Meditações no Salmo 1 (II): O viver separado do justo

Vinícius S. Pimentel

Meditações no Salmo 1

Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.

Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido. Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa.

Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação dos justos. Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá. (Salmo 1)

No Salmo 1, o salmista contempla a diferença radical entre a vida do justo e a vida do ímpio. Ele nos chama a observar que a vida do justo é caracterizada por um evidente amor aos mandamentos de Deus (a Lei) e, ao mesmo tempo, nos anuncia que a verdadeira felicidade na vida (bem-aventurança) está apenas com o homem justo, e não com o ímpio.

Se atentarmos à voz de Deus na boca do salmista, encontraremos um caminho seguro para vivermos de uma maneira que o Senhor seja completamente glorificado e nós, completamente felizes. (Leia a Parte I)

Meditemos, em segundo lugar, no visível contraste existente entre a maneira como vive o justo e o modo como vive o ímpio.

Conforme nos ensina o salmista, a conduta do justo é inconfundível com a conduta do ímpio. O justo e o ímpio vivem de maneiras radicalmente distintas, e isso deve nos levar à mais séria consideração. Se nossas vidas não são marcadas por uma diferença, por uma separação radical em relação à vida dos ímpios, então podemos ter certeza de que algo está muito errado conosco.

Não sejais cúmplices

Primeiro, somos ensinados que o homem justo não se associa com os ímpios. O homem verdadeiramente justo não se cerca de companheiros ímpios, porque ele sabe do perigo de ser seduzido pela poluição de sua conduta.

Obviamente, isso não significa que um crente não deva relacionar-se em qualquer sentido com os incrédulos, pois, nesse caso, teríamos de sair do mundo (cf. 1Coríntios 5.10). Entretanto, o próprio Novo Testamento nos apresenta diversas exortações para que os crentes se mantenham distantes da poluição do mundo e dos homens mundanos (por exemplo, 2Coríntios 6.14-18). O ponto aqui é que o justo se afasta radicalmente dos ímpios em suas impiedades; ele não aprova tais coisas nem participa delas; pelo contrário, ele as reprova e condena, como Paulo também nos ensina em Ef 5.3-11:

Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos; nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices, coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças. Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais participantes com eles. Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (porque o fruto da luz consiste em toda bondade, e justiça, e verdade), 5.10 provando sempre o que é agradável ao Senhor. E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as.

Um novo pensar, um novo sentir

Segundo, somos ensinados que o homem justo não tem a mesma mente nem o mesmo coração dos ímpios. O homem justo não é apenas aquele que vive de maneira correta, mas é aquele que também pensa e sente de maneira correta, isto é, que tem a sua mente e o seu coração renovados pelo Espírito Santo para apreciar o que Deus aprecia e detestar o que Ele detesta.

Vejamos com cuidado que o profeta afirma que o justo “não anda no conselho dos ímpios”. Isto é, ele não aceita a maneira como os ímpios definem o que é certo e o que é errado, o que é bom e o que é mau, o que é justo e o que é injusto. Ele não aceita que os ímpios exerçam influência e autoridade sobre a sua mente, porque ele reconhece que apenas Deus possui tal prerrogativa.

Essa é uma questão particularmente difícil no tempo em que vivemos. Podemos citar diversas influências ímpias que lutam para exercer domínio sobre a mente dos justos. O governo civil, a ciência e a escola são algumas delas. Mas, sem dúvida, nenhuma dessas influências tem sido tão bem-sucedida na tentativa de poluir a mente dos homens quanto a televisão. Penso que não estou exagerando em afirmar que a TV tem sido a grande arma de satanás para fazer os homens andarem no conselho dos ímpios, afastando-os da verdadeira felicidade em Deus.

A TV ensina as nossas mulheres a se vestirem de maneira a atrair o olhar dos homens para o seu corpo; a TV ensina os nossos homens a buscarem um prazer inútil e ilusório na pornografia e na masturbação; a TV ensina os nossos jovens a desprezarem a sabedoria dos mais velhos; a TV ensina aos nossos casais que, se eles têm problemas no relacionamento, a melhor solução é sempre o divórcio; a TV ensina à nossa sociedade que a desonestidade é mais proveitosa do que o trabalho árduo, que o homossexualismo é tão lícito quanto o relacionamento de um homem com uma mulher, que a única coisa com a qual você deve se preocupar no sexo é em estar seguro e que, se por acaso a sua irresponsabilidade e depravação resultarem numa gravidez, fazer um aborto é a melhor opção. A TV ensina que acreditar em Deus é legal, mas que viver de acordo com a Palavra de Deus e ensinar outros a fazerem o mesmo é abusivo e intolerante.

