Fundamentos destruídos

Áurea Emanoela

Fundamentos destruídos

“No SENHOR me refugio. Como dizeis, pois, à minha alma: Foge, como pássaro, para o teu monte? […] Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?” (Salmos 11.1,3).

Perseguido e ameaçado por seus inimigos, instado por seus amigos a fugir, a não resistir, a procurar um lugar que lhe abrigasse daqueles que demandavam contra a sua vida, o salmista reafirma sua confiança em Deus.

Em uma época de inversão vergonhosa de valores, qual é o fundamento da nossa fé? Sobre quais pilares temos edificado as nossas vidas? De que maneira temos vivido? Como somos vistos pelo mundo?

Durante alguns anos de sua vida, mesmo depois de ter sido ungido rei (pelo decreto soberano de Deus), Davi se viu obrigado a fugir da fúria assassina de Saul, e é nesse contexto, de perseguiçãoversus fuga, que o salmista, contrariando o conselho dos seus amigos, deposita sua confiança em Deus.

O cristão e o mundo

Como reagimos diante de uma sociedade que exalta os relacionamentos passageiros, o prazer em lugar do amor, a legalização de vícios e comportamentos lascivos, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a mentira em detrimento da verdade e tantas outras formas de corrupção humana?

Talvez, do mesmo modo como aconteceu a Davi, sejamos instados a fugir ou mesmo nos conformar com a degradação que nos cerca. Todavia, o apóstolo Paulo nos adverte:

“[…] não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12.2)

Em meio a uma sociedade adúltera, devemos transparecer os valores de Cristo, colocando-nos contra todas as distorções daqueles que pervertem a justiça e corrompem a glória de Deus.

“Não devemos ser como caniços agitados pelo vento, dobrando-nos diante das rajadas da opinião pública, mas tão inabaláveis quanto pedras em uma correnteza.” (John Stott)

O exemplo de Davi

Os companheiros de Davi deram-lhe bons motivos para buscar refúgio em outro lugar, de maneira que pudesse estar seguro das investidas de Saul:

“Porque eis aí os ímpios, armam o arco, dispõem a sua flecha na corda, para, às ocultas, dispararem contra os retos de coração” (Salmos 11.2)

Aqueles homens acreditavam que, se o salmista fugisse, deixando por algum tempo o lugar em que estava, certamente encontraria descanso para sua alma. Os companheiros de Davi descreveram a maneira sutil e covarde como agem os ímpios, arremetendo contra “os retos de coração”.

Embora a olhos humanos Davi tivesse bons motivos para “bater em retirada”, não é essa a sua decisão. Contrariando seus conselheiros, o salmista busca salvação em Deus:

“No SENHOR me refugio. Como dizeis, pois, à minha alma: Foge, como pássaro, para o teu monte?” (Salmos 11.1)

O salmista exalta a soberania de Deus, o seu cuidado para com os filhos dos homens, Davi afirma que coisa alguma passa despercebida aos olhos cuidadosos do Deus Todo-Poderoso. O Senhor perscruta todas as coisas e de maneira alguma está indiferente ao que acontece sobre a face da terra. Os amigos de Davi apenas olhavam para as coisas terrenas, mas o salmista fitava seus olhos nas celestiais, sabendo que Deus jamais cessou de reinar.

“O SENHOR está no seu santo templo; nos céus tem o SENHOR seu trono; os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam os filhos dos homens” (Salmos 11.4)

Davi reconhece que o Senhor põe à prova também ao justo, todavia não o condenará.

“O SENHOR põe à prova ao justo e ao ímpio; mas, ao que ama a violência, a sua alma o abomina” (Salmos 11.5).

O Senhor, do alto da sua soberania, permite a ação inescrupulosa dos homens, mas não retarda o seu juízo. As ações humanas limitam-se à vontade de Deus.

“Fará chover sobre os perversos brasas de fogo e enxofre, e vento abrasador será a parte do seu cálice. Porque o SENHOR é justo, ele ama a justiça; os retos lhe contemplarão a face” (Salmos 11.6-7)

O mundo caminha para a destruição dos alicerces, todavia, à semelhança de Davi, nossa confiança deve estar alicerçada no fato de que Deus reina eternamente e, ainda que todos os fundamentos se desfaçam:

“podemos sofrer com alegria, esperar com bom ânimo, aguardar pacientemente, orar fervorosamente, crer de maneira confiante e, finalmente triunfar” (Spurgeon)

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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Yago Martins – Deus é eterno, e eu…

Yago Martins

Deus e eu

“Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.” (Salmo 90.2)

“Quanto ao homem, os seus dias são como a relva; como a flor do campo, assim ele floresce; pois, soprando nela o vento, desaparece; e não conhecerá, daí em diante, o seu lugar.” (Salmo 103.15-16)

As Escrituras nos deixam claro que Deus é um ser eterno. Antes da criação do tempo, Ele estava lá. Constantemente, somos remetidos ao “Deus eterno”, que nos abençoa ao estender seus “braços eternos” em nosso favor (Deuteronômio 33.27). Não é à toa que Ele é “o Alfa e o Ômega”, “aquele que é, que era e que há de vir” (Apocalipse 1.8; 4.8). Em Jó 36.26, Eliú diz acerca de Deus que “o número dos seus anos não se pode calcular” e o próprio Jesus deixa claro sobre Si: “antes que Abraão existisse, EU SOU” (João 8.58). Em Gênesis 21.33, diz-se que Ele é “o Deus eterno”. Isaias declara que Ele é “desde a antiguidade” (Isaías 45.21). O Livro dos Salmos revela que Ele é “de eternidade a eternidade” (41.13) e “desde a eternidade” (93.2), de modo que devemos bendizer ao Senhor “de eternidade em eternidade” (Neemias 9.5). No Salmo 90, ouvimos o louvor apaixonado declarar que Deus está muito acima das nossas concepções de tempo: “Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite” (v. 4). Pedro ecoa essa mesma ideia ao escrever que “para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia” (2 Pedro 3.8).

Mas… E eu?

Deus é eterno, mas nós não somos. A qualquer momento, esta nossa breve e frágil vida pode acabar. Como alguém certa vez disse, “um puxão no gatilho e já era. Um tropeção na bordinha. Atropelado na estrada, engasgado com osso de galinha, esfaqueado, acidentado, doente, traído… Tantas formas de morrer que me admiro ainda estar vivo”.

A Escritura testifica, em vários locais e de várias maneiras, acerca da brevidade da existência humana. Isaias usa palavras poéticas: “Seca-se a erva, e caem as flores, soprando nelas o hálito do SENHOR. Na verdade, o povo é erva; seca-se a erva, e cai a sua flor…” (Isaías 40.7,8). Davi, por sua vez, entoou um louvor, dizendo: “como a sombra são os nossos dias sobre a terra, e não há outra esperança” (1Crônicas 29.15). O salmista, por várias vezes, entoou a Deus: “Pois todos os nossos dias vão passando…; acabam-se os nossos anos como um conto ligeiro”, “Porque o homem, são seus dias como a erva; como a flor do campo, assim floresce; pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não conhece mais” e “O homem é semelhante à vaidade; os seus dias são como a sombra que passa.” (Salmo 90.9; 103.15-16; 144.4). Tiago ensinou sobre esse tema ao povo que vivia em meio a vários sofrimentos: “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco e depois se desvanece” (Tiago 4.14).

Creio que ninguém lamentou mais a brevidade da vida do que Jó: “Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão e perecem sem esperança”, “a minha vida é como o vento”, “nossos dias sobre a terra são como a sombra”, “os meus dias são mais velozes do que um corredor; fugiram e nunca viram o bem. Passam como navios velozes, como águia que se lança à comida”, “sai como a flor e se seca; foge também como a sombra e não permanece” (Jó 7.6-7; 8.9; 9.25-26; 14.2).

Certo, mas… E daí?

Primeiro, isso nos leva a adorar o Senhor como Aquele que está acima do tempo. Muitas vezes, o modo como louvamos a Deus é extremamente vago e sem conteúdo. Clichês como “aleluia”, “eu Te amo” ou “glória a Deus” são repetidos como mantras, a fim de suprir nossa falta de “assunto” em nossas orações. Que tal tirar um tempo para engrandecer o nome de Deus pela Sua eternidade? Glorifique ao Senhor como Aquele que está sobre todo o tempo, regendo a história de acordo com Sua vontade.

