Yago Martins – Deus é eterno, e eu…

Yago Martins

Deus e eu

“Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.” (Salmo 90.2)

“Quanto ao homem, os seus dias são como a relva; como a flor do campo, assim ele floresce; pois, soprando nela o vento, desaparece; e não conhecerá, daí em diante, o seu lugar.” (Salmo 103.15-16)

As Escrituras nos deixam claro que Deus é um ser eterno. Antes da criação do tempo, Ele estava lá. Constantemente, somos remetidos ao “Deus eterno”, que nos abençoa ao estender seus “braços eternos” em nosso favor (Deuteronômio 33.27). Não é à toa que Ele é “o Alfa e o Ômega”, “aquele que é, que era e que há de vir” (Apocalipse 1.8; 4.8). Em Jó 36.26, Eliú diz acerca de Deus que “o número dos seus anos não se pode calcular” e o próprio Jesus deixa claro sobre Si: “antes que Abraão existisse, EU SOU” (João 8.58). Em Gênesis 21.33, diz-se que Ele é “o Deus eterno”. Isaias declara que Ele é “desde a antiguidade” (Isaías 45.21). O Livro dos Salmos revela que Ele é “de eternidade a eternidade” (41.13) e “desde a eternidade” (93.2), de modo que devemos bendizer ao Senhor “de eternidade em eternidade” (Neemias 9.5). No Salmo 90, ouvimos o louvor apaixonado declarar que Deus está muito acima das nossas concepções de tempo: “Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite” (v. 4). Pedro ecoa essa mesma ideia ao escrever que “para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia” (2 Pedro 3.8).

Mas… E eu?

Deus é eterno, mas nós não somos. A qualquer momento, esta nossa breve e frágil vida pode acabar. Como alguém certa vez disse, “um puxão no gatilho e já era. Um tropeção na bordinha. Atropelado na estrada, engasgado com osso de galinha, esfaqueado, acidentado, doente, traído… Tantas formas de morrer que me admiro ainda estar vivo”.

A Escritura testifica, em vários locais e de várias maneiras, acerca da brevidade da existência humana. Isaias usa palavras poéticas: “Seca-se a erva, e caem as flores, soprando nelas o hálito do SENHOR. Na verdade, o povo é erva; seca-se a erva, e cai a sua flor…” (Isaías 40.7,8). Davi, por sua vez, entoou um louvor, dizendo: “como a sombra são os nossos dias sobre a terra, e não há outra esperança” (1Crônicas 29.15). O salmista, por várias vezes, entoou a Deus: “Pois todos os nossos dias vão passando…; acabam-se os nossos anos como um conto ligeiro”, “Porque o homem, são seus dias como a erva; como a flor do campo, assim floresce; pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não conhece mais” e “O homem é semelhante à vaidade; os seus dias são como a sombra que passa.” (Salmo 90.9; 103.15-16; 144.4). Tiago ensinou sobre esse tema ao povo que vivia em meio a vários sofrimentos: “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco e depois se desvanece” (Tiago 4.14).

Creio que ninguém lamentou mais a brevidade da vida do que Jó: “Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão e perecem sem esperança”, “a minha vida é como o vento”, “nossos dias sobre a terra são como a sombra”, “os meus dias são mais velozes do que um corredor; fugiram e nunca viram o bem. Passam como navios velozes, como águia que se lança à comida”, “sai como a flor e se seca; foge também como a sombra e não permanece” (Jó 7.6-7; 8.9; 9.25-26; 14.2).

Certo, mas… E daí?

Primeiro, isso nos leva a adorar o Senhor como Aquele que está acima do tempo. Muitas vezes, o modo como louvamos a Deus é extremamente vago e sem conteúdo. Clichês como “aleluia”, “eu Te amo” ou “glória a Deus” são repetidos como mantras, a fim de suprir nossa falta de “assunto” em nossas orações. Que tal tirar um tempo para engrandecer o nome de Deus pela Sua eternidade? Glorifique ao Senhor como Aquele que está sobre todo o tempo, regendo a história de acordo com Sua vontade.

Segundo, isso nos faz considerar a brevidade das coisas. Sempre que vamos comprar algo novo, costumamos escolher aquilo que terá a melhor vida útil. Eu não compraria um iPod novo se soubesse que ele vai quebrar em 3 dias. Porém, como esquecemos que essa vida passa, e passa rápido, acabamos nos apegando a coisas que em breve desaparecerão. Que tal observar o que realmente é útil para você e o que é só vaidade inútil? Parafraseando John Stott, a vida é nada mais que um estado intermediário entre dois momentos de nudez; portanto, seria bom que transitássemos com o mínimo possível.

Terceiro, isso nos faz considerar a brevidade da vida. Por que não deixar para amanhã o que eu não quero fazer hoje? Simplesmente por que o amanhã pode nunca chegar. Não deixe para fazer o bem só amanhã, não espere se formar para fazer alguma diferença na vida de alguém, não ache que só será feliz quando ________ (complete com seu sonho de vida). Dedique-se a Deus hoje, agora, neste instante. Imagine que sua centelha de vida está quase no fim: como você quer viver esses últimos dias? Espero que seja queimando no altar de Deus, cumprindo vigorosamente Sua vontade.

