poder de pedras e cristais. Pessoas loucas creem em fadas. E os cristãos, bem, eles creem em Jesus.

Leia a Bíblia e você descobrirá que a fé não é nada disso. A fé não é crer em algo que você não pode provar, como muitas pessoas a definem. Conforme o ensino bíblico, a fé é dependência. É uma confiança firme e inabalável, alicerçada na verdade e fundamentada na promessa do Jesus ressuscitado de nos salvar do pecado.

Paulo nos fala sobre a natureza da fé em Romanos 4, em seu discurso sobre Abraão. É assim que Paulo descreve a fé de Abraão:

“Abraão, esperando contra a esperança, creu, pra vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe fora dito: Assim será a tua descendência. E, sem enfraquecer na fé, embora levasse em conta o seu próprio corpo amortecido, sendo já de cem anos, e a idade avançada de Sara, não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus, estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que prometera.” (Romanos 4.18-21)

Apesar de tudo que era contrário à promessa de Deus – a idade de Abraão, a esterilidade e a idade de sua esposa – Abraão creu no que Deus havia dito. Ele confiou em Deus sem vacilar e creu nele para realizar o que prometera. A fé de Abraão não era perfeita, é claro; o nascimento de Ismael prova que, a princípio, Abraão tentou depender de seus métodos para cumprir as promessas de Deus. Mas, havendo-se arrependido desse pecado, Abraão pôs sua fé em Deus. Ele confiou em Deus, como Paulo diz, “estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que prometera”.

O evangelho de Jesus Cristo nos chama a fazer o mesmo que Abraão fez – pôr nossa fé em Jesus, depender dele e confiar nele para que faça o que prometeu fazer.

Fonte: GILBERT, Greg. O que é o Evangelho? São José dos Campos/SP: Fiel, 2011, p. 99-103.
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[Orações Puritanas] Ainda assim, eu peco

Orações Puritanas - Ainda assim, eu peco

Pai eterno,
Tu és bom além de toda compreensão,
mas eu sou vil, desprezível, miserável, cego.
Meus lábios são ágeis para confessar,
mas meu coração é lento para sentir
e meus caminhos são relutantes a se emendarem.

Eu trago minha alma a Ti;
quebranta-a, fere-a, dobra-a, molda-a.
Revela-me a deformidade do pecado,
para que eu possa odiá-lo, abominá-lo, fugir dele.

Minhas faculdades têm sido uma arma de revolta contra Ti;
como um rebelde, eu tenho usado indevidamente a minha força
para servir o imundo adversário do Teu reino.
Dá-me graça para lamentar minha loucura e insensatez!
Faze-me entender que o caminho dos transgressores é duro,
que veredas malignas são veredas desprezíveis,
que me afastar de Ti é perder todo o bem.

Eu tenho visto a pureza e a beleza da Tua perfeita lei,
a alegria daqueles em cujo coração ela reina,
a serena dignidade do caminho ao qual ela nos chama;
ainda assim, diariamente, eu violo e menosprezo os seus preceitos.
O teu amoroso Espírito contende dentro de mim,
apresenta-me as advertências da Escritura,
fala-me em providências surpreendentes,
atrai-me através de sussurros secretos;
ainda assim, eu escolho astúcias e desejos para a minha própria dor,
impiedosamente me ofendo, me aflijo,
e O incito a abandonar-me.

Por todos esses pecados eu lamento e choro, e por causa deles clamo por perdão.
Produz em mim um arrependimento mais profundo e duradouro!
Da-me a plenitude de uma tristeza piedosa que treme e teme,
mas que sempre confia e ama,
que é sempre poderosa e sempre confiante.
Faze com que, através das lágrimas do arrependimento, eu possa ver mais claramente
o brilho e as glórias da salvadora cruz.

Fonte: BENNET, Arthur (Ed.). The Valley of Vision: A Collection of Puritan Prayers & Devotions. Edinburg, USA: The Banner of Truth Trust, 2009, p. 70.
Tradução: 
Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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