Segundo, isso nos faz considerar a brevidade das coisas. Sempre que vamos comprar algo novo, costumamos escolher aquilo que terá a melhor vida útil. Eu não compraria um iPod novo se soubesse que ele vai quebrar em 3 dias. Porém, como esquecemos que essa vida passa, e passa rápido, acabamos nos apegando a coisas que em breve desaparecerão. Que tal observar o que realmente é útil para você e o que é só vaidade inútil? Parafraseando John Stott, a vida é nada mais que um estado intermediário entre dois momentos de nudez; portanto, seria bom que transitássemos com o mínimo possível.

Terceiro, isso nos faz considerar a brevidade da vida. Por que não deixar para amanhã o que eu não quero fazer hoje? Simplesmente por que o amanhã pode nunca chegar. Não deixe para fazer o bem só amanhã, não espere se formar para fazer alguma diferença na vida de alguém, não ache que só será feliz quando ________ (complete com seu sonho de vida). Dedique-se a Deus hoje, agora, neste instante. Imagine que sua centelha de vida está quase no fim: como você quer viver esses últimos dias? Espero que seja queimando no altar de Deus, cumprindo vigorosamente Sua vontade.

E por fim, isso nos faz considerar nossa eternidade. A verdade é que, ainda que nossa vida seja breve, nós somos seres eternos. Minha pergunta final é: onde será a sua eternidade? No céu ou no inferno? Você já confiou em Cristo como Aquele que amou você desde antes da eternidade e que morreu na cruz para salvar você dos seus pecados, de modo que agora você vive uma vida de acordo com Seus ensinos e práticas? Se não, considere isto seriamente, toda sua eternidade depende disto: ou eternamente junto de Deus, saboreando Seu amor, ou eternamente longe de Deus, recebendo Sua ira.

Eterno Senhor,
eu Te exalto como Pai do Tempo
e Rei sobre todas as Eras.
Que Tu me ilumines neste dia,
mostrando-me que as coisas são passageiras,
de modo que elas apenas devem servir à Tua glória
e aos referenciais eternos.
Faze-me ver que a vida é breve
e que a qualquer momento posso desfalecer
e descer à sepultura.
Faz-me viver o hoje para Ti, ó Deus.
Que eu considere o destino eterno de minha alma.
Que eu escolha a eternidade junto de Ti.
Eternamente, Te louvo!

“Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, da eternidade para a eternidade! Amém, amém!” (Salmo 41.13)

Por: Yago Martins | PreciosoCristo | Original aqui.
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Os melhores links cristãos do mês (Maio/2012)

Todo mês, nós do PreciosoCristo selecionamos e indicamos alguns dos melhores textos e vídeos (ou qualquer outro conteúdo) publicados em sites cristãos. Acessem estes links, visitem estes sites e sejam edificados!

Atenção: O fato de incluirmos o texto de um site neste espaço não significa que endossamos todo o conteúdo do site no qual ele foi publicado.

Links cristãos do mês

Tedd Tripp, Como não transformar seus filhos em pequenos fariseus
No iPródigo, em 07 de maio de 2012.

“O problema da hipocrisia é maior em lares  que enfatizam o comportamento ao invés do coração. Se o foco da disciplina e da correção é a mudança de comportamento, você perderá o coração. Essa abordagem faz com que o problema esteja no que eu faço, não no que eu sou. De acordo com a Bíblia, o problema que temos é mais profundo que isso. O problema não está no que eu e você ou seus filhos fazem de errado. O problema não é que nós / eles mentem ou invejam, ou desobedecem. O problema é que você, seus filhos e eu somos mentirosos, invejosos; somos desobedientes.”

Kelly Flanagan, Casamento é para perdedores
No iPródigo, em 09 de maio de 2012.

“[…] No casamento, perder é deixar de tentar consertar tudo no seu parceiro, ouvir sobre suas dores com um coração que sofre junto, não que busca uma solução. É ser mais presente nos momentos difíceis do que nos bons momentos. É descobrir formas de ser humilde e aberto, mesmo quando todo seu ser te diz que você está certo e ela está errada. É fazer o que é certo e bom pelo seu cônjuge, mesmo quando as grandes coisas da vida precisam ser sacrificadas, como o trabalho, um relacionamento ou um ego. É perdoar, pronta, rápida e voluntariamente. É eliminar da sua vida tudo que te impede de cuidar, ajudar e servir, mesmo as coisas que você ama. É buscar a paz ao aceitar os costumes saudáveis, mas irritantes, do seu parceiro porque, se você se lembrar, foram essas coisas que te fizeram se apaixonar no começo. É saber que o seu cônjuge nunca vai te entender completamente, nunca vai te amar incondicionalmente – porque eles também são criaturas caídas como você – e, mesmo assim, amá-los até o fim.”

David Murray, 4 razões para se lembrar do seu Criador na juventude
No AME Cristo, em 10 de maio de 2012.

Nosso inimigo diz, ‘Prazer quando jovem, negócios quando adulto, religião quando velho.’ A Bíblia diz, ‘Quando jovem, adulto, e velho para o Criador.’ Mas como é especialmente na juventude que somos inclinados (determinados?) a esquecer do Criador, é especialmente nesses anos que devemos trabalhar para nos lembrarmos Dele (Eclesiastes 12:1). Lembre-se de que Ele te fez, que Ele te supre, que Ele cuida de ti, que Ele te vê, que Ele te controla; e lembre-se que Ele é o único que pode salvá-lo. Isso é muito para se lembrar, mas é muito mais fácil de memorizar quando se está jovem!”

Wyatt Graham, Vencendo a estagnação espiritual
No iPródigo, em 10 de maio de 2012.

“Uma sala escura que tenha um cheiro ruim, próximo a podridão. Sozinho aqui, sua mente vagueia em nenhum e em todos os lugares ao mesmo tempo. Um sentimento de medo, solidão ou um calafrio. Um sentimento de sucção em seu intestino como se você estivesse com fome, mas você não tem certeza. Poderia ser apenas ansiedade. Tudo isso aconteceu por uma experiência aguda de separação de Deus. Uma espécie de ansiedade espiritual. Os puritanos descrevem esse sentimento com a expressão ‘a noite escura da alma.’ Eles sabiam muito bem sobre o mal da depressão espiritual. Estagnação espiritual é um problema que vai bombardear todos em um ponto ou outro. Depressão, medo e ansiedade brotam, porque nos sentimos ‘separados’ de Deus, da graça. Sentimo-nos sozinhos, pecaminosos, sujos e mal-amados ou talvez sem amor.”

Hernandes Dias Lopes; Mãe, uma mestra do bem (Dia das Mães)
No Voltemos ao Evangelho, em 13 de maio de 2012.

“Hoje é o dia das mães e, queremos homenagear essas mestras do bem. Queremos falar do seu papel e do seu valor como educadoras, como rainha do lar, como a guarda das fontes. É claro que existem mães omissas, mães insensatas, mães sem amor natural, que induzem seus filhos ao erro. Nosso foco, entretanto, é ressaltar o papel da mãe cristã, que é exemplo para os filhos, que ora por eles e os educa com firmeza e doçura, transmitindo-lhes as sagradas letras. Há muitas mães dignas de destaque na Bíblia e na história. Há muitas mães merecedoras dos nossos maiores encômios também em nosso meio, porém, destacarei três mães da Bíblia. Vamos aprender com elas.”

Augustus Nicodemus Lopes, O batismo com o Espírito Santo
No O Tempora, O Mores!, em 14 de maio de 2012.

“Este é um dos assuntos que dividiram as igrejas na década de 60 com o movimento de renovação espiritual, e que continua despertando debates, discussões e polêmicas. Aqui apresento uma perspectiva reformada do batismo com o Espírito, analisando as principais passagens da Bíblia relacionadas, desde o Antigo Testamento até o Novo.”