E por fim, isso nos faz considerar nossa eternidade. A verdade é que, ainda que nossa vida seja breve, nós somos seres eternos. Minha pergunta final é: onde será a sua eternidade? No céu ou no inferno? Você já confiou em Cristo como Aquele que amou você desde antes da eternidade e que morreu na cruz para salvar você dos seus pecados, de modo que agora você vive uma vida de acordo com Seus ensinos e práticas? Se não, considere isto seriamente, toda sua eternidade depende disto: ou eternamente junto de Deus, saboreando Seu amor, ou eternamente longe de Deus, recebendo Sua ira.

Eterno Senhor,
eu Te exalto como Pai do Tempo
e Rei sobre todas as Eras.
Que Tu me ilumines neste dia,
mostrando-me que as coisas são passageiras,
de modo que elas apenas devem servir à Tua glória
e aos referenciais eternos.
Faze-me ver que a vida é breve
e que a qualquer momento posso desfalecer
e descer à sepultura.
Faz-me viver o hoje para Ti, ó Deus.
Que eu considere o destino eterno de minha alma.
Que eu escolha a eternidade junto de Ti.
Eternamente, Te louvo!

“Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, da eternidade para a eternidade! Amém, amém!” (Salmo 41.13)

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Yago Martins – Deus e eu: Como os atributos divinos transformam minha vida diária (Introdução)

Yago Martins

Deus e eu

Introdução

“Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.” Muitas vezes, é isso que ouvimos de nossos amigos quando eles tentam nos mostrar que dois fatores não estão relacionados um ao outro, ainda que aparentemente estejam. Seja intencional ou não, nós acabamos adotando de modo exagerado esse mesmo pensamento em nossa doutrina. Por isso, acabamos nos deparando com falsas dicotomias como “ou tolerância ao diferente ou firmeza doutrinária”, “ou amor pelos homossexuais ou combate à prática homoafetiva”, “ou profundidade teológica ou dedicação à evangelização”. Creio que não exista um único cristão neste país que não haja tido contato com essas falsas oposições – pontos que deviam estar juntos, como teologia e evangelismo, mas que são tratados como inimigos entre si. Corremos o risco de separar aquilo que Deus uniu.

Esse mesmo erro já atingiu o modo como nós pensamos sobre o Ser de Deus. O nosso pensamento é que a pessoa de Deus e os Seus atributos são um assunto metafísico, intangível, ininteligível e até metafórico. Dedicar-nos a estudar sobre soberania, autoexistência, trindade e onipresença soa como “coisa de teólogo”, mero capricho intelectual ou pura perda de tempo. Achamos que o que é palpável é melhor – e como não seria? Com tantas vidas perdidas, tantos crentes fracos, tantos pecados a vencer e tantos pobres a ajudar, como poderemos gastar nosso tempo tentando entender algo que não nos servirá para nada além de intermináveis debates acalorados?

O que eu desejo com esta série de posts é mostrar que pensar sobre Deus não é algo meramente metafísico – sim, é metafísico –, mas algo que influencia de modo crucial a nossa vida. A Escritura testifica claramente sobre isso.

Conhecer ao Senhor nos fará crentes fortes e poderosos. “O povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e fará proezas” (Daniel 11.32). Entender sobre o Senhor não é um tema de escritório ou de bibliotecas, é um assunto para discipulados, aconselhamentos e pregações. Crentes fracos e desanimados precisam conhecer o Rei dos Reis a fim de adquirirem aço em seus músculos espirituais. Está precisando de força? Conheça a Deus!

Conhecer ao Senhor nos fará crentes motivados. Qual a motivação que Cristo deu para Seus apóstolos e para todos nós na Grande Comissão? Seu poder: “É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos” (Mateus 28.18-19). É por que Cristo recebeu todo o poder em Sua ressurreição que temos um motivo para evangelizar. Está desmotivado? Conheça a Deus!

Conhecer ao Senhor nos fará crentes animados. Paulo tinha todos os motivos para desanimar em seu ministério. Todos, menos um: “tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos” (2Coríntios 4.1). Por que ele não desfalecia? Por que ele entendia que o serviço era uma manifestação das misericórdias de Deus. Está pensando em desistir? Conheça a Deus!

Conhecer ao Senhor nos fará crentes maravilhados. Foi o que aconteceu com Paulo. Após falar sobre pontos dos mais controversos sobre teologia, envolvendo assuntos como sofrimento, predestinação e o papel dos judeus na nova aliança, ele louva a Deus, maravilhado: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Romanos 11.33). Não há como não ficarmos atônitos diante de beleza tão sublime. Muitos viajam por vários países e gastam fortunas a fim de encontrar algo que os deixe maravilhados. Nós, porém, possuímos a maior maravilha do universo como Pai – como negligenciá-Lo? Quer ficar mudo diante de tanta beleza? Conheça a Deus!

Conhecer a Deus nos fará crentes adoradores. Os salmos deixam muito claro que adoraremos ao Senhor motivados pelo que conhecemos Dele: “Louvai ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre” (Salmo 136.1); “Louvarei o teu nome pela tua benignidade, e pela tua verdade; pois engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome. […] Todos os reis da terra te louvarão […] e cantarão os caminhos do SENHOR; pois grande é a glória do SENHOR.” (138.2,4,5) e “Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem” (139:14) – só para citar alguns poucos exemplos. Quer ser um adorador em espírito e em verdade? Conheça a Deus!

