Por que os pastores deveriam discipular pessoalmente homens que sejam líderes de igreja em potencial?

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  1. Isso é o que a Escritura ordena. Em 2Timóteo 2.2, Paulo escreve: ” E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros.” Uma vez que a carta a Timóteo foi escrita não meramente a Timóteo, mas a todos nós (Romanos 15.4; 2Timóteo 3.16-17), todo pastor de uma igreja local deveria treinar outros homens para serem mestres na igreja.
  2. Pastores são os mais aptos a treinar outros pastores. Homens em preparação para o ministério irão aprender melhor com aqueles que estão envolvidos na obra em tempo integral. Eles irão adquirir sabedoria prática, sensibilidades pessoais e um entendimento mais profundo da obra que eles não obteriam de nenhuma outra maneira, nem mesmo através de professores de seminários.
  3. Isso é o de que a igreja precisa. Como pastor, você precisa ser o líder no treinamento de líderes, não importando se esses líderes irão servir a sua própria igreja como presbíteros ou irão a algum outro lugar. Se você não discipular líderes, quem o fará?
  4. Isso evangeliza as gerações futuras. Um pastor pode fazer “obra missionária” para o futuro ao treinar líderes no presente.

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Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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Quais são as coisas mais importantes que um jovem pastor deve fazer?

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  1. Pregar a Palavra. A coisa mais importante que um jovem pastor deve fazer é pregar a Palavra de Deus. Tudo começa aqui. A Palavra de Deus é que converte os pecadores e santifica os santos (1Tessalonicenses 1.5; João 17.17). A Palavra de Deus é o que traz saúde, crescimento e transformação piedosa (1Tessalonicenses 2.13). Portanto, a pregação expositiva fiel da Palavra de Deus deve ser a maior prioridade de um jovem pastor.
  2. Amar as pessoas. Um pastor deve amar o seu povo. Ele deve viver no meio das pessoas, cuidar das pessoas, servir as pessoas, encorajar as pessoas, suportar as pessoas, e dar a si mesmo pelas pessoas. É especialmente importante que um pastor ame o seu povo generosa e ternamente desde o início do seu ministério, de modo que as pessoas possam aprender a confiar nele. Sem essa confiança conquistada pelo amor, elas não estarão dispostas a seguir a sua liderança.
  3. Escolher sabiamente as batalhas. Nem toda questão é digna de que travemos uma guerra por sua causa. Um jovem pastor deve trabalhar para desenvolver um senso claro do que é mais importante e só “bater o pé” quando realmente valer a pena.
  4. Pensar no longo prazo. Não espere que todas as coisas mudem da noite para o dia. Planeje estabelecer-se e trabalhe por mudanças ao longo do tempo. Ensine e discipline o seu povo pacientemente. Comprometa-se pessoalmente a servi-lo no longo prazo e ore para que o Senhor traga frutos no Seu tempo apropriado.

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Por que uma igreja local deveria cultivar uma cultura de discipulado?

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Os membros de uma igreja local deveriam cultivar uma cultura de discipulado porque eles desejam:

  1. Obedecer à Escritura. A Bíblia dá a todos os cristãos a responsabilidade de edificar e encorajar uns aos outros na fé (Romanos 15.14; Efésios 4.13-16). A Escritura também ordena aos cristãos mais velhos serem um exemplo para cristãos mais novos de uma maneira que lhes permita imitar inteiramente o seu estilo de vida (Tito 2.3, 6-7; Hebreus 13.7).
  2. Cuidar de cristãos mais novos. Como crianças, cristãos aprendem pela imitação (1Pedro 2.21; 1Tessalonicenses 1.6). Hoje, muitos jovens cristãos jamais sequer viram um casamento saudável, ou uma submissão piedosa às autoridades, ou um serviço sacrificial na igreja. A fim de amadurecerem, cristãos mais novos se beneficiam ao verem santos mais velhos viverem a vida cristã, não apenas ao ouvirem sobre a vida cristã.
  3. Promover unidade. Numa cultura de discipulado, os cristãos se reúnem para resolver juntos os problemas da vida cristã. Eles lutam com doutrinas difíceis juntos. Eles enfrentam as tribulações e tentações juntos. Eles servem a igreja e evangelizam os perdidos juntos. Tudo isso fomenta uma unidade vibrante e tenaz.
  4. Treinar líderes. Através de relacionamentos pessoais, os líderes atuais podem cultivar uma liderança piedosa, treinar líderes mais novos e identificar novos líderes à medida que o fruto do seu ministério se torna evidente. Numa cultura de discipulado, os líderes podem ser identificados não apenas por sua personalidade ou seus dons naturais, mas por seu caráter e pelos frutos em seu ministério.
  5. Multiplicar ministérios. Numa cultura de discipulado, as pessoas terão muito mais condições de equipar outros nas áreas em que elas se sobressaem. Evangelistas fiéis irão levantar outras testemunhas ousadas. Guerreiros de oração irão ensinar outros a interceder. Uma cultura de discipulado multiplica os dons e ministérios de todo o corpo da igreja, não apenas do pastor ou de um pequeno grupo de líderes.