PRIMEIRA PARTE: A PROMESSA DO ESPÍRITO NO ANTIGO TESTAMENTO

SEGUNDA PARTE: A PROMESSA DO ESPÍRITO NO NOVO TESTAMENTO

C.H. Spurgeon, A Espada do Espírito
No Projeto Spurgeon, em 17 de maio de 2012.

“Ser um cristão é ser um guerreiro. O bom soldado de Cristo não deve esperar tranquilidade neste mundo – ele é um campo de batalha! Nem deve ele se apoiar na amizade com o mundo, pois isso seria inimizade contra Deus. Sua ocupação é a guerra. Enquanto ele põe, peça por peça, a armadura que lhe foi dada, ele deve sabiamente dizer a si mesmo: Isso me avisa do perigo; isso me prepara para a batalha; isso profetiza oposição.”


Sermão pregado na manhã de Domingo, 19 de abril de 1891 por Charles Haddon Spurgeon, no Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.

John Piper, Carta sobre o destino de quem não ouviu o evangelho
No iPródigo, em 18 de maio de 2012.

Carta a uma garota de 12 anos sobre o destino eterno daqueles que não ouviram o evangelho.
Querida Sarah,
você perguntou o que acontece com as pessoas que vivem distantes do evangelho, nunca ouviram sobre Jesus e morrem sem crer nele. Aqui está o que eu acho que a Bíblia ensina. Deus sempre pune as pessoas por conta do que elas sabem e deixam de acreditar. Em outras palavras, ninguém será condenado por não crer em Jesus se nunca ouviram sobre Jesus.Isso significa que as pessoas serão salvas e vão para o céu se nunca ouviram sobre Jesus? Não, não é isso que Deus nos diz na Bíblia.”

Augustus Nicodemus Lopes. Deus, prosperidade e trabalho
No O Tempora, O Mores!, em 18 de maio de 2012.

“A prosperidade financeira obedece a normas, regras e métodos estabelecidos. Por outro lado, da perspectiva bíblica, a prosperidade é um dom de Deus. É ele quem concede saúde, oportunidades, inteligência, e tudo o mais que é necessário para o sucesso financeiro. E isso, sem distinção de pessoas quanto ao que crêem e quanto ao que contribuem financeiramente para as comunidades às quais pertencem. Deus faz com que a chuva caia e o sol nasça para todos, justos e injustos, crentes e descrentes, conforme Jesus ensinou (Mateus 5:45). Não é possível, de acordo com a tradição reformada, estabelecer uma relação constante de causa e efeito entre contribuições, pagamento de dízimos e ofertas e mesmo a religiosidade, com a prosperidade financeira. Várias passagens da Bíblia ensinam os crentes a não terem inveja dos ímpios que prosperam, pois cedo ou tarde haverão de ser punidos por suas impiedades, aqui ou no mundo vindouro.”

[Livro do mês – maio/2012] Hernandes Dias Lopes – “Ouça o que o Espírito diz às igrejas”

Hernandes Dias Lopes

Livro do mês - Ouça o que o Espírito diz às igrejas

A igreja evangélica brasileira está bem, está mais ou menos e está mal. Em uma mesma congregação temos gente que anda com Deus, gente apática e gente que já abandonou as fileiras do evangelho. Em uma mesma igreja temos gente que vive e morre pela verdade e também aqueles que a negociam e a trocam por vantagens imediatas.

Estamos vivendo uma crise de integridade na igreja. Há um abismo entre o que pregamos e o que vivemos; entre o que falamos e o que praticamos. A igreja tem discurso, mas não tem vida; tem carisma, mas não tem caráter; tem influência política, mas não poder espiritual. Há uma esquizofrenia instalada em nosso meio. Tornamo-nos uma igreja ambígua e contraditória, em que o discurso mascara a vida, e a vida reprova o discurso.

Estamos vendo o florescimento de uma igreja narcisista, com síndrome de Laodiceia, pois se julga rica e abastada, mas está pobre, cega e nua. Uma igreja que aplaude e dá nota máxima a si mesma quando se olha no espelho, mas que não passa no crivo da integridade nem pode ser aprovada ao ser submetida ao teste da sã doutrina.

Estamos vendo o crescimento de uma igreja ufanista e triunfalista, que se encanta com seu próprio crescimento numérico ao mesmo tempo em que se apequena na vida espiritual. Uma igreja que explode numericamente, mas se atrofia espiritualmente. Uma igreja que tem cinco mil quilômetros de extensão, mas apenas cinco centímetros de profundidade. Uma igreja que se vangloria de produzir dezenas de bíblias de estudo, mas produz uma geração analfabeta em Bíblia.

Estamos vendo crescer em nossa nação uma igreja sem doutrina e sem ética. Uma igreja que rifa a verdade por dinheiro, que joga a ética para debaixo do tapete e, mesmo assim, vocifera palavras de ordem chamando as pessoas ao arrependimento. No passado a igreja tinha autoridade para chamar o mundo ao arrependimento. Hoje é o mundo que ordena que a igreja se arrependa. Derrubamos os muros que nos separam do mundo. Queremos ser iguais ao mundo, no tolo discurso de atraí-lo. Perdemos nossa identidade e nossa integridade. Nossa luz apagou-se debaixo do alqueire. Tornamo-nos sal sem sabor, que não presta para mais nada, senão para ser pisado pelos homens.

Estamos vendo crescer uma igreja mercado que escancara suas portas e usa a religião como fonte de lucro. Uma igreja que constrói novos templos como se abre franquias, não com o propósito de pregar a verdade, mas de granjear riquezas. Temos visto os templos se transformando em praças de negócio, os púlpitos em balcões de comércio, o evangelho em produto lucrativo e os crentes em consumidores vorazes. Temos visto igrejas se transformando em lucrativas empresas e pregadores inescrupulosos criando mecanismos heterodoxos para granjear fortunas em nome de Deus.

Estamos vendo crescer em nossa pátria uma igreja sincrética, mística que prega um outro evangelho, um evangelho diferente que, de fato, não é evangelho. Uma igreja que prega o que povo quer ouvir e não o que o povo precisa ouvir. Uma igreja que prega prosperidade, mas não salvação; que prega milagres, mas não a cruz. Uma igreja centrada no homem, e não em Deus.

Estamos vendo crescer uma igreja amante dos holofotes, embriagada pelo sucesso, sedenta de aplausos, em que seus pregadores e cantores são tratados como astros de cinema. Estamos trocando nosso direito de primogenitura por um prato de lentilhas das glórias humanas, rendendo-nos à tietagem e ao culto à personalidade, colocando homens em um pedestal, afrontando, assim, nosso único e bendito Senhor, que não divide sua glória com ninguém.

Estamos vivendo uma homérica crise de liderança. Uma das classes mais desacreditadas da nação são os pastores. Há pastores não convertidos no ministério. Há uma legião de ministros não vocacionados no ministério. Há muitos que entram para o ministério por causa do seu bônus, mas não aceitam seu ônus; querem os louvores do ministério, mas não suas cicatrizes. Há aqueles que fazem do ministério um refúgio para esconder sua preguiça e seu comodismo. Há pastores que deveriam cuidar de si mesmos antes de cuidar do rebanho de Deus. Há pastores confusos doutrinariamente no ministério, indivíduos que não sabem para onde caminham, por isso, são influenciados por todo vento de doutrina, deixando seu rebanho à mercê dos lobos travestidos de ovelhas. Há pastores que estão em pecado no ministério e já perderam a sensibilidade espiritual, pois condenam nos outros os mesmos pecados que praticam em secreto.

Estamos vivendo uma crise de valores na igreja. Abandonamos a simplicidade do evangelho. Substituímos a sã doutrina pelas novidades do mercado da fé. Trocamos a verdade pelo sucesso. Substituímos a pregação pelo espetáculo. Colocamos no lugar da oração, em que nos quebrantávamos e chorávamos pelos nossos pecados, os grandes ajuntamentos, em que saltitamos ao som estrondoso e ensurdecedor dos nossos instrumentos eletrônicos.

