Integridade Inegociável: Exemplos de integridade [parte II]

Áurea Emanoela

Integridade inegociável

No post que deu início a essa série fizemos menção a três jovens que, à semelhança de Daniel, tiveram uma vida sem comprometimentos. Mizael, Ananias e Azarias foram exemplos proeminentes de genuína integridade. Tendo seguido o caminho estabelecido por Deus, não comprometeram suas convicções.

A história de fé e coragem daqueles três jovens traz à luz uma profunda e sincera confiança na providência divina que ecoa ainda hoje, compelindo-nos a uma integridade inabalável, mesmo sob o risco da morte.

Integridade desafiada

O problema começou para Sadraque, Mesaque e Abede-Nego quando o rei Nabucodonosor teve um sonho (Daniel 2.31-35). Ele viu imagens de uma enorme e imponente estátua com cabeça de ouro maciço e corpo e pés compostos de prata, bronze, ferro e barro. O ouro representava a própria cabeça de Nabucodonosor (Daniel 2.38), e aquilo lhe foi tão atraente, que decidiu erigir uma estátua de verdade em honra de si mesmo (Daniel 3.1).

A gigantesca estátua era um projeto de grandiosidade pomposa e totalmente egocêntrica de Nabucodonosor. Ele estava fazendo tão somente o que os descrentes costumam fazem: cultuar a si mesmo e, com efeito, colocar-se acima de Deus. O rei ordenou que todos os seus súditos se dobrassem diante da estátua e a adorassem – e todos prestaram pronta obediência, exceto Daniel e seus três amigos. Eles mantiveram sua integridade e permaneceram firmes, comprometidos com o verdadeiro Deus e a sua lei.

Entretanto, a desobediência ao decreto real tinha um preço que eles estavam dispostos a pagar: “Qualquer que se não prostrar e não a adorar será, no mesmo instante, lançado na fornalha de fogo ardente” (Daniel 3.6).

A integridade traz perseguição

Por permanecerem firmes pelo que estava certo e não se comprometerem, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego atraíram, contra suas próprias vidas, a oposição maligna e implacável da parte dos babilônios. Muitos dos membros do segundo escalão da corte babilônica já se ressentiam de que Daniel e seus amigos recebessem preferência quanto às melhores posições governamentais (cf. Daniel 2.48-49). Agora, não hesitariam em arremeter contra os três:

“Há uns homens judeus, que tu constituíste sobre os negócios da província da Babilônia: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego; estes homens, ó rei, não fizeram caso de ti, a teus deuses não servem, nem adoram a imagem de ouro que levantaste” (Daniel 3.12).

O rei se irou ao ouvir o relato e ordenou que os três jovens fossem trazidos à sua presença (Daniel 3.13). Como se já não tivessem de suportar tanta pressão ao se recusarem a seguir a turba dos que adoravam a estátua, os três eram, agora, sujeitos à tentativa raivosa dos oficiais ciumentos de forçá-los a obedecerem ao édito de Nabucodonosor (Daniel 3.14-15).

Fé e tranquilidade em meio a tormenta

Na maior parte do tempo, os amigos de Daniel permaneceram calmos diante da postura maliciosa e da intimidação do rei. Seu silêncio foi uma admissão humilde de que eram culpados, de fato, de não se ajoelharem ante a estátua idólatra. E a única resposta que julgaram necessária foi uma das maiores declarações de fé em toda a Escritura:

“Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste” (Daniel 3.17-18).

O princípio de um padrão alto e singular mostrado na vida de Daniel ficou evidente, também, na vida de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Seu padrão de lealdade e seu amor pelo Senhor eram tão altos que eles foram capazes de permanecer firmes, em pé, no meio de uma imensa multidão ajoelhada, diante da imagem de ouro. Sua integridade de fé foi forte o bastante para resistir à pressão social que geralmente persuade os crentes a aquiescerem aos desejos de um grupo.

Aqueles três jovens sabiam que o que estava prestes a acontecer com os seus corpos não era importante, contanto que suas almas permanecessem fieis ao Senhor.

A integridade gera justiça

A decisão de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foi, então, posta diante do teste final na fornalha ardente, graças à reação furiosa e obstinada ao posicionamento dos três em defesa da verdade: “Então, Nabucodonosor se encheu de fúria e, transtornado o aspecto do seu rosto contra Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, ordenou que se acendesse a fornalha sete vezes mais do que se costumava” (Daniel 3.19).

Agora, a sua única esperança de serem poupados da morte era que Deus interviesse e lhes garantisse livramento dentro da fornalha. Talvez se lembrassem das palavras de Deus ditas por intermédio do profeta Isaías:

“Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti” (Daniel 43.2).

Daniel 3.20-23 nos revela o que aconteceu àqueles três jovens:

“Ordenou aos homens mais poderosos que estavam no seu exército que atassem a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego e os lançassem na fornalha de fogo ardente. Então, estes homens foram atados com os seus mantos, suas túnicas e chapéus e suas outras roupas e foram lançados na fornalha sobremaneira acesa. Porque a palavra do rei era urgente e a fornalha estava sobremaneira acesa, as chamas do fogo mataram os homens que lançaram de cima para dentro a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Estes três homens, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, caíram atados dentro da fornalha sobremaneira acesa”.

A integridade traz recompensa

O Senhor, soberana e graciosamente, recompensou a fé inabalável e o compromisso de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego ao vir miraculosamente em seu auxílio. Após terem sido eles, sem qualquer misericórdia, laçados na fornalha, o rei ficou estarrecido ante o que aconteceu:

“Então, o rei Nabucodonosor se espantou, e se levantou depressa, e disse aos seus conselheiros: Não lançamos nós três homens atados dentro do fogo? Responderam ao rei: É verdade, ó rei. Tornou ele e disse: Eu, porém, vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do fogo, sem nenhum dano; e o aspecto do quarto é semelhante a um filho dos deuses” (Daniel 3.24-25).

O quarto homem, a quem Nabucodonosor se referira com tão grande espanto, foi enviado por Deus para preservar aqueles três jovens no meio das intensas chamas.

Uma valiosa lição

Por razões que somente o Senhor conhece, Daniel não esteve envolvido no “teste da fornalha”, todavia, a conduta dos seus três amigos no meio da mais desafiadora das circunstâncias é, outra vez, o extraordinário testemunho do valor da integridade pessoal baseada nos princípios de Deus.

Essa força de caráter pode nos conduzir ao longo de todos os altos e baixos da vida, especialmente quando sabemos que Deus se agradará da nossa resposta: “Porque todos os seus juízos me estão presentes, e não afastei de mim os seus preceitos. Também fui íntegro para com ele e me guardei da iniquidade. Daí retribuir-me o SENHOR, segundo a minha justiça, conforme a pureza das minhas mãos, na sua presença” (Salmo 18.22-24).

Os amigos de Daniel foram, na verdade, os precursores de todos os crentes que se esforçam, no poder do Espírito, para viver uma integridade autêntica. A chave para essa vida não é algo misterioso ou inatingível; ela existe em todos os discípulos que vivem sendo consistentemente radicais, obedientes e sacrificiais, edificando suas vidas nos moldes da palavra de Deus:

“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12.1-2).

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
Baseado em: MACARTHUR JR., John. O poder da integridade. Cambuci/SP: Cultura Cristã, 2001.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Integridade Inegociável: Exemplos de integridade (Parte 1)

Áurea Emanoela

Integridade inegociável

Anualmente, revistas de circulação nacional elaboram edições especiais destinadas à premiação dos brasileiros que mais se “destacaram” durante o ano. Entre os homenageados estão autoridades políticas, jornalistas e artistas. Além desses homenageados, determinada editora ainda elege o “Brasileiro do Ano” – figura eminente na sociedade brasileira que tenha se destacado em diversos aspectos.

Geralmente, a maioria desses nomes cai no esquecimento nacional com a mesma rapidez com que surgiu. Entretanto, se voltarmos o nosso olhar para a história, nos depararemos com outro grupo que com muito mais razão poderia ser considerado o “melhor e mais brilhante”.

Aspectos históricos

Em 606 a.C, quando o Rei Nabucodonosor – um dos maiores líderes mundiais de todos os tempos – invadiu Judá e tomou Jerusalém, levou dezenas de jovens judeus bem instruídos como reféns para assistirem no palácio do rei e serem ensinados em toda cultura dos caldeus (cf. Daniel 1.3-4).

Um dos moços foi especialmente destinado à grandeza, e hoje seu nome é sinônimo de integridade e de espírito de não-comprometimento. Seu nome era Daniel.

A integridade incita detratores

Deus jamais compromete suas verdades e princípios absolutos em razão de benefícios escusos. Ele sempre age segundo a sua Palavra. Daniel não apenas conhecia essa verdade como também vivia de acordo com ela.