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As igrejas deveriam ver o discipulado primariamente como um “programa” ou como um “estilo de vida”?

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A igreja não deveria ver o discipulado primariamente como um evento especial ou um programa espalhafatoso. Discipulado não é algo ocasional ou fora do normal, algo que pode ser isolado do resto de nossa vida cristã. Ser um cristão é ser um discípulo de Cristo. E ser um discípulo de Cristo significa

  • (i) procurar ajuda de outros para ser como Cristo (ser um discípulo);
  • (ii) procurar ajudar outros a serem como Cristo (discipular).

Portanto, as igrejas deveriam ver o discipulado como um estilo de vida. O discipulado deveria constituir uma parte normal de ser um cristão e um membro de igreja. É o que um seguidor de Cristo faz.

Isso significa que igrejas podem ou não usar programas para promover o discipulado. Mas elas definitivamente desejam promover uma cultura de discipulado. Deveria ser normal que cristãos mais novos discutissem assuntos espirituais durante refeições com cristãos mais velhos. Deveria ser normal que cristãos mais novos passassem tempo nas casas de cristãos mais velhos para ver como eles aplicam sua fé a cada área da vida, até como eles colocam as suas crianças para dormir. Pela graça de Deus, uma igreja que fomenta uma cultura de discipulado será cheia de membros que parecem mais e mais com o Senhor Jesus (1Coríntios 11.1).

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Na prática, como eu posso discipular outros cristãos?

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  1. Una-se a uma igreja.
  2. Chegue cedo às reuniões da igreja e fique até tarde.
  3. Pratique a hospitalidade para com os membros de sua igreja.
  4. Peça a Deus por amizades estratégicas.
  5. Se possível, inclua um item em seu orçamento familiar ou pastoral para um tempo semanal com companheiros cristãos. Discuta esse assunto com sua esposa. Se possível, estipule no orçamento um item semelhante para a sua esposa também.
  6. Agende regularmente cafés-da-manhã, almoços, ou algum outro compromisso social culturalmente aceitável com indivíduos ensináveis (do mesmo sexo). Dependendo da pessoa, você pode decidir encontrá-la uma vez, ou indefinidamente, ou por um número preestabelecido de vezes (cinco, por exemplo). Se você e o indivíduo têm algum passatempo em comum, pense em maneiras de fazerem isso juntos.
  7. Pergunte-lhes sobre suas vidas. Pergunte-lhes sobre seus pais, esposa, filhos, testemunho, trabalho, caminhada com Cristo, e assim por diante. Ao fazer essas perguntas, porém, faça-o de uma maneira que seja apropriada ao seu contexto cultural (não os assuste!).
  8. Compartilhe sobre você.
  9. Procure maneiras de ter conversas espirituais. Talvez vocês decidam ler a Bíblia ou algum outro livro cristão juntos.
  10. Considere as necessidades físicas ou materiais deles. Eles se beneficiariam da sua ajuda?
  11. Ore com eles.
  12. Dependendo da situação no seu lar, convide a pessoa para visitar sua casa ou passar tempo com sua família. Deixe que ela veja como você vive.
  13. Procure maneiras de orar pela pessoa durante a semana, individualmente e/ou com sua esposa.

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[Discipulado 9Marcas] Em princípio, como funciona o discipulado?

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Essencialmente, o discipulado funciona através de instrução e imitação. Porém, o discipulado funciona melhor através do amor. À medida que nós amorosamente instruímos crentes mais novos no caminho da piedade e vivemos de maneira recomendável, eles crescem em semelhança a Cristo por imitarem nossa vida e doutrina (ver 1Timóteo 4.16).

Instrução: A Bíblia chama pastores e pais para instruírem aqueles confiados aos seus cuidados (Provérbios; Gálatas 6.6; Efésios 6.4; 1Tessalonicenses 4.8; 1Timóteo 1.18; 6.3; 2Timóteo 2.25; 4.2). Ela também chama todos os crentes a instruírem uns aos outros (Romanos 15.14).