Esta será a nossa aventura. Não espere academicismo, longas citações de teólogos do passado ou referências às confissões de fé históricas. Vamos passear pela Palavra, como quem anda no parque – e colheremos as melhores rosas que encontrarmos: não para uma aula de botânica, mas para apreciar o aroma. Em alguns momentos, estaremos gratos pela Misericórdia; em outros, assombrados pela Ira; quem sabe, regozijando pelo Amor; depois, tremendo pela Santidade. No entanto, de qualquer modo, não estaremos dissecando Deus como a um sapo na mesa do laboratório. Estaremos estudando-O como um casal apaixonado o faz: buscando descobrir como agradar aquele a quem amamos. E, principalmente, tentando responder, como diria Paulo, “que diremos, pois, diante destas coisas?” – ou, no popular, “o que eu tenho a ver com isso?”

Seja bem vindo, e boa viagem.

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Apresentando a fé e o arrependimento (III)

Greg Gilbert

(Leia a PARTE 1 e a PARTE 2)

Apresentando a fé e o arrependimento

Arrependimento, não perfeição, mas lutar

Arrependimento do pecado não significa necessariamente que você para de pecar – não totalmente e, com muita frequência, não em áreas específicas. Os cristãos ainda são pecadores caídos, mesmo depois de haverem recebido de Deus uma nova vida espiritual, e continuarão a lutar contra o pecado, até serem glorificados com Jesus (veja Gálatas 5.17; 1 João 2.1). contudo, ainda que o arrependimento não signifique um fim imediato de nosso pecar, ele significa que não mais viveremos em paz com nosso pecado. Declararemos guerra mortal contra o pecado e nos dedicaremos a resistir-lhe pelo poder de Deus em todas as frentes de nossa vida.

Muitos cristãos combatem fortemente essa ideia de arrependimento porque esperam, de algum modo, que se eles se arrependerem genuinamente, o pecado irá embora e a tentação cessará. Quando isso não acontece, eles caem em desespero, questionando a si mesmos quanto à realidade de sua fé em Jesus. É verdade que, ao regenerar-nos, Deus nos dá poder para lutar contra o pecado e vencê-lo (1 Coríntios 10.13). mas, visto que continuaremos a lutar contra o pecado até que sejamos glorificados, temos de lembrar que o arrependimento verdadeiro é, mais fundamentalmente, uma questão de atitude do coração para com o pecado, e não uma simples mudança de comportamento. Odiamos o pecado e lutamos contra ele ou apreciamos o pecado e o defendemos?

Um escritor expressou essa verdade com muita beleza:

“A diferença entre um não-convertido e um convertido não é que um tem pecados e o outro não tem nenhum. A diferença é que um se coloca ao lado de seus pecados queridos em oposição a um Deus terrível, e o outro se coloca ao lado de um Deus reconciliado em oposição aos seus pecados odiados.”

Então, em que lado você se coloca: de seus pecados ou de seu Deus?

Para onde você apontará?

Quando você estiver diante de Deus, no julgamento, o que você planeja fazer ou dizer para convencer a Deus a considera-lo justo e admiti-lo a todas as bênçãos do reino dele? Que boas ações ou atitudes piedosas você lhe apresentará para impressioná-lo? Você apresentará sua frequência à igreja? Sua vida familiar? Seus pensamentos impecáveis? O fato de que você não fez algo realmente deplorável aos seus próprios olhos? Duvido que se apresentará a Deus e lhe dirá: “Deus, por conta de tudo isso, justifique-me!”

Eu lhe direi o que fará todo cristão cuja fé está somente em Cristo, pela graça de Deus. Ele apontará simples e tranquilamente para Jesus. E este será o seu apelo: “Ó Deus, não olhe para qualquer justiça que haja em minha própria vida. Olhe para seu Filho. Considere-me justo não por causa de qualquer coisa que eu tenha feito ou que eu seja, e sim por causa dele. Ele viveu a vida que eu deveria ter vivido. Ele morreu a  morte que eu merecia. Renunciei todas as outras confianças. Ele é meu único apelo. Justifique-me, ó Deus, por causa de Jesus”.

Fonte: GILBERT, Greg. O que é o Evangelho? São José dos Campos/SP: Fiel, 2011, p. 110-112/113-114.
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Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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Apresentando a fé e o arrependimento (II)

Greg Gilbert

 (Leia a PARTE 1)

Apresentando a fé e o arrependimento

Fé somente

Quando compreendemos que somos dependentes de Jesus para a nossa salvação – sua morte por nosso pecado, sua vida por nossa justiça -, entendemos por que a Bíblia é tão insistente no fato de que a salvação vem somente pela fé nele. Não há outra maneira, não há outro salvador, não há ninguém e nada mais, no mundo, em que possamos descansar para a salvação, incluindo nossos próprios esforços.

Toda outra religião existente na história humana rejeita esta ideia de que somos justificados somente pela fé. Em vez disso, as outras religiões afirmam que a salvação é ganha por meio de esforço moral, boas obras e por equilibrarmos, de algum modo, a nossa conta por obtermos mérito suficiente para exceder o nosso mal. Isso não é surpreendente. É bastante humano pensar – e até insistir em – que podemos contribuir para a nossa própria salvação.