Por toda a vida, Daniel continuou a impressionar os babilônios com seu caráter marcante. Os serviços que prestava ao governador eram insuperáveis, sua integridade era consistente e suas atitudes e condutas no desincumbimento dos deveres diários, inigualáveis:

“Então, o mesmo Daniel se distinguiu destes presidentes e sátrapas, porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava em estabelecê-lo sobre todo o reino” (Daniel 6.3).

Não demorou para que o zelo de Daniel por uma vida sem comprometimentos despertasse o ciúme e a amargura dos oficiais babilônicos. Certamente, Daniel não tinha defeitos de caráter que outros pudessem legitimamente criticar, portanto, seus opositores perversamente começaram a confabular contra ele:

“Disseram, pois, estes homens: Nunca acharemos ocasião alguma para acusar a este Daniel, se não a procurarmos contra ele na lei do seu Deus” (Daniel 6.5).

Os inimigos de Daniel, finalmente, planejaram fazer aprovar uma lei que versava sobre a lealdade ao rei. Astutamente persuadiram o rei Dario a emitir uma irrevogável ordem que o tornaria rei supremo e que proibiria todos de fazerem qualquer petição a outro, deus ou homem, senão unicamente a ele (cf. Daniel 6.6-9).

A penalidade por violar essa nova lei seria a morte. Isso, porém, não impediria Daniel de manter sua obediência sem comprometimento ao Senhor.

A integridade inadmite atalhos

Os padrões superiores de justiça de Daniel e sua integridade simplesmente não permitiam que ele se curvasse ao novo édito do rei, mesmo se tal documento fosse preciso e, na tradição dos medos e persas, impossível de ser mudado.

“Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa e, em cima, no seu quarto, onde havia janelas abertas do lado de Jerusalém, três vezes por dia, se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como costumava fazer” (Daniel 6.10).

Porque Daniel não se desviou dos padrões estabelecidos da oração pessoal e da devoção ao verdadeiro Deus, seus inimigos logo o apanharam transgredindo a lei real e não tardaram em entregá-lo ao rei Dario. Quanto a essa situação, Daniel não precisou apresentar nenhuma defesa elaborada. Sua forte fé e confiança no Senhor o acompanhariam, a despeito do que o rei pudesse lhe fazer.

Integridade na cova dos leões

Certamente o rei Dario guardava muito respeito por Daniel, a ponto de emitir uma ativa e oral preocupação pelo seu bem-estar, a fim de não ter que puni-lo. Dario procurou encontrar uma brecha na lei, todavia sem êxito. Nada podendo fazer de diferente, o rei, relutantemente, aceitou o desejo dos opositores de Daniel, obedeceu à lei que ele mesmo havia assinado e ordenou que o fiel servo de Deus fosse levado à cova dos leões.

Ao cumprir seu dever legal, o rei Dario fez uma marcante declaração: O teu Deus, a quem tu continuamente serves, que ele te livre” (Daniel 6.16). Que comentário poderoso sobre a validade da fé de Daniel e da forte impressão que sua vida de integridade havia causado. Isso sugere que Dario estava disposto a dar crédito ao verdadeiro Deus porque havia testemunhado a vida sem comprometimento e o excelente serviço governamental que Daniel desempenhava.

Sem dizer nenhuma palavra, Daniel apenas permitiu que o curso dos eventos manifestasse a fidelidade do Deus a quem ele servia e em cuja soberania seu coração encontrava descanso.

“Foi trazida uma pedra e posta sobre a boca da cova; selou-a o rei com o seu próprio anel e com o dos seus grandes, para que nada se mudasse a respeito de Daniel. Então, o rei se dirigiu para o seu palácio, passou a noite em jejum e não deixou trazer à sua presença instrumentos de música; e fugiu dele o sono. Pela manhã, ao romper do dia, levantou-se o rei e foi com pressa à cova dos leões. Chegando-se ele à cova, chamou por Daniel com voz triste; disse o rei a Daniel: Daniel, servo do Deus vivo! Dar-se-ia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, tenha podido livrar-te dos leões? Então, Daniel falou ao rei: Ó rei, vive eternamente! O meu Deus enviou o seu anjo e fechou a boca aos leões, para que não me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência diante dele; também contra ti, ó rei, não cometi delito algum” (Daniel 6.17-23).

Uma valiosa lição

Considerando as circunstâncias, Daniel poderia ter seguido o caminho mais fácil, ter sido menos ousado, e ter aberto mãos dos seus padrões de integridade. Mas não o fez. Poderia ter adotado o “jogo da segurança” e descontinuado suas orações diárias pelos próximos trinta dias, mas ele permaneceu fiel aos seus princípios. Desistir deles por causa das intimidações dos seus detratores e comprometer o que era certo não era do feitio do caráter desse servo de Deus.

Testes de fé e integridade não têm, geralmente, esse imediato “final feliz” de que desfrutou Daniel. Jó foi o mais honesto e justo homem do seu tempo, mas, ainda assim, Deus permitiu que Satanás o agredisse (cf. Jó 1.1;8). Isaías creu em Deus, mas foi partido ao meio. Estêvão era um excelente diácono e pregador do evangelho, “homem cheio de fé e do Espírito Santo” (Atos 6.5), todavia, foi apedrejado até a morte (Atos 7.59-60).

Embora Deus não tenha concedido livramento imediato a esses homens, como fez com Daniel, cada um deles cumpriu seu chamado. Todos eles viveram fiel e firmemente, desejando tão somente a vontade de Deus, quer na vida, quer na morte.

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
Baseado em: MACARTHUR JR., John. O poder da integridade. Cambuci/SP: Cultura Cristã, 2001.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Integridade inegociável

Áurea Emanoela

Integridade inegociável

Introdução

Em uma época carente de princípios e valores cristãos, impregnada pelo pragmatismo e pobre de bons exemplos, movida pela cobiça e alimentada pelo pecado, convido você a meditar no testemunho de três jovens cujas vidas estavam totalmente impregnada de Deus. Homens que viveram em tempos difíceis, em terra estranha, no meio de uma gente incrédula e perversa, mas que ainda assim não comprometeram seu testemunho cristão, mesmo diante das ameaças e perigos de morte.

É provável que você – assim como eu – já tenha tido oportunidades de proclamar Cristo a pessoas incrédulas e, por intimidação ou falta de segurança, tenha se calado. Talvez você esteja comprometendo a Palavra de Deus com respeito a algum tema ético no trabalho ou entre os amigos, acreditando que isso seja necessário para manter sua credibilidade como empregado e nas rodas sociais. Contudo, nosso testemunho cristão deve estar baseado em uma plena dedicação à Palavra de Deus como a mais alta autoridade – não importando as consequências que decorram disso.

Todavia, nossa grande dificuldade de viver em submissão a Deus decorre da facilidade com que aceitamos o sistema de valores do mundo, tornando-nos de tal forma indulgentes a ponto de personalizar-nos e fazer daqueles valores os nossos próprios ideais. Nossos padrões tomam o lugar dos padrões de Deus.

“O mundo é sedutor. Procura atrair nossa atenção e devoção. Permanece bem próximo e ao nosso alcance, bem visível e atraente, que ofusca nossa visão do céu. Aquilo que vemos luta para alcançar nossa atenção. Atrai nossos olhos, se não estivemos olhando para uma pátria superior, cujo arquiteto e construtor é Deus. O mundo nos agrada – na maior parte do tempo, digamos – e, assim, frequentemente, vivemos para agradá-lo. E é aqui que ocorrem os conflitos, pois agradar o mundo raramente se harmoniza com agradar a Deus.” (R.C. Sproul).

Integridade é sinônimo de honestidade, sinceridade e incorruptibilidade, virtudes que estavam presentes nas palavras e no testemunho de quatro jovens levados cativos à Babilônia. Daniel, Mizael, Ananias e Azarias são exemplos cristãos que devemos trazer para os nossos dias: servos fiéis que não cederam às lisonjas do mundo nem comprometeram sua fidelidade a Deus; estavam prontos a enfrentar fornalhas e leões, mas de maneira alguma negociariam a verdade.

Nos próximos posts destacarei aspectos da vida de Daniel e dos seus três amigos que fazem deles exemplos de integridade para os cristãos de todas as épocas. Até lá, com a graça de Deus!

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
Baseado em: MACARTHUR JR., John. O poder da integridade. Cambuci/SP: Cultura Cristã, 2001.
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Uma fábula sobre duas teologias: As tradições reformadas holandesa e escocesa

Nota do tradutor: todos os links do texto original foram mantidos, em inglês. É possível que alguns dos artigos a que tais links se referem sejam, posteriormente, traduzidos e publicados aqui no PreciosoCristo.

Justin Holcomb

Calvinismo holandês e calvinismo escocês

Você já ouviu falar da “outra” teologia reformada? Muitos, na ressurgência do interesse pela Reforma, estão familiarizados apenas com um lado do amplo espectro histórico da teologia reformada e, infelizmente, muitos dos estereótipos do “calvinismo” existem porque o legado de João Calvino tem sido negligentemente mutilado.