Imitação: Cristãos são imitadores, primeiro de Deus, depois uns dos outros. Nós crescemos na graça de Deus por ouvirmos e imitarmos. Considere as seguintes passagens:

  • “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1Coríntios 11.1);
  • “Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram” (Hebreus 13.7);
  • “O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco” (Filipenses 4.9);
  • “Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança” (2Timóteo 3.10);
  • “Amado, não imites o que é mau, senão o que é bom” (3João 11).

Amor: As pessoas imitarão a sua vida mesmo quando você não amá-las. Mas um líder que lidera com amor apresenta a melhor imagem de Cristo, e as pessoas irão segui-lo melhor quando você amá-las.

Amizade: Em um certo sentido, discipulado é simplesmente amizade, mas amizade com uma direção Cristocêntrica. O que amigos fazem? Eles imitam uns aos outros. No discipulado, nós nos aproximamos de outros para crescermos em semelhança a Cristo e para ajudá-los a crescerem em semelhança a Cristo.

Como ser um discípulo? (i) Ouça e veja como Cristãos mais maduros trabalham, descansam, criam a família, lidam com conflitos, evangelizam seus vizinhos, perseveram nas aflições, servem na igreja, ou lutam contra o pecado. (ii) Imite-os!

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J.C. Ryle – E ele será chamado pelo nome de Emanuel

J. C. Ryle

E ele será chamado pelo nome de Emanuel

Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente. Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco). (Mateus 1.18-23)

O outro nome, que aparece nestes versículos, de maneira alguma é menos interessante do que aquele que já destacamos. Esse é o nome conferido a nosso Senhor em vista da sua natureza, como “Deus que se manifestou em carne”. Ele é chamado de Emanuel, ou seja, “Deus conosco”. Devemos cuidar para que sejam bem claras as noções que formamos sobre a natureza e a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo. Esse é um ponto que se reveste da mais capital importância. Deveríamos ter bem claro, em nossas mentes, que nosso Senhor é perfeito Deus tanto quanto perfeito homem. Se chegamos a perder de vista esse fundamento da verdade, poderemos cair vítimas de temíveis heresias. O nome “Emanuel”, pois, é que se reveste de todo o mistério que o circunda. Jesus é o “Deus conosco”. Ele assumiu a natureza humana igual à nossa, em todas as coisas, excetuando somente a tendência para o pecado. Mas, embora Jesus estivesse “conosco” em carne e sangue humanos, ao mesmo tempo Ele nunca deixou de ser o verdadeiro Deus.

Quando lemos os evangelhos, por muitas vezes descobrimos que nosso Senhor era capaz de ficar cansado, de padecer fome e sede, como também podia chorar, gemer e sentir dor como qualquer um de nós. Em tudo isso podemos ver “o homem” Jesus Cristo. Percebemos a natureza humana que Ele tomou para Si mesmo ao nascer da virgem Maria.

Entretanto, nesses mesmos quatro evangelhos, descobriremos que nosso Salvador conhecia os corações e os pensamentos dos homens, exercia autoridade sobre os demônios, podia fazer os mais espantosos milagres apenas com uma palavra, era servido pelos anjos, permitiu que um dos seus discípulos O chamasse de “Deus meu” e, igualmente, disse: “Antes que Abraão existisse, EU SOU” (João 8.58). E também: “Eu e o Pai somos um” (João 10.30). Em tudo isso, vemos “o Deus eterno“. Vemos aquele que “é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém” (Romanos 9.5).

Você deseja dispor de um seguro fundamento para a sua fé e esperança? Nesse caso, jamais perca de vista a divindade do seu Salvador. Aquele em cujo sangue você foi ensinado a confiar é o Deus todo-poderoso. Toda a autoridade foi dada a Jesus Cristo, no céu e na terra. Ninguém poderá arrancar você da mão dEle. Se você é um verdadeiro crente em Jesus, não permita que o seu coração se perturbe e atemorize.

Você deseja contar com um doce consolo nas ocasiões de sofrimento e tribulação? Nesse caso, nunca perca de vista a humanidade do seu Salvador. Ele é o ser humano Jesus Cristo, que se deitou nos braços da virgem Maria quando era um pequenino infante, e que conhece os corações humanos. Ele deixa-se sensibilizar pelo senso das nossas fraquezas. Ele experimentou, pessoalmente, as tentações lançadas por Satanás. Ele precisou enfrentar a fome. Ele derramou lágrimas. Ele sentiu dor. Confie nEle o tempo todo, em todas as suas aflições. Ele nunca haverá de desprezá-lo. Derrame diante dEle, em oração, tudo quanto estiver em seu ser, e nada Lhe oculte. Ele é capaz de simpatizar profundamente com o seu povo.

