Como estamos?

Áurea Emanoela

Como estamos?

“[…] Meu Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti a face, meu Deus, porque as nossas iniquidades se multiplicam sobre a nossa cabeça, e a nossa culpa cresceu até os céus.” (Esdras 9.6)

Nestes dias, enquanto meditava no livro de Esdras, meu coração foi contagiado por uma alegria que só se explica quando o Senhor, pelo seu Espírito, nos faz enxergar as maravilhas de Sua santa e rica Palavra. Embora esse livro tenha sido escrito por volta de 400-430 a.C. e tenha sido dirigido ao povo que voltava do exílio, ele é tão atual em suas verdades que podemos aplica-lo sem qualquer dificuldade aos nossos dias.

Após setenta anos servindo em terra estranha, sob o pesado julgo de reis pagãos que o Senhor levantara para punir a iniquidade e transgressão de seu povo, Judá finalmente retorna à terra que o Senhor “com mão levantada” (cf. Neemias 9.15) prometera dar a descendência de Abraão. O remanescente que sob a liderança de Sesbazar retornara a Judá levava consigo a incumbência de reconstruir a Casa do Senhor, a qual, por ocasião do exílio, fora totalmente destruída.

Uma vez lançados os alicerces do templo, “todo o povo jubilou com altas vozes, louvando ao SENHOR por se terem lançado os alicerces da sua casa” (Esdras 3.11). Entretanto, em meio aos que “levantaram as vozes com gritos de alegria”, estavam “muitos dos sacerdotes, e levitas, e cabeças de famílias, já idosos, que viram a primeira casa” (v. 12). Os brados de alegria se misturaram às lágrimas de desapontamento dos membros mais idosos por causa do contraste entre aquele pequeno recomeço (cf. Zacarias 4.10) e o esplendor do templo de Salomão. Posteriormente, desapontamentos similares foram igualmente repreendidos (Ageu 2.1-5), mas, no momento, a alegria do Senhor era a força da grande maioria.

Não demorou para que os inimigos do povo de Deus intentassem ardis, culminando com a paralisação da obra até os dias de Dario, rei da Pérsia. Todavia, os profetas Ageu e Zacarias alçaram voz e conclamaram o povo a edificar a Casa do Senhor sob os cuidados e autoridade dAquele que é Rei sobre todas as coisas. Assim, a obra de construção do templo foi concluída quatro anos depois do recomeço do trabalho (cf. Ageu 1.15), vinte anos depois do início da obra (cf. Ageu 3.8) e quase setenta anos depois da destruição do templo de Salomão em 586 a.C.

O cuidado de Deus para com Israel era evidente, e aquelas pessoas eram testemunhas oculares do agir poderoso do Senhor em suas vidas. Deus houvera escolhido Israel para ser o Seu povo, os herdeiros, os filhos legítimos. E, ao longo dos séculos, Deus prova o seu amor para com aquela nação que, em contrapartida, responde com obstinação, rebeldia, apostasia. A resposta de Israel é a mais perversa e vil, um povo que com facilidade esquecia dos benefícios de Deus e andava como as nações pagãs, fazendo aquilo que é abominável aos olhos do Altíssimo, violando a aliança, virando as costas ao Deus todo-poderoso.

Após o retorno do exílio, não demorou para que Israel mais uma vez quebrasse a aliança e se envolvesse com as nações circunvizinhas. Embora a graça de Deus se revelasse continuamente em suas vidas, os israelitas pareciam desprezar a grandeza desse amor. Nos tempos de crise, eles buscavam ao Senhor, mas, nos tempos de paz, não hesitavam em se rebelar contra os estatutos do Altíssimo.

O fato é que nós não somos tão diferentes do povo de Israel. Com a mesma facilidade costumamos “dar de ombros” aos ensinamentos do Senhor; nossa memória é tão curta quanto a deles, e com muita facilidade nos esquecemos dos livramentos, da misericórdia, do favor de Deus para conosco. Somos tão apegados à forma, mas pouco nos importamos com o conteúdo; a verdade tem sucumbido aos “achismos” da nossa vontade; amamos as benesses recebidas das mãos do Senhor, mas temos falhado em Lhe prestar obediência; repetimos as verdades bíblicas, mas elas parecem estar tão distantes da nossa vida cotidiana. Quantas vezes e em quantas situações temos agido como pagãos, pessoas não regeneradas, como se desconhecêssemos a santidade do Deus a quem dizemos servir! Temos falhado em reconhecer os nossos pecados e muitos de nós têm vivido de maneira odiosa, embora escondidos por trás de um falso cristianismo.

Externamente, os inimigos da igreja parecem avançar, “entrincheirados” e prontos a destruir o povo de Deus; internamente, temos padecido de um tipo de cristianismo vergonhoso que despreza a verdade e “encaixota” Deus às necessidades humanas. O sincretismo, tão abominável ao Senhor, tem impregnado as igrejas e pervertido a verdade. Somos coagidos a pensar, a viver e a agir como o mundo, comungando das mesmas práticas, desfrutando dos mesmos pecados.

Quando Esdras foi avisado de que “o povo de Israel, e os sacerdotes, e os levitas não se separaram dos povos de outras terras com as suas abominações” (cf. Esdras 9.1), a primeira reação do sacerdote e escriba foi rasgar as suas vestes, assentando-se atônito (cf. Esdras 9.3). Esdras conhecia o caráter santo do Deus a quem servia e sabia as consequências advindas do pecado.

Israel falhava em andar nos caminhos do Senhor porque continuamente se envolvia com nações corruptas. Nós falhamos porque, igualmente, nos associamos ao mundo e “incorporamos” as suas práticas. Com isso, obviamente, não estou dizendo que os cristãos devem viver isolados, sem qualquer comunicação com o mundo. De forma alguma! A separação a que me refiro é espiritual. Nós devemos nos relacionar com a sociedade levando-a ao conhecimento da Palavra de Deus, vivendo de maneira tal que o nome do Senhor seja glorificado através das nossas vidas, do nosso comportamento, da nossa negativa ao pecado. Vivendo como cristãos totalmente dependentes da graça do Deus bendito.

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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