Todos nós somos pessoas autoconfiantes, não somos? Somos convencidos de nossa autossuficiência e nos ressentimos de qualquer insinuação de que somos o que somos por causa da intervenção de outra pessoa. Pense em como você se sentiria se alguém dissesse sobre o seu trabalho ou sobre algo que você valoriza: “Sim, você não fez por merecer isso. Você o tem somente por que outra pessoa lhe deu.” Isso é exatamente a verdade em relação à nossa salvação diante de Deus. Ele nos dá a salvação como um dom da graça, e não contribuímos nada para ela – nem a nossa justiça, nem o nosso pagamento por nossos pecados e, certamente, nem quaisquer boas obras que possam equilibrar a conta (Gálatas 2.16).

Colocar sua fé em Cristo significa renunciar totalmente qualquer outra esperança de ser considerado justo diante Deus. Você está confiando em suas próprias boas obras? A fé significa admitir que elas são deploravelmente insuficientes e confiar somente em Cristo. Você está confiando no que entende ser um bom coração? A fé significa reconhecer que seu coração não é bom, de modo nenhum, e confiar somente em Cristo. Isso é fé.

Arrependimento, o outro lado da moeda

A mensagem de Jesus aos seus ouvintes foi esta: “Arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1.15). Se á fé é voltar-se para Jesus e confiar nele para a salvação, o arrependimento é o outro lado da moeda. É afastar-se do pecado, odiá-lo e resolver, pelo poder de Deus, abandonar o pecado, ao mesmo tempo em que nos voltamos para Deus com fé. Por isso, Pedro disse a multidão que o ouvia: Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados” (Atos 3.19). E Paulo anunciou a todos “que se arrependessem e se convertessem a Deus” (Atos 26.20).

O arrependimento não é um acessório opcional à vida cristã. É absolutamente crucial à vida cristã, distinguindo os que foram salvos por Deus dos que não foram salvos.

Tenho conhecido muitas pessoas que diriam algo assim: “Sim, aceitei a Jesus como Salvador, portanto, sou um cristão. Mas ainda não estou pronto para aceitá-lo como Senhor. Tenho algumas coisas para corrigir”. Em outras palavras, elas afirmam que podem ter fé em Jesus e serem salvas, mas, apesar disso, não se arrependerem do pecado.

Se entendermos corretamente o arrependimento, admitiremos que a ideia de que você pode aceitar Jesus como Salvador, mas não como Senhor, é ilógica. Por outro lado, tal ideia não se harmoniza com o que a Bíblia diz sobre o arrependimento e sua conexão com a salvação. Por exemplo, Jesus advertiu: “Se… não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis” (Lucas 13.3). Quando os apóstolos ouviram o relato de Pedro sobre a conversão de Cornélio, eles glorificaram a Deus por conceder aos gentios “o arrependimento para vida” (Atos 11.18). E Paulo, falou sobre o “arrependimento para a salvação” (2 Coríntios 7.10).

Além disso, ter fé em Jesus é, em essência, crer que ele é realmente o que diz ser – o Rei crucificado e ressuscitado que venceu a morte e o pecado, e tem o poder de salvar. Ora, como uma pessoa poderia crer e descansar realmente em Jesus e, ao mesmo tempo, dizer: “Mas não reconheço que o Senhor é Rei sobre mim”? Isso não faz sentido. A fé em Cristo traz consigo uma renúncia do poder rival que Jesus venceu – o pecado. E, onde essa renúncia do pecado não está presente, também não há fé genuína nAquele que venceu o pecado.

É como Jesus disse: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar  ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro” (Mateus 6.24). Depositar a fé no Rei Jesus implica renunciar seus inimigos.

Fonte: GILBERT, Greg. O que é o Evangelho? São José dos Campos/SP: Fiel, 2011, p. 106-110.
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Apresentando a fé e o arrependimento (I)

Greg Gilbert

Apresentando a fé e o arrependimento

Marcos nos diz que Jesus começou seu ministério pregando: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1.15). Estas ordens – arrependei-vos e crede – são o que Deus exige de nós em resposta às boas-novas de Jesus.

Em todo o Novo Testamento, vemos que os apóstolos exortavam as pessoas a fazerem isso. Jesus chamou seus ouvintes a arrependerem-se e crerem no evangelho. Pedro, no final de seu sermão, no dia de Pentecostes, disse às pessoas: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus cristo” (Atos 2.38). Conforme lemos em Atos 20.21, Paulo explicou seu ministério dizendo que havia testificado “tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus”. E, como lemos em Atos 26.18, ele narrou como Jesus o enviara

“para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim.”

Fé e arrependimento. Isso é o que caracteriza aqueles que são o povo de Cristo, ou seja, os “cristãos”. Em outras palavras, um cristão é uma pessoa que se converte de seu pecado e confia no Senhor Jesus Cristo – e nada mais – para salvá-lo do pecado e do julgamento vindouro.

Fé é dependência

Fé é uma das palavras que, por muito tempo, tem sido tão mal usada, que a maioria das pessoas não tem ideia do que ela realmente significa. Peça a alguma pessoa na rua que descreva a fé, e, embora talvez você ouça algumas palavras respeitosas e agradáveis, o âmago da questão será, provavelmente, que fé é crer no ridículo em contrário a toda evidência.