Que estes pensamentos se aprofundem em nossas mentes. Bendigamos a Deus pelas encorajadoras verdades contidas no primeiro capítulo do Novo Testamento. Esse capítulo nos fala de Alguém que salva “o seu povo dos pecados deles”. Porém, isso ainda não é tudo. Esse capítulo revela-nos que o Salvador é o “Emanuel”, o próprio Deus conosco; Deus manifesto em carne humana, idêntica à nossa. Essas são boas novas. São autênticas boas novas. Alimentemos os nossos corações com essas verdades, por meio da fé, juntamente com ações de graças.

Fonte: RYLE, J.C. Meditações no Evangelho de Mateus. São José dos Campos/SP: Fiel, 2011, p. 9-10.
Postado por
Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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[Livro do mês] Stuart Olyott – “Ministrando como o Mestre”

Vinícius S. Pimentel

Livro do mês - Ministrando como o Mestre

Quando comprei o pequeno livro Ministrando como o Mestre: Aprendendo com os métodos de Cristo, eu não fazia ideia do maravilhoso tesouro que estava levando para casa. De fato, as 67 páginas deste opúsculo não chamam a atenção de leitores desavisados como eu. Todavia, numa combinação rara de simplicidade e consistência, o pastor galês Stuart Olyott compartilha conosco riquezas insondáveis acerca do ministério da Palavra de Deus, apontando-nos as principais marcas do ministério do próprio Senhor Jesus como um exemplo a ser seguido pelos Seus ministros.

No primeiro capítulo, Stuart Olyott assevera que nosso Senhor não era um pregador enfadonho. A pregação de Jesus era vibrante e, por isso, poderosa e eficaz para o coração dos ouvintes. “A forma de falar do nosso Senhor era característica, clara, simples e fácil de copiar” (p. 7).

O autor faz uma exposição panorâmica do Sermão do Monte para mostrar que a oratória de Jesus seguia um método triplo, consistente em ensinar-ilustrar-aplicar. Todavia, ao invés dividir o sermão nessas três partes, o Senhor mesclava ensino, ilustração e aplicação – como numa trança de cabelo, em que não é fácil distinguir cada mecha que a compõe – de uma maneira que a mente dos ouvintes era cativada pela Sua mensagem. Olyott enfatiza que o método de ensino de Cristo era claro, Suas ilustrações soavam familiares ao povo e Suas aplicações abrangentes alcançavam os mais diversos tipos de pessoas ouvintes.

No segundo capítulo, Olyott parte da passagem narrada em Mateus 11.20-30 para demonstrar que nosso Senhor era um pregador evangelista. A fim de assegurar que essa afirmação não seja mal-entendida ou menosprezada, o autor explica o significado de ser um evangelista: é pregar com vistas à conversão imediata de cada ouvinte. “Enquanto prego, tenho uma foice na mão. Minha oração e meu alvo é colher uma safra do sermão que estou dando no momento” (p. 31).

O pastor galês, então, extrai do texto exposto três lições vitais a respeito da pregação evangelística do Senhor Jesus. Em primeiro lugar, Jesus demonstrava o Seu zelo evangelístico ao apontar o dedo para grupos específicos de pessoas: Ele dirige-se aos moradores de Corazim, Betsaida e Cafarnaum e mostra quão grande e terrível era o seu pecado. O Senhor então expõe pecados específicos daqueles grupos de pessoas e aponta-lhes o Dia do Julgamento como uma advertência para que eles se arrependessem e se convertessem.

Em segundo lugar, Jesus demonstrava o Seu zelo evangelístico ao dobrar os joelhos. A passagem em questão narra que Jesus, após apontar o dedo para os pecados dos Seus ouvintes, irrompeu em oração ao Pai. Stuart Olyott então conclui: “Isto nos ensina que devemos não apenas apontar nosso dedo; devemos também dobrar o joelho” (p. 40). Contudo, a oração do Senhor – ao contrário do que se poderia esperar – não expressa uma petição, e sim um profundo louvor à soberania e aos sábios decretos de Deus na eleição: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado”. Mas como esse tipo de oração pode fazer parte do nosso ministério evangelístico? Olyott afirma:

Para seguir o caminho do Mestre, você tem de admirar o mistério, não entendê-lo; tem de adorar o mistério, sem se perder em especulação e filosofia. Tal caminho também é um mistério a ser proclamado, mas ao fazê-lo nunca tente explicá-lo. Deus é Deus. Você é um homem ou uma mulher e isto é tudo que sempre será. Então, dobre os joelhos!

