Nossa suficiência em Deus

Áurea Emanoela

Nossa suficiência em Deus

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam. (Salmo 23.4)

Há algum tempo o Senhor tem-me inquietado, tem-me feito refletir acerca de algumas questões, e todas elas convergem para uma mesma direção: Em que está firmada a nossa confiança?

Tenho ouvido pregações a respeito da bondade de Deus, das suas promessas, das suas benesses, afirmações de que Deus vai fazer isso e aquilo outro… De fato, Deus é bom, faz promessas (e as cumpre), exalta e abate, fere e sara, Ele é soberano sobre todas as coisas (Deuteronômio 32.39). O evangelicalismo tem crescido, é cada vez maior o número de pessoas que professam a fé em Deus como Senhor e Salvador de suas vidas; todavia, uma indagação é recorrente: em que tipo de Deus temos crido?

Já faz algum tempo que venho meditando nesse versículo do Salmo 23, e me perguntando por que, não raras vezes, esse versículo é suprimido das pregações. Falamos dos verdes pastos, do refrigério da alma, da mesa preparada na presença dos nossos inimigos… Contudo, suprimimos das nossas pregações – ou mesmo da nossa meditação individual – o “vale da sombra da morte”. É inato ao ser humano evitar o sofrimento, embora a Bíblia, ao longo dos seus Livros, nos mostre que as lutas, e mesmo os sofrimentos, fazem parte do caminhar cristão (2Timóteo 3.12; Mateus 16.24; 1Pedro 3.17), e é justamente nesse sentido que o salmista se dirige a Deus, em sua oração no Salmo 23.4.

A suficiência de Davi estava centrada em Deus. No versículo 1º, o salmista declara que “O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará”. Dois versículos abaixo, Davi expressa sua confiança no Deus que é o mesmo, ainda que ele se encontre no mais terrível lugar em que um homem possa estar, “no vale da sobra da morte”. Em outras palavras, o que Davi disse foi: “Porque o SENHOR é o meu Pastor, nada me faltará. Ele estará comigo em todas as situações, desde as melhores até a pior situação da minha vida, porque em Deus não há variação“.

"Deus estará comigo em todas as situações, porque Nele não há variação."

Vendo por esse espectro, é mais fácil compreender a expressão de confiança do salmista no Salmo 42.5 (“Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.”). Aqui o salmista mostra seu anseio, aflito, pela presença de Deus; ele não esconde o quão abatida se encontra sua alma, clama, “grita” como se o Senhor o tivesse esquecido e traz à memória as maravilhas que Deus realizara no meio de seu povo. O autor do salmo não esconde o seu descontentamento; todavia, em meio a essa “enxurrada” de sentimentos, o salmista começa a doutrinar sua própria alma, fazendo-lhe perguntas: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas em mim?” O salmista sabia que Deus o estava assistindo, então responde à sua alma: “Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu“. A suficiência do salmista estava firmada em Deus, portanto, não importava em que situação ele estivesse, o Senhor estaria com ele!

Outra expressão de confiança em Deus encontra-se no livro de Jó – e essa, acredito eu, é uma das mais belas declarações de fé na suficiência do Todo-Poderoso. No capítulo 13, Jó declara: “Ainda que ele me mate, contudo nele esperarei” (v. 15a RAC). Jó sofrera grandes perdas nas áreas da vida que mais afetam os seres humanos: familiar, física e financeira. Poderíamos dizer que Jó era o mais miserável dos homens. Todavia, mesmo diante de todas as calamidades que se abateram sobre a sua vida, ele reforça a sua confiança no Senhor. Ele sabia que o Deus em quem ele cria e em cujos caminhos andava (Jó 1.1) não o abandonaria, e era exatamente esse o Deus em quem Jó esperava.

Em Filipenses 4.4, Paulo declara: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos”. O apóstolo não nos faz um convite, ao qual podemos ou não aceitar; pelo contrário, a expressão, no imperativo, ecoa como uma ordem, um dever que deve ser seguido por todos os cristãos e em todas as situações, quer no manancial, quer no vale da sobra da morte (“Regozijai-vos sempre no Senhor”). O significado da palavra regozijo é alegria, contentamento, e é isso que Paulo nos manda fazer, em todo tempo (ver também 1Tessalonicenses 1.6). Ah, mas uma ordem como essa pode soar fácil para Paulo, não para minha vida ou para sua… certo? Não! Paulo, ao escrever a carta à igreja em Filipos, não gozava de uma situação de conforto ou segurança; pelo contrário, estava preso e não sabia o que seria do dia de amanhã, se seria mais um dia na sua vida ou o último dia da sua peregrinação. Contudo, o apóstolo sabia que, embora ele estivesse preso, “a palavra de Deus não está algemada” (2Timóteo 2.9). A suficiência de Paulo estava no Senhor, não importava o que houvesse; a sua alegria não dependia da situação em que ele se encontrava, mas se Deus estava com ele.

"A suficiência de Paulo estava no Senhor, não importava o que houvesse."

Assim como Davi, Jó e Paulo, outros homens “comuns”, sujeitos às mesmas inquietações e medos que nós, viveram dessa maneira, confiando suas vidas a Deus, crendo na Sua suficiência por mais difícil que fosse a situação em que se encontravam, tendo por certo que nada foge aos olhos atenciosos de JEOVÁ e descansando na certeza de que “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Romanos 8.18).

Por: Áurea Emanoela Holanda Lemos | PreciosoCristo | Original aqui.
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