Precisamos desesperadamente voltar ao primeiro amor. Precisamos urgentemente de uma nova reforma na igreja. Precisamos de um reavivamento que nos traga de volta o frescor da vida abundante em Cristo Jesus. Precisamos desesperadamente do revestimento e do poder do Espírito Santo. Precisamos de uma igreja fiel que prefira a morte à apostasia. Uma igreja santa que prefira o martírio ao pecado. Uma igreja que ame a Palavra mais do que o lucro. Uma igreja que chore pelos seus pecados e pelas almas que perecem, e não pelas dificuldades da vida presente. Precisamos de uma igreja que tenha visão missionária e compaixão pelos que sofrem. Uma igreja que tenha ortodoxia e piedade, doutrina e vida, discurso e prática. Uma igreja que pregue aos ouvidos e aos olhos.

Este livro faz uma radiografia da igreja. Ele olha para o passado como propósito de lançar luz no presente e apontar rumos para o futuro. O Senhor Jesus terminou cada carta enviada às igrejas da Ásia da mesma maneira: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Meu ardente desejo, meu clamor diante dos céus, é que seu coração seja inflamado com essas mensagens, que você seja um graveto seco a pegar fogo e que comece a partir de você e de mim, um grande reavivamento espiritual em nossa nação!

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Informações do livro

Título: Ouça o que o espírito diz às igrejas
Subtítulo: Uma mensagem de Cristo à sua igreja
Autor:
Hernandes Dias Lopes
Editora: Hagnos
Edição:
Ano: 2010
Número de páginas: 136

Fonte: LOPES, Hernandes Dias. Ouça o que o Espírito dias às igrejas: uma mensagem de Cristo à sua igreja. São Paulo: Hagnos, 2010.
Por:
Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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Cobertura do 1º Encontro da Fé Reformada em Recife: Introdução

Vinícius S. Pimentel

Cobertura do 1o Encontro da Fé Reformada em Recife

Na última semana, entre os dias 17 e 19 de maio de 2012, realizou-se o 1º Encontro da Fé Reformada para Pastores e Líderes em Recife. O evento contou com a participação dos pastores Roberto Brasileiro, Elias Medeiros, Paulo Brasil, Jaime Marcelino, Solano Portela, Davi Charles Gomes e Francisco Leonardo e teve por tema “A importância da pregação hoje”.

Deus me concedeu a graça de participar do Encontro, que excedeu em muito as minhas expectativas. As preleções e pregações foram profundamente bíblicas, centradas em Cristo, cheias de ensinamento prático e de aplicações pastorais para aqueles que exercem o ministério da Palavra ou a ele aspiram. Os hinos e cânticos, entoados com vigor pela congregação (composta quase totalmente de homens), foram escolhidos com muito cuidado e nos permitiram ter momentos sublimes de adoração ao nosso Deus. Isso sem falar no convívio com os irmãos, nas conversas travadas nos intervalos, nas refeições compartilhadas e nas orações uns pelos outros! Foi um grande privilégio poder estar presente no evento. O Senhor seja louvado!

Solano Portela, presbítero e membro da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro/SP (ao centro).

Davi Charles Gomes, pastor da Igreja Presbiteriana Paulista e Diretor do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper/SP (ao centro).

Nos próximos posts, tentarei fazer um apanhado geral do conteúdo compartilhado por cada preletor, a fim de que os leitores do blog também sejam, de alguma maneira, abençoados por aquilo que Deus nos concedeu naqueles dias.

A Deus toda a glória!

(Esse foi um dos belíssimos hinos que cantamos ao longo do evento. Trata-se do Hino nº 14 do Novo Cântico, hinário das Igrejas Presbiterianas do Brasil.)

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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Meditações em Filipenses (IV): Tudo coopera para a glória de Deus

Vinícius S. Pimentel

Meditações em Filipenses

Quero ainda, irmãos, cientificar-vos de que as coisas que me aconteceram têm, antes, contribuído para o progresso do evangelho; de maneira que as minhas cadeias, em Cristo, se tornaram conhecidas de toda a guarda pretoriana e de todos os demais; e a maioria dos irmãos, estimulados no Senhor por minhas algemas, ousam falar com mais desassombro a palavra de Deus. Alguns, efetivamente, proclamam a Cristo por inveja e porfia; outros, porém, o fazem de boa vontade; estes, por amor, sabendo que estou incumbido da defesa do evangelho; aqueles, contudo, pregam a Cristo, por discórdia, insinceramente, julgando suscitar tribulação às minhas cadeias. Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei. (Filipenses 1.12-18)

Introdução

Tendo concluído a sua oração de gratidão e súplica pelos filipenses, o apóstolo Paulo passa a falar aos crentes a respeito das últimas notícias relacionadas à sua prisão.

Aparentemente, o encarceramento de Paulo havia provocado na igreja de Filipos uma certa tristeza e ansiedade. Pelo que podemos inferir das Sagradas Escrituras, os irmãos estavam preocupados que a prisão de Paulo atrapalhasse o avanço do evangelho no mundo e, ao mesmo tempo, temiam que o apóstolo acabasse sendo condenado à morte pelas autoridades do Império Romano.

A passagem que vai do versículo 12 ao versículo 26 nos revela de maneira muito forte a tranquilidade e, mais do que isso, a alegria do coração de Paulo em meio a todas essas circunstâncias adversas. O apóstolo escreve aos crentes em Filipos para dizer-lhes que não havia motivo de preocupação, pois, qualquer que fosse o desfecho do seu encarceramento, o nome de Deus seria glorificado.

Com efeito, podemos dividir esta seção em duas partes principais. Na primeira delas (v. 12-18), Paulo tranquiliza os filipenses no tocante à sua preocupação de que o encarceramento do apóstolo pudesse resultar no fracasso do evangelho e na derrota da igreja. Na segunda parte (v. 19-26), ele procura dissipar o temor dos irmãos de que a sua prisão terminasse por levá-lo à própria morte.

Nesta meditação, cuidaremos de estudar a primeira parte do discurso de Paulo. Observaremos a maneira como o apóstolo aborda as suas tribulações e a confiança que ele possui em relação ao progresso e ao triunfo do evangelho no mundo.

A prisão de Paulo e a glória de Deus

Meditemos, em primeiro lugar, na maneira como o apóstolo contempla o seu próprio sofrimento. Ouçamos as suas palavras e guardemos a riqueza de ensinamento prático contida nesta declaração: “Quero ainda, irmãos, cientificar-vos de que as coisas que me aconteceram têm, antes, contribuído para o progresso do evangelho” (v. 12).

Há duas lições extremamente importantes a serem consideradas aqui.

Primeiro, aprendemos que os sofrimentos os quais enfrentamos não são mais importantes que a glória de Deus.

Como já temos demonstrado, o apóstolo Paulo estava preso, e o risco de que o seu cárcere terminasse numa condenação à morte era bastante real. Numa situação como essa, que tipo de pensamento dominaria a nossa mente? Tristeza? Solidão? Medo de morrer?

Paulo era um homem sujeito às mesmas fraquezas que nós e, talvez, pensamentos assim tenham passado pela sua cabeça. Todavia, quando meditamos na declaração que acabamos de ler, vemos com muita clareza que o apóstolo não estava dominado por esses temores. Nada disso estava consumindo a sua mente; muito pelo contrário, ao invés de preocupar-se com o seu próprio bem-estar, Paulo estava pensando no avanço do evangelho e no bem-estar da igreja. A sua atenção, portanto, estava voltada para a glória de Deus.

É impossível deixar de reconhecer o caráter sobrenatural e celestial desse tipo de pensamento. Nós somos naturalmente inclinados a pensar em nós mesmos antes de todas as coisas; nossa natureza carnal e pecaminosa nos impulsiona a considerarmos a nossa vida mais preciosa do que tudo o mais. Porém, não foi isso que Cristo nos ensinou. Ele nos disse que desprezar esta vida terrena é o único caminho para possuir a verdadeira vida, aquela que é eterna e celestial: “Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á” (Mateus 16.25).

Aqui, neste texto, nós vemos o apóstolo Paulo atendendo ao chamado de Cristo de uma maneira bastante real e concreta. A sua vida está por um triz, mas ele não demonstra estar preocupado; pelo contrário, ele está feliz com o fato de que os seus sofrimentos estão resultando em mais frutos para o evangelho e mais glória para Deus!

