Conselhos para os jovens reformados: Comecem a orar

Vinícius S. Pimentel

(Vejam o índice na Introdução.)

Semana da Reforma Protestante 2011

5º conselho: Comecem a orar

Eu queria poder expressar este conselho usando um imperativo diferente. Gostaria de dizer algo como: “Perseverem na oração!” ou “Orem sem cessar!”. Mas essas duas frases pressupõem que os jovens reformados já tenham uma vida normal de oração, e – digo com tristeza – isso não é verdade a respeito de muitos de nós.

Parece-me haver duas razões pelas quais os jovens reformados são extremamente pobres em sua vida oração – uma mais superficial, outra mais profunda. A razão superficial é que os jovens reformados desperdiçam tempo demais escrevendo nos blogs, discutindo nos fóruns e compartilhando belas frases no facebook e no twitter. Com uma “vida social” tão intensa, falta-lhes tempo para entrar no quarto e, com a porta fechada, derramar a sua alma diante do Pai nos céus.

Se o Senhor Jesus proferisse o seu Sermão do Monte para nós hoje, eu não me surpreenderia caso Ele utilizasse as seguintes palavras, ao nos falar sobre a oração: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta, faz log off do twitter e do facebook, desliga o celular e o computador, e, então, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará”.

Calma. Eu realmente acredito que Deus, em Sua providência sábia, tem usado a internet e as mídias sociais para tornar a verdade conhecida e glorificar o Seu nome. O trabalho dos blogs e sites cristãos tem se revelado de grande valor na propagação da sã doutrina. Eu não estou questionando a utilidade da tecnologia e a bênção que Deus tem concedido à igreja através dela; eu estou apenas constatando que os jovens cristãos passam muito mais tempo na internet do que aos pés do Senhor.

Agora, eu disse que há um motivo mais profundo pelo qual os jovens reformados são tão pobres em sua vida de oração. E, segundo entendo, a razão é esta: tais crentes, pela sua pouca vivência espiritual, simplesmente desconhecem o real valor da vida de oração e de comunhão com o Senhor. Eles são bastante eloquentes ao falar sobre Deus, mas são pouco experimentados nas maravilhas de falar com Deus. Eles ainda não se aperceberam da sua real necessidade de colocar nas mãos do Pai cada detalhe de suas vidas. Eles ainda não passaram por aflições tão insuportáveis que não deixam ao crente outra alternativa, senão correr desesperadamente ao trono da graça. Eles conhecem muito pouco da alegria de ter orações respondidas, assim como do deleite de derramar-se em ações de graças, na presença do Pai. E, acima de tudo, eles ainda não parecem estar conscientes do modo como Deus usa a oração para mudar – não a Sua vontade, não o Seu propósito, mas o nosso coração.

Quantos jovens reformados podem realmente repetir estas palavras de Jonathan Edwards, a respeito de seu prazer na oração?

Eu tinha anseios muito intensos na alma por Deus e Cristo, e por mais santidade, com o que meu coração parecia estar cheio, a ponto de se partir. […] Passei a maior parte do tempo pensando em coisas divinas, ano após ano; com frequência andando sozinho em florestas e em lugares solitários para meditar, falar sozinho, orar, conversar com Deus; e era sempre meu hábito, nessas ocasiões, cantar minhas contemplações. Eu estava quase constantemente expressando-me em oração, onde quer que estivesse. A oração parecia ser natural para mim, a respiração que dava vazão ao ardor de dentro do meu coração. (1)

Jovens reformados, este é o meu quinto conselho: comecem a orar. Saiam um pouco das mídias sociais e desliguem todos os apetrechos tecnológicos, para dedicarem-se à oração. Vão para lugares solitários e, ali, falem com Deus, o Pai celestial de vocês. Humilhem-se sob a Sua potente mão e desfrutem da abundância de Sua graça. Há muito mais recompensa nisso do que em cem mil visitas no seu blog, ou em um milhão de retweets.

(Sinceramente, eu gostaria de escrever mais sobre este assunto. Mas tenho dificuldades de seguir este conselho mais do que todos os outros juntos. Eu sou culpado de todas as acusações feitas acima! Que o Senhor tenha misericórdia de mim.)

Notas:
(1) Citado em PIPER, John. Em busca de Deus: a plenitude da alegria cristã. 2. ed. São Paulo: Shedd, 2008, p. 146.

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
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