Em terceiro lugar, Jesus demonstrava o Seu zelo evangelístico ao abrir os braços. Para o Senhor, não era suficiente apontar o dedo para o pecado dos ouvintes e dobrar os joelhos em reverente louvor ao Pai; assim, também, nós devemos abrir os braços, convidando generosamente os pecadores a virem a Cristo e desfrutarem de todos os Seus benefícios prometidos aos que Lhe pertencem. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”. Aqui, Stuart Olyott desafia os pregadores a oferecerem com liberalidade, sem restrições ou receios, as promessas do Evangelho. Ele nos exorta a mostrarmos, em nosso ministério, o quanto o Senhor Jesus é “manso e humilde de coração” – nunca rejeitando o pecador que retorna – e o quanto são maravilhosas as Suas promessas – o Seu jugo é suave e o Seu fardo é leve.

No último capítulo, Olyott conclui a sua apresentação do ministério de Cristo sustentando que nosso Senhor não era apenas um pregador. Esta é, sem dúvida, uma das mais importantes lições a serem aprendidas pelos pregadores (e por aqueles que almejam pregar o Evangelho): o ministério da Palavra de Deus não se resume à pregação.

O autor não deixa de enfatizar que “nosso Senhor é um pregador”. Isso está fora de questão; a pregação é um elemento central, fundamental em Seu ministério. Todavia,  ele deseja demonstrar que “pregar não é a única coisa em sua vida” (p. 54). Assim, numa breve exposição de Marcos 1, Olyott nos mostra sete coisas que Jesus fez em Seu ministério, além de pregar.

Primeiro, Jesus se identifica com os pecadores ao submeter-se ao batismo de João (assim como Ele se identificaria com os pecadores ao substituir-nos na cruz). Segundo, Jesus experimentou tentação, ao ser conduzido pelo Espírito ao deserto. Terceiro, Jesus faz discípulos por meio de conversas pessoais, tal como relatado na conversão de Simão, André, Tiago e João. Quarto, Jesus confronta o mal pessoalmente, como o fez com aquele endemoninhado na sinagoga em Cafarnaum. Quinto, Jesus preocupa-se com os doentes, como fica claro na cura da sogra de Pedro. Sexto, Jesus mantém uma vida de intensa oração secreta. Sétimo, Jesus toca os rejeitados, aqueles de quem todos os outros recusam a aproximar-se. Jesus era, enfim, muito mais que um pregador. “Isto aconteceu, porque toda a sua vida foi um ministério, e ministrar foi toda a sua vida” (p. 66).

De maneira amorosa, porém confrontadora, Stuart Olyott desafia os leitores: se nossa pregação é enfadonha, não estamos ministrando como o Mestre. Se não somos pregadores evangelistas, não estamos ministrando como o Mestre. E, se somos apenas pregadores, também não estamos ministrando como o Mestre.

O livro todo possui um tom de exortação calorosa, porém compassiva, conduzindo-nos a uma visão elevada do ministério da Palavra e chamando-nos a seguirmos os passos de Jesus na Sua maneira perfeita de ministrar neste mundo. Todavia, este não é um livro sobre técnicas de pregação, tampouco é o seu objetivo nos dar uma lista de coisas a fazer se quisermos ser ministros bem-sucedidos. Ao contrário, após mostrar o padrão perfeito do ministério de Jesus, Stuart Olyott convoca os imperfeitos ministros a voltarem os seus olhos para a cruz, confessando os seus pecados e clamando pela ação transformadora do Espírito de Cristo:

Devemos buscar o Crucificado que agora é Exaltado; devemos reconhecer tudo que O ofende e entristece, experimentar novamente sua purificação e deixar o lugar secreto com uma consciência limpa.

[…] A minha oração, contudo, é para que mais de um leitor diga: “Em todas as áreas da vida eu baguncei as coisas. Senhor, novamente me prostro aos teus pés, como um pecador diante da cruz e quero contar tudo sobre essa desordem”. Nosso Senhor mostra graça e dá perdão a todo pecador arrependido. Ele também se certifica de que a vida de tal pecador não permaneça como era!

Ministrando como o Mestre: Aprendendo com os métodos de Cristo é, enfim, um excelente livro, que comunica verdades profundas com uma linguagem simples e conduz o leitor pelos caminhos maravilhosos do arrependimento e da graça de Deus. É, sem dúvida, um livro voltado para aqueles que de alguma maneira estão envolvidos com o ministério da Palavra; contudo, tenho certeza de que qualquer cristão (e até mesmo um incrédulo) poderá ter grande proveito na sua leitura – afinal, nada existe de mais importante nesta vida além de contemplar o ser e as obras de Cristo, e, assim, ser transformado na Sua própria imagem. E o livro certamente nos conduz a essa divina contemplação.