Um dia, assisti na televisão, com meus dois filhos mais velhos, ao Desfile do Dia de Ação de Graças da rede de lojas Macy’s. O tema do evento era “Creia!”, e o ponto focal, suspenso acima do palanque, era o que os âncoras estavam chamando de Creiômetro. Toda vez que um novo carro alegórico passava, a banda tocava ou os dançarinos executavam danças em trajes de elfos, o ponteiro de creiômetro subia um pouco mais. Evidentemente, o momento sublime do desfile aconteceu quando Papai Noel surgiu – dirigindo ele mesmo seu trenó construído, inexplicavelmente, na forma de um ganso majestoso – e o creiômetro ficou maluco! Com aquela música, aquelas danças, os confetes, as crianças gritando – e adultos gritando –, um visitante estranho teria concluído, com certeza, que as pessoas da Virgínia creem realmente nisso.

Meu filho de seis anos achou tudo aquilo espalhafatosamente tolo. Entretanto, isso é o que o mundo pensa sobre fé. A fé é uma charada, um jogo divertido e confortante no qual as pessoas têm liberdade de se envolver, se quiserem, mas sem qualquer conexão genuína com o mundo atual. As crianças creem em Papai Noel e no Coelho da Páscoa. Os místicos creem no poder de pedras e cristais. Pessoas loucas creem em fadas. E os cristãos, bem, eles creem em Jesus.

Leia a Bíblia e você descobrirá que a fé não é nada disso. A fé não é crer em algo que você não pode provar, como muitas pessoas a definem. Conforme o ensino bíblico, a fé é dependência. É uma confiança firme e inabalável, alicerçada na verdade e fundamentada na promessa do Jesus ressuscitado de nos salvar do pecado.

Paulo nos fala sobre a natureza da fé em Romanos 4, em seu discurso sobre Abraão. É assim que Paulo descreve a fé de Abraão:

“Abraão, esperando contra a esperança, creu, pra vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe fora dito: Assim será a tua descendência. E, sem enfraquecer na fé, embora levasse em conta o seu próprio corpo amortecido, sendo já de cem anos, e a idade avançada de Sara, não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus, estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que prometera.” (Romanos 4.18-21)

Apesar de tudo que era contrário à promessa de Deus – a idade de Abraão, a esterilidade e a idade de sua esposa – Abraão creu no que Deus havia dito. Ele confiou em Deus sem vacilar e creu nele para realizar o que prometera. A fé de Abraão não era perfeita, é claro; o nascimento de Ismael prova que, a princípio, Abraão tentou depender de seus métodos para cumprir as promessas de Deus. Mas, havendo-se arrependido desse pecado, Abraão pôs sua fé em Deus. Ele confiou em Deus, como Paulo diz, “estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que prometera”.

O evangelho de Jesus Cristo nos chama a fazer o mesmo que Abraão fez – pôr nossa fé em Jesus, depender dele e confiar nele para que faça o que prometeu fazer.

Fonte: GILBERT, Greg. O que é o Evangelho? São José dos Campos/SP: Fiel, 2011, p. 99-103.
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Meditações no Salmo 1 (I): O justo e os ímpios

Vinícius S. Pimentel

Meditações no Salmo 1

Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.

Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido. Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa.

Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação dos justos. Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá. (Salmo 1)

J.C. Ryle escreveu certa vez que, assim como entre as estrelas há diferença de esplendor, algumas passagens das Escrituras brilham mais do que outras, revelando-nos com mais clareza e intensidade a glória do Deus a quem adoramos.

Se o bispo de Liverpool estiver certo (como eu penso que está), o Salmo 1 certamente é um dos capítulos mais importantes de toda a Bíblia. Além de servir como uma introdução ao Saltério, este salmo se apresenta para nós como uma belíssima síntese de como deve ser a vida do homem que vive por Deus e para Deus.

No Salmo 1, o salmista contempla a diferença radical entre a vida do justo e a vida do ímpio. Ele nos chama a observar que a vida do justo é caracterizada por um evidente amor aos mandamentos de Deus (a Lei) e, ao mesmo tempo, nos anuncia que a verdadeira felicidade na vida (bem-aventurança) está apenas com o homem justo, e não com o ímpio.

Se atentarmos à voz de Deus na boca do salmista, encontraremos um caminho seguro para vivermos de uma maneira que o Senhor seja completamente glorificado e nós, completamente felizes. Continuar lendo

J.C. Ryle – E ele será chamado pelo nome de Emanuel

J. C. Ryle

E ele será chamado pelo nome de Emanuel

Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente. Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco). (Mateus 1.18-23)

O outro nome, que aparece nestes versículos, de maneira alguma é menos interessante do que aquele que já destacamos. Esse é o nome conferido a nosso Senhor em vista da sua natureza, como “Deus que se manifestou em carne”. Ele é chamado de Emanuel, ou seja, “Deus conosco”. Devemos cuidar para que sejam bem claras as noções que formamos sobre a natureza e a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo. Esse é um ponto que se reveste da mais capital importância. Deveríamos ter bem claro, em nossas mentes, que nosso Senhor é perfeito Deus tanto quanto perfeito homem. Se chegamos a perder de vista esse fundamento da verdade, poderemos cair vítimas de temíveis heresias. O nome “Emanuel”, pois, é que se reveste de todo o mistério que o circunda. Jesus é o “Deus conosco”. Ele assumiu a natureza humana igual à nossa, em todas as coisas, excetuando somente a tendência para o pecado. Mas, embora Jesus estivesse “conosco” em carne e sangue humanos, ao mesmo tempo Ele nunca deixou de ser o verdadeiro Deus.