Você é capaz de ver as suas lutas, tribulações e dificuldades dessa maneira? Você consegue alegrar-se no sofrimento, à medida que percebe que as nossas aflições enquanto cristãos apenas servem para que Deus realize os Seus bons propósitos e glorifique o Seu grande nome?

Segundo, aprendemos que as nossas limitações pessoais não impedem o cumprimento dos planos e promessas de Deus.

Paulo era “o apóstolo dos gentios”. Ele havia sido soberanamente chamado por Deus para levar o Evangelho às nações além de Israel. No momento de sua primeira prisão, o apóstolo já tinha fundado inúmeras igrejas por grande parte do Império Romano; entretanto, ainda havia muitas cidades onde o evangelho precisava ser anunciado, muitas nações onde Cristo ainda não era conhecido.

A prisão de Paulo, portanto, podia levantar a seguinte dúvida: O que acontecerá com o progresso do evangelho? Será que a fé cristã deixará de avançar? Será que o crescimento do evangelho estagnará e, por fim, a Igreja morrerá?

O apóstolo responde a essa inquietação com um sonoro “Não!”. Obviamente, Paulo estava ciente de que absolutamente nada pode impedir o avanço do reino de Deus: nem a oposição dos incrédulos, nem a fúria de todos os demônios, nem as limitações pessoais dos ministros da nova aliança. Absolutamente nada pode evitar que Deus cumpra a Sua promessa de fazer o Seu nome conhecido em toda a terra e ajuntar, de todas as nações, um povo para Si mesmo. O apóstolo certamente conhecia as palavras de Jesus: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16.18).

Paulo tinha certeza, portanto, de que a sua prisão não constituía um entrave ao progresso do evangelho. No fim de sua vida, ele escreveria estas palavras ainda mais ousadas: “[…] estou sofrendo até algemas, como malfeitor; contudo, a palavra de Deus não está algemada” (2Timóteo 2.9). Os homens podem prender os ministros do evangelho, algemá-los, calá-los e até matá-los. Mas eles não podem fazer isso com Deus nem com a Sua palavra. Portanto, como certa vez asseverou o missionário William Carey, podemos estar confiantes de que “a causa de Deus triunfará”.

Há algo ainda mais interessante aqui. O apóstolo não apenas tem confiança de que a sua prisão não resultará no fracasso do evangelho, mas ele também enxerga que aquela circunstância efetivamente contribui para o progresso da causa de Cristo no mundo.

De um lado, Paulo vê que a sua prisão lhe permitiu pregar para os soldados do imperador e de muitos outros que estavam entrando em contato, direta ou indiretamente, com a fé evangélica. Ele diz: “[…] as minhas cadeias, em Cristo, se tornaram conhecidas de toda a guarda pretoriana e de todos os demais” (v. 13). A prisão de Paulo, de fato, havia sido o meio usado por Deus para que o evangelho chegasse ao exército romano.

De outro lado, o apóstolo observa que o seu encarceramento havia despertado em muitos irmãos uma coragem ainda maior para pregar o evangelho. Nós lemos que “[…] a maioria dos irmãos, estimulados no Senhor por minhas algemas, ousam falar com mais desassombro a palavra de Deus” (v. 14). Isso é muito interessante. Tanto na narrativa bíblica como na história da Igreja, nós vemos que a perseguição aos cristãos nunca inibe a pregação da Palavra; pelo contrário, Deus usa os sofrimentos de alguns para estimular os demais a serem ainda mais firmes e ousados no desafio de anunciar o nome de Jesus.

Você consegue enxergar as suas próprias limitações dessa maneira? Você consegue perceber como Deus usa as dificuldades e aflições que enfrentamos para tornar o Seu nome ainda mais divulgado no mundo? Que o Senhor nos conceda tal visão celestial!

A pregação interesseira e a glória de Deus

Meditemos, em segundo lugar, na maneira como o apóstolo lida com a pregação interesseira do evangelho. Depois de afirmar que a sua prisão estava estimulando muitos irmãos a pregarem a Palavra de Deus, ele observa que nem todos esses pregadores tinham em seu coração a motivação correta. Alguns de fato estavam proclamando a Cristo “de boa vontade”; outros, porém, estavam levando a Palavra “por inveja e porfia [rivalidade]” (v. 15). Alguns tinham sincero amor por Deus e pelo apóstolo Paulo, e desejavam sinceramente contribuir para que a sua prisão não atrapalhasse o avanço do evangelho entre as nações (v. 16). Porém, outros nutriam terrível inveja do ministério de Paulo e estavam aproveitando a situação para, de alguma maneira, roubar o lugar que o apóstolo tinha na igreja, pela graça de Deus (v. 17).

A maneira como Paulo reage a esses pregadores invejosos e interesseiros é de fato surpreendente. Porém, para que possamos entendê-la melhor, precisamos fazer algumas considerações antes de meditarmos efetivamente na reação do apóstolo.

Devemos observar, por um lado, que o pecado desses ministros não estava no conteúdo da mensagem pregada, mas na intenção do seu coração. Se o problema estivesse na mensagem anunciada, a reação de Paulo seria, sem dúvida, bastante diferente: ele iria fazê-los calar (Tito 1.11), ordenaria aos irmãos que se afastassem daqueles falsos mestres (Romanos 16.17-18) e pronunciaria sobre eles uma terrível maldição (“Seja anátema!”, Gálatas 1.8-9). Paulo jamais tolerou ou toleraria o falso ensino na Igreja de Deus, uma vez que o falso evangelho leva os homens à condenação eterna. Porém, aqui, os ministros estão anunciando o evangelho de forma correta, e muitos ouvintes estão sendo salvos; é a motivação deles que está errada e, por isso, é apenas a eternidade deles (os ministros) que está em jogo.

Isso nos leva, por outro lado, a uma segunda observação: nós não podemos ultrapassar o que está escrito e achar que Paulo está ensinando não haver problema na motivação invejosa daqueles pregadores. Ao contrário: em outra parte desta epístola, Paulo dirá explicitamente que o destino dos pregadores interesseiros é a perdição (Fp 3.19).

Tendo estabelecido essas observações, meditemos de fato na reação do apóstolo diante desses pregadores invejosos. Será que Paulo ficou preocupado em perder espaço? Será que ele teve medo de que um líder mais carismático tomasse o seu lugar, ganhando o amor e o cuidado das igrejas que ele havia fundado e discipulado? Será que ele se aborreceu com tais pregadores, pelo fato de eles estarem tentando usurpar a sua autoridade apostólica?

A Escritura nos mostra que Paulo não teve nenhuma dessas reações pecaminosas. Ele não retribuiu a inveja dos ministros com mais inveja, pois ele mesmo costumava ensinar os cristãos a vencerem o mal com o bem (Romanos 12.21). Diversamente, o apóstolo mostra mais uma vez que a sua preocupação primordial não é consigo mesmo, mas com a causa de Cristo. Se ele não estava temeroso quanto ao seu bem-estar e à sua liberdade, como já vimos, tampouco ele estaria temeroso quanto à sua reputação no ministério ou o seu espaço na igreja!

A resposta de Paulo expressa claramente o seu interesse exclusivo no progresso do evangelho, em detrimento do seu prestígio pessoal. “Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei” (v. 18). De fato, ao invés de expressar ciúme ou amargura, o apóstolo demonstra intensa alegria. Ele estava sinceramente feliz com aquela situação – não exatamente com o fato de haver ministros invejosos na igreja, mas sim porque Deus estava usando a motivação pecaminosa daqueles homens para tornar o evangelho de Cristo ainda mais conhecido no mundo e crido entre as nações.

Em suma, ao meditarmos em toda esta passagem vemos que Paulo deposita a sua alegria e confiança inteiramente em Deus. Todo o seu interesse está na causa do reino, de maneira que tudo o que coopera para o avanço do evangelho é visto pelo apóstolo como uma razão para se alegrar – ainda que seja a perda da sua própria liberdade. Ao mesmo tempo, toda a confiança de Paulo está no Deus soberano; o apóstolo está certo de que absolutamente nenhuma circunstância pode impedir que o Senhor cumpra os Seus planos e promessas estabelecidos de antemão.

