Integridade Inegociável: Exemplos de integridade (Parte 1)

Áurea Emanoela

Integridade inegociável

Anualmente, revistas de circulação nacional elaboram edições especiais destinadas à premiação dos brasileiros que mais se “destacaram” durante o ano. Entre os homenageados estão autoridades políticas, jornalistas e artistas. Além desses homenageados, determinada editora ainda elege o “Brasileiro do Ano” – figura eminente na sociedade brasileira que tenha se destacado em diversos aspectos.

Geralmente, a maioria desses nomes cai no esquecimento nacional com a mesma rapidez com que surgiu. Entretanto, se voltarmos o nosso olhar para a história, nos depararemos com outro grupo que com muito mais razão poderia ser considerado o “melhor e mais brilhante”.

Aspectos históricos

Em 606 a.C, quando o Rei Nabucodonosor – um dos maiores líderes mundiais de todos os tempos – invadiu Judá e tomou Jerusalém, levou dezenas de jovens judeus bem instruídos como reféns para assistirem no palácio do rei e serem ensinados em toda cultura dos caldeus (cf. Daniel 1.3-4).

Um dos moços foi especialmente destinado à grandeza, e hoje seu nome é sinônimo de integridade e de espírito de não-comprometimento. Seu nome era Daniel.

A integridade incita detratores

Deus jamais compromete suas verdades e princípios absolutos em razão de benefícios escusos. Ele sempre age segundo a sua Palavra. Daniel não apenas conhecia essa verdade como também vivia de acordo com ela.

Por toda a vida, Daniel continuou a impressionar os babilônios com seu caráter marcante. Os serviços que prestava ao governador eram insuperáveis, sua integridade era consistente e suas atitudes e condutas no desincumbimento dos deveres diários, inigualáveis:

“Então, o mesmo Daniel se distinguiu destes presidentes e sátrapas, porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava em estabelecê-lo sobre todo o reino” (Daniel 6.3).

Não demorou para que o zelo de Daniel por uma vida sem comprometimentos despertasse o ciúme e a amargura dos oficiais babilônicos. Certamente, Daniel não tinha defeitos de caráter que outros pudessem legitimamente criticar, portanto, seus opositores perversamente começaram a confabular contra ele:

“Disseram, pois, estes homens: Nunca acharemos ocasião alguma para acusar a este Daniel, se não a procurarmos contra ele na lei do seu Deus” (Daniel 6.5).

Os inimigos de Daniel, finalmente, planejaram fazer aprovar uma lei que versava sobre a lealdade ao rei. Astutamente persuadiram o rei Dario a emitir uma irrevogável ordem que o tornaria rei supremo e que proibiria todos de fazerem qualquer petição a outro, deus ou homem, senão unicamente a ele (cf. Daniel 6.6-9).

A penalidade por violar essa nova lei seria a morte. Isso, porém, não impediria Daniel de manter sua obediência sem comprometimento ao Senhor.

A integridade inadmite atalhos

Os padrões superiores de justiça de Daniel e sua integridade simplesmente não permitiam que ele se curvasse ao novo édito do rei, mesmo se tal documento fosse preciso e, na tradição dos medos e persas, impossível de ser mudado.

“Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa e, em cima, no seu quarto, onde havia janelas abertas do lado de Jerusalém, três vezes por dia, se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como costumava fazer” (Daniel 6.10).

Porque Daniel não se desviou dos padrões estabelecidos da oração pessoal e da devoção ao verdadeiro Deus, seus inimigos logo o apanharam transgredindo a lei real e não tardaram em entregá-lo ao rei Dario. Quanto a essa situação, Daniel não precisou apresentar nenhuma defesa elaborada. Sua forte fé e confiança no Senhor o acompanhariam, a despeito do que o rei pudesse lhe fazer.

Integridade na cova dos leões

Certamente o rei Dario guardava muito respeito por Daniel, a ponto de emitir uma ativa e oral preocupação pelo seu bem-estar, a fim de não ter que puni-lo. Dario procurou encontrar uma brecha na lei, todavia sem êxito. Nada podendo fazer de diferente, o rei, relutantemente, aceitou o desejo dos opositores de Daniel, obedeceu à lei que ele mesmo havia assinado e ordenou que o fiel servo de Deus fosse levado à cova dos leões.

Ao cumprir seu dever legal, o rei Dario fez uma marcante declaração: O teu Deus, a quem tu continuamente serves, que ele te livre” (Daniel 6.16). Que comentário poderoso sobre a validade da fé de Daniel e da forte impressão que sua vida de integridade havia causado. Isso sugere que Dario estava disposto a dar crédito ao verdadeiro Deus porque havia testemunhado a vida sem comprometimento e o excelente serviço governamental que Daniel desempenhava.

Sem dizer nenhuma palavra, Daniel apenas permitiu que o curso dos eventos manifestasse a fidelidade do Deus a quem ele servia e em cuja soberania seu coração encontrava descanso.

“Foi trazida uma pedra e posta sobre a boca da cova; selou-a o rei com o seu próprio anel e com o dos seus grandes, para que nada se mudasse a respeito de Daniel. Então, o rei se dirigiu para o seu palácio, passou a noite em jejum e não deixou trazer à sua presença instrumentos de música; e fugiu dele o sono. Pela manhã, ao romper do dia, levantou-se o rei e foi com pressa à cova dos leões. Chegando-se ele à cova, chamou por Daniel com voz triste; disse o rei a Daniel: Daniel, servo do Deus vivo! Dar-se-ia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, tenha podido livrar-te dos leões? Então, Daniel falou ao rei: Ó rei, vive eternamente! O meu Deus enviou o seu anjo e fechou a boca aos leões, para que não me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência diante dele; também contra ti, ó rei, não cometi delito algum” (Daniel 6.17-23).

Uma valiosa lição

Considerando as circunstâncias, Daniel poderia ter seguido o caminho mais fácil, ter sido menos ousado, e ter aberto mãos dos seus padrões de integridade. Mas não o fez. Poderia ter adotado o “jogo da segurança” e descontinuado suas orações diárias pelos próximos trinta dias, mas ele permaneceu fiel aos seus princípios. Desistir deles por causa das intimidações dos seus detratores e comprometer o que era certo não era do feitio do caráter desse servo de Deus.

Testes de fé e integridade não têm, geralmente, esse imediato “final feliz” de que desfrutou Daniel. Jó foi o mais honesto e justo homem do seu tempo, mas, ainda assim, Deus permitiu que Satanás o agredisse (cf. Jó 1.1;8). Isaías creu em Deus, mas foi partido ao meio. Estêvão era um excelente diácono e pregador do evangelho, “homem cheio de fé e do Espírito Santo” (Atos 6.5), todavia, foi apedrejado até a morte (Atos 7.59-60).

Embora Deus não tenha concedido livramento imediato a esses homens, como fez com Daniel, cada um deles cumpriu seu chamado. Todos eles viveram fiel e firmemente, desejando tão somente a vontade de Deus, quer na vida, quer na morte.

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
Baseado em: MACARTHUR JR., John. O poder da integridade. Cambuci/SP: Cultura Cristã, 2001.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

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