Conselhos para os jovens reformados: Introdução

Vinícius S. Pimentel

Semana da Reforma Protestante 2011

Sumário

A Reforma Protestante: origens e desenvolvimentos

Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero afixou, nas portas da Igreja do Castelo de Wittenberg, as suas famosas “Noventa e Cinco Teses”, que versavam basicamente sobre penitências, indulgências e a salvação pela fé. O objetivo inicial de Lutero era discutir as suas teses com outro teólogos e, assim, purificar a Igreja Católica Romana de seus abusos. Todavia, a repercussão e as implicações daquele acontecimento acabaram por deflagrar um grande movimento de renovação espiritual e de retorno ao Cristianismo bíblico: a Reforma Protestante.

Antes de Lutero, os chamados “pré-reformadores” já haviam apontado os graves erros morais e doutrinários em que estava mergulhada a Igreja Romana. Todavia, a Reforma tornou-se muito mais do que isso com a defesa intransigente dos cinco lemas protestantes, os quais expressavam o firme desejo de retorno à fé bíblica: sola Scriptura (somente a Escritura), sola fide (somente a fé), sola gratia (somente a graça), solus Christus (somente Cristo), soli Deo gloria (somente a Deus a glória). Além disso, a tradução da Bíblia para “a língua comum do povo” representou uma das maiores, senão a maior, contribuição de Lutero para a verdadeira fé cristã.

Os desenvolvimentos posteriores fizeram com que a Reforma se distanciasse do luteranismo. Pelo serviço de homens como Ulrich Zwinglio na Suíça, John Knox na Escócia e João Calvino em Genebra, as grandes doutrinas bíblicas passaram a ser anunciadas em toda a sua beleza e vigor, pois a Palavra de Deus estava de volta ao lugar que lhe é devido – no fundamento da fé cristã, no centro da adoração da igreja e, ademais, na mente, no coração e na prática de vida dos crentes.

A Reforma e os jovens do século XXI: um testemunho pessoal

Quase quinhentos anos depois, os frutos da Reforma Protestante ainda podem ser percebidos. Mais do que isso, vemos em nossos dias uma ressurgência das grandes verdades bíblicas em favor das quais os reformadores dedicaram suas vidas. Há, inclusive no Brasil, um indubitável interesse renovado pela “fé reformada”, e esse interesse tem alcançado os jovens cristãos de uma maneira especial. Os jovens têm redescoberto a importância da sã doutrina e encontrado, na teologia reformada, uma sistematização sólida das verdades do Cristianismo. Eles têm sido alimentados pelos sermões, pelos blogs e pelos livros de pregadores reformados modernos, como John Piper, John MacArthur, Mark Driscoll, R. C Sproul, C. J. Mahaney e Kevin DeYoung. Agora, muitos deles estão se familiarizando com os clássicos puritanos e com os livros de Louis Berkhof, Charles Hodge, Cornelius Van Til, Abraham Kuyper e Francis Schaeffer – além, é claro, da vasta obra de João Calvino.

Pela graça de Deus, eu também sou um desses “jovens reformados” brasileiros (1). Jovem porque tenho apenas 21 anos e, também, porque apenas recentemente entrei em contato com a fé reformada. Como muitos desses jovens que hoje se identificam com as doutrinas da Reforma, eu também achava que a tal “predestinação” era uma baita heresia; como eles, eu também enfrentei duros conflitos interiores – na mente e nas emoções – à medida em que o Espírito Santo me convencia, pela Sua Palavra, de verdades eternas que até então me pareciam absurdas; como vários deles, eu também encontrei obstáculos e oposições enquanto trilhava esta “jornada na Graça” – e ainda tenho encontrado!

Como muitos desses jovens, eu também sou – digamos assim – um filho da Pregação Chocante. Eu estava lá quando o vemver.tv legendou A Supremacia de Cristo (ainda considero o melhor vídeo de todos!), quando o Voltemos ao Evangelho ainda era verde (e um monte de gente já me confundia com o Vini…), quando o Rafael Bello ainda iniciava os Pródcasts gritando “Fala, galera!” e o iPródigo nos abençoava com muitos vídeos do Mark Driscoll (sim, isso é uma alfinetada: iPródigo, sinto falta de novos vídeos!).