Que possamos ter também semelhante coração, que se alegra inteiramente na vinda do reino e confia inteiramente na providência do Deus todo-poderoso!

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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Yago Martins – Deus e eu: Como os atributos divinos transformam minha vida diária (Introdução)

Yago Martins

Deus e eu

Introdução

“Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.” Muitas vezes, é isso que ouvimos de nossos amigos quando eles tentam nos mostrar que dois fatores não estão relacionados um ao outro, ainda que aparentemente estejam. Seja intencional ou não, nós acabamos adotando de modo exagerado esse mesmo pensamento em nossa doutrina. Por isso, acabamos nos deparando com falsas dicotomias como “ou tolerância ao diferente ou firmeza doutrinária”, “ou amor pelos homossexuais ou combate à prática homoafetiva”, “ou profundidade teológica ou dedicação à evangelização”. Creio que não exista um único cristão neste país que não haja tido contato com essas falsas oposições – pontos que deviam estar juntos, como teologia e evangelismo, mas que são tratados como inimigos entre si. Corremos o risco de separar aquilo que Deus uniu.

Esse mesmo erro já atingiu o modo como nós pensamos sobre o Ser de Deus. O nosso pensamento é que a pessoa de Deus e os Seus atributos são um assunto metafísico, intangível, ininteligível e até metafórico. Dedicar-nos a estudar sobre soberania, autoexistência, trindade e onipresença soa como “coisa de teólogo”, mero capricho intelectual ou pura perda de tempo. Achamos que o que é palpável é melhor – e como não seria? Com tantas vidas perdidas, tantos crentes fracos, tantos pecados a vencer e tantos pobres a ajudar, como poderemos gastar nosso tempo tentando entender algo que não nos servirá para nada além de intermináveis debates acalorados?

O que eu desejo com esta série de posts é mostrar que pensar sobre Deus não é algo meramente metafísico – sim, é metafísico –, mas algo que influencia de modo crucial a nossa vida. A Escritura testifica claramente sobre isso.

Conhecer ao Senhor nos fará crentes fortes e poderosos. “O povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e fará proezas” (Daniel 11.32). Entender sobre o Senhor não é um tema de escritório ou de bibliotecas, é um assunto para discipulados, aconselhamentos e pregações. Crentes fracos e desanimados precisam conhecer o Rei dos Reis a fim de adquirirem aço em seus músculos espirituais. Está precisando de força? Conheça a Deus!

Conhecer ao Senhor nos fará crentes motivados. Qual a motivação que Cristo deu para Seus apóstolos e para todos nós na Grande Comissão? Seu poder: “É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos” (Mateus 28.18-19). É por que Cristo recebeu todo o poder em Sua ressurreição que temos um motivo para evangelizar. Está desmotivado? Conheça a Deus!

Conhecer ao Senhor nos fará crentes animados. Paulo tinha todos os motivos para desanimar em seu ministério. Todos, menos um: “tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos” (2Coríntios 4.1). Por que ele não desfalecia? Por que ele entendia que o serviço era uma manifestação das misericórdias de Deus. Está pensando em desistir? Conheça a Deus!

Conhecer ao Senhor nos fará crentes maravilhados. Foi o que aconteceu com Paulo. Após falar sobre pontos dos mais controversos sobre teologia, envolvendo assuntos como sofrimento, predestinação e o papel dos judeus na nova aliança, ele louva a Deus, maravilhado: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Romanos 11.33). Não há como não ficarmos atônitos diante de beleza tão sublime. Muitos viajam por vários países e gastam fortunas a fim de encontrar algo que os deixe maravilhados. Nós, porém, possuímos a maior maravilha do universo como Pai – como negligenciá-Lo? Quer ficar mudo diante de tanta beleza? Conheça a Deus!

Conhecer a Deus nos fará crentes adoradores. Os salmos deixam muito claro que adoraremos ao Senhor motivados pelo que conhecemos Dele: “Louvai ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre” (Salmo 136.1); “Louvarei o teu nome pela tua benignidade, e pela tua verdade; pois engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome. […] Todos os reis da terra te louvarão […] e cantarão os caminhos do SENHOR; pois grande é a glória do SENHOR.” (138.2,4,5) e “Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem” (139:14) – só para citar alguns poucos exemplos. Quer ser um adorador em espírito e em verdade? Conheça a Deus!

Esta será a nossa aventura. Não espere academicismo, longas citações de teólogos do passado ou referências às confissões de fé históricas. Vamos passear pela Palavra, como quem anda no parque – e colheremos as melhores rosas que encontrarmos: não para uma aula de botânica, mas para apreciar o aroma. Em alguns momentos, estaremos gratos pela Misericórdia; em outros, assombrados pela Ira; quem sabe, regozijando pelo Amor; depois, tremendo pela Santidade. No entanto, de qualquer modo, não estaremos dissecando Deus como a um sapo na mesa do laboratório. Estaremos estudando-O como um casal apaixonado o faz: buscando descobrir como agradar aquele a quem amamos. E, principalmente, tentando responder, como diria Paulo, “que diremos, pois, diante destas coisas?” – ou, no popular, “o que eu tenho a ver com isso?”

Seja bem vindo, e boa viagem.

Por: Yago Martins | PreciosoCristo | Original aqui.
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Meditações em Filipenses (III): Suplicando pelos santos

Vinícius S. Pimentel

Meditações em Filipenses

E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus. (Filipenses 1.9-11)

Introdução

Pudemos ver, na última meditação, que o apóstolo Paulo costumava iniciar suas cartas às igrejas com uma saudação, seguida de uma oração pelos crentes a quem ele se dirigia. Cada oração geralmente continha tanto ações de graças como súplicas. Já vimos as razões pelas quais Paulo dá graças a Deus pela vida dos irmãos filipenses. Agora, vejamos quais as petições que o apóstolo faz a Deus em favor daqueles cristãos.

Ao meditarmos nesta oração de súplica, devemos almejar duas coisas. Por um lado, devemos desejar que também nós experimentemos as bênçãos espirituais que ele roga Deus conceda aos filipenses. Por outro, devemos nos sentir constrangidos a orar pelos nossos irmãos do presente, para que também eles desfrutem daqueles vistosos frutos da graça de Deus em suas vidas.

Que o vosso amor aumente

Se observarmos a passagem com cuidado, logo perceberemos que o apóstolo faz um único pedido a Deus – embora seja um pedido com diversas implicações – e este pedido é: que o amor daqueles crentes aumente mais e mais, em pleno conhecimento e toda a percepção (v. 9). Há muito a aprendermos aqui.

Em primeiro lugar, somos lembrados de que toda a vida cristã consiste sobretudo em amar a Deus. Não é este o maior de todos os mandamentos? Não é exatamente isso o que Deus mais requer de nós? Com efeito, somos convocados a amar ao Senhor de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, com todo o nosso entendimento e com toda a nossa força (Mc 12.30).

Ora, isso nos leva a considerar o fato de que a vida cristã envolve um comprometimento de todo o nosso ser com Deus, com a Sua vontade, com os Seus comandos. Não há um recanto de nossas vidas que não deva estar em completa e amorosa submissão ao Senhor, de maneira que nós podemos ser verdadeiramente chamados o Seu povo e a Sua possessão peculiar entre todos os povos. Como cristãos, somos o povo amado do Senhor e o povo que O ama sobre todas as coisas.

Em segundo lugar, somos lembrados de que o nosso amor por Deus nunca deve estagnar. Já vimos como a igreja dos filipenses estava comprometida com Deus e com o evangelho, de modo que Paulo tinha inúmeras razões para render graças pela vida daqueles irmãos. De fato, os crentes de Filipos possuíam uma fé exemplar e uma conduta digna de ser imitada. Isso está fora de questão.

O apóstolo estava certo de que eles amavam verdadeiramente a Deus, mas ele não considerava que aquela medida de amor fosse bastante, de maneira que os filipenses pudessem considerar-se desobrigados de continuar a crescer em sua devoção ao Senhor. Por isso, Paulo roga para que o amor deles “aumente mais e mais” (v. 9). Aliás, adiante ele irá demonstrar uma insatisfação semelhante em relação à sua própria vida: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus” (Fp 3.12).