Quando lemos os evangelhos, por muitas vezes descobrimos que nosso Senhor era capaz de ficar cansado, de padecer fome e sede, como também podia chorar, gemer e sentir dor como qualquer um de nós. Em tudo isso podemos ver “o homem” Jesus Cristo. Percebemos a natureza humana que Ele tomou para Si mesmo ao nascer da virgem Maria.

Entretanto, nesses mesmos quatro evangelhos, descobriremos que nosso Salvador conhecia os corações e os pensamentos dos homens, exercia autoridade sobre os demônios, podia fazer os mais espantosos milagres apenas com uma palavra, era servido pelos anjos, permitiu que um dos seus discípulos O chamasse de “Deus meu” e, igualmente, disse: “Antes que Abraão existisse, EU SOU” (João 8.58). E também: “Eu e o Pai somos um” (João 10.30). Em tudo isso, vemos “o Deus eterno“. Vemos aquele que “é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém” (Romanos 9.5).

Você deseja dispor de um seguro fundamento para a sua fé e esperança? Nesse caso, jamais perca de vista a divindade do seu Salvador. Aquele em cujo sangue você foi ensinado a confiar é o Deus todo-poderoso. Toda a autoridade foi dada a Jesus Cristo, no céu e na terra. Ninguém poderá arrancar você da mão dEle. Se você é um verdadeiro crente em Jesus, não permita que o seu coração se perturbe e atemorize.

Você deseja contar com um doce consolo nas ocasiões de sofrimento e tribulação? Nesse caso, nunca perca de vista a humanidade do seu Salvador. Ele é o ser humano Jesus Cristo, que se deitou nos braços da virgem Maria quando era um pequenino infante, e que conhece os corações humanos. Ele deixa-se sensibilizar pelo senso das nossas fraquezas. Ele experimentou, pessoalmente, as tentações lançadas por Satanás. Ele precisou enfrentar a fome. Ele derramou lágrimas. Ele sentiu dor. Confie nEle o tempo todo, em todas as suas aflições. Ele nunca haverá de desprezá-lo. Derrame diante dEle, em oração, tudo quanto estiver em seu ser, e nada Lhe oculte. Ele é capaz de simpatizar profundamente com o seu povo.

Que estes pensamentos se aprofundem em nossas mentes. Bendigamos a Deus pelas encorajadoras verdades contidas no primeiro capítulo do Novo Testamento. Esse capítulo nos fala de Alguém que salva “o seu povo dos pecados deles”. Porém, isso ainda não é tudo. Esse capítulo revela-nos que o Salvador é o “Emanuel”, o próprio Deus conosco; Deus manifesto em carne humana, idêntica à nossa. Essas são boas novas. São autênticas boas novas. Alimentemos os nossos corações com essas verdades, por meio da fé, juntamente com ações de graças.

Fonte: RYLE, J.C. Meditações no Evangelho de Mateus. São José dos Campos/SP: Fiel, 2011, p. 9-10.
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J.C. Ryle – E lhe porás o nome de Jesus

J. C. Ryle

E lhe porás o nome de Jesus

Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente. Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco). (Mateus 1.18-23)

Notemos os dois nomes conferidos a nosso Senhor, nestes versículos. Um deles é Jesus, o outro é Emanuel. O primeiro desses nomes descreve o seu ofício, o segundo, a sua natureza. Ambos são profundamente interessantes.

O nome Jesus significa “Salvador”. Trata-se do mesmo nome Josué, que aparece no Antigo Testamento. Foi dado a nosso Senhor porque “ele salvará o seu povo do pecados deles”. Esse é o ofício especial do Senhor Jesus. Ele nos salva da nossa culpa do pecado, lavando-nos a alma em Seu próprio sangue expiatório. Ele nos salva do domínio do pecado ao conferir-nos, no próprio coração, o Espírito santificador. Ele nos salva da presença do pecado quando nos tira deste mundo, para irmos descansar com Ele. E, finalmente, Ele nos salva das consequências do pecado ao nos proporcionar um glorioso corpo ressurreto, no último dia. O povo de Cristo é bendito e santo! Eles não são salvos das tristezas, da cruz e dos conflitos. Porém, são salvos do pecado, para todo o sempre. São purificados da culpa, mediante o sangue de Cristo. São habilitados para o céu mediante o Espírito de Cristo. Nisso consiste a salvação. Mas aquele que se apega ao pecado ainda não é salvo.