Desafios aos jovens reformados

De lá para cá, muitos jovens cristãos vêm sendo despertados e desafiados a uma fé mais bíblica e mais centrada em Deus. É bem provável que, em alguns, tal interesse pela teologia reformada seja apenas “fogo de palha”, mas eu estou confiante de que há um genuíno agir de Deus em muitos desses corações, uma obra profunda do Espírito que não ficará incompleta. Eu oro e espero que muitos desses “jovens reformados” (inclusive eu) eventualmente amadureçam e se tornem homens de Deus piedosos, experimentados, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, crentes que vivem e morrem para adornar em todas as coisas a doutrina de Deus, nosso Salvador.

Nós não podemos esquecer, todavia, que entre ser um “jovem reformado” e “alcançar a perfeita varonilidade” há uma distância significativa, um longo e apertado caminho a ser trilhado. Por esse motivo, eu gostaria de oferecer alguns conselhos, advertências e repreensões aos jovens que, como eu, têm abraçado com alegria e entusiasmo a fé reformada. Não o faço como alguém que já avançou significativamente nessas coisas e está pronto a servir-lhes de modelo; pelo contrário, apresento cada um destes conselhos como um companheiro de lutas, como um jovem sujeito às mesmas fraquezas que vocês, como alguém que ainda está.engatinhando nessas coisas e, muitas vezes, ainda tem as mãos descaídas e os joelhos vacilantes.

Que, por meio destes conselhos, o Senhor nos aperfeiçoe e nos conduza até a medida da estatura da plenitude de Cristo, pois esse é o nosso alvo.

Notas:
(1) Em geral, não gosto de me intitular “reformado”, muito menos “calvinista”. Prefiro definir-me utilizando simplesmente aquelas sublimes expressões ensinadas pelas Escrituras: “cristão”, “crente”, “discípulo de Jesus”, “servo de Deus”, “filho de Deus” etc. Todavia, uma vez que eu abraço com alegria os “cinco solas” protestantes e os chamados “cinco pontos do calvinismo”, não seria inexato definir-me como um crente reformado ou calvinista. De toda forma, o grande ponto aqui é que desejo falar diretamente aos jovens que se interessam pela teologia reformada, entre os quais me incluo.

Por: Vinícius Silva Pimentel | PreciosoCristo | Original aqui.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que inclua estes créditos, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

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6 respostas em “Conselhos para os jovens reformados: Introdução

  1. Graça e Paz, Vinícius,

    Muito oportuna esta série de despertamentos.
    Já li um dos conselhos antes de vir para a introdução e me identifiquei muito com sua forma de exposição.
    Creio que seja um “jovem em reformissão” e, se possível, gostaria de uma ajuda para assimilar uma doutrina da graça.
    Abraços.

    • Fellyp,

      Obrigado pelas palavras de encorajamento! Espero que continue lendo o nosso blog e sendo edificado.

      Enviei um e-mail para você a respeito de suas dúvidas quanto às doutrinas da graça.

      Abraço!

      Em Cristo,
      Vinícius

  2. Graça e Paz!
    Nossa, que legal saber que ainda existe espaço para jovens preocupados com Teologia Reformada! Hoje vemos milhares de heresias por aí, que em nada têm a ver com o que os nossos reformadores e nossos pais da igreja primitiva nos deixaram; e, com certeza, informações valiosíssimas devem ser transmitidas através deste site a todos sobre a verdadeira Graça de Jesus Cristo que nos salva. Pretendo vir aqui bastantes vezes.
    Que o Senhor Jesus abençoe muito essa iniciativa.
    Igreja Reformada sempre se Reformando!!!
    Sola Scriptura!!!

    • Caroline,

      É uma alegria para nós servir a Igreja de Deus com os dons que o Pai nos deu por Sua graça. Portanto, é também uma alegria para nós saber que nosso blog tem abençoado de alguma maneira aqueles que nos leem. Continue nos visitando!

      Em Cristo, nosso Tudo em tudo,
      Vinícius

  3. Observação: esse post foi escrito antes de o iPródigo publicar o excelente vídeo “A ira de Deus”, do Mark Driscoll. Parece que eles estavam adivinhando! rsrsrs

    De toda forma, fica a dica: irmãos do iPródigo, nós amamos os textos, mas amamos os vídeos também! 😀

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