Como filhos de Deus, nós temos conhecido o amor que o Pai tem por nós. Nós sabemos que o Seu amor por nós foi tão grande ao ponto de ter Ele entregado o Seu único Filho para nos salvar, e isso quando nós ainda éramos pecadores, injustos, malignos e rebeldes (Jo 3.16; Rm 5.8-11). Ora, quando contemplamos a natureza imensurável do amor de Deus por nós, logo percebemos quão pertinente é a oração de Paulo. Perto do amor que o Senhor nos dispensou, o nosso amor por Ele é como uma gota de água na vastidão do oceano! Por isso, não importa o quanto já O amamos, precisamos amá-Lo “mais e mais”.

Em terceiro lugar, somos lembrados de que o nosso amor por Deus não está dissociado do nosso conhecimento de Deus. Ouçamos novamente a petição do apóstolo: “que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção” (v. 9). Ao contrário do que muitos pensam e loucamente afirmam, parece-nos muito claro nas Sagradas Escrituras que o nosso amor por Deus depende, em larga medida, do nosso conhecimento Dele.

Ter a mente cheia de verdades bíblicas sobre quem é Deus e quais são as Suas obras é um passo indispensável para qualquer um que deseja crescer no amor ao Senhor. Em sentido contrário, menosprezar ou desprezar o conhecimento bíblico sobre os atributos e os feitos de Deus é o mesmo que desprezar o próprio Deus!

Portanto, precisamos desesperadamente de um conhecimento cada vez mais profundo de Deus, para que possamos amá-Lo e amá-Lo numa intensidade cada vez maior. E esse tipo de conhecimento só pode ser adquirido de uma maneira: pela meditação perseverante e piedosa na Palavra de Deus.

Evidências de amor

Agora, apesar de a única petição de Paulo pelso filipenses ser para que eles possam amar a Deus mais e mais, é certo que o apóstolo espera que tal crescimento em amor tenha impactos profundos e visíveis sobre a vida daqueles irmãos. Ele nos mostra, assim, que existem evidências as quais sempre acompanham o verdadeiro crescimento de nosso amor por Deus.

Em primeiro lugar, vemos que, à medida que o nosso amor por Deus aumenta, aumenta também a nossa capacidade de aprovar as coisas que são excelentes (v. 10). O significado dessa expressão fica muito claro quando consideramos o resto da Carta aos Filipenses. “Aprovar as coisas excelentes” significa, na ótica de Paulo, ser capacitado a considerar Cristo como o tesouro supremo que Ele é, a percebê-lo e experimentá-lo como mais valioso do que todas as coisas que este mundo valoriza, e ama, e busca. O homem que aprova as coisas excelentes é aquele que, sem hipocrisia, pode dizer que considera todas as coisas como lixo e esterco, quando comparadas com a sublimidade do conhecimento de Cristo (Fp 3.7-11).

Mais do que isso, ser capaz de aprovar as coisas excelentes significa estar apto a perder todas as demais coisas por causa de Cristo sem que isso seja considerado em qualquer sentido um prejuízo ou um dano, sem que tal perda seja motivo de qualquer lamento. Afinal, o mesmo Paulo que fez esta oração foi aquele que alegremente aceitou perder todos os prazeres e regalias deste mundo “para conquistar a Cristo e ser achado Nele”. Uma vez que Paulo sabia valorizar o que é excelente, ele estava plenamente apto a dizer: “Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fp 1.21). Isso é aprovar o que é excelente.

Em segundo lugar, vemos que, à medida que o nosso amor por Deus aumenta, aumenta também o nosso desejo de estarmos sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo (v. 10). Amamos a Deus e, por isso, procuramos viver de tal maneira como aqueles que, cedo ou tarde, haverão de se encontrar com o Senhor e desejam estar sempre prontos para serem chamados por Ele. O apóstolo João nos fala sobre isso em termos muito semelhantes: “E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (Jo 3.3). Isso não significa que dependemos de nossas obras para recebermos ou mantermos a nossa salvação; ao contrário, significa que temos tal consciência de como fomos amados por Deus, que nos sentimos constrangidos a viver neste mundo de maneira pura e íntegra, a fim de que, quando estivermos na plenitude de Sua santa presença, tenhamos uma oferta agradável a Lhe entregar.

Em terceiro lugar, vemos que, à medida que o nosso amor por Deus aumenta, aumenta também em nós o fruto de justiça (v. 11). Isso está diretamente relacionado ao ponto anterior. Na verdade, a maneira como nós nos tornamos sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo é dando mais e mais fruto de justiça. O crescimento do nosso amor por Deus é evidenciado pelo nosso crescimento na santificação e nas boas obras, as quais evidenciam que de fato fomos justificados por Deus pela fé em Cristo e regenerados para uma nova vida mediante a habitação do Espírito Santo.

De fato, não há amor por Deus ou cristianismo verdadeiro sem frutos de justiça, e não há crescimento em amor sem que isso resulte em crentes “cheios do fruto de justiça”. O próprio Senhor Jesus nos advertiu: “pelos frutos os conhecereis” (Mt 7.16-20), e aqui Paulo está tão somente repetindo o ensino do Senhor, ao orar para que os filipenses fossem sempre como galhos envergados de frutos vistosos e fartos.

Porém, para não nos deixar dúvidas de que “ao SENHOR pertence a salvação” (Jn 2.9), o apóstolo acrescenta que esses frutos de justiça — que devem estar presentes em todos os cristãos e numa medida cada vez maior – não procedem de nós mesmos, mas são “mediante Jesus Cristo” (v. 11). Ora, temos que dar muito fruto para o Senhor Jesus? É certo que sim! Contudo, esse fruto procede de nós mesmos? Mil vezes, não! Somos apenas os galhos que ostentam e exibem esses frutos, mas são a raiz da videira e sua seiva as responsáveis por prover absolutamente tudo o que é necessário para que eles apareçam e amadureçam.

Se todo o nosso fruto na vida cristã não procede de nós mesmos, mas vem mediante Jesus Cristo, não é de espantar que Paulo conclua afirmando que a nossa frutificação redundará na “glória e louvor de Deus” (v. 11). Nós não receberemos glória pelos nossos frutos; somente Deus a terá. Se nossos frutos realmente procedem Dele, é o Seu nome, e não o nosso, que será exaltado. É a Sua fama, e não a nossa, que correrá por toda a terra. Quando nossas boas obras procedem realmente de Jesus Cristo, os homens as veem em nós – afinal, somos os galhos que as ostentam! -, mas é ao Pai que eles glorificam.

Que o Senhor atenda à oração de Paulo também em nosso favor. Que Ele nos dê uma medida cada vez maior de amor, daquele amor alicerçado no verdadeiro conhecimento de Deus, para que possamos valorizar Aquele que é excelente e estar prontos para a Sua vinda, cheios do fruto de justiça que nasce de Cristo e redunda na glória do Pai celestial.

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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Os melhores links cristãos do mês (Abril/2012)

Todo mês, nós do PreciosoCristo selecionamos e indicamos alguns dos melhores textos e vídeos (ou qualquer outro conteúdo) publicados em sites cristãos. Acessem estes links, visitem estes sites e sejam edificados!

Atenção: O fato de incluirmos o texto de um site neste espaço não significa que endossamos todo o conteúdo do site no qual ele foi publicado.

Links cristãos do mês

Michael J. Kruger, A humildade cristã e a definição mundana de humildade
No iPródigo, em 02 de abril de 2012.

“Para os cristãos, humildade e incerteza não são sinônimos. Uma pessoa pode estar certa e ser humilde ao mesmo tempo. Como? Por esta simples razão: os cristãos acreditam compreender a verdade apenas porque Deus revelou a eles (1 Coríntios 1.26-30). Em outras palavras, os cristãos são humildes porque sua compreensão da verdade não se baseia em sua própria inteligência, em sua própria investigação, em sua própria perspicácia. Pelo contrário, é 100% dependente da graça de Deus. Conhecimento cristão é um conhecimento dependente. E isso leva à humildade (1 Coríntios 1.31).”

C.H. Spurgeon, Caminho da redenção
No Projeto Spurgeon, em 04 de abril de 2012.

