A Deus, ano velho

Vinícius S. Pimentel

A Deus, ano velho

Eu acredito que, como cristãos, nós podemos (e devemos) usar a virada do ano como um momento extremamente propício para a reflexão e o autoexame.

Penso que há uma razão teológica pela qual devo crer assim. Foi o próprio Deus quem, em Sua criação, decretou a divisão do tempo em ciclos: Ele separou o dia da noite, organizou os dias em semanas e meses e firmou as estações do ano. Ora, certamente, há um propósito bom e perfeito para o Criador ter agido dessa maneira. E, segundo eu posso inferir, ao menos parte desse propósito que estava na mente de Deus era dar ao homem condições de situar-se no tempo, este trilho poderoso ao qual o Senhor atrelou a Sua criação. Sendo assim, o dia e a noite nos ajudam a saber o momento de levantar e o momento de deitar; as semanas e meses nos mostram quando devemos trabalhar e quando devemos descansar; e as estações do ano nos auxiliam quanto ao tempo de plantar e o tempo de colher.

Mais do que isso, porém, essa periodicidade do tempo nos permite avaliar como temos usado os momentos passados e, ao mesmo tempo, nos estimula a planejarmos como usar melhor os períodos futuros que o Senhor porventura nos conceder.

Portanto, não desprezemos esta oportunidade, que a celebração de Ano Novo nos dá, de considerarmos a nossa própria vida e a maneira como temos usado o tempo desta nossa peregrinação.

Consideremos, em primeiro lugar, como é breve a vida que temos nesta terra. Em sua epístola, Tiago nos alerta: “Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa” (Tiago 4.14). Parece que foi ontem que 2011 começou, não é verdade? E já estamos às portas de 2012! Nossa existência neste mundo é passageira como a neblina que surge nas primeiras horas da manhã, mas rapidamente desaparece.

Será que eu vivi o ano que passou verdadeiramente consciente da brevidade da vida? Como eu administrei o meu tempo, este dom maravilhoso que o Senhor me concedeu? Trabalhei pouco ou trabalhei demais? Dormi pouco ou dormi demais? Passei pouco tempo com a família, ou dediquei-lhe tempo em demasia?

Quanto me empenhei na leitura da Bíblia, na oração, nos jejuns, nas esmolas? Quanto tempo estive em comunhão com a Igreja? Consagrei os domingos para a adoração coletiva ou sem motivo deixei de congregar, desobedecendo o mandamento do Senhor?

Sem importar se somos jovens ou anciãos, deveríamos todos viver à luz do fato de que esta nossa vida terrena é frágil e extremamente curta. Se não foi assim que vivemos neste ano que termina, que possamos nos arrepender e rogar ao Senhor força e disposição para vivermos de maneira diferente no ano que se aproxima!

Em segundo lugar, observemos que o tempo desperdiçado jamais será recuperado. Poucas coisas me incomodam tanto nas Escrituras quanto esta solene advertência feita pelo apóstolo Paulo: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus” (Efésios 5.15-16). Merecemos ser chamados de tolos, cada vez que agimos como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Não, não temos! Na ampulheta da vida, cada grão de areia que passa pelo gargalo jamais retorna para a âmbula superior.

Quanto ao tempo que já desperdiçamos, nada resta a fazer, senão rogarmos por nós mesmos como Paulo fez em favor dos companheiros que o haviam abandonado: “Que isto não nos seja posto em conta!”. Entretanto, há um novo ano que se avizinha. Não sabemos quantos de seus dias viveremos, mas devemos aplicar toda a nossa diligência em não desperdiçarmos um só momento deles. Se dormirmos ou se acordarmos; se trabalharmos ou se estivermos em casa; se comermos ou se bebermos, façamos tudo para a glória de Deus. Afinal, essa é a essência da vida não desperdiçada.

Como Jonathan Edwards ensinava, todos nós já malgastamos tempo demais nos dias em que vivíamos como ímpios, sem esperança e sem Deus no mundo. Agora que conhecemos o temor do Senhor e fomos salvos por Sua graça, devemos “remir o tempo”, usando-o de maneira digna para o nosso Rei. Que o Senhor nos capacite a viver assim em 2012!

Em terceiro lugar, lembremos que a vinda do Senhor se aproxima, numa marcha inexorável. Os debates escatológicos infindáveis jamais poderão ofuscar a clareza com a qual as Escrituras nos exortam a vivermos à luz da vinda do Senhor Jesus Cristo em glória. Paulo nos fala sobre aquele grande Dia com estas fortes palavras:

E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos. Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências.

Também o apóstolo João, ao nos falar sobre a parusia, conclui com uma exortação solene: “E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (1João 3.3). A razão para essas admoestações é óbvia: se o Senhor Jesus voltará com os Seus santos anjos para ajuntar o trigo no celeiro e lançar a palha em fogo inextinguível, assim como para aquilatar cada crente segundo as suas obras, é necessário que estejamos preparados para encontrá-Lo! Quando Ele vier, queremos estar vestidos, e não nus; queremos estar de pé, admirando a Sua glória, e não nos escondendo inutilmente de Sua vista. Contudo, estamos nos preparando para sermos achados assim naquele grande Dia?

Vivemos em 2011 como servos que trabalham diligentemente até a chegada do Senhor? Caminhamos neste mundo como peregrinos rumo à pátria celestial? Fomos virgens prudentes, que aguardaram a chegada do noivo com azeite nas lâmpadas e nas candeias? Se não andamos assim, que possamos nos arrepender de coração sincero e clamar a Deus para que, em 2012, vivamos diante da realidade indubitável da vinda do Senhor Jesus.

Por fim, tenhamos esperança no fato de que Deus ainda nos concede tempo para o arrependimento. Sim, eu estou convicto de que não considerei adequadamente essas coisas no ano que passou. Falhei em viver à luz da brevidade da vida; desperdicei muito tempo; e caminhei muitas milhas nesta terra como se aqui fosse o meu lar. Sei que 2011 não foi, para mim, um ano de grandes avanços. Mas bendito seja o Senhor, o Deus de misericórdias e Pai de toda consolação! Ele ainda nos concede tempo para que nos arrependamos e sejamos transformados pelo poder do Seu Espírito santificador.

Este tempo não é amanhã, dia 1º de janeiro de 2012, pois sequer sabemos se ainda teremos aquele dia para viver. O tempo que o Senhor nos dá para nos arrependermos é hoje, e Ele nos conclama a que não nos demoremos. “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração” (Salmo 95.7-8; Hebreus 3.15). Que assim façamos!

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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