Meditações em Filipenses (II): Graças a Deus!

Vinícius S. Pimentel

Meditações em Filipenses

Dou graças ao meu Deus por tudo que recordo de vós, fazendo sempre, com alegria, súplicas por todos vós, em todas as minhas orações, pela vossa cooperação no evangelho, desde o primeiro dia até agora. Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus. Aliás, é justo que eu assim pense de todos vós, porque vos trago no coração, seja nas minhas algemas, seja na defesa e confirmação do evangelho, pois todos sois participantes da graça comigo. Pois minha testemunha é Deus, da saudade que tenho de todos vós, na terna misericórdia de Cristo Jesus. (Filipenses 1.3-8)

Após fazer a sua saudação inicial aos cristãos filipenses, o apóstolo Paulo faz uma oração a Deus pelos irmãos daquela igreja. Este também era um costume do apóstolo em suas cartas: com poucas exceções, as epístolas paulinas em geral contêm uma seção na qual Paulo dá graças a Deus pela vida dos crentes que compõem aquela determinada igreja, assim como apresenta suas petições ao Pai em favor daqueles discípulos do Senhor.

Nesta meditação, queremos nos concentrar no primeiro aspecto da oração de Paulo, isto é, as ações de graças que ele rende a Deus pela vida dos cristãos filipenses.

Ações de graças a Deus, por vós

Meditemos, em primeiro lugar, na alegria que o apóstolo sente por causa dos verdadeiros cristãos. Esta oração está cheia de expressões que expressam o regozijo de Paulo pela vida dos irmãos. Ele diz que sempre se recorda dos filipenses e ora por eles “com alegria” (v. 4). O apóstolo também diz que carrega aqueles irmãos “no coração” (v. 7) e que tem “saudade” de todos eles (v. 8).

Embora já tenhamos visto, na meditação anterior, que a igreja em Filipos tinha um significado especial na vida de Paulo, precisamos reconhecer que essas expressões de alegria e amor pelos irmãos não foram dirigidas exclusivamente àqueles crentes. O apóstolo expressa o seu regozijo também em outras epístolas escritas a outras igrejas (por exemplo, em Colossenses 1.3-8), de maneira que nós podemos afirmar, com certeza, que a alegria aqui externada manifesta a felicidade que Paulo sente por ver, em cada cristão verdadeiro, o crescimento da igreja, o progresso do evangelho e o cumprimento das promessas de Deus na história.

O Senhor Jesus nos ensinou que o amor de uns para com os outros é a grande marca da verdadeira igreja (cf. João 13.34-35). Além disso, também está escrito que devemos nutrir tal amor pelos nossos irmãos que, se for preciso, devemos dar a nossa própria vida em favor deles, assim como Cristo já deu a Sua vida em nosso favor (cf. 1João 3.16).

Agora, uma das maneiras mais autênticas pelas quais o verdadeiro amor se manifesta é através da alegria. Não é uma verdade facilmente reconhecida que nós sentimos alegria em estar com as pessoas que amamos? Com efeito, uma das provas mais evidentes do amor que dizemos sentir pelos nossos irmãos é o prazer que temos em nosso íntimo cada vez em que nos lembramos deles ou em que temos a oportunidade de estar juntos com eles.

A pergunta que precisamos fazer é esta: Será que nós sentimos essa mesma alegria que Paulo tinha, essa exultação sincera e profunda, quando contemplamos o crescimento dos nossos irmãos em Cristo? Será que nós também amamos a igreja e o seu crescimento da maneira que o apóstolo amava? Será que nós carregamos os nossos irmãos no coração e nos lembramos deles com carinhosa saudade?

Que esse tipo de alegria genuína brote e floresça em nossos corações, em favor de cada um dos nossos irmãos em Cristo!

Meditemos, em segundo lugar, na confiança que o apóstolo tem quanto ao futuro dos verdadeiros cristãos. No meio de sua oração, Paulo irrompe em um glorioso e confiante louvor a Deus, dizendo: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (v. 6). Estas palavras, sem dúvida, devem ter sido uma fonte de profundo consolo para os filipenses que a ouviram da primeira vez. Mais do que isso, elas são uma fonte de profundo consolo para todos os verdadeiros crentes que as lêem, ainda hoje.

A vida cristã não é fácil. Seguir Jesus significa também tornar-se participante dos Seus sofrimentos e fazer-se inimigo dos Seus inimigos. Por isso, como cristão, estamos frequentemente envolvidos em lutas e tribulações que, às vezes, parecem que jamais iráo acabar. Somos perseguidos por causa do Evangelho; lutamos continuamente contra as nossas próprias tendências pecaminosas; somos diariamente assediados pelas ofertas que o mundo nos traz; e, algumas vezes, sentimos como se todas as forças malignas do diabo e seus demônios estivessem diretamente voltadas contra nós. Além de tudo isso, lidamos com as dificuldades ordinárias decorrentes do fato de vivermos num mundo caído: problemas na família, dificuldades financeiras, enfermidades ou, até mesmo, a morte de alguém que amamos.