Em razão da Páscoa, o Projeto Spurgeon publicou o livro Caminho da redenção com diversos sermões de Charles Spurgeon relacionados à morte e à ressurreição do Senhor Jesus. Para aqueles que desejam mergulhar no oceano das insondáveis riquezas de Cristo, é uma leitura indispensável!

Kevin DeYoung, Não “Um dos”, e sim “O”
Na Editora Fiel (Artigos).

No que diz respeito a identificar Jesus, verdades parciais que ignoram a verdade maior acabam contando uma mentira. É verdade que Jesus é um profeta (Mc 6.4; Dt 18.18). Mas ele não é como João Batista. Jesus não é outro Elias. Ele não é meramente um dos profetas. Jesus é aquele para quem todos os outros profetas apontavam. Por isso, chamar Jesus de profeta e nada mais do que um profeta equivale a não compreender, no nível mais profundo, quem é este homem.

Augustus Nicodemus Lopes, Verdades e mitos sobre a Páscoa
No O Tempora, O Mores!, em 04 de abril de 2012.

“Nesta época do ano celebra-se a Páscoa em toda a cristandade, ocasião que só perde em popularidade para o Natal. Apesar disto, há muitas concepções errôneas e equivocadas sobre a data. […] A Páscoa, não é dia santo para nós. Para os cristãos há apenas um dia que poderia ser chamado de santo – o domingo, pois foi num domingo que Jesus ressuscitou de entre os mortos. O foco dos eventos acontecidos com Jesus durante a semana da Páscoa em Jerusalém é sua ressurreição no domingo de manhã. Se ele não tivesse ressuscitado sua morte teria sido em vão. Seu resgate de entre os mortos comprova que Ele era o Filho de Deus e que sua morte tem poder para perdoar os pecados dos que nele creem.”

Clóvis Gonçalves, Pecadores irrepreensíveis
No Cinco Solas, em 09 de abril de 2012.

“No dia da volta do Senhor, devemos comparecer irrepreensíveis diante Dele. Isto significa que devemos estar “livres de qualquer acusação” (Cl 1:22), que não pode haver “nada contra”(1Tm 3:10) nós. Sermos irrepreensível significa que nenhuma acusação pode ser legitimamente levantada contra nós. É assim que devemos estar na volta do Senhor, pois Ele virá para uma noiva”gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5:27). Mas quem de nós poderá pensar de si mesmo que é capaz de comparecer diante de Jesus em Sua glória dessa maneira? Quem pode olhar para as próprias mãos e vê-las limpas, examinar o seu coração e o encontrar puro, considerar as próprias palavras e achar seus lábios sem engano?”

Tad Thompson, A preocupante situação de nossos filhos
No Cinco Solas, em 10 de abril de 2012.

“Já fiz parte da liderança da igreja como pastor estagiário, como pastor auxiliar responsável pelo treinamento de adultos, e agora como pastor sênior. Em cada estágio de meus dezessete anos de ministério, pude notar que o distanciamento entre pais e filhos no que diz respeito ao discipulado cresce a olhos vistos. O mais agravante é constatar que pais e mães não têm assumido a responsabilidade de discipular seus filhos, e as igrejas têm feito muito pouco — quando fazem — para mudar essa realidade.”

Robert Norris, Orando pelos líderes na igreja 
No AME Cristo, em 11 de abril de 2012.

Se orar pelos líderes da igreja já não parecem estar na moda, talvez uma razão subjacente seja a igreja frequentemente adota os padrões e ideias do mundo. Em nossa busca pelo sucesso onde a marca óbvia desse sucesso é o tamanho, influência, poder e dinheiro, líderes eclesiásticos estão sob constante pressão para produzir evidência de crescimento, e técnicas e programas são meios óbvios pela qual isso é alcançado. Nesse quadro não há lugar dado para a oração, a qual fala de um quadro sobrenatural de pensamento que é completamente estranho ao mundo moderno.”

Mark Dever, O que é uma igreja saudável?
No Voltemos ao Evangelho, em 20 de abril de 2012.

“Nesta palestra, ministrada na abertura do 1º módulo do Curso Fiel de Liderança 2012, o pastor Mark Dever introduz o tema “O que é uma igreja saudável?” e aborda a questão a partir de quatro perspectivas. Primeiro, ele considera como a questão das “marcas” da igreja foi tratada ao longo da história, sobretudo a partir da Reforma Protestante. Segundo, Dever considera a própria significância da pergunta. Terceiro, ele apresenta algumas respostas comuns à indagação “O que é uma igreja saudável?”. Por fim, o pastor nos fala sobre as marcas de uma igreja saudável do ponto de vista bíblico. Num tempo como o nosso, em que parece ser tão difícil distinguir uma igreja saudável das falsas igrejas, esta é, sem dúvida, uma mensagem fundamental.”

[Livro do mês] Haralan Popov – “Torturado por sua fé”

Haralan Popov

Livro do mês - Torturado por sua fé

Durante treze anos e dois meses, retido em prisões comunistas, fui sustentado por duas certezas. A primeira: eu sabia que a minha vida estava realmente nas mãos de Deus e não nas mãos de meus carcereiros comunistas. A segunda: eu queria sobreviver para dar meu testemunho e contar o que presenciei.

O propósito deste livro não é demonstrar a depravação dos homens – o que experimentei dia e noite durante mais de treze anos –, e sim mostrar o irresistível amor de Deus. Se temos de salientar algo neste livro, que seja a verdade avassaladora do amor de Deus em meio à bestialidade humana.

Na prisão, aprendi a lição do amor, como nunca havia aprendido. Embora eu já tivesse pregado sobre o amor de Deus em muitos púlpitos, percebi o amor dEle com um novo aspecto, no intenso desespero de celas subterrâneas e na fisionomia de incontáveis companheiros de prisão. Destituído de todas as coisas materiais e todas as distrações, encontrei em Deus uma realidade maior do que já conhecera. A verdade com frequência brilha mais intensamente onde as circunstâncias são mais obscuras.

Não faço ataques políticos neste livro, pois vejo o comunismo não apenas como uma força política, mas também como “sintoma” de uma enfermidade espiritual muito mais profunda. É a “religião” do ateísmo militante. A incapacidade de destruir a fé em Deus é o “calcanhar de Aquiles” do comunismo. Os comunistas temem desesperadamente a fé em Deus. Nunca estas palavras de Paulo se mostraram tão verdadeiras: “Nossa luta não é contra o sangue e a carne”.

Mas tenho outra razão para haver escrito este livro. Hoje há muitos rumores falsos, no estrangeiro, de que o comunismo está “se abrandando” para com o cristianismo e que as práticas do passado, apesar de serem más, acabaram. Fiquei chocado ao ver como essa ilusão dos comunistas é amplamente aceita. Este é um boato totalmente falso. Na verdade, por trás da Cortina de Ferro, o cristianismo está sendo atacado com maior severidade do que fora antes. Muitos continuam morrendo nas prisões.

Em vez de tentar destruir a Igreja, atacando-a externamente, na Rússia e em outros países, o comunismo está subvertendo-a e controlando-a internamente. Em vez de dar fim à Igreja com um único ataque brutal, o comunismo atualmente procura estrangular a Igreja lentamente. O ataque, em nossos dias, tanto é mais sutil, como é mais perigoso.

Nos países comunistas, o cristianismo não é livre e franco, como alguns proclamam. Mas também não pode ser destruído. Está vivo e crescente, mesmo sob perseguição como sucedeu à Igreja Primitiva. De fato, uma Igreja Subterrânea está viva no mundo comunista. Suas similaridades com a Igreja Primitiva são extraordinárias. Para apresentar o meu testemunho e a história da Igreja Subterrânea escrevo este livro. Dedico-o aos milhares de irmãos em Cristo que morreram encarcerados, muitos deles ao meu lado. Também dedico ao corpo de Cristo que, em nossos dias, é torturado no mundo comunista.

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Informações do livro

Título: Torturado por sua fé
Autor: Haralan Popov
Editora: Fiel
Edição:
Ano: 2006
Número de páginas: 168

Fonte: POPOV, Haralan. Torturado por sua fé. São José dos Campos/SP: Fiel, 2006.
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Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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