Jesus é um nome que infunde muita coragem aos que vivem sobrecarregados de pecados. Aquele que é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores poderia ter-se feito conhecido, com toda a legitimidade, por algum título mais pomposo. Contudo, não quis fazê-lo. Os dirigentes deste mundo com frequência se têm chamado por títulos como “grande”, “conquistador”, “herói”, “magnífico” e outros semelhantes. Mas o Filho de Deus contentou-se em chamar-se de “Salvador”. As almas que desejarem a salvação podem achegar-se ao Pai, com ousadia, tendo acesso por meio de Jesus Cristo, com toda a confiança. Esse é o seu ofício, e nisso Ele se deleita – em mostrar-se misericordioso. “Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (João 3.17).

Jesus é um nome peculiarmente doce e precioso para aqueles que são crentes. Com frequência, esse nome os tem beneficiado, quando o favor de reis e de príncipes teria sido ouvido por eles com pouco interesse. Esse nome tem-lhes dado a paz interior que o dinheiro não pode comprar. Esse nome lhes tem aliviado as consciências pesadas, conferindo descanso a seus corações entristecidos. O livro de Cantares de Salomão refere-se à experiência de muitos crentes, ao asseverar: “como unguento derramado é o teu nome” (Cântico dos Cânticos 1.3). Feliz é a pessoa que confia não meramente em vagas noções a respeito da misericórdia e da bondade de Deus, mas no próprio “Jesus”.

Fonte: RYLE, J.C. Meditações no Evangelho de Mateus. São José dos Campos/SP: Fiel, 2011, p. 8-9.
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O caminho da salvação (Parte 3)

Áurea Emanoela

(Leia a Parte 1 e a Parte 2)

O caminho da salvação

Não se encoraja aos que recebem a salvação, em trecho algum da Bíblia, que “abusem” da graça de Deus. Pelo contrário, os eleitos são advertidos a tornar seguro seu chamamento e eleição (cf. 2Pedro 1.10) e a evidenciarem sua salvação com temor e tremor (cf. Filipenses 2.13). A igreja deve ser a “comunhão dos envolvidos”, isto é, um povo que propaga a Palavra de salvação vivendo condignamente.

O conceito de “uma vez salvo, sempre salvo” pode levar aqueles que o defendem a uma maneira de pensar quietista. Isso significa que eles podem pensar que têm pouco ou nenhum papel a cumprir em manter sua salvação e que Deus faz tudo por eles. Embora uma pessoa não seja salva por obras (como creem os católicos romanos) e não se mantenha salvo por causa das obras (como acreditam algumas igrejas), Deus salva somente aqueles que perseveram na fé. (1)

Nas Institutas da Religião Cristã, em uma seção intitulada “A perseverança é uma obra exclusiva de Deus; não é uma recompensa nem um complemento de nosso ato individual”, João Calvino expõe:

Sem dúvida, a perseverança deve ser considerada um dom gratuito de Deus, quando não prevalece o erro comum de afirmar que ela é dada conforme o mérito humano, à medida que cada indivíduo se mostra receptivo à primeira graça. Mas, visto que esse erro surgiu do fato de que homens achavam que tinham o poder de rejeitar ou aceitar a graça de Deus, quando esta opinião é aniquilada, aquela ideia anterior também se destrói a si mesma. Contudo, aqui há um erro duplo. Pois, além de ensinarem que nossa gratidão pela primeira graça e nosso uso legítimo dela são recompensados por dons subsequentes, eles dizem que a graça não opera em nós por si mesma, ela apenas coopera conosco.

A perseverança é o resultado incontestável da obra do Espírito na vida dos crentes. É uma obra que nos capacita a continuarmos crendo, como bem afirmou o apóstolo Pedro: “[…] sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo.” (1Pedro 1.5). Portanto, Deus não pode crer por nenhum de nós, pelo contrário, somos “guardados” pela fé. Como expõe Jay Adams, é esse o ensino que podemos extrair de João 15:

Se alguém não permanecer na videira, será “lançado fora, à semelhança do ramo, e secará”, e, por fim, será queimado (v. 6). Por isso Jesus ordenou: “Permanecei no meu amor” (v. 9b). Os apóstolos tiveram de perseverar na fé, ou seriam lançados fora, à semelhança de um ramo quebrado de videira; e isso se aplica a todos os crentes verdadeiros. Cristo, a Videira, exige que todo aquele que professa ser cristão permaneça nEle por meio da fé genuína ou, do contrário, seja lançado no fogo. Portanto, a perseverança é o resultado da verdadeira fé, nutrida e mantida pelo Espírito. (2)

Se a salvação verdadeiramente está operando nos crentes, sua própria comunhão no Espírito aumentará, e a operação “vertical” do poder salvador de Deus os constrangerá a perceber as repercussões “horizontais” da posse da salvação sobre a sociedade. Aqueles que possuem a salvação devem ser luzeiros do mundo, sal da terra, cidades construídas sobre montes. A história da igreja demonstra como os crentes têm aprendido e como precisam continuar aprendendo a testificar de sua salvação, profeticamente, em cada época.

Todas as coisas à nossa volta se opõem às promessas de Deus. Ele prometeu imortalidade; estamos cercados de mortalidade e corrupção. Declarou que nos reputa como justos; estamos cobertos de nossos pecados. Ele testifica que é propício e bondoso para nós; os julgamentos exteriores ameaçam a ira divina. Então o que devemos fazer? Com olhos fechados, temos de deixar de lado a nós mesmos e todas as coisas associadas conosco, para que nada nos impeça ou nos prive de crer que Deus é verdadeiro. (3)

As Escrituras prometem a destruição final do mal, apocalíptica ou escatologicamente: o livramento da criação que atualmente geme sob a escravidão da corrupção, para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus (cf. Romanos 8.21s.) por ocasião da “adoção”, a “redenção do corpo”, a “regeneração” (cf. Mateus 19.28), e a criação dos “novos céus e nova terra, nos quais habita justiça”, onde Deus será contemplado face a face.

