Meditações no Salmo 1 (III): Dois destinos inconfundíveis

Vinícius S. Pimentel

Meditações no Salmo 1

Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.

Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido. Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa.

Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação dos justos. Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá. (Salmo 1)

No Salmo 1, o salmista contempla a diferença radical entre a vida do justo e a vida do ímpio. Ele nos chama a observar que a vida do justo é caracterizada por um evidente amor aos mandamentos de Deus (a Lei) e, ao mesmo tempo, nos anuncia que a verdadeira felicidade na vida (bem-aventurança) está apenas com o homem justo, e não com o ímpio.

Se atentarmos à voz de Deus na boca do salmista, encontraremos um caminho seguro para vivermos de uma maneira que o Senhor seja completamente glorificado e nós, completamente felizes. (Leia a Parte I e a Parte II)

Meditemos, em terceiro lugar, na felicidade eterna do justo ao lado de Deus, em contraste com a ruína e a condenação inevitável do ímpio.

Aqui o profeta nos mostra algo que só pode ser verdadeiramente compreendido por aqueles que têm a mente de Deus. Quando o homem natural, sem Deus, olha para a vida do justo e para a vida do ímpio, ele pensa que o ímpio é feliz e o justo, miserável, um pobre coitado que não sabe aproveitar os verdadeiros prazeres da vida. “Que coisa estranha”, diz o ímpio, “esses crentes passam a vida inteira estudando um livro ultrapassado, falando com um Deus que não vêem e seguindo um Salvador que foi crucificado, ao invés de desfrutarem com intensidade as alegrias que este mundo nos oferece”.

Sem dúvida, essa é a mentalidade do homem sem Deus. Ele pensa, na sua loucura, que é realmente feliz na sua impiedade. Mas o salmista nos mostra, com um argumento triplo, que a felicidade do ímpio não passa de ilusão.

Árvore ou palha?

Primeiro, o profeta nos ensina, por meio de uma parábola, que a felicidade do justo é firme e eterna, ao passo que a felicidade do ímpio é ilusória e passageira. Eles são “como a palha que o vento dispersa”. Mas o justo é como uma árvore sólida, firme, plantada no lugar certo, perto do ribeiro de águas que lhe fornece todos os nutrientes necessários – isto é, a lei de Deus, que sustenta a sua vida. Esse homem, diz o salmista, é quem é verdadeiramente feliz. Somente o justo tem felicidade verdadeira e duradoura; o ímpio desfruta apenas de uma felicidade ilusória, que logo desaparecerá.

No celeiro ou no fogo inextinguível?

Segundo, o profeta nos faz olhar para o dia do juízo. Ele nos lembra de que, naquele dia inevitável, os justos serão reunidos a Deus, mas os ímpios não prevalecerão e serão lançados no fogo inextinguível.

Se nós olharmos apenas para esta vida, diremos que “muitas são as aflições do justo” e que os ímpios “não têm preocupações”; de fato, seríamos obrigados a concluir que os justos são “os mais infelizes de todos os homens”. Porém, aqui o salmista nos lembra da razão pela qual apenas o justo pode ser considerado verdadeiramente feliz. E essa razão é que existe um Deus justo e existe um dia para o julgamento de todos os homens, e naquele dia Deus irá finalmente tornar claramente visível a separação radical que Ele faz entre os justos e os ímpios. O que acontecerá com os justos? Eles serão “congregados”, isto é, reunidos por Deus para estarem, para sempre, ao Seu lado. E o que acontecerá com os ímpios? O salmista diz claramente que eles “não prevalecerão”.

Conhecido ou desprezado por Deus?

Terceiro, o profeta nos chama a contemplar, sobre todas as coisas, a fidelidade do Deus da aliança: o justo é objeto do cuidado do Senhor, mas o ímpio é desprezado por Deus.

De um lado, é dito que o Senhor conhece o caminho dos justos. A palavra “conhecer”, quando se referindo ao relacionamento de Deus com o homem, aponta para a eleição eterna, para a aliança de Deus com o Seu povo escolhido (cf., por exemplo, Jeremias 1.5). Ela expressa a idéia de que Deus ama, guarda, protege e vigia a toda a vida de cada membro do Seu povo, de maneira que o justo não precisa se angustiar diante das dificuldades do presente nem temer o seu destino futuro. Afinal, “se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8.31).

Em um claro contraste com o cuidado pactual de Deus pelo Seu povo, o salmista afirma que “o caminho dos ímpios perecerá”. As palavras usadas aqui nos levam a enxergar o ímpio como alguém completamente desamparado por Deus. O ímpio não é objeto do cuidado pactual de Deus; ele não é abençoado com o mesmo amor que Deus dispensa aos Seus filhos, ao povo da aliança. No Salmo 5, o profeta é ainda mais expresso e nos ensina que Deus “odeia a todos os que praticam a iniquidade” (v. 5). O ímpio é descrito, neste salmo e em toda a Bíblia, como um inimigo de Deus, como alguém que será finalmente derrotado por Deus no Dia do juízo e expulso, para sempre, da presença de Deus. Não importa o quão felizes e abençoados os ímpios pareçam estar agora: naquele grande e terrível Dia, eles serão separados do meio do trigo de Deus e lançados num fogo que jamais se apagará.

Conclusão

Portanto, finalizemos com um apelo àqueles que ainda são ímpios e um desafio àqueles que já são justos.

Se você ainda é um ímpio, converta-se a Cristo imediatamente. Você não é verdadeiramente feliz, por mais que pense o contrário, porque o amor e o cuidado de Deus não estão em você. Arrependa-se dos seus pecados, creia em Jesus Cristo e seja batizado.

Se você já foi justificado pela fé em Cristo, confirme a sua justificação empenhando-se em guardar os mandamentos de Deus. Afaste-se dos companheiros ímpios com a sua maneira ímpia de viver. Perceba o quão feliz você é por estar debaixo do amor e do cuidado paternal de Deus, e por ser guardado pelo Espírito Santo para a salvação. Apegue-se à promessa de que, em breve, receberemos na glória a alegria eterna, e descanse na fidelidade de Deus à Sua palavra.

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

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2 respostas em “Meditações no Salmo 1 (III): Dois destinos inconfundíveis

  1. Amém mano. Ótima meditação, continue nesse gracioso trabalho de expor as Escrituras.
    Deus te abençoe em Cristo.

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