Muito frequentemente, a teologia reformada é definida meramente pelos assim chamados “cinco pontos” do calvinismo: depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, graça irresistível e perseverança dos santos. Embora essa ênfase em como Deus salva pecadores tenha valor, ela falha em capturar toda a amplitude da herança do pensamento reformado.

Existem duas correntes principais na teologia reformada que se desenvolveram a partir da obra de João Calvino: a corrente do calvinismo escocês e a corrente reformada holandesa. A tradição escocesa apresenta uma forte ênfase nas doutrinas da salvação e na ordo salutis (“ordem da salvação”). Porém outra dimensão é encontrada na tradição reformada holandesa, a qual também celebra as doutrinas reformadas da salvação, mas também enfatiza a cosmovisão, o engajamento cultural e o senhorio de Jesus sobre todos os aspectos da vida. Surpreendentemente, as duas correntes raramente têm interagido. Vamos dar um pequeno passeio pelas tradições teológicas reformadas escocesa e holandesa.

A tradição reformada escocesa

O ramo escocês da teologia reformada nasceu imediatamente a partir da Reforma. Nos primeiros dias da Reforma, o teólogo e pastor John Knox (1514-1572) fazia parte de um grupo que tentava reformar a igreja da Escócia; todavia, esse envolvimento levou à sua prisão e, depois, ao exílio. Enquanto no exílio, ele viajou à base de operações de João Calvino em Genebra, na Suíça. Lá, Knox ficou fascinado pela doutrina da predestinação e, dizem alguns, tornou-se mais “calvinista” do que o próprio Calvino. Knox, por fim, retornou e tornou-se a principal personagem na fundação da Igreja da Escócia, a qual representa a origem do Presbiterianismo.

As gerações subsequentes dentro da tradição teológica reformada escocesa (incluindo os puritanos ingleses, tais como Richard Baxter e John Owen) adquiriram a reputação de serem sombrios pregadores do inferno, de aplicarem severamente a disciplina eclesiástica enquanto investigavam a vida privada dos membros da igreja (isto é, por sua “tirania moral”), bem como de suprimirem as artes. Os teólogos americanos, tais como o grande Jonathan Edwards, também foram influenciados pela teologia e filosofia reformada escocesa e herdaram algumas dessas mesmas críticas. Embora haja provavelmente um pouco de verdade em cada uma dessas críticas comuns, tais práticas emergiram de situações culturais particulares e não deveriam ser as únicas medidas pelas quais a teologia reformada escocesa é julgada.

Ao longo dos séculos XVII e XVIII, os assuntos da predestinação, a eleição, a reprovação, a extensão da expiação e a perseverança dos santos ganharam a atenção dos camponeses da Escócia. Embora as preocupações dos camponeses com essas doutrinas tenham surgido por causa da ênfase de seus líderes nelas, as doutrinas da soteriologia calvinista tocaram nas necessidades práticas e existenciais que os membros da igreja enfrentavam.

Embora seja verdade que a teologia reformada escocesa rumou para algumas formas mais “secas” de calvinismo, a sua confissão original (a Confissão Escocesa de 1560) mantinha a natureza missional da igreja e o foco evangelístico da teologia. A doutrina reformada dos escoceses nunca estava separada da vida prática. Os escoceses olhavam para a Confissão de Fé de Westminster como o seu padrão doutrinário (sob a autoridade da Escritura) e procuraram implementar aqueles grandes verdades teológicas em suas vidas diárias.

A tradição reformada holandesa

O calvinismo chegou aos Países Baixos na terceira onda da Reforma, nos idos de 1560. O calvinismo holandês contribuiu com alguns dos mais importantes credos do início da Reforma: a Confissão Belga de 1561 deu uma definição original à Igreja Reformada Holandesa; o Catecismo de Heidelberg de 1563 serviu como uma ponte, cultivando unidade entre os reformados holandeses e alemães; e os Cânones de Dort em 1619 serviram como um concílio ecumênico reformado.

Ao longo do tempo, a Igreja Reformada Holandesa rumou para o liberalismo teológico. Posteriormente, no final do século XIX, o trabalho dos neocalvinistas, tais como Abraham Kuyper, Herman Bavinck e Louis Berkhof, despertou a igreja holandesa do sono e deu forma àquilo que é hoje conhecido como a escola de teologia reformada holandesa (fique atento a mais posts sobre cada uma dessas personagens).

Embora o pensamento reformado holandês tenha muito em comum com a tradição reformada mais ampla, algumas feições o distinguem. Um dos melhores resumos do pensamento reformado holandês é capturado nesta citação de Douglas Wilson: “Tudo de Cristo para tudo da vida”, bem como nestas famosas palavras de Abraham Kuyper: “Não há um centímetro quadrado em todo o domínio de nossa existência sobre o qual Cristo, que é Soberano sobre tudo, não clame: ‘É meu!'”.

Kuyper defendeu o senhorio de Criso sobre todas as áreas da vida e instigou os cristãos a não desprezarem certos campos da cultura e da sociedade por serem “mundanos”. Ele acreditava que Deus havia estabelecido estruturas de autoridade em diferentes esferas da criação, e que reconhecer os limites entre essas esferas ajudaria a manter e distribuir a justiça e a ordem na sociedade.

Segundo Kuyper, o governo de Deus sobre a terra se realiza através da fiel presença cultural de Sua igreja. Essa crença conduziu os teólogos holandeses a enfatizarem a ação cultural por parte dos cristãos. Kuyper desejava que os cristãos entendessem que cada cosmovisão possui as suas próprias suposições filosóficas particulares, e que a fé cristã possui suposições que moldam a maneira como os crentes deveriam agir em cada área da vida. Como um resultado da soberania absoluta de Deus, os cristãos devem experimentar a graça de Deus em todos os aspectos da vida, não apenas em atividades da igreja e cultos de adoração.

O ponto alto da teologia reformada holandesa é, possivelmente, a Teologia Sistemática de Louis Berkhof (grande revelação: eu fui apresentado à teologia reformada enquanto lia Berkhof, quando tinha 17 anos).

A teologia reformada holandesa compartilhava importantes aspectos essenciais com a escola de teologia da Antiga Princeton (adepta da tradição calvinista escocesa) nos Estados Unidos, mas elas diferiam significativamente em algumas áreas. Os holandeses sustentavam a crença de que as pessoas não possuem qualquer neutralidade religiosa, algum tipo de faculdade racional “objetiva”. Isso significava que não há qualquer terreno comum, necessariamente, compartilhado entre crentes e incrédulos. O mundo contem numerosas cosmovisões articuladas, e isso faz da apologética mais um confronto de cosmovisões do que um debate sobre evidências.

Enquanto os teólogos de Princeton (da corrente escocesa) enfatizavam uma doutrina da Escritura com foco na inerrância e na verdade proposicional, os reformados holandeses, salientavam o testemunho interior do Espírito Santo para validar a confiabilidade da Escritura.

Complementares, não contraditórias

Pode parecer que as correntes escocesa e holandesa da igreja reformada estão a milhas de distância em suas ênfases, mas é importante notar que as situações culturais em que cada uma delas se desenvolveu eram significativamente diferentes. Os teólogos holandeses estavam enfrentando uma igreja que sucumbia ao liberalismo teológico modernista do século XIX e tentavam encontrar um lar cultural para si mesmos, em suas novas instalações nos Estados Unidos. Sendo assim, a sua ênfase no supremo reinado de Cristo sobre as ideologias do momento e a sua cuidadosa concepção da cultura eram de se esperar. Em um sentido, a teologia reformada holandesa foi uma aplicação específica dos amplos princípios da Reforma.

O foco dos escoceses estava mais nas doutrinas primárias da Reforma do que em suas aplicações específicas a novas situações culturais. Mais do que isso, os reformados escoceses focaram em levar a Reforma inicial às regiões circunvizinhas, o que explica a sua ênfase em missões.

As igrejas reformadas escocesa e holandesa não estão tão distantes como pode parecer a princípio. Elas compartilhavam as mesmas doutrinas reformadas básicas, embora enfatizassem diferentes aspectos. Nada obstante, mesmo nesses distintos pontos de concentração, tanto os teólogos reformados escoceses quanto os holandeses estavam focados em fazer discípulos e tornar o evangelho frutífero no mundo ao seu redor. Ambas as tradições são exemplos para o movimento reformado de nossos dias.

Créditos: By Justin Holcomb © 2012 Resurgence. All Rights Reserved. Website: theresurgence.com | Original aqui.
Tradução: 
Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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Romanos 8 e a nossa santificação

Vinícius S. Pimentel

Romanos 8 e a nossa santificação

Como todos nós sabemos (ou deveríamos saber), a santificação é um elemento absolutamente essencial na vida cristã. Essa é uma afirmação que aparece, de modo latente ou patente, por toda a Escritura, e em poucos lugares ela é apresentada tão claramente quanto em Hebreus 12.14: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”. Isso significa que um crente é, por definição, um homem santificado.