________________________

Informações do livro

Título: Ministrando como o Mestre: Aprendendo com os métodos de Cristo
Autor: Stuart Olyott
Editora: Fiel
Edição:
Ano: 2005
Número de páginas: 67

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Conselhos para os jovens reformados: Conclusão

Vinícius S. Pimentel

(Vejam o índice na Introdução.)

Semana da Reforma Protestante 2011

Conclusão

Como eu disse, irmãos, sinto-me profundamente feliz e agraciado por fazer parte dessa significativa multidão de jovens crentes que se interessa pela teologia reformada. Eu creio, de todo o meu coração, que a expressividade com que um cristão caminha neste mundo depende, antes de tudo, do seu conhecimento de Deus, o qual nos é concedido pela meditação diligente nas Escrituras. Portanto, o interesse dos jovens pelo estudo da teologia e da herança espiritual deixada pelos nossos irmãos do passado representa, a meu ver, um passo significativo na direção de um testemunho cristão mais vigoroso. A minha sincera esperança e oração ao Senhor é esta: que este grupo de “jovens reformados” torne-se, enfim, um grupo de crentes maduros, santificados, experimentados na fé, cheios do Espírito Santo e dotados de um testemunho irrepreensível, diante do qual o mundo se renderá e glorificará o nosso Deus e Pai.

Entretanto, como nós percebemos ao longo desta série de conselhos, existem desafios imensos a serem enfrentados para que estes jovens reformados avancem até a perfeita varonilidade. É verdade que os obstáculos aqui mencionados se apresentam diante de todo cristão que deseja de fato seguir o Senhor; contudo, verificamos que eles acometem com frequência os calvinistas e, numa intensidade ainda maior, os jovens calvinistas. Poderíamos ter falado sobre muitos outros, mas acredito que, ao longo desta Semana da Reforma, conseguimos abordar uma variedade significativa de perigos que rondam os jovens reformados, a saber:

  • o perigo de dedicarem-se demasiadamente a questões secundárias, ao invés de focarem Cristo e o Evangelho;
  • o perigo de serem meros “bajuladores do Evangelho”, ao invés de serem pregadores vigorosos do Evangelho;
  • o perigo de tornarem-se acadêmicos ininteligíveis, ao invés de comunicadores claros e efetivos da mensagem de Deus;
  • o perigo de relaxarem com a doutrina da eleição, ao invés de perseguirem diligentemente a santidade;
  • o perigo de gastarem tempo excessivo em blogs, sites e mídias sociais, ao invés de dedicarem-se à oração;
  • e o perigo de menosprezarem a igreja local, ao invés de aceitarem com alegria o “jugo suave” da comunhão cristã.

Como nós devemos lidar com obstáculos tão significativos? A Palavra de Deus nos ordena, por um lado, a sermos vigilantes quanto às armadilhas de satanás e esforçados no crescimento em graça. Por outro lado, as mesmas Escrituras nos ensinam a confiar inteiramente no Deus que nos chamou, pois Ele mesmo cuidará para que a Sua obra em nós seja completada. É Ele quem opera em nós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade (Filipenses 2.13). É Ele quem nos guarda de tropeços e assegura que seremos apresentados com exultação, imaculados diante da sua glória (Judas 24). Como diz a Escritura:

O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará. (1Tessalonicenses 5.23-24)

Portanto, podemos marchar confiantes na direção do alvo, sabedores de que o nosso Deus soberano não falha; Ele haverá de transformar a nós, jovens reformados, em crentes que refletem de maneira fidedigna e vigorosa a imagem do Seu Filho, para a Sua própria glória.

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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Conselhos para os jovens reformados: Não menosprezem a igreja local

Vinícius S. Pimentel

(Vejam o índice na Introdução.)

Semana da Reforma Protestante 2011

6º conselho: Não menosprezem a importância da igreja local

Um dos assuntos menos abordados nos debates entre os jovens reformados é a importância da comunhão cristã na igreja local. Segundo percebo, alguns desses jovens crentes demonstram desconfiança e até mesmo um menosprezo pela vida comunitária da congregação. As razões para isso são muitas e muito profundas, e não é meu desejo discuti-las aqui. Meu objetivo a esta altura é apenas oferecer um forte encorajamento a que os jovens reformados permaneçam ativamente engajados na vida de uma igreja local.