Obviamente, isso não significa necessariamente que você não deveria ter uma TV em casa. Talvez você não deva, mas apenas o Espírito Santo pode orientar o seu coração a fazê-lo; eu não posso pôr sobre você um jugo que o próprio Deus não coloca em sua Palavra. Porém, eu preciso recomendar a você e exortá-lo a ter discernimento, a não usar a TV de maneira indiscriminada. Não permita que os seus filhos sejam educados pela televisão; não deixe que a mentalidade da sua esposa seja moldada pela televisão; e não permita, sob hipótese nenhuma, que os seus próprios pensamentos sejam governados pelos conselhos dos ímpios veiculados na TV.

Como eu amo a Tua lei!

Terceiro, somos ensinados que o homem justo ama a lei de Deus. Essa é uma declaração verdadeiramente notável. Qual é a característica mais importante para definir se um homem é justo? A resposta dada a nós pelo Espírito Santo é: o justo é distinguido pelo seu amor à lei de Deus.

Observemos, aqui, que a expressão “a lei do SENHOR” faz os nossos olhos se voltarem para a Palavra escrita de Deus. Não há margem para discussões aqui; o salmista está dizendo que o justo nutre um amor especial pela Escritura Sagrada, por este Livro maravilhoso através do qual Deus decidiu comunicar-se de maneira infalível com o homem que Ele criou. Portanto, precisamos nos examinar quanto a essa questão. Amamos, de fato e de verdade, a Palavra escrita de Deus?

É preciso dizer, porém, que a expressão “a lei do SENHOR” também dirige a nossa atenção para o aspecto prescritivo, diretivo da Escritura Sagrada. Em outras palavras, o profeta está querendo dizer que o amor do homem verdadeiramente justo está voltado para os mandamentos de Deus. O prazer do justo não vem das curiosidades que ele encontra na Bíblia; também não tem a ver com um mero estudo teórico, com aquele tipo de atitude racionalista, intelectualista e mórbido que alguns demonstram para com a Palavra de Deus. Não, isso não é “amor à lei”. O verdadeiro “prazer na lei do SENHOR” está em deleitar-se, em alegrar-se com os mandamentos de Deus, com as ordens de Deus, com as exigências de Deus. Se eu sou verdadeiramente justo, eu não leio a Bíblia apenas com o interesse de conhecer as histórias ali apresentadas, mas eu busco na Escritura a direção para obedecer a Deus e viver de maneira agradável a Ele.

Agora, notemos ainda que a relação do justo com a lei é uma relação de amor e prazer. No seu comentário deste salmo, João Calvino assim escreveu:

“A partir desta caracterização do homem piedoso como aquele que se deleita na lei do Senhor, nós podemos aprender que a obediência forçada ou servil não é, de maneira alguma, aceitável a Deus, e que apenas são estudantes dignos da lei aqueles que vêm a ela com uma mente alegre, e de tal maneira satisfeitos nas suas instruções, que consideram não haver nada mais desejoso ou delicioso do que fazer progresso nelas”

De fato, por toda a Bíblia o homem de Deus é descrito não apenas como aquele que obedece a Deus, mas como aquele que obedece de coração, com amor (1Jo 5.3).

É a minha meditação, todo o dia!

Quarto, somos ensinados que o homem justo demonstra o seu amor pela lei ao meditar nela. De fato, se acompanharmos as palavras do profeta, teremos de dar um passo adiante e afirmar, aqui, que o prazer do justo na lei de Deus não é algo abstrato; antes, é demonstrado na dedicação e atenção que tal homem dá à Palavra de Deus.

Eu diria, à luz deste salmo, que nós demonstramos prazer na lei do Senhor de duas maneiras. De um lado, fazemos isso gastando tempo no estudo diligente das Escrituras. De outro, provamos nosso amor pela Lei empregando todo o nosso esforço para pôr em prática os mandamentos da lei de Deus. Se alguém estuda a Bíblia com dedicação e empenha-se em obedecer aos comandos de Deus que nos são dados em sua Palavra, tal pessoa dá evidências de ser verdadeiramente justa. Porém, se negligenciamos a leitura sistemática da Palavra ou se não empregamos o devido esforço para sermos obedientes a Deus, então com isso apenas mostramos que não somos justos de maneira alguma.

Como fica evidente, à luz das palavras colocadas na boca do salmista pelo Espírito Santo, a vida do homem de Deus é notoriamente distinguível da maneira como vive o ímpio. Uma vez que o justo é alguém que nasceu de novo, recebendo do Senhor uma nova mente e um novo coração, esse homem não pode mais viver da mesma maneira que vivia antes. Ele, embora ainda seja um pecador, já não é mais um ímpio: a fonte de sua felicidade, que antes eram os prazeres transitórios do pecado, agora é a lei de Deus.

Diante de tão elevados pensamentos, não podemos fazer outra coisa senão examinarmos a nós mesmos: somos justos ou somos ímpios?

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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