Ao mesmo tempo, porém, todo cristão verdadeiro sabe, por sua própria experiência, quão desafiador, lento e até doloroso é – muitas vezes! – o processo de santificação. É uma realidade universal, no que concerne aos crentes genuínos, que nós estamos sempre prontos a reconhecer a importância da santidade, mas nem sempre encontramos em nossa alma a mesma disposição para praticar a santidade. Por causa da nova vida que temos, em Cristo Jesus, nós de fato desejamos andar como homens santos; todavia, por causa da carne que ainda milita em nosso ser, nós encontramos imensos obstáculos à medida que procuramos caminhar por modo digno do Senhor, para o Seu inteiro agrado.

O crente é, por assim dizer, um “homem dividido”: no recôndito mais profundo do seu ser, naquilo que é mais essencialmente verdadeiro a seu respeito, o cristão ama e busca a santidade; contudo, em muitos aspectos de sua vida (eu arriscaria dizer em todos eles), ele ainda é obrigado a reconhecer a presença de “resquícios de pecado” que mancham o seu testemunho e o fazem corar de vergonha. A realidade desse “homem dividido” – que tem prazer na lei de Deus, mas fatalmente descobre que o mal ainda reside em seu ser – é aquilo que faz Paulo exclamar com profunda dor: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7.24).

Com efeito, o texto de Romanos 7.14-25 é uma das passagens mais agonizantes de toda a Escritura. Ali, o apóstolo Paulo, o maior exemplo de fé e vida que encontramos no Novo Testamento, expõe a si mesmo como um homem dividido, um homem que muitas vezes é obrigado a reconhecer em si mesmo a sua própria desconformidade em relação à Lei de Cristo. E, mesmo quando o apóstolo é capaz de erguer os seus olhos e gritar “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor”, as suas últimas palavras no capítulo ainda são de contagiante lamento: “De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado” (v. 25).

Entretanto, no capítulo 8, Paulo passa a discorrer a respeito do motivo de sua gratidão a Jesus Cristo, no que diz respeito à santificação. Aquela afirmação tímida do capítulo 7, “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor” é aqui reiterada e expandida, de modo que o tom de lamento dá lugar a uma explosão de alegria, confiança, segurança e firmeza, em razão daquilo que Deus fez por nós, Seus filhos, em Cristo Jesus.

Ao que nos parece, o ponto de Paulo pode ser resumido como segue: uma vez que a obra de Jesus Cristo em favor do Seu povo é plena e perfeita, ela nos assegura não apenas a nossa justificação, mas também a nossa santificação e tudo o mais que nos seja necessário nesta vida, de maneira que, quando finalmente estivermos diante do trono do julgamento, nada nos faltará, em virtude de tudo o que Cristo conquistou para nós, e seremos plenamente livrados da ira de Deus. Ou, como o apóstolo nos diz em outro lugar: “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus,o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1Coríntios 1.30)

O que nós encontramos em Romanos 8, portanto, é um pleno tesouro de conforto, encorajamento e segurança para a nossa vida de santificação. Vale a pena, então, meditar com mais cuidado nas verdades ali ensinadas:

1. O Evangelho inclui as boas notícias de que Cristo adquiriu a nossa santificação pessoal. Se a falta de santificação pode impedir um homem de ver a Deus, então a obra de salvação consumada pelo Senhor Jesus deveria incluir a nossa santidade – do contrário, jamais seríamos salvos. Mas, de fato, “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1), e isso “porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, [nos] livrou da lei do pecado e da morte” (v. 2). Paulo explica que essa santificação operada em nós pelo Espírito Santo é resultante da obra de Cristo, a quem Deus enviou “em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado” (v. 3), “a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (v.4).

2. A habitação do Espírito Santo nos assegura a santificação no presente, bem como a ressurreição no futuro. A santificação é um assunto sério, e lutar pela santificação é nosso dever. Aqueles que “estão na carne não podem agradar a Deus” (v. 5-8). Porém, todos os verdadeiros crentes estão em Cristo, e todos os que estão em Cristo são a morada do Espírito Santo (v. 9). Sendo assim, o nosso corpo ainda pode exibir resquícios de pecado e consequências da corrupção humana, “mas o espírito é vida, por causa da justiça” (v. 10). E esse mesmo Espírito, que é a fonte e o penhor de nossa nova vida, certamente permanecerá agindo eficazmente em nós até o fim, quando Ele então “vivificará também o [nosso] corpo mortal” (v. 11).

3. A habitação do Espírito Santo nos constrange à santificação – não pelo temor de que sejamos condenados por Deus, mas pela certeza de que Ele nos salvou e nos aceitou em Sua família, como filhos amados. A presença do Espírito em nós faz com que nos sintamos “devedores” de Deus (v. 12), de maneira que somos constrangidos, impulsionados, amorosamente pressionados a nos engajarmos numa verdadeira guerra contra o pecado: “se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis” (v. 13). Mas a grande motivação para estarmos nessa guerra não é tanto o medo de sermos lançados no inferno, e sim a certeza de que “todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (v. 14). Essa doce certeza nos dá a alegre ousadia de chamarmos Deus de “Paizinho” (“Aba, Pai”, v. 15), pois “o próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (v. 16). Ora, “se somos filhos, somos também herdeiros” (v. 17): por mais árdua e sangrenta que seja a nossa luta contra o pecado, temos a plena segurança de que possuímos na eternidade uma vida superior e um reino inabalável, e nisso está a nossa alegria e glória.

4. A constante luta contra o pecado nos faz ansiar ainda mais pela eternidade. Os sofrimentos resultantes da guerra pela santificação frequentemente nos fazem pensar na vaidade desta vida. Ora, se esta existência fosse tudo que tivéssemos, os crentes seriam mesmo os mais miseráveis de todos os homens, como o apóstolo diz em outro lugar (1Coríntios 15.19). Porém, nós temos a certeza de uma vida futura e, quando meditamos nessa vida e contemplamos o Dia que já vem raiando, podemos afirmar com ousadia que “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (v. 18). Sim, naquele Dia, até a criação como um todo será redimida do cativeiro de corrupção e inutilidade no qual hoje se encontra (v. 19-22). Mais do que isso, os filhos de Deus experimentarão a redenção de seus corpos: todo resquício de pecado ainda presente será completamente removido e extirpado, de maneira que eles ingressarão numa vida de completa santidade, para sempre (v. 23). Essa é mesmo uma esperança magnífica! E é por isso que nós a aguardamos com tanta paciência, em meio às lutas do presente (v. 24-25).

5. Mesmo nos momentos de maior fraqueza, nós contamos com a ajuda sobrenatural e poderosa do Espírito Santo. “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza” (v. 26). Essa ajuda divina é intensa e poderosa, de maneira que, quando não conseguimos sequer orar por nós mesmos, o Deus Espírito intensifica as Suas intercessões por nós perante o Pai, e faz isso “sobremaneira, com gemidos inexprimíveis” (v. 26). Ora, se o Pai e o Espírito são um só Deus, podemos ter certeza absoluta de que tal oração será infalivelmente ouvida e prontamente atendida! “E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos” (v. 27).

6. Mesmo nos momentos de maior fraqueza, nós contamos com a providência de Deus em nosso favor – e isso nos assegura que a Sua obra em nós não pode ficar inacabada. É significativo que a afirmação mais sublime acerca da providência de Deus esteja encravada neste contexto, no qual Paulo apresenta a segurança do crente em meio aos sofrimentos da luta contra o pecado. “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (v. 28). Um crente, por causa de suas fraquezas e tropeços, é frequentemente assaltado por dúvidas e frustrações, mas aqui está um remédio poderoso: nada, absolutamente nada, escapa do controle do Deus que escolheu um povo para Si e que ordena todos os acontecimentos do universo para a Sua glória e para o benefício eterno daqueles por quem Ele se afeiçoou. Esse povo a quem Deus amou foi predestinado para ser semelhante ao Senhor Jesus, e nada pode impedi-los de alcançar o seu destino (v. 29). Em Cristo, Eles foram amados, eleitos, justificados e glorificados – e absolutamente nada pode quebrar essa “cadeia de ouro”, pois é o próprio Deus que a mantém (v. 30).

7. Em Cristo, Deus se tornou favorável a nós – e absolutamente nada pode mudar isso. O apóstolo faz uma série de perguntas destinadas a confirmar no coração dos crentes o fato de que eles são amados por Deus e, sendo assim objeto do cuidado paternal de Deus, eles podem ter a confiança de que a sua aceitação diante do Pai é garantida para sempre, apesar de suas fraquezas no presente.

“Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (v. 31) – os nossos maiores inimigos e obstáculos são como poeira diante do Deus Todo-Poderoso, e aquilo que parece uma muralha intransponível para nós não é para Ele mais alto do que um meio-fio!

“Aquele que não poupou o seu próprio filho, antes, por todos nós o entregou, porventura não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?” (v. 32). Se Deus foi capaz de nos amar ao ponto de sacrificar o Seu unigênito, e isso quando nós ainda éramos pecadores incorrigíveis e inveterados, o que pode fazê-Lo voltar-se contra nós, agora que já fomos justificados, aceitos em Sua família e selados com o Seu santo Espírito?

“Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?” (v. 33). Quem levantará o dedo em riste contra aqueles a quem Deus amou e liberalmente aceitou em Sua casa? Se “é Deus quem os justifica”, se é o Justo Deus quem os considera justos, quem pode questioná-lo? “Quem os condenará?” (v. 34). Sim, que acusação a nosso respeito pode permanecer de pé, se já fomos sentenciados como dignos de morte eterna e tal sentença já foi executada sobre Jesus Cristo, na cruz, em nosso lugar? “É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós”.

“Quem nos separará do amor de Cristo?” (v. 35). Não é que não haja muitos tentando tal coisa: tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo e espada, todas essas coisas se levantam contra um crente para pressioná-lo a abandonar a sua fé e desistir de andar pelo caminho estreito. Talvez até mesmo a morte se apresente diante de nós, fazendo apelos e ameaças para que neguemos o Senhor Jesus (v. 36). Porém, como esses terríveis inimigos podem conseguir alguma vantagem sobre nós, se mesmo no meio delas nós “somos mais do que vencedores, por meio daquele que nos amou” (v. 37)? Se tal vitória, o Senhor nos assegura, já pertence aos crentes e não pode lhes ser tirada, então podemos ficar bem certos de que “nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (v. 38-39).

Que essas verdades sejam um verdadeiro consolo e encorajamento em nosso coração, à medida que caminhamos nesta jornada de santificação. Que elas sejam também uma motivação e um constrangimento para que busquemos a santidade, na certeza de que tudo aquilo de que precisamos para esta vida e para a vindoura já é nosso, em Cristo Jesus.

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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Um firme alicerce

Áurea Emanoela

Um firme alicerce

No post anterior, tivemos a oportunidade de falar acerca da “destruição dos fundamentos”, trazendo o exemplo de como o rei Davi resistiu às adversidades que o cercavam, refugiando-se no Deus que reina eternamente e é Senhor de todas as coisas. Salientamos que, embora fugir fosse aparentemente a melhor saída, o salmista, contrariando o conselho dos seus amigos, confiou na justiça dAquele que julga retamente e tem o controle da história em Suas mãos.

Como também falamos, temos vivido uma triste e vergonhosa inversão de valores, e as palavras do apóstolo Paulo, dirigidas a Timóteo, parecem resumir bem a realidade moral da sociedade “pós-moderna”:

“Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder.” (2Timóteo 3.1-5a)

O conselho de Paulo a Timóteo é claro e deveras objetivo, estendendo-se a todo cristão que deseja viver piedosamente: “Foge também destes” (2Timóteo 3.5b). Nesta semana, gostaria de dar continuidade ao tema outrora abordado, todavia tratando-o sobre outro enfoque: “Qual o pilar de sustentação da nossa fé?”

A importância do alicerce

Embora eu entenda pouquíssimo a respeito de construção civil, duas coisas são de fácil compreensão: a primeira delas é o fato de que qualquer edificação, por mais simples que seja, precisa de um bom alicerce; caso contrário, ruirá. Em segundo lugar, os fundamentos determinam o tamanho da futura construção, dessa forma, se quisermos erguer um edifício de quinze andares teremos que investir na construção de um alicerce compatível.

“A fundação evita, que qualquer estrutura, até mesmo uma casa, afunde – por isso, ela tem que ser posicionada diretamente abaixo dos pontos de apoio da futura construção. […] O ideal é que o solo que sustenta o alicerce seja resistente e não se deforme com o peso do edifício. ‘Muitas vezes, o solo bom está muitos metros abaixo da superfície, por isso temos que cavar fundo para encontrá-lo’, diz o engenheiro Carlos Mafei, da USP.” (Retirado do site Mundo Estranho. Grifos acrescidos)

À semelhança do que acontece na construção civil, a vida cristã precisa estar “solidamente assentada” de modo que não venha a apresentar deformações, rachaduras, ou terminar em desabamento.

“Portanto, assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu assentei em Sião uma pedra, pedra já provada, pedra preciosa, angular, solidamente assentada; aquele que crer não foge.” (Isaias 28.16)

Vida cristã bem alicerçada

Cristo é referido como o fundamento da igreja, isto é, a verdadeira e única base da nossa salvação (1Coríntios 3.11). Ele é a principal pedra, a pedra angular, de maneira que uma vida construída fora dEle, sobre a areia, pode até aparentar alguma beleza, todavia não terá firmeza suficiente nos alicerces para resistir à força das dificuldades.

“A fundação evita que qualquer estrutura, até mesmo uma casa, afunde – por isso, ela tem que ser posicionada diretamente abaixo dos pontos de apoio da futura construção.”

Precisamos ter muito cuidado com as aparências: duas casas, assim como dois cristãos, podem parecer iguais por fora, mas a diferença entre elas (e entre o cristão falso e o verdadeiro) será revelada quando vierem às provações, as rajadas de “vento” que ameaçam tudo destruir. O construtor sábio lança os fundamentos na Rocha firme.

Uma das principais técnicas utilizadas na construção civil – e também uma das mais caras – é o “barrete”, que serve para edifícios com vinte ou mais andares quando o solo não permite usar a fundação rasa. Com essa metáfora, que quero dizer que uma vida bem alicerçada exige um custo alto; e aqui não me refiro a valores auferidos através do dinheiro, mas a renúncia, obediência, submissão e muitas vezes sofrimento, perseguição e até mesmo martírio.

Seguir a Cristo exige um custo, todavia não poderíamos pagá-lo se o próprio Jesus, através do Seu sangue, não nos tivesse garantido acesso ao Pai. Nenhum preço pode ser maior do que esse. O segredo de uma vida cristã bem alicerçada é a profundidade do nosso relacionamento com o Deus que se revela ao Seu povo através das Escrituras. Uma vida cristã “rasa” tem como consequência cristãos superficiais.

Conclusão

Gostaria de encerrar comentando a seguinte frase: “Muitas vezes, o solo bom está muitos metros abaixo da superfície, por isso temos que cavar fundo para encontrá-lo.”

Deus não pode ser encontrado nessa forma de evangelho fácil que muitas “igrejas” ditas “cristãs” pregam, tampouco pode ser achado fora da Sua Palavra inerrante. Para encontrá-lo é preciso “cavar” fundo até achar o único caminho que conduz a Ele: Jesus. Somente uma vida bem alicerçada pode sustentar-nos frente a esse mundo de valores espúrios.

Quanto os desafios de ser cristão em um mundo de descrentes, não estamos a mercê do acaso, da sorte ou mesmo do destino. Deus controla o desenrolar dos fatos, ELE é o dono da história e nem mesmo um fio de cabelo que é arrancado da nossa cabeça, o é sem que Ele autorize. Regozijemo-nos nessa certeza!

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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Fundamentos destruídos

Áurea Emanoela

Fundamentos destruídos

“No SENHOR me refugio. Como dizeis, pois, à minha alma: Foge, como pássaro, para o teu monte? […] Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?” (Salmos 11.1,3).

Perseguido e ameaçado por seus inimigos, instado por seus amigos a fugir, a não resistir, a procurar um lugar que lhe abrigasse daqueles que demandavam contra a sua vida, o salmista reafirma sua confiança em Deus.

Em uma época de inversão vergonhosa de valores, qual é o fundamento da nossa fé? Sobre quais pilares temos edificado as nossas vidas? De que maneira temos vivido? Como somos vistos pelo mundo?

Durante alguns anos de sua vida, mesmo depois de ter sido ungido rei (pelo decreto soberano de Deus), Davi se viu obrigado a fugir da fúria assassina de Saul, e é nesse contexto, de perseguiçãoversus fuga, que o salmista, contrariando o conselho dos seus amigos, deposita sua confiança em Deus.

O cristão e o mundo

Como reagimos diante de uma sociedade que exalta os relacionamentos passageiros, o prazer em lugar do amor, a legalização de vícios e comportamentos lascivos, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a mentira em detrimento da verdade e tantas outras formas de corrupção humana?

Talvez, do mesmo modo como aconteceu a Davi, sejamos instados a fugir ou mesmo nos conformar com a degradação que nos cerca. Todavia, o apóstolo Paulo nos adverte:

“[…] não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12.2)

Em meio a uma sociedade adúltera, devemos transparecer os valores de Cristo, colocando-nos contra todas as distorções daqueles que pervertem a justiça e corrompem a glória de Deus.

“Não devemos ser como caniços agitados pelo vento, dobrando-nos diante das rajadas da opinião pública, mas tão inabaláveis quanto pedras em uma correnteza.” (John Stott)

O exemplo de Davi

Os companheiros de Davi deram-lhe bons motivos para buscar refúgio em outro lugar, de maneira que pudesse estar seguro das investidas de Saul:

“Porque eis aí os ímpios, armam o arco, dispõem a sua flecha na corda, para, às ocultas, dispararem contra os retos de coração” (Salmos 11.2)

Aqueles homens acreditavam que, se o salmista fugisse, deixando por algum tempo o lugar em que estava, certamente encontraria descanso para sua alma. Os companheiros de Davi descreveram a maneira sutil e covarde como agem os ímpios, arremetendo contra “os retos de coração”.