Embora seja muito mais conhecido pela sua ênfase na relação individual do crente com Deus, seria um completo erro ignorar a importância que o calvinismo dá à comunhão dos cristãos na igreja. E, aqui, não estamos falando abstratamente da “igreja invisível”, que é a reunião de todos os eleitos, mas da igreja local como corpo visível de cristãos professos (1). João Calvino entendia que a fé cristã não pode se desenvolver apenas na comunhão individual do crente com Deus; a santificação e o crescimento na graça dependem também da comunhão dos crentes uns com os outros, na igreja local.

Franklin Ferreira e Alan Myatt observam o lugar destacado que a congregação tinha na teologia de Calvino:

[Para Calvino,] O local da santificação é a congregação, a igreja visível, na qual os eleito participam dos benefícios de Cristo “não como indivíduos isolados, mas como membros de um corpo”. Assim, a igreja visível torna-se uma “comunidade santa”. […] Em sua discussão sobre a igreja visível, Calvino chamou a igreja de mater et schola de todos os cristãos, porque ela os leva ao novo nascimento por intermédio da Palavra, bem como os educa e alimenta durante toda a sua vida. (2)

Em seu comentário da carta aos Efésios, Calvino parece apontar duas razões pelas quais a igreja local é tão importante para a vida cristã. Em primeiro lugar, a congregação é o ambiente onde o ministério da Palavra é exercido, isto é, onde Deus edifica o Seu povo por meio da pregação. O reformador de Genebra repreende severamente aqueles que não reconheciam o devido valor da igreja local, chamando-os de “soberbos que acreditam que lhes é suficiente a leitura privativa das Escrituras, não tendo qualquer necessidade do ministério da Igreja”. Ele então acrescenta:

[…] em consonância com o mandamento de Cristo, não somos devidamente unidos ou aperfeiçoados senão pela proclamação externa. Devemos deixar-nos ser governados e doutrinados pelos homens. Eis a regra universal, a qual abrange tanto os mais eminentes quanto os mais humildes. A Igreja é a mãe comum de todos os piedosos, a qual suporta, nutre e governa, no Senhor, tanto a reis como a seus súditos; e tal coisa é feita pelo ministério. Os que negligenciam, ou fazem pouco, desta ordem pretendem ser mais sábios do que Cristo. Ai da soberba de tais homens! (3)

Em segundo lugar, João Calvino enfatiza a importância da igreja local por considerar que é na comunhão de uns com os outros que os crentes realmente avançam para a maturidade e para a perfeição. A igreja existe porque Deus distribuiu os Seus dons aos Seus filhos de maneira que eles se tornassem dependentes uns dos outros. Calvino defende a nossa necessidade de comunhão com outros crentes com fortes e belas palavras:

Nenhum membro do corpo de Cristo é dotado de perfeição tal que seja capaz, sem a assistência de outros, de suprir suas necessidades pessoais. […] Deus não concede todas as coisas a ninguém isoladamente, senão que cada um recebe uma certa medida, para que dependamos uns dos outros; e, ao reunir o que lhes é dado individualmente, assim eles têm como socorrer uns aos outros. (4)

Além disso, para o reformador, as dificuldades, desavenças e ofensas que surgem entre os cristãos não são um motivo para que eles se afastem da comunhão; antes, são uma ocasião para que exercitem paciência, a fim de conservarem a unidade do Espírito. Calvino alerta com severidade aqueles que abandonam a comunhão da igreja local, chamando-os de pessoas “estranhas ao reino de Deus”:

Quanto aborreceríamos todo gênero de animosidade se refletíssemos devidamente que todos quantos se separam de seus irmãos, esses mesmos se tornam estranhos ao reino de Deus! E, todavia, mui estranhamente, enquanto esquecemos os nossos deveres de mutualidade para com os nossos irmãos, seguimos nos vangloriando de que somos filhos de Deus. (5)

Em suma, na ótica de Calvino, todo crente precisa estar unido a uma igreja local (a) para ser edificado por meio da pregação, (b) para suprir os demais irmãos com os seus dons, (c) para ser suprido pelos outros irmãos com os dons que eles receberam do Pai e (d) para aprender as virtudes da paciência, da fraternidade e do amor.

