A soberania de Deus e a vontade dos homens (uma ilustração de Stuart Olyott)

Vinícius S. Pimentel

Semana da Reforma Protestante 2011

No post Conselhos para os jovens reformados: Confirmem a eleição de vocês, nós falamos um pouco sobre a doutrina da eleição incondicional.

Uma das questões mais complexas concernentes ao assunto dos “decretos de Deus” é a relação entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana. A teologia reformada, em sua formulação histórica, sempre adotou uma posição compatibilista. Em outras palavras, os reformados entendem que Deus decreta todas as coisas (Ele é absolutamente soberano), sem, com isso, violar a vontade dos homens ou anular a sua responsabilidade. Firme nesse sentido, a Confissão de Fé de Westminster afirma:

Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas. (CFW, III.I)

Essa perspectiva é, claramente, paradoxal. Mas, de fato, é assim que as Escrituras nos ensinam, sem nos dar quaisquer detalhes que nos ajudem a resolver o paradoxo. Portanto, como servos da verdade revelada, nós nos curvamos diante dos insondáveis caminhos de Deus em reverente adoração.

Em seu maravilhoso livro Ministrando como o Mestre, Stuart Olyott nos apresenta uma interessante ilustração acerca do nexo entre a soberania de Deus e a vontade dos homens. Como o próprio autor reconhece, trata-se de uma imagem bastante imperfeita, mas talvez tenha utilidade para alguns:

Posso usar uma ilustração bem imperfeita? É imperfeita porque sugere uma idéia de controle que não é paralela à forma como Deus controla os pecadores, mas talvez alguns leitores a considerem útil. Imagine uma formiga correndo na página que você está lendo. Ela vai para a direita, vai para a esquerda, diminui a velocidade, aumenta a velocidade ou pára – ela faz exatamente o que a agrada. Agora trace uma linha imaginária na superfície da mobília mais próxima. Se quiser, você pode fazer a formiga seguir aquela linha precisamente. Como ela corre por todos os lados da página, tudo que você tem a fazer é segurar o livro sobre a linha e manobrá-lo apropriadamente. Com um pouco de prática você pode fazer o inseto ir exatamente aonde você deseja que ele vá, embora ele esteja correndo por onde quer! Você é soberano mas a formiga está fazendo uma escolha real. (Stuart Olyott. Ministrando como o Mestre: Aprendendo com os métodos de Cristo. São José dos Campos: Fiel, 2005, p. 42-43.)

“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Romanos 11.33-36).

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