Embora a olhos humanos Davi tivesse bons motivos para “bater em retirada”, não é essa a sua decisão. Contrariando seus conselheiros, o salmista busca salvação em Deus:

“No SENHOR me refugio. Como dizeis, pois, à minha alma: Foge, como pássaro, para o teu monte?” (Salmos 11.1)

O salmista exalta a soberania de Deus, o seu cuidado para com os filhos dos homens, Davi afirma que coisa alguma passa despercebida aos olhos cuidadosos do Deus Todo-Poderoso. O Senhor perscruta todas as coisas e de maneira alguma está indiferente ao que acontece sobre a face da terra. Os amigos de Davi apenas olhavam para as coisas terrenas, mas o salmista fitava seus olhos nas celestiais, sabendo que Deus jamais cessou de reinar.

“O SENHOR está no seu santo templo; nos céus tem o SENHOR seu trono; os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam os filhos dos homens” (Salmos 11.4)

Davi reconhece que o Senhor põe à prova também ao justo, todavia não o condenará.

“O SENHOR põe à prova ao justo e ao ímpio; mas, ao que ama a violência, a sua alma o abomina” (Salmos 11.5).

O Senhor, do alto da sua soberania, permite a ação inescrupulosa dos homens, mas não retarda o seu juízo. As ações humanas limitam-se à vontade de Deus.

“Fará chover sobre os perversos brasas de fogo e enxofre, e vento abrasador será a parte do seu cálice. Porque o SENHOR é justo, ele ama a justiça; os retos lhe contemplarão a face” (Salmos 11.6-7)

O mundo caminha para a destruição dos alicerces, todavia, à semelhança de Davi, nossa confiança deve estar alicerçada no fato de que Deus reina eternamente e, ainda que todos os fundamentos se desfaçam:

“podemos sofrer com alegria, esperar com bom ânimo, aguardar pacientemente, orar fervorosamente, crer de maneira confiante e, finalmente triunfar” (Spurgeon)

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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Yago Martins – Deus é eterno, e eu…

Yago Martins

Deus e eu

“Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.” (Salmo 90.2)

“Quanto ao homem, os seus dias são como a relva; como a flor do campo, assim ele floresce; pois, soprando nela o vento, desaparece; e não conhecerá, daí em diante, o seu lugar.” (Salmo 103.15-16)

As Escrituras nos deixam claro que Deus é um ser eterno. Antes da criação do tempo, Ele estava lá. Constantemente, somos remetidos ao “Deus eterno”, que nos abençoa ao estender seus “braços eternos” em nosso favor (Deuteronômio 33.27). Não é à toa que Ele é “o Alfa e o Ômega”, “aquele que é, que era e que há de vir” (Apocalipse 1.8; 4.8). Em Jó 36.26, Eliú diz acerca de Deus que “o número dos seus anos não se pode calcular” e o próprio Jesus deixa claro sobre Si: “antes que Abraão existisse, EU SOU” (João 8.58). Em Gênesis 21.33, diz-se que Ele é “o Deus eterno”. Isaias declara que Ele é “desde a antiguidade” (Isaías 45.21). O Livro dos Salmos revela que Ele é “de eternidade a eternidade” (41.13) e “desde a eternidade” (93.2), de modo que devemos bendizer ao Senhor “de eternidade em eternidade” (Neemias 9.5). No Salmo 90, ouvimos o louvor apaixonado declarar que Deus está muito acima das nossas concepções de tempo: “Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite” (v. 4). Pedro ecoa essa mesma ideia ao escrever que “para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia” (2 Pedro 3.8).

Mas… E eu?

Deus é eterno, mas nós não somos. A qualquer momento, esta nossa breve e frágil vida pode acabar. Como alguém certa vez disse, “um puxão no gatilho e já era. Um tropeção na bordinha. Atropelado na estrada, engasgado com osso de galinha, esfaqueado, acidentado, doente, traído… Tantas formas de morrer que me admiro ainda estar vivo”.

A Escritura testifica, em vários locais e de várias maneiras, acerca da brevidade da existência humana. Isaias usa palavras poéticas: “Seca-se a erva, e caem as flores, soprando nelas o hálito do SENHOR. Na verdade, o povo é erva; seca-se a erva, e cai a sua flor…” (Isaías 40.7,8). Davi, por sua vez, entoou um louvor, dizendo: “como a sombra são os nossos dias sobre a terra, e não há outra esperança” (1Crônicas 29.15). O salmista, por várias vezes, entoou a Deus: “Pois todos os nossos dias vão passando…; acabam-se os nossos anos como um conto ligeiro”, “Porque o homem, são seus dias como a erva; como a flor do campo, assim floresce; pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não conhece mais” e “O homem é semelhante à vaidade; os seus dias são como a sombra que passa.” (Salmo 90.9; 103.15-16; 144.4). Tiago ensinou sobre esse tema ao povo que vivia em meio a vários sofrimentos: “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco e depois se desvanece” (Tiago 4.14).

Creio que ninguém lamentou mais a brevidade da vida do que Jó: “Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão e perecem sem esperança”, “a minha vida é como o vento”, “nossos dias sobre a terra são como a sombra”, “os meus dias são mais velozes do que um corredor; fugiram e nunca viram o bem. Passam como navios velozes, como águia que se lança à comida”, “sai como a flor e se seca; foge também como a sombra e não permanece” (Jó 7.6-7; 8.9; 9.25-26; 14.2).

Certo, mas… E daí?

Primeiro, isso nos leva a adorar o Senhor como Aquele que está acima do tempo. Muitas vezes, o modo como louvamos a Deus é extremamente vago e sem conteúdo. Clichês como “aleluia”, “eu Te amo” ou “glória a Deus” são repetidos como mantras, a fim de suprir nossa falta de “assunto” em nossas orações. Que tal tirar um tempo para engrandecer o nome de Deus pela Sua eternidade? Glorifique ao Senhor como Aquele que está sobre todo o tempo, regendo a história de acordo com Sua vontade.

Segundo, isso nos faz considerar a brevidade das coisas. Sempre que vamos comprar algo novo, costumamos escolher aquilo que terá a melhor vida útil. Eu não compraria um iPod novo se soubesse que ele vai quebrar em 3 dias. Porém, como esquecemos que essa vida passa, e passa rápido, acabamos nos apegando a coisas que em breve desaparecerão. Que tal observar o que realmente é útil para você e o que é só vaidade inútil? Parafraseando John Stott, a vida é nada mais que um estado intermediário entre dois momentos de nudez; portanto, seria bom que transitássemos com o mínimo possível.

Terceiro, isso nos faz considerar a brevidade da vida. Por que não deixar para amanhã o que eu não quero fazer hoje? Simplesmente por que o amanhã pode nunca chegar. Não deixe para fazer o bem só amanhã, não espere se formar para fazer alguma diferença na vida de alguém, não ache que só será feliz quando ________ (complete com seu sonho de vida). Dedique-se a Deus hoje, agora, neste instante. Imagine que sua centelha de vida está quase no fim: como você quer viver esses últimos dias? Espero que seja queimando no altar de Deus, cumprindo vigorosamente Sua vontade.

E por fim, isso nos faz considerar nossa eternidade. A verdade é que, ainda que nossa vida seja breve, nós somos seres eternos. Minha pergunta final é: onde será a sua eternidade? No céu ou no inferno? Você já confiou em Cristo como Aquele que amou você desde antes da eternidade e que morreu na cruz para salvar você dos seus pecados, de modo que agora você vive uma vida de acordo com Seus ensinos e práticas? Se não, considere isto seriamente, toda sua eternidade depende disto: ou eternamente junto de Deus, saboreando Seu amor, ou eternamente longe de Deus, recebendo Sua ira.

Eterno Senhor,
eu Te exalto como Pai do Tempo
e Rei sobre todas as Eras.
Que Tu me ilumines neste dia,
mostrando-me que as coisas são passageiras,
de modo que elas apenas devem servir à Tua glória
e aos referenciais eternos.
Faze-me ver que a vida é breve
e que a qualquer momento posso desfalecer
e descer à sepultura.
Faz-me viver o hoje para Ti, ó Deus.
Que eu considere o destino eterno de minha alma.
Que eu escolha a eternidade junto de Ti.
Eternamente, Te louvo!

“Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, da eternidade para a eternidade! Amém, amém!” (Salmo 41.13)

Por: Yago Martins | PreciosoCristo | Original aqui.
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Meditações em Filipenses (IV): Tudo coopera para a glória de Deus

Vinícius S. Pimentel

Meditações em Filipenses

Quero ainda, irmãos, cientificar-vos de que as coisas que me aconteceram têm, antes, contribuído para o progresso do evangelho; de maneira que as minhas cadeias, em Cristo, se tornaram conhecidas de toda a guarda pretoriana e de todos os demais; e a maioria dos irmãos, estimulados no Senhor por minhas algemas, ousam falar com mais desassombro a palavra de Deus. Alguns, efetivamente, proclamam a Cristo por inveja e porfia; outros, porém, o fazem de boa vontade; estes, por amor, sabendo que estou incumbido da defesa do evangelho; aqueles, contudo, pregam a Cristo, por discórdia, insinceramente, julgando suscitar tribulação às minhas cadeias. Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei. (Filipenses 1.12-18)

Introdução

Tendo concluído a sua oração de gratidão e súplica pelos filipenses, o apóstolo Paulo passa a falar aos crentes a respeito das últimas notícias relacionadas à sua prisão.

Aparentemente, o encarceramento de Paulo havia provocado na igreja de Filipos uma certa tristeza e ansiedade. Pelo que podemos inferir das Sagradas Escrituras, os irmãos estavam preocupados que a prisão de Paulo atrapalhasse o avanço do evangelho no mundo e, ao mesmo tempo, temiam que o apóstolo acabasse sendo condenado à morte pelas autoridades do Império Romano.

A passagem que vai do versículo 12 ao versículo 26 nos revela de maneira muito forte a tranquilidade e, mais do que isso, a alegria do coração de Paulo em meio a todas essas circunstâncias adversas. O apóstolo escreve aos crentes em Filipos para dizer-lhes que não havia motivo de preocupação, pois, qualquer que fosse o desfecho do seu encarceramento, o nome de Deus seria glorificado.

Com efeito, podemos dividir esta seção em duas partes principais. Na primeira delas (v. 12-18), Paulo tranquiliza os filipenses no tocante à sua preocupação de que o encarceramento do apóstolo pudesse resultar no fracasso do evangelho e na derrota da igreja. Na segunda parte (v. 19-26), ele procura dissipar o temor dos irmãos de que a sua prisão terminasse por levá-lo à própria morte.

Nesta meditação, cuidaremos de estudar a primeira parte do discurso de Paulo. Observaremos a maneira como o apóstolo aborda as suas tribulações e a confiança que ele possui em relação ao progresso e ao triunfo do evangelho no mundo.

A prisão de Paulo e a glória de Deus

Meditemos, em primeiro lugar, na maneira como o apóstolo contempla o seu próprio sofrimento. Ouçamos as suas palavras e guardemos a riqueza de ensinamento prático contida nesta declaração: “Quero ainda, irmãos, cientificar-vos de que as coisas que me aconteceram têm, antes, contribuído para o progresso do evangelho” (v. 12).

Há duas lições extremamente importantes a serem consideradas aqui.

Primeiro, aprendemos que os sofrimentos os quais enfrentamos não são mais importantes que a glória de Deus.

Como já temos demonstrado, o apóstolo Paulo estava preso, e o risco de que o seu cárcere terminasse numa condenação à morte era bastante real. Numa situação como essa, que tipo de pensamento dominaria a nossa mente? Tristeza? Solidão? Medo de morrer?

Paulo era um homem sujeito às mesmas fraquezas que nós e, talvez, pensamentos assim tenham passado pela sua cabeça. Todavia, quando meditamos na declaração que acabamos de ler, vemos com muita clareza que o apóstolo não estava dominado por esses temores. Nada disso estava consumindo a sua mente; muito pelo contrário, ao invés de preocupar-se com o seu próprio bem-estar, Paulo estava pensando no avanço do evangelho e no bem-estar da igreja. A sua atenção, portanto, estava voltada para a glória de Deus.

É impossível deixar de reconhecer o caráter sobrenatural e celestial desse tipo de pensamento. Nós somos naturalmente inclinados a pensar em nós mesmos antes de todas as coisas; nossa natureza carnal e pecaminosa nos impulsiona a considerarmos a nossa vida mais preciosa do que tudo o mais. Porém, não foi isso que Cristo nos ensinou. Ele nos disse que desprezar esta vida terrena é o único caminho para possuir a verdadeira vida, aquela que é eterna e celestial: “Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á” (Mateus 16.25).

Aqui, neste texto, nós vemos o apóstolo Paulo atendendo ao chamado de Cristo de uma maneira bastante real e concreta. A sua vida está por um triz, mas ele não demonstra estar preocupado; pelo contrário, ele está feliz com o fato de que os seus sofrimentos estão resultando em mais frutos para o evangelho e mais glória para Deus!

Você é capaz de ver as suas lutas, tribulações e dificuldades dessa maneira? Você consegue alegrar-se no sofrimento, à medida que percebe que as nossas aflições enquanto cristãos apenas servem para que Deus realize os Seus bons propósitos e glorifique o Seu grande nome?

Segundo, aprendemos que as nossas limitações pessoais não impedem o cumprimento dos planos e promessas de Deus.

Paulo era “o apóstolo dos gentios”. Ele havia sido soberanamente chamado por Deus para levar o Evangelho às nações além de Israel. No momento de sua primeira prisão, o apóstolo já tinha fundado inúmeras igrejas por grande parte do Império Romano; entretanto, ainda havia muitas cidades onde o evangelho precisava ser anunciado, muitas nações onde Cristo ainda não era conhecido.

A prisão de Paulo, portanto, podia levantar a seguinte dúvida: O que acontecerá com o progresso do evangelho? Será que a fé cristã deixará de avançar? Será que o crescimento do evangelho estagnará e, por fim, a Igreja morrerá?

O apóstolo responde a essa inquietação com um sonoro “Não!”. Obviamente, Paulo estava ciente de que absolutamente nada pode impedir o avanço do reino de Deus: nem a oposição dos incrédulos, nem a fúria de todos os demônios, nem as limitações pessoais dos ministros da nova aliança. Absolutamente nada pode evitar que Deus cumpra a Sua promessa de fazer o Seu nome conhecido em toda a terra e ajuntar, de todas as nações, um povo para Si mesmo. O apóstolo certamente conhecia as palavras de Jesus: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16.18).

Paulo tinha certeza, portanto, de que a sua prisão não constituía um entrave ao progresso do evangelho. No fim de sua vida, ele escreveria estas palavras ainda mais ousadas: “[…] estou sofrendo até algemas, como malfeitor; contudo, a palavra de Deus não está algemada” (2Timóteo 2.9). Os homens podem prender os ministros do evangelho, algemá-los, calá-los e até matá-los. Mas eles não podem fazer isso com Deus nem com a Sua palavra. Portanto, como certa vez asseverou o missionário William Carey, podemos estar confiantes de que “a causa de Deus triunfará”.

Há algo ainda mais interessante aqui. O apóstolo não apenas tem confiança de que a sua prisão não resultará no fracasso do evangelho, mas ele também enxerga que aquela circunstância efetivamente contribui para o progresso da causa de Cristo no mundo.

De um lado, Paulo vê que a sua prisão lhe permitiu pregar para os soldados do imperador e de muitos outros que estavam entrando em contato, direta ou indiretamente, com a fé evangélica. Ele diz: “[…] as minhas cadeias, em Cristo, se tornaram conhecidas de toda a guarda pretoriana e de todos os demais” (v. 13). A prisão de Paulo, de fato, havia sido o meio usado por Deus para que o evangelho chegasse ao exército romano.

De outro lado, o apóstolo observa que o seu encarceramento havia despertado em muitos irmãos uma coragem ainda maior para pregar o evangelho. Nós lemos que “[…] a maioria dos irmãos, estimulados no Senhor por minhas algemas, ousam falar com mais desassombro a palavra de Deus” (v. 14). Isso é muito interessante. Tanto na narrativa bíblica como na história da Igreja, nós vemos que a perseguição aos cristãos nunca inibe a pregação da Palavra; pelo contrário, Deus usa os sofrimentos de alguns para estimular os demais a serem ainda mais firmes e ousados no desafio de anunciar o nome de Jesus.

Você consegue enxergar as suas próprias limitações dessa maneira? Você consegue perceber como Deus usa as dificuldades e aflições que enfrentamos para tornar o Seu nome ainda mais divulgado no mundo? Que o Senhor nos conceda tal visão celestial!

A pregação interesseira e a glória de Deus

Meditemos, em segundo lugar, na maneira como o apóstolo lida com a pregação interesseira do evangelho. Depois de afirmar que a sua prisão estava estimulando muitos irmãos a pregarem a Palavra de Deus, ele observa que nem todos esses pregadores tinham em seu coração a motivação correta. Alguns de fato estavam proclamando a Cristo “de boa vontade”; outros, porém, estavam levando a Palavra “por inveja e porfia [rivalidade]” (v. 15). Alguns tinham sincero amor por Deus e pelo apóstolo Paulo, e desejavam sinceramente contribuir para que a sua prisão não atrapalhasse o avanço do evangelho entre as nações (v. 16). Porém, outros nutriam terrível inveja do ministério de Paulo e estavam aproveitando a situação para, de alguma maneira, roubar o lugar que o apóstolo tinha na igreja, pela graça de Deus (v. 17).