À luz das Escrituras, a perspectiva do reformador de Genebra quanto a este assunto é irretocável, e os jovens reformados fariam muito bem em ouvir e acolher as suas admoestações. Por esse motivo, eu gostaria de encorajá-los a não menosprezarem a importância da igreja local, desdobrando a exortação de Calvino nos seguintes pontos:

  • Jovens reformados, permaneçam unidos a uma congregação. Participem regularmente das reuniões de adoração, desenvolvam relacionamentos genuínos com outros membros, engajem-se no dia-a-dia da igreja local. “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hebreus 10.25).
  • Jovens reformados, congreguem numa igreja onde haja genuína pregação. Esse conselho é uma faca de dois gumes. Por um lado, eu realmente os encorajo a serem criteriosos quanto a isso. “Igrejas” onde a pregação é virtualmente inexistente não merecem ser chamadas de igrejas, e você não deveria estar lá. Por outro lado, se você estiver procurando uma congregação onde a mensagem seja exatamente como você sonha, eu diria que há 100% de chances de você morrer procurando (a não ser que você funde a própria igreja…). E, nesse caso, daria toda a razão a Calvino em chamar-lhe de soberbo e autossuficiente. Segundo entendo, o equilíbrio nesse ponto é unir-se a uma igreja onde a pregação seja evidentemente guiada pelas Escrituras, onde o pregador se mostre verdadeiramente submisso à Palavra revelada de Deus – ainda que haja certos pontos de discordância doutrinária – e onde o ensino seja realmente edificante e transformador.
  • Jovens reformados, sejam servos em suas igrejas. Como John Piper gosta de dizer, não sejam “tomadores de vida”, e sim “doadores de vida”. Sirvam os demais irmãos com sinceridade, humildade, mansidão, paciência e amor genuíno. Interessem-se de verdade pela condição espiritual dos irmãos. Não desperdicem o seu tempo criticando os membros de sua igreja por serem preguiçosos no estudo da Bíblia, por serem pouco fervorosos, ou por não serem calvinistas convictos como vocês. Ao invés disso, sejam um modelo; tornem-se um exemplo para eles, “na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza” (1Timóteo 4.12). Se preciso for, deem suas vidas em troca do benefício eterno de seus irmãos.
  • Jovens reformados, aprendam a reconhecer e desfrutar dos dons que Deus concedeu a outros irmãos. Vocês achavam que tinham todos os dons? Pelo menos, os mais importantes? Bem, eu os aconselho a ler 1Coríntios 12 e Romanos 12 e Efésios 4, e então vocês perceberão o quanto são necessitados dos dons que Deus concedeu a outros – e não a vocês. Aprendam a ouvir com o coração aberto a pregação daquele pastor que não faz ideia de quem seja François Turretini ou Geerhardus Vos, mas que ama as Escrituras e as ovelhas de Deus. Aprendam a receber conselhos daquele irmão humilde que comete erros graves de português, mas que se interessa genuinamente pelo seu crescimento em graça. Aprendam a ser repreendidos por aquele senhor de idade que não tem o carisma do Mark Driscoll ou a voz suave do C.J. Mahaney, mas que realmente se importa com a sua pureza e santificação. Enfim, aprendam a serem servidos por outros irmãos, com os dons que o Senhor lhes concedeu.
  • Jovens reformados, aprendam a exercitar a paciência e o perdão. Quem lhe disse que a vida de comunhão da igreja não tem dificuldades, ofensas, desentendimentos? Certamente não fui eu, nem Calvino, muito menos a Palavra de Deus. Aprendam a sofrer no meio da congregação, dando glória a Deus por isso! Aprendam a sofrer o dano, em favor dos irmãos. Parem de resmungar pelos problemas que surgem e comecem a amadurecer na fé, exercitando a mansidão, a paciência, o perdão, a compaixão, a fraternidade e o amor. Aprendam a cantar com o salmista: “Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos” (Salmo 119.71).

Este é o meu último (e longo) conselho a vocês: não menosprezem a importância da igreja local.

Notas:
(1) Desde Lutero, os protestantes fazem distinção entre a igreja invisível, formada pela reunião de todos os eleitos, e a igreja visível, entendida como um corpus permixtum, por conter ao mesmo tempo pecadores e santos, joio e trigo. Calvino defendia que é possível reconhecer uma igreja local como verdadeira a partir de suas marcas distintivas, que eram a pregação da Palavra e a fiel administração dos sacramentos. Posteriormente, os puritanos acrescentaram uma terceira marca distintiva, qual seja, a correta aplicação da disciplina aos seus membros.
(2) FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 926.
(3) CALVINO, João. Efésios. Série Comentários Bíblicos. Trad. Valter Graciano Martins. São José dos Campos/SP: Fiel, 2007, p. 99.
(4) Idem, p. 89-90.
(5) Idem, p. 87

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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