Sim, a vida cristã não é nada fácil. Porém, aqui, o apóstolo Paulo faz uma declaração que certamente nos consola e nos motiva a seguirmos adiante, caminhando com Cristo, a despeito de todos os inimigos contra os quais lutamos e de todas as dificuldades que enfrentamos ao longo da nossa jornada de fé. “Estou plenamente certo”, ele diz, “de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus”.

Que palavras maravilhosas! Não importa o quão difícil seja a vida cristã; não importa que, aparentemente, a igreja esteja sendo derrotada e os inimigos de Deus estejam se saindo vitoriosos; não importa nem mesmo que nós cristãos sejamos fracos em nós mesmos e completamente incapazes de levarmos a cabo a missão que recebemos do Senhor. Absolutamente nada disso tem qualquer significado, pois a causa de Deus prevalecerá, e isso pelo poder do próprio Deus! Todos os propósitos, desígnios e promessas do Senhor se cumprirão cabalmente, porque Ele é poderoso para isso e ninguém jamais foi capaz de resistir à Sua soberana vontade!

Este ponto precisa ser enfatizado de maneira adequada. Paulo afirma estar “plenamente certo” que a obra de Deus não ficará incompleta na vida de qualquer verdadeiro cristão, de maneira que, no Dia de Jesus Cristo, o edifício de Deus – que é a Igreja – estará completamente terminado, acabado. E o apóstolo faz questão de explicar que isso não acontecerá pela capacidade dos homens ou pela virtude dos crentes, mas pelas mãos onipotentes do próprio Deus.

Se você é um cristão genuíno, você precisa reter as palavras de Paulo e gravá-las em seu coração. Não importa o quão fraco você se sinta hoje, ou quantas dificuldades você esteja enfrentando; tão somente creia no poder de Deus que um dia começou esta boa obra em você. Se Ele teve poder para transformar um morto espiritual em uma nova criação, Ele também tem poder para fazer com que você persevere na fé e na santidade até o último dia de sua vida, de maneira que você jamais se perderá de Suas graciosas mãos. Descanse nesta verdade, e continue a caminhar com confiança.

Meditemos, em terceiro lugar, no motivo tanto da alegria como da confiança do apóstolo no tocante aos verdadeiros cristãos. Nós precisamos observar, por fim, que havia algo na vida dos filipenses que justificava tanto a alegria como a confiança de Paulo a respeito da salvação deles. Era o testemunho deles, a maneira como viviam, que evidenciava o fato de que eles eram genuinos participantes da graça de Deus. Por isso, após falar da sua confiança, o apóstolo diz: “Aliás, é justo que eu assim pense de todos vós” (v. 7).

Quais eram efetivamente as marcas na vida e no testemunho dos filipenses que evidenciavam a veracidade da sua fé? Que característica podemos ver na vida daqueles irmãos, que justificam a confiança de Paulo a respeito deles?

Podemos ver, antes de tudo, a constância e a perseverança deles. O apóstolo diz que eles vinham sendo cooperadores dele no evangelho “desde o primeiro dia até agora” (v. 5). Eles não eram crentes inconstantes e instáveis, mas eram firmes em seguir o Senhor em todo o tempo.

Podemos ver, ainda, a participação deles nos sofrimentos de Paulo por causa do evangelho. O apóstolo louva a Deus porque eles o estavam ajudando em suas algemas (v. 7), isto é, eles não estavam envergonhados de Paulo, antes, pelo contrário, estavam unidos a ele naquele momento de sofrimento na prisão.

Podemos ver, por fim, o envolvimento deles na pregação do evangelho. O apóstolo afirma, com alegria, que os filipenses eram seus cooperadores “na defesa e confirmação do evangelho” (v. 7), ou seja, aqueles crentes estavam engajados na missão de evangelizar o mundo e fazer discípulos para o Senhor.

Essas três marcas, assim, eram vistas pelo apóstolo Paulo como sinais evidentes de que os crentes da igreja em Filipos eram genuínos filhos de Deus, homens verdadeiramente nascidos de novo e alcançados pela salvação eterna. Por esse motivo, Paulo se alegrava com a vida deles e tinha confiança de que eles jamais se perderiam do Caminho.

Essas marcas estão presentes também nas nossas vidas? Se sim, que possamos continuar crescendo na graça, sem jamais perder a nossa confiança no poder de Deus para guardar a nossa salvação. Porém, se não temos manifestado essas evidências da verdadeira fé, que possamos nos arrepender do nosso pecado e nos lavar no sangue de Jesus.

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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