A maneira como Paulo reage a esses pregadores invejosos e interesseiros é de fato surpreendente. Porém, para que possamos entendê-la melhor, precisamos fazer algumas considerações antes de meditarmos efetivamente na reação do apóstolo.

Devemos observar, por um lado, que o pecado desses ministros não estava no conteúdo da mensagem pregada, mas na intenção do seu coração. Se o problema estivesse na mensagem anunciada, a reação de Paulo seria, sem dúvida, bastante diferente: ele iria fazê-los calar (Tito 1.11), ordenaria aos irmãos que se afastassem daqueles falsos mestres (Romanos 16.17-18) e pronunciaria sobre eles uma terrível maldição (“Seja anátema!”, Gálatas 1.8-9). Paulo jamais tolerou ou toleraria o falso ensino na Igreja de Deus, uma vez que o falso evangelho leva os homens à condenação eterna. Porém, aqui, os ministros estão anunciando o evangelho de forma correta, e muitos ouvintes estão sendo salvos; é a motivação deles que está errada e, por isso, é apenas a eternidade deles (os ministros) que está em jogo.

Isso nos leva, por outro lado, a uma segunda observação: nós não podemos ultrapassar o que está escrito e achar que Paulo está ensinando não haver problema na motivação invejosa daqueles pregadores. Ao contrário: em outra parte desta epístola, Paulo dirá explicitamente que o destino dos pregadores interesseiros é a perdição (Fp 3.19).

Tendo estabelecido essas observações, meditemos de fato na reação do apóstolo diante desses pregadores invejosos. Será que Paulo ficou preocupado em perder espaço? Será que ele teve medo de que um líder mais carismático tomasse o seu lugar, ganhando o amor e o cuidado das igrejas que ele havia fundado e discipulado? Será que ele se aborreceu com tais pregadores, pelo fato de eles estarem tentando usurpar a sua autoridade apostólica?

A Escritura nos mostra que Paulo não teve nenhuma dessas reações pecaminosas. Ele não retribuiu a inveja dos ministros com mais inveja, pois ele mesmo costumava ensinar os cristãos a vencerem o mal com o bem (Romanos 12.21). Diversamente, o apóstolo mostra mais uma vez que a sua preocupação primordial não é consigo mesmo, mas com a causa de Cristo. Se ele não estava temeroso quanto ao seu bem-estar e à sua liberdade, como já vimos, tampouco ele estaria temeroso quanto à sua reputação no ministério ou o seu espaço na igreja!

A resposta de Paulo expressa claramente o seu interesse exclusivo no progresso do evangelho, em detrimento do seu prestígio pessoal. “Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei” (v. 18). De fato, ao invés de expressar ciúme ou amargura, o apóstolo demonstra intensa alegria. Ele estava sinceramente feliz com aquela situação – não exatamente com o fato de haver ministros invejosos na igreja, mas sim porque Deus estava usando a motivação pecaminosa daqueles homens para tornar o evangelho de Cristo ainda mais conhecido no mundo e crido entre as nações.

Em suma, ao meditarmos em toda esta passagem vemos que Paulo deposita a sua alegria e confiança inteiramente em Deus. Todo o seu interesse está na causa do reino, de maneira que tudo o que coopera para o avanço do evangelho é visto pelo apóstolo como uma razão para se alegrar – ainda que seja a perda da sua própria liberdade. Ao mesmo tempo, toda a confiança de Paulo está no Deus soberano; o apóstolo está certo de que absolutamente nenhuma circunstância pode impedir que o Senhor cumpra os Seus planos e promessas estabelecidos de antemão.

Que possamos ter também semelhante coração, que se alegra inteiramente na vinda do reino e confia inteiramente na providência do Deus todo-poderoso!

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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Yago Martins – Deus e eu: Como os atributos divinos transformam minha vida diária (Introdução)

Yago Martins

Deus e eu

Introdução

“Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.” Muitas vezes, é isso que ouvimos de nossos amigos quando eles tentam nos mostrar que dois fatores não estão relacionados um ao outro, ainda que aparentemente estejam. Seja intencional ou não, nós acabamos adotando de modo exagerado esse mesmo pensamento em nossa doutrina. Por isso, acabamos nos deparando com falsas dicotomias como “ou tolerância ao diferente ou firmeza doutrinária”, “ou amor pelos homossexuais ou combate à prática homoafetiva”, “ou profundidade teológica ou dedicação à evangelização”. Creio que não exista um único cristão neste país que não haja tido contato com essas falsas oposições – pontos que deviam estar juntos, como teologia e evangelismo, mas que são tratados como inimigos entre si. Corremos o risco de separar aquilo que Deus uniu.

Esse mesmo erro já atingiu o modo como nós pensamos sobre o Ser de Deus. O nosso pensamento é que a pessoa de Deus e os Seus atributos são um assunto metafísico, intangível, ininteligível e até metafórico. Dedicar-nos a estudar sobre soberania, autoexistência, trindade e onipresença soa como “coisa de teólogo”, mero capricho intelectual ou pura perda de tempo. Achamos que o que é palpável é melhor – e como não seria? Com tantas vidas perdidas, tantos crentes fracos, tantos pecados a vencer e tantos pobres a ajudar, como poderemos gastar nosso tempo tentando entender algo que não nos servirá para nada além de intermináveis debates acalorados?

O que eu desejo com esta série de posts é mostrar que pensar sobre Deus não é algo meramente metafísico – sim, é metafísico –, mas algo que influencia de modo crucial a nossa vida. A Escritura testifica claramente sobre isso.

Conhecer ao Senhor nos fará crentes fortes e poderosos. “O povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e fará proezas” (Daniel 11.32). Entender sobre o Senhor não é um tema de escritório ou de bibliotecas, é um assunto para discipulados, aconselhamentos e pregações. Crentes fracos e desanimados precisam conhecer o Rei dos Reis a fim de adquirirem aço em seus músculos espirituais. Está precisando de força? Conheça a Deus!

Conhecer ao Senhor nos fará crentes motivados. Qual a motivação que Cristo deu para Seus apóstolos e para todos nós na Grande Comissão? Seu poder: “É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos” (Mateus 28.18-19). É por que Cristo recebeu todo o poder em Sua ressurreição que temos um motivo para evangelizar. Está desmotivado? Conheça a Deus!

Conhecer ao Senhor nos fará crentes animados. Paulo tinha todos os motivos para desanimar em seu ministério. Todos, menos um: “tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos” (2Coríntios 4.1). Por que ele não desfalecia? Por que ele entendia que o serviço era uma manifestação das misericórdias de Deus. Está pensando em desistir? Conheça a Deus!

Conhecer ao Senhor nos fará crentes maravilhados. Foi o que aconteceu com Paulo. Após falar sobre pontos dos mais controversos sobre teologia, envolvendo assuntos como sofrimento, predestinação e o papel dos judeus na nova aliança, ele louva a Deus, maravilhado: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Romanos 11.33). Não há como não ficarmos atônitos diante de beleza tão sublime. Muitos viajam por vários países e gastam fortunas a fim de encontrar algo que os deixe maravilhados. Nós, porém, possuímos a maior maravilha do universo como Pai – como negligenciá-Lo? Quer ficar mudo diante de tanta beleza? Conheça a Deus!

Conhecer a Deus nos fará crentes adoradores. Os salmos deixam muito claro que adoraremos ao Senhor motivados pelo que conhecemos Dele: “Louvai ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre” (Salmo 136.1); “Louvarei o teu nome pela tua benignidade, e pela tua verdade; pois engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome. […] Todos os reis da terra te louvarão […] e cantarão os caminhos do SENHOR; pois grande é a glória do SENHOR.” (138.2,4,5) e “Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem” (139:14) – só para citar alguns poucos exemplos. Quer ser um adorador em espírito e em verdade? Conheça a Deus!

Esta será a nossa aventura. Não espere academicismo, longas citações de teólogos do passado ou referências às confissões de fé históricas. Vamos passear pela Palavra, como quem anda no parque – e colheremos as melhores rosas que encontrarmos: não para uma aula de botânica, mas para apreciar o aroma. Em alguns momentos, estaremos gratos pela Misericórdia; em outros, assombrados pela Ira; quem sabe, regozijando pelo Amor; depois, tremendo pela Santidade. No entanto, de qualquer modo, não estaremos dissecando Deus como a um sapo na mesa do laboratório. Estaremos estudando-O como um casal apaixonado o faz: buscando descobrir como agradar aquele a quem amamos. E, principalmente, tentando responder, como diria Paulo, “que diremos, pois, diante destas coisas?” – ou, no popular, “o que eu tenho a ver com isso?”

Seja bem vindo, e boa viagem.

Por: Yago Martins | PreciosoCristo | Original aqui.
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