Pois, em Cristo, Deus oferece toda a felicidade em lugar de nossa miséria, toda a riqueza em lugar de nossa necessidade; nEle se abrem para nós os tesouros celestiais, para que todo a nossa fé contemple seu amado Filho, toda a nossa expectativa dependa dEle, e toda a nossa esperança se apegue e descanse nEle. Este é, de fato, aquele segredo e aquela filosofia escondida que não pode ser extraída de silogismos. Mas aqueles cujos olhos Deus abriu aprendem-na certamente com o coração, para que em sua luz vejam a luz [Sl 36.9]. (4)

Notas:
(1) ADAMS, Jay E. Uma herança garantida. In: PARSONS, Burk (ed.). João Calvino: Amor à devoção, doutrina e glória de Deus. São José dos Campos/SP: Fiel, 2010, p. 210.
(2) Idem, p. 211.
(3) John Calvin, Commentaries on the epistle of Paul the apostle to the Romans. Trad. John Owen. Grand Rapids: Baker, 1996, p. 180.
(4) John Calvin , Institutes of Christian Religion.

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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O caminho da salvação (Parte 2)

Áurea Emanoela

(Leia a Parte 1)

O caminho da salvação

Por toda a revelação bíblica, é o próprio Deus que, movido por santo amor, provê a salvação. A ênfase, aqui, recai sobre a salvação que Deus, em Cristo, preparou em lugar do pecador, e, apesar de não haver separação aqui, é salutar indicar como Ele opera a salvação do homem.

É pelo Espírito Santo que a salvação se torna uma realidade. A experiência de salvação, por parte do homem, tem um tríplice aspecto temporal. Pode ser escrita em termos de passado, presente e futuro; possessiva, progressiva e futuristicamente (1); o homem está salvo, está sendo salvo, e será salvo (cf. Mateus 10.22; Romanos 5.9-10; 8.24; 1Coríntios 1.18; Efésios 2.8).

Possessivamente: O homem, pela fé nele instalada através do Espírito Santo, recebe uma nova posição em Cristo; já está justificado e absolvido por causa de Cristo. Assim como em sua posição “pré-justificada” o homem não podia merecer a salvação, semelhantemente, após haver sido justificado (não por qualquer justiça própria) agora não pode “desmerecer” a salvação ou “desfazer” a sua justificação no sentido de desfazer aquilo que Deus fez por ele. Está redimido, reconciliado, perdoado, purificado (João 13.10), já passou da morte para a vida, e recebeu a certeza, pelo testemunho do Espírito junto a seu próprio espírito, de que é filho de Deus (cf. Romanos 8.16), co-herdeiro juntamente com Cristo, possuidor da vida que é eterna em sua qualidade e duração, e que de uma vez para sempre despedaçou as correntes da escravidão ao temor da morte (cf. Hebreus 2.15).

Progressivamente: A graça de Deus, que traz a salvação (cf. Tito 2.11), é o poder transmitido pela pregação da cruz àqueles que “estão sendo salvos” (cf. 1Coríntios 1.18). Ensina a necessidade da operação santificadora do Espírito, a exteriorização da salvação que Deus operou no homem (cf. Filipenses 2.1-12), evidenciando a negação à impiedade e as concupiscências mundanas, e produzindo uma vida sóbria, reta e piedosa no mundo presente. Assim como a fé é o fato operativo na salvação, concebida possessivamente, semelhantemente é o amor, na exteriorização da salvação. Mediante o amor implantado pelo Espírito, a vida do homem é conservada, o remido atinge sua verdadeira personalidade ao refletir a imagem de Deus dessa nova maneira, e se faz verdadeiramente presente em sua pessoa para aqueles que ainda necessitam da salvação.

Futuristicamente: A salvação, em sua plenitude, deverá ser realizada somente no futuro. O homem é salvo em esperança. Ao crente é apontado a obtenção da salvação total (cf. 1Tessalonicenses 5.9; 2Tessalonicenses 2.13; 2 Timóteo 2.10; Hebreus 1.14). A salvação total está prestes a ser revelada no último tempo (cf. 1Pedro 1.5). Essa salvação está “agora mais perto do que quando no princípio cremos” (Romanos 13.11). Para aqueles que esperam em Cristo, Ele aparecerá segunda vez, não para novamente tratar do pecado, mas, sim, “para a salvação” (Hebreus 9.28). Por ocasião da derrota definitiva do mal, a voz celeste proferirá as palavras: “Agora é vinda a salvação” (cf. Apocalipse 12.10).

(Leia a Parte 3 – em breve)

Notas:
(1) DOUGLAS, J.D. (ed.) [editores assistentes BRUCE, F.F. et al.; editor da edição em português SHEDD, Russell P.]. Novo dicionário da Bíblia. 3 ed. rev. São Paulo: Vida Nova, 2006.

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